Tuesday, September 29, 2015

Projeto transforma bibliotecas públicas com uso de tecnologia

29/09/2015
 
Foto: Shuttestock
Foto: Shuttestock

Iniciativa do CDI vai distribuir computadores e capacitar bibliotecários para tornarem o espaço mais convidativo à comunidade

Por Marina Lopes –

Quando se fala em uma biblioteca, as estantes repletas de livros e o silêncio absoluto costumam ser a primeira cena que vem à cabeça. Para ressignificar esse espaço, o CDI (Comitê para Democratização da Informática) deu início ao programa Recode, que vai estimular iniciativas de empoderamento digital em 50 bibliotecas públicas nas cinco regiões do país.
A partir do uso de tecnologia, o projeto pretende desenvolver um ambiente de inovação nas bibliotecas, permitindo que elas se tornem um espaço de convivência, onde os jovens se reúnem para experimentar ferramentas digitais que auxiliam na resolução de problemas da sua comunidade. Com patrocínio da Bill & Melinda Gates Foundation, que investiu US$ 2,3 milhões, e apoio do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, a iniciativa prevê a distribuição de 500 novos computadores e realização de formações para bibliotecários que atuam nesses locais.
“O fato da biblioteca ser vista apenas como um espaço de leitura pode afastar as pessoas. Ela não se torna um espaço de convívio”, diz Elaine Pinheiro, diretora executiva do CDI Brasil. De acordo com ela, a biblioteca inovadora deve interagir com a comunidade, acolher a tecnologia e ter o jovem como um participante ativo. “Ele vai se apropriar da biblioteca como um espaço para criar, reinventar e convidar amigos para discutir temas”, explica.
Cada biblioteca selecionada pelo programa vai receber dez computadores, que serão espalhados pelo espaço para integrar o digital com o analógico (representado pelos livros). “Pode ter uma estação de música, um livro, um computador ou um tablet, uma roda de histórias ou palco para crianças. Ele [frequentador] vai se apropriando daquilo na medida em que precisa”, exemplifica.
Dentro do Recode, os bibliotecários irão assumir o papel de reprogramar esse espaço físico da biblioteca com o apoio da comunidade. Para auxiliar, eles participarão de formações onde serão discutidas questões de comunicação, metodologias participativas e mapeamento de parceiros locais. A ideia é que eles consigam, junto com a equipe do programa, criar novas práticas e projetos onde o uso da tecnologia possa incentivar o acesso à informação.
Os projetos de empoderamento digital para jovens criados pelas bibliotecas deverão trabalhar com uma metodologia baseada em três pilares: resolução de problemas, desenvolvimento de habilidade para o século 21 e autonomia no uso das tecnologias da informação e comunicação. “Aliar a tecnologia e a metodologia participativa ao espaço da biblioteca é um caminho muito assertivo para evoluir.”
O programa foi lançado no dia 9 de setembro, durante um evento na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, em São Paulo (SP). Atualmente está em fase de lançamento presencial nas bibliotecas e início da formação com os bibliotecários. (Porvir/ #Envolverde)
* Publicado originalmente no site Porvir.

Wednesday, September 23, 2015

Lançamento do livro "Outras pelejas", do poeta Jurandir Barbosa no 29º Psiu Poético






O livro "Outras pelejas", do poeta e editor Jurandir Barbosa, será lançando dia 05 de outubro, em Montes Claros, Minas Gerais, dentro da programação do 29º Salão Nacional de Poesia Psiu Poético

Monday, September 21, 2015

FEIRAS LITERÁRIAS - Setembro a dezembro de 2015


BIENAL DO LIVRO DE PERNAMBUCO (PE)
Quando: 2 a 12 de outubro | Onde: Recife (PE) | Saiba mais
FLICA – FESTA LITERÁRIA DE CACHOEIRA (BA)
Quando: 14 a 18 de outubro | Onde: Cachoeira (BA) | Entrada gratuita | Site oficial
FLIBO – FEIRA LITERÁRIA DO BOQUEIRÃO (PB)
Edição dedicada à literatura de cordel
Quando: 28 a 31 de outubro | Onde: Boqueirão (PB) |
PALAVRA EM MOVIMENTO – ARNALDO ANTUNES (DF)
Exposição com caligrafias, colagens, instalações e objetos poéticos do escritor.
Quando: Até 8 de novembro | Onde: Museu Nacional dos Correios, Brasília (SCS – Setor Comercial Sul, Qd. 4, Bl A, nº 256)
FÓRUM DAS LETRAS DE OURO PRETO (MG)
Quando: 4 a 8 de novembro | Onde: Ouro Preto | Mais informações | Entrada gratuita
FEIRA MIOLOS (SP)
Quando: 7 de novembro | Onde: São Paulo – Biblioteca Mário de Andrade |Mais informações | Entrada gratuita
FIQ – FESTIVAL INTERNACIONAL DE QUADRINHOS (MG)
Quando: 11 a 15 de novembro | Onde: Belo Horizonte (MG), Serraria Souza Pinto (Av. Assis Chateubriand, 809 – Centro) | Site oficial | Entrada gratuita
11ª FLIPORTO – FESTA LITERÁRIA INTERNACIONAL DE PERNAMBUCO (PE)
Quando: 12 a 15 de novembro | Onde: Olinda , no Colégio de São Bento, Centro Histórico | Site oficial | Entrada gratuita
BIENAL DO LIVRO DA BAHIA (BA)
Quando: ainda a definir | Onde: Salvador | Site oficial
 FESTA DO LIVRO DA USP (SP)
Quando: | Onde: USP, em São Paulo |

Fonte: http://roteirosliterarios.com.br/agenda-literaria/

Livro sobre literatura piauiense



10 de Junho de 2015

Camila de Oliveira


Alunos do sexto bloco do curso de Letras/Português da Universidade Estadual do Piauí (UESPI), Campus Alexandre Alves de Oliveira em Parnaíba, lançarão o livro “Entre as linhas do Piauí: 14 escritores em destaque”. O livro foi escrito por 36 alunos do curso e organizado pelo professor Marcílio Machado Pereira. O lançamento faz parte da programação do II Simpósio Nacional de Letras/Português, que acontece entre os dias 10 e 12/06.
“Entre as linhas do Piauí: 14 escritores em destaque”, contém 14 trabalhos, sendo 12 artigos e 2 ensaios, sobre grandes escritores piauienses como Assis Brasil, Da Costa e Silva, Mario Faustino, Francisco Gil Castelo Branco e Fontes Ibiapina. Segundo Marcílio, o livro “é uma produção acadêmica para além da síntese biobibliográfica, mirando na crítica literária e formando um panorama que abarca boa parte do espectro de nossa literatura”.
Através do livro os autores tentam resgatar a riqueza literária piauiense, que segundo eles, nem sempre é valorizada. O livro será apresentado ao público na quinta-feira (11/06), às 20h, no auditório do Campus da UESPI em Parnaíba, encerrando o segundo dia do Simpósio.

Fonte:
Assessoria de Comunicação - UESPI
ascom.uespi@gmail.com
(86) 3213-7398 

Wednesday, September 16, 2015

Morre o escritor Esdras do Nascimento, aos 81 anos


15 de setembro de 2015  
O escritor Esdras do Nascimento
O escritor Esdras do Nascimento

Romancista sofria de enfisema pulmonar há um ano e não resistiu a uma infecção na última sexta-feira

Apesar de ter trabalhado por anos no Banco do Brasil, era à literatura que ele queria se dedicar integralmente. Com 19 obras publicadas, entre romances, coletâneas de contos e ensaios, Esdras do Nascimento morreu na última sexta-feira no hospital Copa D’Or, onde estava internado há vinte dias para se tratar de uma infecção pulmonar. Ele sofria de enfisema pulmonar há um ano. Seu corpo foi cremado no Memorial do Carmo, no Caju, no sábado.
Nascido em 1934, em Teresina, no Piauí, e radicado por muitos anos no Rio de Janeiro, o escritor atuou também como crítico literário e professor de escrita e literatura. Recentemente ele concluiu o livro “Rerom Novarum — Opus 18”, que contava um pouco de sua própria história. A obra ainda está em processo de publicação.
— Depois de se aposentar ele veio fazer o que gostava, dar a caminhada em Copacabana, beber vinho com a minha mãe e escrever. Há cerca de cinco semanas ele disse: “Acabei meu livro, agora posso descansar” — lembra o filho Daniel Nascimento.
O amor pelas palavras também é citado por Esdras Costa Nascimento, irmão de Daniel: — Ele escrevia diariamente oito horas por dia. As vezes reclamava que no Brasil era difícil de se viver da literatura, mas sempre quis isso.
O livro de maior repercussão do autor foi “Lição da noite”, lançado em 1998 pela editora Record e premiado como romance do ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). A obra traça um panorama da classe média carioca, com uma narrativa que se alterna entre o ponto de vista de quatro mulheres e três homens.
Além de “Lição da noite”, Esdras publicou romances como “Solidão em familia” (1963) e “Variante Gotemburgo” (1978), resultado de sua tese de doutorado em Letras pela UFRJ. É autor ainda de um livro de ensaios sobre Henry Miller e do volume de contos “Vinte histórias curtas” (1960), entre outros.
Por mais de 20 anos, Esdras foi professor em oficinas literárias no Rio e em outras cidades. Defendia a necessidade de estimular em seus alunos a leitura atenta de grandes romances e contos da literatura brasileira e universal.
Esdras do Nascimento deixa a mulher Dalva e três filhos, Daniel, Esdras e Andrea.
(Fonte: O Globo)



ENTREVISTA SIMULTÂNEA
Esdras do Nascimento
Nasceu em 8 de fevereiro de 1934, em Teresina, PI. Filósofo, jornalista, tradutor, romancista e doutor em Letras pela UFRJ. Para obter o título de doutor em 1977, apresentou como tese o romance Variante Gotemburgo (Liza/Nórdica, 1982). Pela primeira vez no Brasil e, talvez, no mundo, uma universidade aceitou uma obra literária como tese para obtenção de grau acadêmico. Seu primeiro livro saiu em 1960 – Vinte histórias curtas (Sávio Antunes) – e o primeiro romance saiu em 1963: Solidão em família. (Civilização Brasileira). No ano seguinte Convite ao desespero é lançado pela Civilização Brasileira e, em 1998, é relançado pela MultiMais. Com esses dois romances, inscreve-se na galeria dos destacados autores nacionais. Avesso às badalações literárias, foge de reuniões sociais, noites de autógrafos e eventos de qualquer tipo. Seu 12º romance – Lição da noite – recebeu o prêmio de melhor romance de 1998 pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Sem abandonar o romance, passou a escrever para o público infanto-juvenil, conseguindo grande sucesso com O gato de botas, Quatro num fusca, Era urso?, Os três desejos, A galinha dos ovos de ouro e o menino sem pátria, todos lançados pela Ediouro. Outros livros: Tiro na memória (Nórdica, 1978); Engenharia do casamento (Record, 1968); Paixão bem te temperada (Nórdica, 1986); As surpresas da paixão (Nórdica, 1986); Minha morte será manchete (Revan, 1994); A dança dos desejos, opus 13 (A Girafa, 2006); A rainha do calçadão, Opus 14 (Global, 2011), A dança das paixões, Opus 15, (Descaminhos, 2013) e Lábios africanos, Opus 17 (Cintra, 2014) em que expõem as mazelas do Rio de Janeiro, seus mistérios, beleza, desafios e desgraças. Durante muito tempo dirigiu uma uma oficina de criação literária. Faleceu em 11/09/2015.
Prossiga na entrevista:

Mônica Sifuentes, um poema para Bárbara


Monday, September 14, 2015

Negociações climáticas ignoram questão da água em um mundo com escassez cada vez maior

14/09/2015

Previsão é de secas cada vez mais frequentes, inundações e alterações dos calendários pluviométricos em geral, provocando riscos à saúde e à segurança alimentar, além de importantes tensões geopolíticas.

Por Luna Gámez, Juliana Splendore e Carlos Garcia, especial para o ISA

As negociações da Conferência Internacional do Clima (COP-21) – que acontecem em dezembro, em Paris – não contemplam o problema da água, um recurso essencial fortemente impactado pela mudança climática.
Os negociadores reunidos na penúltima rodada de negociações prévias ao evento, em Bonn, Alemanha, na semana passada, a menos de 100 dias da conferência, seguiram ignorando o assunto. Ele simplesmente não aparece em nenhum documento preliminar da conferência.
Apesar disso, a situação da água é um dos principais indicadores sobre os efeitos da mudança climática. Por causa do aumento da temperatura média global, até o final do século as fontes renováveis na superfície e os recursos hídricos subterrâneos diminuirão consideravelmente nas regiões secas subtropicais.
A previsão é de secas cada vez mais frequentes, inundações e alterações dos calendários pluviométricos em geral, provocando riscos à saúde e à segurança alimentar, além de importantes tensões geopolíticas. Esse cenário é detalhado no relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) lançado no ano passado.
Além disso, em escala planetária, estamos enfrentando alterações de ecossistemas essenciais para o ciclo d’água como o derretimento das geleiras, a salificação de mananciais (decorrente do aumento do nível do mar) e a acidificação dos oceanos.
O desafio aumenta considerando que, até 2050, a demanda de água crescerá 55%, puxada pelos usos agrícolas, crescimento da população e pela produção de energia, como explica o relatório “Água para um mundo sustentável”, lançado por agências das Nações Unidas neste ano.
“A água é o denominador comum de todos os aspectos da mudança climática. Mudança climática é mudança hídrica”, ressaltou Torgny Holmgre, diretor executivo do Instituto Internacional da Água de Estocolmo (SIWI, na sigla em inglês), durante a Semana Internacional da Água, realizada em Estocolmo, Suécia, há 15 dias.
Os especialistas que participaram do evento insistiram na necessidade de inserir o tema da água nos processos de negociação relacionados ao financiamento climático, – principalmente o Fundo Verde; aos Planos de Adaptação Nacionais; e às Contribuições Nacionalmente Determinadas Pretendidas (INDC, sigla em inglês). A ideia é que a inclusão do assunto nesses mecanismos faria da gestão dos recursos hídricos parte essencial das ações de mitigação e de adaptação às mudanças climáticas.
Amazônia em foco
O Brasil é o país mais rico em fontes de água doce não congelada. Só a Bacia Amazônica contém 20% do recurso. Cientistas acreditam que a diminuição das precipitações no Sudeste do país pode ser resultado das alterações climáticas decorrentes do desmatamento da Amazônia. A floresta amazônica libera na atmosfera, a cada dia, 20 milhões de toneladas de água que são transportadas pelos ventos alísios até o Sudeste, por meio dos chamados “rios voadores”, com um volume hídrico maior que o do próprio Rio Amazonas (saiba mais).
A proteção das florestas e a governança hídrica são objetivos importantes para garantir a segurança hídrica no planeta, segundo destacam as Nações Unidas no último relatório sobre Sustentabilidade Hídrica.
Brasil apresenta um nível de estresse hídrico de 0,659, sendo 0 o menor nível de estresse e 1 o maior nível de estresse. Estresse hídrico indica o nível de demanda de água que supera a oferta deste recurso
Brasil apresenta um nível de estresse hídrico de 0,659, sendo 0 o menor nível de estresse e 1 o maior nível de estresse. Estresse hídrico indica o nível de demanda de água que supera a oferta deste recurso

Acesse aqui o infográfico fonte do mapa acima.
Mudança climática, estresse hídrico e alimentação
Os especialistas que participaram do encontro em Estocolmo reforçaram que os fenômenos climáticos extremos já estão impactando as safras de numerosas culturas agrícolas. “Cerca de 90% da agricultura no planeta depende da água da chuva”, afirmou Malin Falkenmark, pesquisadora do SIWI.
Um exemplo é o milho, que será um dos produtos mais afetados pela mudança climática. De acordo com as estimativas do Grupo de Investigação de Agricultura
Internacional, a produção dessa cultura poderá ter uma redução de 25% até 2055. No Brasil, até 2020 a produção de soja pode diminuir 24% e a do trigo, 41%, segundo o World Resources Institute.
Evolução das safras para 2050 em um mundo com um acréscimo de mais 3ºC na temperatura média. Fonte - WRI
Evolução das safras para 2050 em um mundo com um acréscimo de mais 3ºC na temperatura média. Fonte – WRI

No contexto das mudanças climáticas, os atuais padrões de uso de água para a agropecuária são cada vez mais insustentáveis. Para a produção de um quilo de carne bovina, por exemplo, são necessários atualmente 15 mil litros de água, segundo a Rede da Pegada Hídrica, ao mesmo tempo que muitas regiões do planeta, principalmente na Ásia e na África Subsaariana, enfrentam situações de alto estresse hídrico. Uma região ou população enfrenta estresse hídrico quando a demanda supera a quantidade de água disponível. Em consequência, tornam-se urgentes compromissos de eficiência e de redução do uso da água nos processos produtivos como medidas essenciais de adaptação à mudança climática (leia mais).
BOX
A água nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável
O acesso à água limpa e segura é um direito humano essencial à vida, segundo uma resolução das Nações Unidas aprovada em julho de 2010. A segurança de provisão de água, de saneamento para todos e de gestão sustentável do recurso constitui um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para 2030 – que devem ser aprovados no mês de setembro na assembleia das Nações Unidas em Nova Iorque.
Como resultado dos esforços de cada país para alcançar a meta dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) para 2015, mais de 2,3 bilhões de pessoas no mundo conseguiram acesso a fontes seguras de água desde 1990, segundo o relatório de metas atingidas no decénio da água das Nações Unidas (2005-2015).
No entanto, existem 1,6 bilhão de pessoas que moram em países e regiões com uma escassez de água absoluta e estima-se que esse número possa crescer até 2,8 bilhões em 2025, segundo o Banco Mundial. (ISA/ #Envolverde)
* Publicado originalmente no site Instituto Socioambiental.

http://www.envolverde.com.br/1-1-canais/negociacoes-climaticas-ignoram-questao-da-agua-em-um-mundo-com-escassez-cada-vez-maior/
 

Friday, September 11, 2015

Sair dos tigres de papel para salvar as águas?

11/09/2015

Fundo do Açude Carnaubal que abastecia a cidade de Crateús, no Ceará. Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil (05/03/2015)
Fundo do Açude Carnaubal que abastecia a cidade de Crateús, no Ceará. Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil (05/03/2015)

Por Washington Novaes *
É muito inquietante a leitura do relatório Governança dos Recursos Hídricos no Brasil, com 300 páginas, divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), integrada por 34 países. Ao mesmo tempo que demonstra o potencial extraordinário desses recursos no País, o documento analisa a precariedade da aplicação das normas de regulação, conflitos entre várias instâncias reguladoras (federais, estaduais, municipais, 200 comitês de bacias) – às vezes até em trechos diferentes de rios –, a disputa dos recursos advindos da cobrança pelo uso, a baixa capacidade de execução desses meios e a limitada eficácia na implementação de normas e planos dos comitês de bacias hidrográficas. Tudo tão preocupante que o relatório chega a dizer que os planos não passam de “tigres de papel” ou de “promessas a serem cumpridas por outros”.
Então, é preciso mudar quase tudo, para que o País possa desfrutar de modo eficiente sua condição de detentor de quase 12% da água superficial do planeta, que até parece posta em dúvida pelo noticiário nos meios de comunicação, tantas são as crises de abastecimento, escassez, poluição, conflitos, etc. Se os textos descentralizados são resposta adequada à diversidade física e legal e às condições locais, por outro lado desafiam a necessidade de coordenação entre demandas diferenciadas, escassez ou abundância, poluição ou tratamento – além das diferenças entre setores econômicos (geração de energia elétrica, irrigação, indústria, abastecimento domiciliar).
As tentativas mais recentes e solução partiram, em 1997, da Lei da Política Nacional de Recursos Hídricos, a que se seguiu a criação da Agência Nacional de Águas (ANA), em 2000. E já ficava clara a questão de saber qual a escala funcional adequada em cada questão concreta. Ao contrário da gestão centralizada e tecnocrática do regime militar, partia-se para uma “governança multinível, integrada e localizada dos recursos hídricos”. Mas com muitos problemas, segundo o relatório.
O primeiro deles está em que os planos de recursos hídricos em níveis nacional, estadual, local e de bacia “são mal coordenados e não chegam a ser colocados em prática, por falta de financiamento ou limitada capacidade de acompanhamento e execução”; não estabelecem prioridades ou critérios claros para “definir os recursos disponíveis e orientar as decisões de alocação para o desenvolvimento de energia hidrelétrica, extensão da irrigação e uso doméstico, entre outros”.
Outra questão central é “a incompatibilidade entre as fronteiras administrativas municipais, estadual e federais”, que levanta o problema da escala adequada. Por exemplo: quem define as normas de qualidade da água e regras de captação onde dois ou mais órgãos de gestão dos recursos hídricos são responsáveis por trechos diferentes de um mesmo rio?
Terceira: cobranças pelo uso da água (onde existem) são baixas e raramente se baseiam em estudos de acessibilidade ou em avaliação do impacto. Além disso, os comitês de bacias têm “fortes poderes deliberativos”, mas “limitada capacidade de implementação”.
Apesar da linguagem cautelosa, o diagnóstico aponta para um quadro estarrecedor, acentuado pela crise mais recente no setor, que “lançou um holofote político sobre desafios mais estruturais”, em hora de previsões sobre crescimento populacional e econômico, além de mudanças climáticas. Será indispensável que o Plano Nacional de Segurança Hídrica e o Plano Plurianual, previstos para 2016, mudem o quadro, com encontro entre as várias políticas e instâncias. E para isso o relatório faz recomendações e propõe um plano de ação.
Entre as propostas e recomendações estão: pôr os recursos hídricos como prioridade estratégica, “com benefícios econômicos, sociais e ambientais mais amplos”; fortalecer o poder e efetividade dos conselhos nacional e estaduais de recursos hídricos, “para orientar as decisões de mais alto nível”; fortalecer “a efetividade das instituições em nível de bacia” a adoção de mecanismos de preços, incluindo – o que é de extrema importância – cobranças pelo uso da água.
Há muitos outros ângulos decisivos na análise, entre eles o de que “o Conselho Nacional de Recursos Hídricos não tem desempenhado plenamente o seu papel de coordenação intersetorial”, assim como o de que “o nível de representação dos ministérios não é suficiente, o que enfraquece sua influência no processo de tomada decisões e nas orientações estratégicas”. Como avançar, então?
A imagem de “abundância de água no Brasil gera uma lacuna de conscientização que dificulta enfrentar as questões prementes”. De fato, a vazão média nacional de água chega a 180 mil metros cúbicos por segundo, de acordo com a ANA. E a retirada total de água a apenas 0,9% do volume total disponível, ou 2.373 m3/segundo em 2010, mas que cresceu 30% nos últimos cinco anos. Cerca de 50% da água captada não volta para os rios. A agricultura capta 54% do total, o abastecimento humano 25% e a indústria 17%. As perdas na distribuição urbana da água chegaram a 36,9% em 2012. E o consumo doméstico médio de água per capita era de 167,5 litros/dia, variando conforme as regiões. Só 48% dos esgotos domésticos eram coletados e 39%, tratados.
A água, conclui o relatório, “tornou-se um fator limitante para o desenvolvimento econômico, políticas de saúde pública e bem-estar no Brasil”. Se não sairmos desse emaranhado que o relatório mostra, continuaremos navegando nesse mar de “tigres de papel”.
Duas correções – No artigo de 21/8, onde escrevi que a emissão da agropecuária no Brasil era de 1,56 bilhão de toneladas, esse total era da emissão total do País. No artigo de 4/9, onde está a menção de um PIB de R$ 5,68 bilhões em 2030, o correto é R$ 5,52 trilhões. Agradeço aos leitores Mark Zulauf e Antônio Paulo B. Coutinho. (O Estado de S. Paulo)
* Washington Novaes é jornalista (e-mail: wlrnovaes@uol.com.br).
** Publicado originalmente no site O Estado de S. Paulo.