Friday, September 05, 2014

Famoso andarilho do campus, Piauí é antigo morador da USP

PIAUÍ

Mariane Roccelo   03/09/2014
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Luiza Fernandes
Piauí
Pouco se sabe das razões que fizeram com que ele perdesse o senso da realidade. Após ser internado algumas vezes
 
Com os olhos semicerrados, na tentativa de driblar os problemas de visão, Herbert Williams Coutinho Melo, o Piauí, pesquisa, atentamente,  o site da NASA  (Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço) no computador da biblioteca da Escola de Comunicações e Artes da USP. O tema em questão é corriqueiro nos assuntos do famoso transeunte, conhecido por discursar aos ventos sobre política, repressão, galáxias e satélites.
Há quase 30 anos na USP, ex-aluno de ciências sociais e ex morador do bloco F do CRUSP, o andarilho passa seus dias passeando pela universidade e conversando com quem estiver disposto a lhe dar atenção. “Nasci em Teresina (…) e fiquei conhecido como nordestino aqui na USP”, diz. Ao ser indagado sobre o que costuma fazer nos computadores das bibliotecas ele responde: “Eu aciono meus satélites inteligentes”.
Pouco se sabe das razões que fizeram com que ele perdesse o senso da realidade. Após ser internado algumas vezes a pedido da Universidade, Piauí se mostra irritado quando pergunto sobre as internações forçadas. Segundo o funcionário do sindicato dos trabalhadores da USP e amigo de Piauí, Marco Antonio Rodrigues, “Ele vive praticamente da ajuda da comunidade, dos estudantes”. Segundo Marco, Piauí leva uma vida tranquila e gosta muito de falar e ser ouvido, “A relação dele com o sindicato é muito próxima porque ele acaba fazendo a refeição comigo. Eu abro o sindicato às 7h da manhã e ele já esta aqui esperando o cafezinho.”.
Entre tantos assuntos e teorias mirabolantes, é possível perceber alguns momentos de lucidez. Em um desses momentos, pergunto sobre sua relação com os estudantes: “Eu gosto. Não tenho nada contra ninguém na USP. Sou o primeiro a evitar confusão no campus” diz. Apesar da aparente irritabilidade e das eventuais palavras agressivas, nunca houve problemas graves ou relatos de agressões por parte de Piauí. “Acho que justamente por ele não ter um senso de medida claro, ele, na interação com as pessoas, se torna inconveniente às vezes” fazendo com que as pessoas se retirem ou peçam para que ele saia, diz Marco.
Com mais de 60 anos de idade, Piauí se mostra incansável em suas caminhadas diárias. Sua presença é constante em algumas unidades dos cursos de humanas da USP, como a ECA e a FFLCH. Já morou no CRUSP oficialmente e não oficialmente, e também no Canil da ECA – espaço estudantil onde aconteciam shows – antes de sua demolição. Toma banho no SinTusp, no CEPE, e veste roupas doadas pela comunidade universitária. Piauí vive mais do que ninguém a vida na Universidade, sua presença constante o torna uma figura lendária e querida pela comunidade universitária.

http://www.jornalista292.com.br/noticia_detalhe.php?id=23522

 

LENA RIOS - EU SOU EU, NICURÍ É O DIABO

Lena Rios - Chapada do Corisco - Torquato Neto e Carlos Pinto

O Trovador, romance de Rodrigo Garcia Lopes


Thursday, September 04, 2014

4ª Bienal do B - Poesia e Literatura na Rua - Açougue T-Bone



A Bienal do B será encerrada na sexta-feira, 26 de setembro. O último dia também terá poesia, arte e música, em um espaço aberto ao público.
2ª Bienalzinha do B - 14h - 18h40
O público infantil vai contar com oficina de criação, declamação e performance das crianças e teatro de bonecos.
Exibição de curta-metragem - 18h40 - 19h
4ª Bienal do B (Abertura, Bate Papo sobre questões culturais, Performance Poética e Sarau Poético) - 19h - 21h
A Bienal do B irá contar com a tradicional abertura, marcada para as 19h e conduzida pelo nosso mestre de cerimônias, o mímico Miqueias Paz, e com participação do homenageado do dia e do patrono.
Depois, um bate papo sobre questões culturais relevantes terá início às 19h10.
Às 19h40, a performance poética será da artista Cristiane Sobral, com apresentação de teatro afro brasiliense.
A partir das 20h, começam as recitações de poemas autorais. Confira abaixo o time de poetas confirmados.
Apresentação musical - 21h
O gaúcho Renato Borghetti será o último músico a se apresentar na Bienal.

PROGRAMAÇÃO: 
24 a 26 de setembro de 2014




 

Tombamento de imóveis rurais no Piauí é homologado

Patrimônio

Prédios faziam parte de antigas Fazendas Nacionais e tiveram grande importância histórica na época do Brasil Colônia
por Portal Brasil publicado : 04/09/2014 09:37 
 
Estabelecimento Rural São Pedro de Alcântara, em Floriano (PI)Crédito/Divulgação
Estabelecimento Rural São Pedro de Alcântara, em Floriano (PI)


O Ministério da Cultura homologa o tombamento de dois estabelecimentos da Fazenda Nacional do Piauí: a Fábrica de Manteiga e Queijo, situada na Rua Dirceu Arco Verde, nº 101, no Município de Campinas do Piauí, e o Estabelecimento Rural São Pedro de Alcântara, situado na avenida Esmaragdo de Freitas, s/nº, Centro, no Município de Floriano, ambos no estado.
A decisão, publicada no Diário Oficial da União (DOU), desta quinta-feira (4), levou em consideração a manifestação favorável do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural. A portaria entrou em vigor com a publicação.

A história
O Estabelecimento Rural São Pedro de Alcântara e a Fábrica de Laticínios pertenciam às antigas Fazendas Nacionais do Piauí que, originalmente eram grandes extensões de terras doadas aos primeiros desbravadores, no Brasil Colônia.
Mais tarde, passaram a pertencer à Companhia de Jesus e, quando foram expulsos, em 1759, as terras foram incorporadas à Coroa Portuguesa e, em seguida, ao Império. Com a República, as Fazendas Nacionais ficaram em poder da União, que arrendou ou vendeu parte das terras que originaram vários municípios no atual Estado do Piauí.
A Fábrica de Laticínios, em Campinas do Piauí, e o Estabelecimento Rural São Pedro de Alcântara, em Floriano, são importantes testemunhos da ocupação do interior do Brasil durante os séculos XVIII e XIX.
O tombamento pelo Iphan está relacionado com o processo de ocupação decorrente da utilização das Fazendas Nacionais a partir de projetos de aproveitamento da mão de obra remanescente da escravidão.
O valor arquitetônico das duas edificações também merece destaque. São exemplos emblemáticos do patrimônio edificado no Brasil entre o final do século XIX e começo do XX, tanto da arquitetura tradicional piauiense, que se utiliza de materiais e técnicas locais, quanto da arquitetura industrial implantada no interior do País em pleno século XIX.

Fonte:
Portal Brasil, com informações da Imprensa Nacional

Como as mudanças climáticas mudarão nossas vidas em 2050?

Lucia V. Sander na ANE


"AFRONOITE", com o grupo Som Afro Brasil


















Quinta, 4/09/2014:
"AFRONOITE" Noite maravilhosa, de muito sambas de roda, Partido Alto,
afoxés e outros ritmos afrobrasileiros! 

Com o grupo 
Som Afro Brasil
Ana Soares e Thaís Fread (voz), Leandro Morais (violão e voz), Pedro Molusco (cavaquinho)
e Jorge Macarrão e Reinaldo Braz (percussão).


*Local: Feitiço Mineiro, Bar e Restaurante. CLN 306, bloco B - Asa Norte -
Brasília DF

*Data e hora: quinta, 04/09/2014, às 21:30 h. 
Reservas e informações: 61- 32723032
*Espetáculo não recomendado para menores de 10 anos.*

Foto de Célia Curto.

Friday, August 22, 2014

Livro descortina a boemia e a poesia do cantor Pete Doherty

Vocalista do Libertines e Babyshambles lança segundo livro com apoio editorial da lendária historiadora do rock, Nina Antônia


Luana Brasil - Especial para o Correio
Publicação: 21/08/2014 08:28 Atualização: 21/08/2014 08:48
 

A vida polêmica do poeta e frontman das bandas Libertines e Babyshambles não é fácil de figurar. Pete Doherty, que já foi namorado de Kate Moss e Amy Winehouse, vive uma realidade conturbada, envolvendo drogas, temporadas em prisões, clínicas de reabilitação, brigas e overdoses. Catalizadora de manchetes, sua personalidade causa estranhamento, porque evidencia o paradoxo do mainstream midiático em constraste com uma alma sensível, reclusa e reflexiva.



Apesar de ser mais conhecido por sua música (e pelos escândalos divulgados nos tablóides ingleses), Doherty nutre um profundo gosto pela literatura e pela poesia e vem registrando em cadernos e diários - por anos a fio - a verdadeira essência de sua  natureza, os impactos do vício sobre sua vida e trabalho, bem como as restrições e as exigências de uma sociedade em busca de espetáculo em tudo o que se move.  Com base nesses diários, a jornalista cultural e escritora britânica Nina Antônia trouxe ao público o gênio errante de Doherty. No livro From Albion to Shangri La ela edita os fluxos e refluxos de consciência que emergiram em Pete sob o efeito de heroína durante sete anos de turnês, de 2008 a 2013. Esse material transcrito e organizado traduz a beleza de um olhar impiedoso sobre o vazio da própria miséria. “Pete é um personagem efêmero, mercurial. É possível ouvir sua voz nessas páginas, nos redemoinhos de tinta e sangue, é possível captar os meandros da madrugada e os arrependimentos dos inícios das manhãs”, conta Nina em entrevista exclusiva ao Correio.

From Albion to Shangri La, ainda sem edição brasileira

Sobre o gosto por personagens junkies e transgressores, ela explica: “prefiro escutar as vozes dissidentes e da linhagem de rebelião de Jean Genet, Willian Burroughs, Lenny Bruce, Oscar Wilde, Rimbaud, Marjorie Cameron, Rosaleen Norton, Kenneth Anger. Prefiro qualquer um que tenha desafiado a sociedade com a sua arte, porque eu também estou em desacordo com ela”. A editora, que também escreve para as revistas Uncut e Mojo, já havia conquistado o público em 1987, com biografia do guitarrista do New York Dolls Johnny Thunders… In Cold Blood. Não menos junkie e sensível que Doherty, Thunders foi uma das almas mais livres da América dos anos 1970, o que despertou o interesse da jornalista de Liverpool. In Cold Blood está sendo adaptado para o cinema nos estúdios de Hollywood em Los Angeles.

Voltando a Pete, From Albion to Sangri La oferece uma perspectiva singela da realidade crua de um Orfeu pós-moderno, dá ganho à voz livre de um filho da boemia imaginária e romatizada dos nossos tempos, colocando Doherty em pé de igualdade com autores como Burroughs, Ginsberg e Kerouac. A obra foi recém lançada na Inglaterra, mas ainda não possui edição brasileira.




Confira entrevista com Nina Antônia

Por que escrever sobre Pete Doherty e Johnny Thunders?
Direciono meu olhar para uma certa autenticidade nos artistas com quem trabalho e escrevo sobre. Não estou particularmente motivada por termos convencionais de sucesso, mas por músicos e personagens que vivem e criam em seus próprios termos. Isso se reflete no trabalho de ambos, Johnny Thunders e Peter Doherty, ainda que suas produções sejam bastante diferentes.

Há alguma conexão entre eles?
Não, nenhuma. Exceto que eles vivem por suas próprias regras. E ambos têm uma propensão ao uso do chapéu.

Por que essa predileção por artistas transgressores?
Apesar de ser muito bem comportada, sou o tipo de pessoa que - sem motivo - atrai a atenção dos guardas de segurança. Essa coisa de liberdade de pensamento é um conceito perigoso e quase inexistente. Um desejo por compromisso nos é imposto diariamente… Não estou dizendo que devemos ir além da lei ou agir de forma imoral, digo que não devemos comprar uma cultura mainstream, sem um pensamento ou de sabedoria perceptivelmente duvidosa.

Como foi a edição desse material manuscrito?
Editar os diários de Pete foi uma viagem de assimilação de 7 anos. Não foi deliberado, não havia um plano. Simplesmente evoluiu através discussões e interesses mútuos. A primeira vez que visitei a casa de Pete, lembro de olhar para sua coleção de livros, tentando descobrir quem ele era através daquele monte de livros de bolso espalhados pelo chão do quarto. É possível dizer muito sobre as pessoas através de seus livros. Se alguém não possui um livro sequer, isso é preocupante...





Qual a importância de Pete Doherty?

Pete é uma figura cultural importante, seus escritos são verdadeiramente notáveis e a sua voz é uma das que precisam ser documentadas, através da música, da arte e da literatura. Doherty é um indivíduo verdadeiramente talentoso que vive em uma era implacável. Ele não me parece dedicado à fama. Amadureceu e é uma pessoa inerentemente criativa, que cria continuamente e vive uma vida boêmia e artística.

Você acredita que a tríade fama música e vício são interligados?
A tríade de fama, música e vício me soa mais como uma construção forçada do que uma realidade tangível. Qualquer um pode ficar viciado em drogas sem ser famoso ou músico. Talvez essa ideia fosse mais pertinente na década de 1960 e início dos anos 1970, quando as drogas eram menos disponíveis para a população em geral que para pessoas como Keith Richards e Brian Jones. As drogas eram um pouco menos tangíveis, envoltas em uma mística distante. Mas a partir da era do punk em diante, quando as drogas pesadas tornaram-se disponíveis e acessíveis nas ruas , isso deixa de ser verdade. Houve uma época em que a cocaína era considerada um luxo… Vício de príncipes e pop-stars, não é mais o caso há muito tempo e o mesmo pode ser dito sobre a heroína, que saturou os EUA depois da Guerra do Vietnã e chegou ao Reino Unido no início de 1980.

O mainstream aniquila poetas? Como o caso de Jim Morrison e outros poetas sensíveis que utilizavam a música como veículo para suas palavras?
O mainstream sempre destruiu poetas.

Como está, atualmente, a cena Punk no Reino Unido?
Se houver uma cena, eu não estou envolvida nela. Cresci numa época em que o punk estava associado à figura de Johnny Thunders e os Heartbreakers… A melhor coisa sobre punk dos 70 é que ele quebrou algumas barreiras e criou uma onda de novas bandas, gravadoras independentes e editoras. Foi um tempo mais livre… Mas hoje a concepção que as pessoas têm do punk é muito rígida.
A música que eu mais amo, em sua maior parte, está fora dessa restrição. New York Dolls, Heartbreakers, Cramps foram bandas altamente individualistas. No momento em que você precisa começar a se encaixar, o movimento se perde. Atualmente, o punk é uma indústria no Reino Unido, não uma anarquia. Penso que se punk é quem desafia a sociedade, Rimbaud foi um punk, Baudelaire foi punk (ele tingia o cabelo de verde!)… E eles nunca usaram uma calça bondage. Qualquer coisa que se torne uniforme não me interessa.

Duas perguntas para Pete Doherty



Frontman do Babyshambles e Libertines conta como é o impiedoso mundo da fama

Quando a música, a literatura e os livros se tornaram importantes para você?
Quando percebi que era a única forma de eu me encontrar. Gastei muito do meu tempo criativo me contradizendo, procurando por liberdade enquanto aprisionava a mim mesmo. O processo de criação rejuvenesce o espírito, o que justifica a existência. Ter um par de músicas a caminho me realiza, é quando minha alma está curada, ainda que a criatividade venha da melancolia. Quando você está feliz e com uma vida plena não há tempo para criar, você não precisa disso porque está vivendo a sua vida.

É difícil lidar com a fama?
Eu já vivia isso na minha cabeça, então estava preparado para ela, mas era tudo fantasia… Tudo o que aconteceu foi a realidade se transformando na fantasia que eu criei. Tudo o que nós imaginamos, sonhamos na calada da noite, falamos sobre, conspiramos sobre… Através das canções aconteceu. É um troço estranho se tranformar numa figura pública. Assinar um contrato de gravadora te coloca nas mãos de outra pessoa e você automaticamente cessa o tipo de vida que havia te proporcionado criar aquelas músicas bonitas e legais. Por tanto tempo você se colocou naquele espírito original… E… Por necessidade você precisa mudar… Eu vi isso acontecer, senti isso acontecer e foi por isso que eu caí fora, foi isso o que aconteceu com o Libertines. Eles estavam super felizes em viver um modo de vida que eu não podia suportar, então eles me puseram pra fora e tentaram dar conta da banda pelo tempo que conseguissem.

Nós nas Quebradas, Casa do Cantador


O Canto dos Mártires, Edição Ceilândia - Casa do Cantador


Wednesday, August 20, 2014

Em entrevista, filha de Cora Coralina divulga poema inédito da escritora



Para celebrar 125 anos de nascimento da autora goiana, o Correio apresenta entrevista exclusiva com a Vicência Bretas Tahan


Elô Bittencourt - Especial para o Correio
Publicação: 20/08/2014 08:12 Atualização:




A poesia de Cora Coralina é uma profissão de fé. Graças à sua ternura em manusear as palavras, como se fizesse um doce, ela se transformou em uma das principais poetas da literatura brasileira. A escritora obteve reconhecimento aos 75 anos, quando Carlos Drummond de Andrade começou a elogiar publicamente os versos da vovozinha lírica que nasceu em 20 de agosto de 1889, em Goiás Velho.

Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, nome de batismo da escritora, faleceu aos 96 anos, em 1985. Cora Coralina começou a escrever cedo, aos 14 anos, porém teve o primeiro livro publicado em junho de 1965, Poemas dos becos de Goiás e estórias mais. Foi a partir daí que a doceira famosa começou a ser conhecida no mundo da literatura.

Em comemoração aos 125 anos de nascimento de Cora Coralina, o Correio apresenta uma poesia inédita da escritora, concedida pela filha Vicência Bretas Tahan. Na entrevista, a herdeira relatou que ainda há muitos escritos da poeta que não foram publicados, nem disponibilizados no museu porque estão sendo organizados. A filha da poeta revela, também, como era conviver ao lado de uma mulher extremamente forte e, ao mesmo tempo, delicada e sensível.

Poesia

Guia de Goiás

Tem sua rima

Bem pode ser a mulher terra, a mulher sertaneja, sua velha escriba, Cora Coralina

Guia do meu Goiás

Guia de muita gente, para conhecer mais o meu Goiás.

Goiás, seu mapa é uma certeza no centro do Brasil.

Goiás é coração, é o sonido Augusto do berrante na frente das manadas, das estradas do sertão

Goias é água e pão, água para toda sede e pão para toda fome

Goiás é oferta de trabalho, é a terra em gestação

Cora Coralina

Confira trecho da entrevista com Vicência Bretas Tahan, filha de Cora Coralina

Como era a mulher Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas?

Minha mãe era muito trabalhadeira. Fazia tudo dentro de casa. Gostava muito de escrever, embora não tivesse suas poesias lidas. Não era comum naquela época, por isso ela escrevia e guardava. Além disso, tinha os afazeres de casa como lavar roupa, fazer doces e comida. Antes a mulher era preparada para casar e não se falava em ser escritora. Ela era muito lutadora também.

O que Cora Coralina mais gostava de fazer? Como era sua rotina?

Quando moça ela tinha que fazer doces para vender. Naquela época, não tinha a obrigação de ir à escola. Ela aprendeu o básico, o primário. Aos 14 anos, começou a escrever. Gostava de fazer versos e outros textos...

Como foi o primeiro contato dela com Carlos Drummond de Andrade?

Ela não o conheceu, mas se corresponderam por carta. Quando ela já tinha publicado o primeiro livro, Poemas dos becos de Goiás e estórias mais, uma conhecida dela deu o livro ao Drummond. Ele gostou muito, daí, tempos depois, escreveu para ela: “Cora Coralina. Não tendo o seu endereço, lanço estas palavras ao vento, na esperança de que ele as deposite em suas mãos. Admiro e amo você como alguém que vive em estado de graça com a poesia. Seu livro é um encanto, seu verso é água corrente, seu lirismo tem a força e a delicadeza das coisas naturais. Ah, você me dá saudades de Minas, tão irmã do teu Goiás! Dá alegria na gente saber que existe bem no coração do Brasil um ser chamado Cora Coralina. Todo o carinho, toda a admiração do seu Carlos Drummond de Andrade”.

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