Wednesday, July 30, 2014

Do caderno para as garrafas, ela passou a fazer poesia para embriagar

30/07/2014 14:40

Paula Maciulevicius
Aos 23 anos, Thaynara resolveu unir as palavras ao vidro das garrafas para vender a ideia de Beba poesia, fique poetizado. (Fotos: Marcelo Calazans)Aos 23 anos, Thaynara resolveu unir as palavras ao vidro das garrafas para vender a ideia de "Beba poesia, fique poetizado". (Fotos: Marcelo Calazans)
Aos 13 anos Thaynara Rocha Lima despontou para a poesia. Aos 23, resolveu unir as palavras ao vidro das garrafas para vender a ideia de "Beba poesia, fique poetizado" como forma de divulgar a arte que criou a partir das frases.
A ideia é recente e veio para eternizar e multiplicar os versos. Quando voltava de um churrasco de família, em maio, ouviu da avó que o montante de vidro ia para o lixo. "Não, não, eu disse. Na hora eu nem tinha ideia do que fazer, mas tinha que reciclar ela", explica. Em casa, a inspiração chegou no dia seguinte, logo começaram as colagens.
"Pego a garrafa, lavo e às vezes colo poesia inteira, com papel mesmo. Outras vezes colo pedaços de revista, de jornal, uso barbante, também tecido, lantejoulas..." Assim como nas frases, a criatividade também influencia nos materiais.
As garrafas, de long neck e 600 ml são vendidas por R$ 10 e R$ 20 respectivamente e vem acompanhadas de uma rosa. Trabalho de artesanato no vidro e nas palavras. "Muitas pessoas que converso falam que sentem vergonha de mostrar o que escrevem. Eu nunca tive, como vou ter vergonha de mostrar esta forma de expressão tão íntima, mas tão linda porque possui um pouco do que cada pessoa deixou quando passou por mim", descreve Thaynara.
As garrafas ganham customização de jornal, revista, lantejoulas. As garrafas ganham customização de jornal, revista, lantejoulas.
Sem nada dentro, mas com poesias ao redor, ela usa o sentido figurativo para embriagar os leitores. "Tanta gente bebe e fica embriagada, como pego as garrafas vazias, encho de poesia. Esse é o lema da produção", justifica.
Paralela à venda das poesias engarrafadas, ela passou parte dos versos do caderninho verde, que guarda há uma década, para a página Toda Poesia, no Facebook.
Hoje acadêmica de Direito, desde criança Thaynara se define como muito pensativa. O que os olhos viam, o coração gravava e a mente transformava em letras. "O que mais me inspirava era a natureza, ia praticamente todo o final de semana para a chácara do meu pai. Depois de um tempo, amadureci mais um pouco, pensei mais. Aquilo era inspiração e eu não passava para o papel", recorda. O "estopim", como ela mesmo coloca, foi aos 13 anos, depois da leitura do "Romanceiro da Inconfidência" de Cecília Meireles.
Sem nada dentro, mas com poesias ao redor, ela usa o sentido figurativo para embriagar os leitores.Sem nada dentro, mas com poesias ao redor, ela usa o sentido figurativo para embriagar os leitores.
O ritmo de produção agora precisa atender as demandas dos amigos e de quem vê a arte pelas redes sociais, mas não obedece a uma frequência certa. Quem mexe e vive das palavras não cumpre expediente. Escreve quando a inspiração surge. "É incerto. Hoje eu posso me inspirar numa história, pessoa, olhar e escrever", tenta explicar a jovem. 
Thaynara já passou pelo curso de Letras, mas achou massante. Preferiu ficar no Direito por acreditar vivenciar uma adrenalina nos estudos. 
As encomendas geralmente são pela garrafa, não por uma poesia específica. Cada produção tem um processo de ideias. "Nessa garrafa tem olhares, pessoas, isso também me inspira". Para quem quiser se embebedar, o contato da Thaynara é pelo Facebook, na Fan Page "Toda Poesia" e pelo perfil pessoal mesmo, Thaynara Rocha Lima. E a jovem está aberta também a quem quiser ajudá-la na doação de garrafas de vidro, principalmente de 600ml, da marca Heineken.

Sarau Anarcopoético


Vira Vento, de Vicente Lopes - Massafeira (1980)

Lagoa de Aluá (Ednardo / Climério Ferreira / Vicente Lopes)

Para que o céu seja um beijo de adeus, de Angelo Santedicola

Flora, de Ednardo / Climério Ferreira / Dominguinhos, por Angelo Santedicola

Tuesday, July 29, 2014

9° Encontro Nacional de Cinema e Vídeo dos Sertões


29/7/2014 09:00:00 - Galeria
Festival já tem mais de 400 produções inscritas

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Filmes irão concorrer nas categorias de longas e curtas-metragens de produtoras independentes de todo o Brasil.




O 9° Encontro Nacional de Cinema e Vídeo dos Sertões, que acontece entre 5 e 9 de novembro nas cidades de Floriano (PI) e Barão de Grajaú (MA), está com inscrições abertas até 31 de julho. Até o momento, há 453 inscritos. Os interessados devem antecipar-se, pois não haverá prorrogação da data.
O encontro dá destaque para o cinema nacional independente. Para participar, é preciso preencher a ficha de inscrição disponível online, no site: www.cinemadossertoes.com, e enviá-la por e-mail, remetendo também uma versão impressa e assinada, acompanhada de duas cópias do filme em DVD e dos documentos exigidos, para o endereço indicado no regulamento.
Podem inscrever-se filmes finalizados a partir do ano passado e inéditos na competição. Os curtas devem ter, no máximo, 20 minutos de duração (créditos inclusos), e os longas devem ter sido finalizados em qualquer formato. Ao todo, serão selecionados 15 curtas e oito longas-metragens para exibição.
A 9a edição do encontro irá oferecer R$ 22.500,00 reais em prêmios para os filmes selecionados nas categorias de longas e curtas-metragens de produtoras independentes de todo o Brasil. Os filmes de longa-metragem selecionados receberão um prêmio de R$ 1.000,00 (um mil reais) cada, já os filmes de curta-metragem, o prêmio é de R$ 500,00 reais. Os troféus, concedidos em diversas categorias, serão entregues na cerimônia de encerramento do festival, no dia 9 de novembro.
Desde 2005, o encontro proporciona a Floriano visibilidade cinematográfica, longe dos grandes centros. Além do cinema independente, realiza mostras competitivas de longas-metragens de ficção e documentário, e de curtas de ficção, documentário ou animação. O objetivo do festival é divulgar, exibir e premiar obras audiovisuais, formar plateia consciente com reunião de profissionais de cinema e discutir questões pertinentes ao tema.
O festival também dará abertura para mais cinco mostras não competitivas. São elas: "Cinema Nacional de Animação", "Nordeste em Cena", "Piauí na Tela", "Mestre da Cultura Popular", "Curta Criança" e "Cinema Nacional Contemporâneo". Estes filmes não serão premiados. O evento deve ainda reunir personalidades  ligadas ao cinema regional e nacional, promovendo oficinas, palestras e debates.
No ano passado foram exibidos 71 filmes produzidos em 24 estados do Brasil. Dentre os ganhadores da 8a edição estavam "Antes de Tudo", de Floriano (PI), como melhor montagem, na categoria curta-metragem ficção, "Onde Borges Tudo Vê", da Paraíba, na de curta-metragem animação, "Paleolito", do Rio de Janeiro, na de curta-metragem documentário e outros.
A realização do festival acontece com o apoio do Ministério da Cultura por meio do programa Mais Cultura e tem como patrocinador a Petrobras. No período de inscrições, pontos de cultura de todo o Brasil podem estar inscrevendo seus filmes, sejam eles longas e curtas de ficção ou documentários.


Monday, July 28, 2014

Lula Côrtes e Zé Ramalho - Nas Paredes Da Pedra Encantada

Lenine e Suzano - Olho de Peixe - Miragem do Porto

URUBU TÁ COM RAIVA DO BOI BAIANO E OS NOVOS CAETANOS

Alceu Valença - Vou Danado pra Catende

Alceu Valença - Vou Danado Pra Catende (1975)

Alceu Valença - Maria dos Santos (1977)

Charles Peixoto leva Nuvem Cigana à Flip




RESUMO Na esteira da reedição de Leminski, Ana Cristina César e Waly Salomão, encontro literário de Paraty recebe ex-integrante do coletivo carioca que fazia teatro e música e "dizia poesia" nos anos 1970. Autores, estudiosos e editores analisam como a geração que nasceu à margem do mercado editorial agora assimilada por ele.
*
"Entre escritor/ e leitor/ posta-se o intermediário,/ e o gosto/ do intermediário/ bastante intermédio./ Medíocre/ mesnada/ de medianeiros médios/ pulula/ na crítica/ e nos hebdomadários."
Estes versos de "Incompreensível para as Massas", poema de Vladímir Maiakóvski, em tradução de Haroldo de Campos, poderiam servir de epígrafe produto poética daqueles que, livreto em punho, ofereciam sua poesia diretamente ao leitor. Volumes caseiros, produzidos manualmente à beira do sistema editorial, eram o trato de união do que se chamou "poesia marginal", nos anos 1970 e 80.
Elisa Von Randow
Charles Peixoto leva Nuvem Cigana ? Flip
Em parte devido ao estrondoso sucesso da "Poesia Total", de Paulo Leminski -que, impresso em tiragem inicial de 5.000 exemplares, vendeu 100 mil em um ano e meio-, os marginais esto de volta ao centro do debate.
Nesta semana, na Flip, um deles, Charles Peixoto, se rene com Eliane Brum e Gregorio Duvivier para falar das relações entre prosa e poesia, na quinta (31), s 12h. No mesmo dia, s 18h, na FlipMais, programao paralela do evento, debate com a compositora e escritora Adriana Calcanhotto na mesa "Versos de Risco - do Haikai Poesia Marginal".
Charles lana neste ms sua obra reunida -embora no completa. "Supertrampo" [7Letras, R$ 39, 200 pgs.] abarca poemas de "Travessa Bertalha 11" (1971) at seu livro mais recente, "Sessentopeia" (2011) -alguns inditos entraram de raspo no final da edio.
O convite para a festa literria deve servir a despertar o interesse pela poesia, hoje pouco conhecida, de Charles e do grupo Nuvem Cigana, coletivo multicultural do qual fez parte, que agitou o Rio na virada dos anos 1970 para os 80 e que reuniu, entre muitos outros, o tambm poeta Chacal e o compositor Ronaldo Bastos.
TOCA
Charles Peixoto abre a porta vestindo cala de flanela xadrez e crocs azuis. O pequeno apartamento meio escondido no final do Leblon sombreado e tranquilo. Faz pensar mais numa toca do que na rua ruidosa de seus poemas de juventude, em que meios de transporte so moldura para recordaes ("tenho duas meias de l metidas no saco/ e a janela do nibus para pensar") ou um passeio pelo bairro onde nasceu em 1948 tem algo de ameaador, como em "Colapso Concreto": "vivo agora uma agonia:/ quando ando nas caladas de Copacabana/ penso sempre que vai cair um troo na minha cabea".
Neto do poeta Ronald de Carvalho (1893-1935), a quem deve o nome de batismo, Carlos Ronald de Carvalho, Charles procurou evitar sempre qualquer vnculo com a produo potica do antepassado modernista ou com uma herana cultural que no teve.
Elisa Von Randow
Charles Peixoto leva Nuvem Cigana ? Flip
"A famlia onde fui criado no tinha livro em casa", diz, lembrando a histria segundo a qual a biblioteca do av teria sido dilapidada por amigos ainda sada do velrio do autor de "Luz Gloriosa", morto num acidente automobilstico.
"Comecei a comprar uns livrinhos, coleo Nossos Clssicos, baratinha. Li os modernistas, os clssicos mesmo achava chato", lembra Charles. "Gostava do Manuel Bandeira, do Oswald, do Mario. Americanos, russos, Maiakvski, fui adquirindo do jeito que dava. A comecei a escrever."
Menino, Carlos estudava em um colgio tradicional de Botafogo, o Santo Incio. "Era pssimo aluno. At que tomei um pau no quarto ginasial e fui pro Princesa Isabel." O novo colgio, diz, seria "uma maravilha, porque tinha mulher". A professora de portugus do adolescente era Ana Maria Machado, "uma lindeza, muito novinha, tinha 20 e poucos anos". "Um dia teve uma redao e ela falou: 'Voc tem jeito pro negcio'. Pensei: 'Estou impressionando a gata'. A acho que a coisa evoluiu, me deu mais fora, comecei a catar mais coisas, fui lendo."
Ainda assim, pensou em fazer arquitetura, para ficar na tradio dos tios engenheiros, mas com mais criatividade. No passou nesse vestibular, mas sim no da ECO, a Escola de Comunicao da UFRJ, onde foi colega de Chacal.
Na poca, conheceram Guilherme Mandaro. Militante no movimento estudantil e tambm poeta, ele seria o responsvel pela impresso clandestina de "Muito Prazer, Ricardo", de Chacal, e "Travessa Bertalha 11" -que Charles j assina com o pseudnimo de prenome anglicizado e sobrenome tirado "do nada", como recorda-, rodados numa noite de 1971 no mimegrafo do cursinho onde Mandaro lecionava histria.
De Mandaro, Charles diz que "era muito culto: ele sim, tinha uma biblioteca, tinha lido tudo". Tornou-se, por tudo isso e pelo seu suicdio, aos 26 anos, em 1979, gide mtica do que seria a Nuvem Cigana, ao qual se incorporariam um pouco mais tarde.
COLETIVO
O coletivo de nome hippie reuniu, alm de Charles, Chacal e Mandaro, outros poetas, como Ronaldo Santos e Luis Olavo Fontes, o fotgrafo Cafi e o compositor Ronaldo Bastos (que havia registrado esse nome fantasia, pensando em fazer uma produtora como a Apple, dos Beatles -"as coisas eram ambiciosas", sorri Charles). E mais um bom nmero de artistas, arquitetos, msicos mais ou menos frequentes.
Elisa Von Randow
Charles Peixoto leva Nuvem Cigana ? Flip
A sede do grupo era um casaro em Santa Teresa, onde viviam a engenheira Lucia Lobo e o arquiteto Dionisio, o Di, seu primeiro marido -o segundo, o escritor Claudio Lobato, irmo de Ronaldo Santos, hoje tenta viabilizar, com a produtora Paola Vieira, um documentrio contando a histria do coletivo, "As Incrveis Artimanhas da Nuvem Cigana", em fase de captao de recursos.
Se no nasceu ali uma produtora do porte ambicionado, a Nuvem conseguiu, de todo modo, interferir no clima cultural do Rio naqueles tempos, promovendo as tais Artimanhas, encontros nos quais se subia ao palco -muitas vezes improvisado, muitas vezes nem palco- para apresentar peas e nmeros musicais e para dizer poesia (no se usava "declamar", que coisa de salo).
A primeira dessas Artimanhas se deu em outubro de 1975. Pensada inicialmente como uma exposio de livros e de arte, ao longo de trs dias, na livraria Muro, em Ipanema, a festa acabou abrindo espao, sem planejamento, para a poesia, dita de "impromptu".
Aps ter j tomado algumas doses de alert limo (drinque cuja composio exata permanece desconhecida), Chacal abriu os trabalhos, dizendo seu "Papo de ndio". E o formato, nascido assim organicamente, se instaurou.
Orgnica tambm era a orientao poltica do coletivo, que resistiu sistematizao dos grupos de estudos, das leituras marxistas que fundamentavam a luta antiditadura. "Ningum seguia, todo mundo achava chato. Era um grupo de reao, mas com um 'approach' meio anrquico. A esquerda achava que a gente era alienado, maconheiro, drogado, maluco, e a direita achava que a gente era subversivo", define Charles.
Em uma cena, a resistncia segundo a Nuvem era assim: sair sambando, qual num cortejo do Charme da Simpatia (bloco carnavalesco da trupe), enquanto a polcia ameaava dispersar no cassetete uma Artimanha no vo do Museu de Arte Moderna.
EJACULAO
A possibilidade de "dizer" ou "falar poesia" acabaria se transformando em finalidade. "Num determinado momento, essa coisa comeou a ser to determinante que o texto comeou a mudar", conta Charles Peixoto. "Ditos", os "quase haicais" dos primeiros livros do selo Nuvem Cigana pareciam uma "ejaculao precoce", segundo o poeta. "Comearam a sair uns textos maiores, escritos para serem falados."
Elisa Von Randow
Charles Peixoto leva Nuvem Cigana ? Flip
Na apresentao que escreveu para "Nuvem Cigana - Poesia e Delrio no Rio dos Anos 70", coletnea de depoimentos e poemas que organizou pela sua Azougue em 2007, o poeta, editor e jornalista Sergio Cohn assim resume o esprito dessas reunies: "Nas Artimanhas, a poesia pode finalmente se libertar da solido do papel para se tornar uma manifestao coletiva. Para usar a feliz expresso de Chacal, o Brasil descobriu 'a palavra propriamente dita'".
O segundo poema "dito" na Artimanha inaugural havia servido de passe de entrada a Bernardo Vilhena, incorporado ao grupo um pouco mais cedo, naquele mesmo ano. Vilhena vinha trabalhando com artes grficas e assumiu produzir em cima da hora o livro "Amrica", de Chacal, no lugar do artista plstico Carlos Vergara.
Na ida ao bairro de So Cristvo, onde ficava a grfica, Vilhena revelou ao novo conhecido tambm escrever poesia. E ali, esperando o nibus, disse a Chacal seu poema que sabia de cor e que seria seu hit de Artimanhas, e por muito tempo depois, "Vida Bandida", na verso musicada por Lobo.
Responsvel mais tarde por outro sucesso dos rdios, "Menina Veneno", gravada por Ritchie, Vilhena enveredou pela produo musical e editorial. Continuou a escrever poesia e, coincidentemente, como Charles, tem agora sua obra potica reunida, em "Vida Bandida e Outras Vidas" [Azougue, R$ 42, 200 pgs.].
Ele recorda o carter aberto da Nuvem Cigana. "A gente teve primeiro esse negcio do coletivo, uma coisa indita. Havia pessoas com diferentes habilidades. O cara que escrevia, o que fotografava, o que diagramava, o que fazia o cartaz. Iam acabando as funes. Graas a Deus, sempre tinha algum que se oferecia para ser o cara que colava o cartaz."
O que se produzia na Nuvem era muito discutido, de forma "intuitiva", diz Charles. "O Chacal era conhecido como Mrcia de Windsor" -em referncia jurada de programa de calouros que "achava tudo timo". "Eu era o Pedro de Lara! Tudo eu criticava."
A mentalidade mais agregadora de Chacal talvez explique por que ele, de certa forma, se tornou um elo perdido entre os nefelibatas de ento e os jovens poetas de hoje. O formato das Artimanhas, em alguma medida, se perpetua no projeto CEP 20.000, que ele toca h 24 anos no Rio -primeiro no Espao Srgio Porto, no Humait, e, desde h alguns meses, na casa de shows Imperator, no Mier.
"Guardados os contextos bem diferentes, o CEP e as Artimanhas so bem semelhantes", diz Chacal. "A iconoclastia, a experimentao, a informalidade, so as mesmas. A mistura das diversas linguagens e geraes e a intimidade das pessoas com a poesia falada so bem outras."
Ele, que teve sua obra produzida at 2007 reunida em "Belvedere" -dentro da coleo s de Colete (Cosac Naify/ 7Letras)-, nota pouca regularidade na produo de seus companheiros. "Os poetas da Nuvem publicaram pouco desde os anos 70. Ronaldo Santos e Bernardo Vilhena no publicaram nenhum livro de poemas". Mas diz admirar muito os poemas recentes de Charles. "Mantm a pegada esdrxula", define.
ENCALHE
Antes deste "Supertrampo", Charles Peixoto havia lanado, em 1985, "Marmota Platnica", reunindo seus seis primeiros livros. Um fato, porm, o fez desistir por um longo tempo de publicar seus escritos.
"Quando fiz o 'Marmota', foi a maior empolgao, uma festa tima. A passou o tempo e no aconteceu nada. Nem uma crtica que dissesse 'que merda!'. Um dia no tinha mais livros e fui l na [editora] Taurus para pedir uns cinco exemplares. O editor falou 'entra ali'. Entrei e vi uma montanha de livros. A viso me deprimiu. Para que fazer isso? Para dar comida pra traa? Mas continuei."
Nesse tempo seguiu, e segue, na Rede Globo, onde havia comeado a trabalhar em 1981, primeiro como redator publicitrio na agncia interna da TV -pondo fim a uma carreira de bicos e lares errantes, cerca de um ano antes do nascimento de sua filha, Lusa.
Depois de um tempo "batendo ponto" na agncia, "s vezes virado, de ressaca", fez a oficina de roteiro de Doc Comparato. Ento passou a colaborar, de casa, "ganhando menos, mas com liberdade", com o ncleo de humor da TV.
Comeou desenvolvendo esquetes de "Viva o Gordo", programa de J Soares. Escreveu "Armao Ilimitada" e "Malhao". Seu trabalho mais recente est atualmente no ar -"O Rebu", adaptao da novela de Brulio Pedroso (1974), em exibio na faixa das 23h.
Charles conta ter hesitado em fazer a nova coletnea. Seu editor, Jorge Viveiros de Castro, a defende, dizendo que "Supertrampo" "traz uma releitura atualssima da sua obra de juventude junto com sua poesia 'madura', que revela o mesmo vigor e criatividade que sempre marcaram seu trabalho".
" interessante estarem lanando obras reunidas de gente viva e que estaria no segundo plano do panorama potico daquele tempo", aponta a crtica literria Flora Sussekind. "No no interior de cada grupo em que operavam, mas no ponto de vista mais global, de recepo, seriam figuras de fundo. Uma margem da margem", diz.
Os nomes mais centrais, digamos, por serem mais estudados e difundidos, seriam os h pouco reeditados pela Companhia das Letras.
Sofia Mariutti, editora responsvel pelos volumes que coligem as obras completas de Leminski, Ana Cristina Csar e Waly Salomo, lanados pela editora de Luiz Schwarcz de um ano e meio para c, diz que os trs conjuntos integram um projeto da casa de "resgatar autores que carregavam esse rtulo de marginais e por isso andavam injustamente marginalizados das vitrines das livrarias".
Paulo Werneck, curador da Flip, tambm comenta a centralidade atual da poesia dos anos 1970-80. "Est se consumando a 'canonizao dos marginais' -j havia espao nas universidades, mas agora o ciclo se completa."
"Talvez isso se explique por circunstncias biogrficas, mas acho que tambm h uma explicao cultural, histrica; esses autores aconteceram num momento de 'desbunde' que, a partir dos anos 90, j soava 'datado' para crticos, jornalistas e editores. Fechou-se o horizonte em nome de coisas supostamente mais elevadas. muito bom que retorne a abertura para esses malucos", diz Werneck.
AVACALHAO
Foi esse horizonte fechado o que instigou Fernanda Medeiros a estudar a Nuvem Cigana em seu mestrado, concludo em 1997. "O que despertou meu interesse foi o discurso da crtica literria, que, em sua maioria, avacalhou aquela poesia mais marginal, a do Charles, do Chacal", diz Medeiros, que leciona literatura inglesa na Uerj. Ela aponta, porm, para um movimento lateral ao da academia, em que poetas/editores como talo Moriconi e Carlito Azevedo "reavaliaram" a poesia dos anos 70.
Na opinio de Carlito Azevedo, a Companhia das Letras tem publicado os poetas marginais que "mais rapidamente foram 'canonizados'". "Mas diga-se de passagem que, quando no eram to cannicos assim, o Luiz Schwarcz j os editava na saudosa coleo de livros Cantadas Literrias, da editora Brasiliense."
Carlito comenta a dificuldade que possa ter o "leitor no especializado" em localizar, hoje, "outros excelentes poetas da poca, como o Eudoro Augusto e a Angela Melim, que h tempos no recebem edies 'encontrveis' -mas vale a pena o esforo de procurar".
Para o poeta e editor, porm, a maior contribuio que permanece daquela poesia hoje, "quando aquele tipo de 'flagra no ego' j no parece to produtivo, est na forma como encararam o suporte material dos textos, ou seja, a liberdade que tomaram em relao ao formato do livro tradicional a partir do momento em que assumiram que sua veiculao fugiria dos padres habituais".
Ele enumera algumas tentativas, como a do selo Lbia Gentil (da galeria Gentil Carioca) de retomar "um pouco desse esprito que foge do padro comum a que as editoras continuamente esto submetendo os poetas, na duvidosa expectativa de que eles venham a disputar um lugar ao sol do mercado".
"Essas produes artesanais, em geral dirigidas por artistas plsticos e poetas, so a melhor notcia para a poesia dos ltimos tempos, e uma herana direta do trabalho de artistas como Di, Cafi, Srgio Liuzzi, que deram cara e feies poesia marginal."
RETR
Sofia Mariutti aponta um aspecto mercadolgico no interesse algo revigorado em torno da poesia marginal. "Acho que tem a ver com a fora do retr, as mquinas de escrever, mimegrafos, as vitrolas e vinis e mquinas fotogrficas esto fetichizados, h uma dose de saudosismo." Mas tambm recorda essas editoras artesanais, "surgindo nos fundos dos quintais, que acabam retornando a esses meios de produo porque eles fazem sentido em escalas menores".
Para Claudio Lobato e Paola Vieira, que tm se debruado sobre a histria da Nuvem Cigana para seu filme, as questes so mais de fundo. Na opinio de Lobato, h uma "necessidade de se reinventar e de se divertir com isso; de tirar chinfra com a cultura e a civilizao". "Ampliar o campo do possvel, como disse o Sartre aos estudantes em 68."
"O mundo andava muito chato de uns tempos para c, com todo mundo querendo fazer tudo certo, para vencer num ambiente muito competitivo e materialista. Embora o contexto seja outro, a poesia marginal teve naquela poca essa funo de romper, de mudar o foco. E hoje eu vejo essa necessidade", diz Vieira.
Charles Peixoto diz no saber responder por que haveria essa possvel redescoberta dos marginais. Mas a sada diante de uma poesia que voltou ao beletrismo e que pode at ser "muito bem feita", mas que lhe parece uma "involuo" do que a sua gerao conquistou. Depois pondera.
"Ser que a gente era assim to importante? Como avaliado isso que a gente fez? Eu nunca procurei saber, mas ser que nego avalia isso como um tipo de poesia de um momento histrico e que, saindo daquele momento, no presta para nada? Ou presta ainda?"
FRANCESCA ANGIOLILLO, 42, editora-adjunta da "Ilustrssima".
ELISA VON RANDOW, 38, ilustradora.
Read more http://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*http%3A//www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2014/07/1490839-charles-peixoto-leva-nuvem-cigana-a-flip.shtml

Friday, July 25, 2014

Shows musicais - Festival Latinidades 2014


Foto da programação

Encontro de Saraus Negros - Festival Latinidades 2014


21h00 \ Museu da República
Apresentação: Cristiane Sobral (DF)
Sarau Afro Mix / Quilombhoje (SP)
Sarau Apafunk (RJ)
Sarau Bem Black / Blackitude (BA)

Thursday, July 24, 2014

Programa especial sobre a vida e obra de Ariano Suassuna - Parte 1

Ariano Suassuna no Sempre Um Papo

Ariano Suassuna no documentário Quaderna

CENAS FINAIS DO DOCUMENTÁRIO SOBRE ARIANO SUASSUNA, DIRIGIDO POR DOUGLAS MACHADO

‘Noite Beat’ homenageia Allen Ginsberg com performances, poesia e mais

Redação em

Evento acontece no Cemitério de Automóveis

por House of Exposure - Pinterest
por House of Exposure - Pinterest
Projeto “Noite Beat” celebra a poesia de Allen Ginsberg

Celebrando a poesia de Allen Ginsberg (1926-1997) e comemorando trinta anos da tradução e publicação do livro “Uivo, Kaddish e Outros Poemas”, a segunda edição do projeto “Noite Beat” acontece na quinta, 24, a partir das 20h. O evento no Cemitério de Automóveis tem entrada Catraca Livre e reúne récita de poemas do livro, mesa de discussão com Claudio Willer, o tradutor da obra; leitura dramática, performance de dança e muito mais.

O livro de Ginsberg é uma das obras fundamentais da “Geração Beat”, e os poemas contidos na obra são lidos por uma porção de convidados. São eles: ​Claudio Willer, Mário Bortolotto, Sérgio Cohn, Natalia Barros, Karina Ka​, Marcelo Montenegro, Célia Musilli, Ivone Fs, Sergio Mello, Roberto Bicelli e Guilherme Ziggy​. Tudo isso na presença dos músicos Fábio Vajman, Danniel Costa, Fabio Brum e Fabio Pagotto.

A noite ainda é palco da performance “Intervenção sobre Kaddish”, ​criação dos artistas sonoros​ ​Thiago Salas e Renata Roman. Trata-se de uma​ composição que atravessa trechos do poema do​ ​homenageado sobre a mãe. O duo realiza a performance produzindo sonoridades com partes eletroacústicas, instrumentos musicais, livros e vozes. Além disso, ficam expostas durante o evento as cartas trocadas entre Willer e Ginsberg durante o período de tradução do livro.

Serviço

O que
Noite Beat'14
Quando:
Qui 24/07 às 20:00

Quanto
Catraca Livre
Onde
Teatro Cemitério de Automóveis
http://www.cemiteriodeautomoveis.com.br/
Rua Frei Caneca, 384
Consolação
São Paulo
(11) 2371-5783
Ver no mapa

https://catracalivre.com.br/sp/agenda/gratis/noite-beat-homenageia-allen-ginsberg-com-performances-poesia-e-mais/

"Não sei só sei que foi assim", Ariano Suassuna


A Estrada de Ariano Suassuna


Wednesday, July 23, 2014

Escritor Ariano Suassuna morre aos 87 anos em Pernambuco

O escritor Ariano Suassuna, autor de livros como "O Auto da Compadecida" e "O Santo e a Porca", morreu nesta quarta-feira (23), aos 87 anos. Ele estava internado desde a noite de segunda-feira no Real Hospital Português de Recife, após sofrer um AVC hemorrágico.

O Real Hospital Português informou em nota que o escritor e dramaturgo paraibano Ariano Suassuna veio a óbito às 17h15 desta quarta-feira, 23, às 17h15, após parada cardíaca provocada pela hipertensão intracraniana. A família ainda não informou os detalhes do funeral.

O agravamento do estado de saúde de Suassuna veio após sofrer um AVC hemorrágico na segunda-feira, 21 e ter sido submetido a cirurgia para colocação de dois drenos para controlar a pressão intracraniana.

Em agosto do ano passado, Suassuna passou por duas internações seguidas. Sofreu um enfarte do miocárdio e logo depois e um aneurisma cerebral. Recuperou-se e estava em plena atividade. Foi o homenageado do bloco carnavalesco recifense Galo da Madrugada, no carnaval, e semana passada ministrou uma aula-espetáculo no Festival de Inverno de Garanhuns, no agreste pernambucano.

Autor de obras como "O Auto da Compadecida", "Uma mulher vestida de sol" e "Romance da Pedra do Reino", Ariano Suassuna foi o idealizador do Movimento Armorial, na década de 1970 - arte erudita a partir de elementos da cultura popular nordestina em todas as áreas música, dança, artes plásticas.

Suassuna foi secretário estadual de Cultura no período 1994-1998, durante o governo de Miguel Arraes (1916-2005) e assumiu o mesmo cargo, como secretário especial no primeiro mandato do governo Eduardo Campos (PSB), neto de Arraes, em 2007. Seu foco sempre foi o da valorização da cultura popular, posicionando-se também contra qualquer estrangeirismo da língua portuguesa.

Engajado na campanha presidencial de Campos, esteve presente no lançamento da sua candidatura em Brasília e participou, no dia sete, de um encontro da militância do candidato, no Paço Alfândega, no Recife.

Em três semanas, é o terceiro acadêmico a morrer. No dia 3 foi Ivan Junqueira. Em seguida, João Ubaldo Ribeiro, na sexta passada.
Brasil, Rio de Janeiro, RJ. 28/03/1957. Representação da peça teatral "O Auto da Compadecida", do dramaturgo Ariano Suassuna.


Trajetória

Nascido em João Pessoa, quando a capital paraibana ainda se chamava Nossa Senhora das Neves, em 1927,  ainda adolescente, Ariano Vilar Suassuna foi morar no Recife, onde terminou os estudos secundários e deixou seu nome marcado na cultura literatura brasileira, especialmente no teatro e na literatura.

Em 1946, na capital pernambucana, fundou o Teatro do Estudante de Pernambuco, junto com o amigo Hermilo Borba Filho. No ano seguinte, escreveu sua primeira peça teatral, Uma Mulher Vestida de Sol, seguida de Cantam as Harpas de Sião e Os Homens de Barro. Em 1955, escreveu sua obra mais popular, Auto da Compadecida, que conta as aventuras de dois amigos, Chicó e João Grilo, no Nordeste brasileiro. A peça foi adaptada duas vezes para o cinema, em 1969 e 2000.

Suassuna continuou criando, escrevendo peças de teatro, romances e poesias. O Santo e a Porca, Farsa da Boa Preguiça e Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta são algumas das dezenas de obras dele. A maioria delas foi traduzida para outros idiomas, como francês, alemão, espanhol, inglês e holandês. Em 1989, passou a ocupar a Cadeira nº 32 da Academia Brasileira de Letras.

Carismático, Suassuna esbanjou simpatia por onde passou. Mais recentemente, apresentou sua “aula-espetáculo” por todo o Brasil, onde ensinou formas de arte para o público e mostrou a riqueza da cultura do país, contando histórias, “causos” e piadas. Suassuna mostrou ao povo brasileiro como ele é inventivo, engraçado, esperto e interessante e provou que não existe nada do lado de lá das fronteiras que possamos invejar.

Em uma de suas últimas passagens por Brasília, Suassuna encerrou a aula-espetáculo valorizando, não sua obra, mas a de outro brasileiro. O escritor citou o filósofo Matias Aires como exemplo da qualidade nacional, mas também como um resumo da sua própria trajetória, "e da de todos nós", neste mundo.

“Quem são os homens mais do que a aparência de teatro? A vaidade e a fortuna governam a farsa desta vida. Ninguém escolhe o seu papel, cada um recebe o que lhe dão. Aquele que sai sem fausto, nem cortejo, e que logo no rosto indica que é sujeito à dor, à aflição, à miséria, esse é o que representa o papel de homem. A morte, que está de sentinela, em uma das mãos segura o relógio do tempo. Na outra, a foice fatal. E, com esta, em um só golpe, certeiro e inevitável, dá fim à tragédia, fecha a cortina e desaparece”, disse, então, Ariano Suassuna.

Com informações de O Estado de S. Paulo e Agência Brasil

 https://br.noticias.yahoo.com/morre-ariano-suassuna-210758976.html

Carlos Pial, no Feitiço Mineiro


AFRONOITE, no Nosso Mar Restaurante
















"AFRONOITE" Noite maravilhosa, de muito samba de roda, partido alto e afoxé e outros ritmos afrobrasileiros! 

Com os artistas: Ana Soares e Thaís Fread (voz), Leandro Morais (violão e voz) e Jorge Macarrão (percussão).

Local: Espaço Cultural do Nosso Mar Restaurante. 
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Data e hora: Sexta, 25/07/2014, às 21:30 h. 
Reservas e informações: 61-33496556

Couvert artístico: R$ 15,00.