Thursday, February 26, 2015

Água Grande


Ednardo


A primeira vez que eu vi São Paulo
Da primeira vez que eu vim São Paulo
Fiquei um tempão parado
Fiquei um tempão parado
Esperando que o povo parasse
Esperando que o povo parasse

Enquanto apreciava a pressa da cidade
A praia de Iracema
Veio toda em minha mente
Me banhando da saudade
Me afogando na multidão
Eu vim São Paulo
Se afogando na multidão
Eu vi São Paulo

Janeiro e nada
Fevereiro e nada
Marçabril e águagrande despencou
Um aviso de chuva me chamou
Marçabril e águagrande despencou
Um aviso de chuva me chamou
Adeus São Paulo
Está chovendo pras bandas de lá
Também estou com pressa
Está chovendo pras bandas de lá

Água Grande (Ednardo)

Estaca Zero (Ednardo e Climério Ferreira)

Nossa irmã lua





Noémia de Souza

Uma irmãzinha meiga que nos cubra
a todos com a quentura terna e gostosa
do seu carinho...
que entorne toda a sua claridade
sobre as nossas tristes cabeças vergadas
e, como um feitiço forte e misterioso,
nos afugente as raivas fundas e dolorosas
de revoltados,
com a sua morna carícia de veludo...
sua enorme mão,
luminosamente branca, consegue-nos tudo.
E sob o seu feitiço potente, serenamos.
E pouco a pouco, momento a momento,
Sossegando vamos...
Fechando nossos olhos pacientes de esperar,
Já podemos vogar no mar
Parado dos nossos sonhos cansados...
E até podemos cantar!
Até podemos cantar o nosso lamento...
De olhos para dentro, para dentro de nós,
Sentimo-nos novamente humanos,
Somos nós novamente,
E não brutos e cegos animais aguilhoados...
Sim. Nós cantamos amorosamente
A lua amiga que é nossa irmã.
– Embora nos repitam que não,
nós o sentimos fundo no coração...
(que bem vemos
que no seu largo rosto de leite há sorrisos brandos de doçura
para nós, seus irmãos...)
só não compreendemos
como é que, sendo tão branca a nossa irmã,
nos possa ser tão completamente crista,
se nós somos tão negros, tão negros,
como a noite mais solitária e mais desoladamente escura...
Se me quiseres conhecer
Se me quiseres conhecer,
Estuda com olhos de bem ver
Esse pedaço de pau preto
Que um desconhecido irmão maconde
De mãos inspiradas
Talhou e trabalhou em terras distantes lá do norte.
Ah! Essa sou eu:
órbitas vazias no desespero de possuir a vida
boca rasgada em ferida de angustia,
mãos enorme, espalmadas,
erguendo-se em jeito de quem implora e ameaça,
corpo tatuado feridas visíveis e invisíveis
pelos duros chicotes da escravatura...
torturada e magnífica
altiva e mística,
africa da cabeça aos pés,
– Ah, essa sou eu!
Se quiseres compreender-me
Vem debruçar-te sobre a minha alma de africa,
Nos gemidos dos negros no cais
Nos batuques frenéticos do muchopes
Na rebeldia dos machanganas
Na estranha melodia se evolando
Duma canção nativa noite dentro
E nada mais me perguntes,
Se é que me queres conhecer...
Que não sou mais que um búzio de carne
Onde a revolta de africa congelou

Seu grito inchado de esperança.

  
Nasceu em Catembe, Moçambique, em 1926 e faleceu em Cascais, Portugal, em 2002. Poeta, jornalista de agências de notícias internacionais viajou por toda a África durante as lutas pela independência de vários países. Só publicou tardiamente seu livro de poesias Sangue Negro, em 2001.
Não existe edição brasileira do livro  Sangue Negro

Wednesday, February 25, 2015

Tuesday, February 24, 2015

Friday, February 13, 2015

Bloco faz homenagem a Athos Bulcão em festa na próxima terça-feira

Criado por um grupo de amigos poetas, o bloco Rejunta meu Bulcão desfilará pela primeira vez, na próxima terça-feira, em homenagem ao artista. A característica pomba dos azulejos da Igrejinha marcará presença nas fantasias


 postado em 13/02/2015 06:15 / atualizado em 13/02/2015 07:58


Eles pegaram a argamassa da alegria e decidiram ir às ruas da capital, unindo brasilienses e quem mais se interessar por uma festa carnavalesca. Neste 2015, o bloco “Rejunta meu Bulcão” desfila pela primeira vez em Brasília, sem apoio do Governo do Distrito Federal (GDF) ou de empresas. Por dois anos, ele existiu apenas nos corações e nos repertórios de marchinhas de um grupo de amigos. Eles criaram o hino da folia, que mistura elementos característicos da cidade, como a tesourinha, a Baratinha e o Pacotão, e cujo integrante principal é a pomba figurativa dos azulejos de Athos Bulcão.

A ideia surgiu em 2013, quando a poetisa Marina Mara, 35 anos, vivia no Rio de Janeiro. Ela e cinco amigos, que também tinham morado em Brasília, sentiam falta de um carnaval de rua com brincadeiras e de um bloco completamente brasiliense. Entre uma conversa e outra, saiu a letra da marchinha em ritmo de samba-enredo: “Rejunta, rejunta, rejunta meu Bulcão!”. Desde então, a canção ficou na ponta da língua e, a cada festejo, Marina e os amigos entoam a música. Por dois anos, o bloco existiu apenas no gogó. “Quando a gente se deu conta, todo mundo já sabia o hino”, comentou.
Breno Fortes/CB/D.A PressOs amigos Vanderlei e Mana Gi celebram a união de poesia e carnaval do bloco Rejunta meu Bulcão


A proposta do grupo é levar arte e cultura para as ruas da capital com um toque especial dos confetes e das serpentinas. Outros artistas e poetas de Brasília se uniram aos seis foliões. Eles planejam fazer intervenções poéticas, como o projeto “Troco poema por sorriso”, de Marina, protestos poéticos, levar bolas de sabão e pernas de pau. “Mesmo quando morava lá (Rio), a gente vinha passar carnaval aqui. Brasília é uma cidade diurna e eu sentia falta de um bloquinho onde cada um faz a fantasia e pode levar as crianças”, disse Marina.

CANTE JUNTO!

Marchinha do bloco:

Rejunta!
Rejunta!
Rejunta meu Bulcão!
A pomba da
A pomba da
A pomba da igrejinha
A pomba gira
A pomba gira
A pomba gira na tesourinha
No carnaval
A danada da tesoura
Cortou a minha asa
E também
Da pomba-rola
Dizendo que azulejo
Não é lugar de pomba não
Rejunta meu bem rejunta
Rejunta meu Bulcão
Pararã pam pam
Rejunta!
Rejunta!
Rejunta meu Bulcão!
A pomba da
A pomba da
A pomba da igrejinha
A pomba gira
A pomba gira
A pomba gira na tesourinha
Pomba ficou de mal
Da senhora tesourinha
Que cortou seu barato
De sair na Baratinha
Pois sem as penas
Só dá pra sair no Pacotão
Rejunta meu bem rejunta
Rejunta meu Bulcão
Pararã pam pam
Rejunta!
Rejunta!
Rejunta meu Bulcão!


Programe-se
Bloco Rejunta meu Bulcão

Dia: 17 de fevereiro
Horário: 16h
Local: Praça dos Prazeres, quintal amoroso do Balaio Café, 201 Norte

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