Escrita
18.04.2013
A poesia é a terceira dimensão do alter ego materializado. Ela é divina – é assim que define essa forma de linguagem literária o poeta e médico cearense José Telles. Após escrever sete obras em versos, agora do autor envereda pela prosa poética.

Sua incursão está materializada no livro “A palavra descalça”, lançado esta semana. Na obra, composta por 159 páginas, o autor analisa à luz da poesia, obras de vários autores, como por exemplo, do poeta cearense José Alcides Pinto (1923 - 2008), do amazonense Jorge Tufic, do poeta Carlos Augusto Viana (editor do caderno Ler, do Diário do Nordeste), do escritor e jornalista Lustosa da Costa (1938 - 2012) e do poeta Dimas Macedo.
Integrante da Academia Cearense de Letras (ACL), Telles festeja o seu amadurecimento no campo da poesia, expressão artística que cultiva desde a infância. “Você nasce poeta”, revela. A criação é ininterrupta. Para o segundo semestre deste ano, o poeta promete um novo livro, com poemas inéditos.
Versatilidade
Mostrando versatilidade, o autor apresenta críticas escritas em inglês e francês. “Sou poeta poliglota e isso facilita a minha vida”, conta. A desenvoltura com que transita por outras línguas faz com que alguns colegas peçam para que escreva cartas para autores franceses ou tradutores.
A pedido do autor, o texto sobre Dimas Macedo é escrito em francês. A articulação do discurso do poeta, reunindo conhecimento e erudição, ganha ainda mais dinamismo quando o assunto é poesia. “Faço uma incursão romântica dentro da poesia”, diz fazendo referência ao livro “A palavra descalça”, que remonta sobretudo à crítica literária, mas sem a “dureza” da crítica acadêmica, avisa.
Uma leitura agradável, com textos concisos e sensíveis. “O amadurecimento do autor acontece quando ele é capaz de cortar o seu texto”, analisa, completando que, muitas vezes, é preciso retirar partes de uma escrita. E esta é uma das principais características dos textos poéticos, quando o mínimo pode ser tudo.
Companheiros
Assim, lançando mão a uma prosa denominada de “afetiva e poética”, o autor passeia pela poesia ou pelas narrativas de alguns autores, citando, ainda, Pedro Henrique Saraiva Leão, Giselda Medeiros e Fernanda Quinderé. O prefácio é assinado por Linhares Filho, integrante da ACL, e a obra é dedicada a Vinícius Barros Leal, que ocupava a cadeira 34, hoje, ocupada pelo autor.
O professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) Geraldo Jesuíno é autor do projeto gráfico, capa e lustrações, que merecem destaque pela simplicidade e delicadeza. Numa demonstração de que narrativa literária e design gráfico caminham juntos. José Telles nasceu na Vila de Bitupitá, litoral Oeste do Ceará, e integra a diretoria da Sociedade de Médicos Escritores (Sobrames), sendo presidente da Academia de Letras e Artes do Nordeste. É diretor do departamento de cultura do Ideal Clube. Entre os títulos publicados: “Conversando” (1996), “Poemas Estivais” (1997), “Sermões de Pradaria” (2001), “O lacre do silêncio” (2007), todos de poesia. Na sua opinião é difícil analisar a poesia, que expressa a grandeza das palavras.
Conforme José Telles, a pessoa nasce poeta e a técnica vem com o amadurecimento laborativo e da linguagem. Em outras palavras, através da leitura e do conhecimento sobre literatura. Destaca a importância do uso preciso da palavra que ganha sonoridade. “Poesia sem sonoridade e sem a dimensão especial da palavra não é poesia”, ressalta. No caso, a pessoa faz versos ou poemas. Considera fundamental a fuga do lugar comum, ressaltando a importância da metáfora, que considera “o invisível da poesia”.
No texto “Trilogia dos mortos”, o autor analisa a escrita de José Alcides Pinto (1923-2008). Remonta ao livro “Tempo dos mortos”, afirmando que o autor “sai do regionalismo, onde é senhor de borla e capelo, e mergulha nas raias do existencialismo, nas entranhas da alma, na liturgia do corpo, e se aproxima ora de Deus, ora do Diabo”. Na sua opinião, “Tempos dos mortos” deve ser lido em silêncio e com o rigor da releituras críticas.
Afirma: “bem-aventurados os que conhecem profundamente a obra de Alcides”. Analisa a obra “Os guardanapos”, do escritor amazonense Jorge Tufic, e confessa estar maravilhado com os poemas. “São de belíssima linhagem e, por capilaridade, guardam em si, uma rara homogeneidade poética”.
A análise poética do autor, desenvolve-se, ainda, pela narrativa do jornalista e escritor cearense Lustosa da Costa na obra “Contos de Sobral e de outros sítios”. Fala sobre a concepção gráfica do livro, afirmando que a capa “veste, harmonicamente, o texto como se fora a silhueta da narrativa”. Afirma que “são contos romanceados, bem caricaturados, dentro de uma realidade provisória, ora ficção, ora suprarrealidade”, avalia.
Linhares Filho, na apresentação da obra, revela: “O poeta e médico José Telles tem-se destacado em nosso meio cultural e científico, ora na qualidade de anestesista de renome, ora sendo poeta de expressão vigorosa”.
Destaca sua participação em diversas entidades sócio-culturais, bem como o seu crescimento no campo literário, em especial, na poesia, referindo-se ao lirismo da sua poética. Agora, o poeta surge como prosador e crítico, que analisa as obras literárias com o olhar de poeta.
Iracema SalesRepórter
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1256147
No comments:
Post a Comment