o projeto ARTE EM ABERTO chega
ao final de sua programação inaugural (duas sequências de
palestras/apresentações neste 1º semestre de 2012) - sem sabermos o que sairá daqui - nada ou uma agitação intermitente - convidando
a todos para a instigante conversa com SEVERINO FRANCISCO sobre
TROPICALISMO E PÓS-TROPICALISMO (relação com cinema e arte de vanguarda)
no SEBINHO (406 N), dia 29 de junho (sexta), a partir das 19 h.
O Tropicalismo, em sua breve e febril existência como movimento
(1967/68), pôde incorporar e condensar muitas das energias que estavam no ar
naquele momento culturamente explosivo.
Em um lance talvez inédito, a MPB passa a dialogar intensamente
com as experiências mais avançadas de outros campos artísticos.
Em relação ao cinema, devemos enfatizar o impacto deflagrador de
Terra em Transe - quando Glauber leva o Cinema Novo à encruzilhada
estético-política - e de alguns filmes do endiabrado Jean-Luc Godard. Impulsos
também notáveis vieram da antiarte sensório-cerebral-vivencial de Hélio
Oiticica e das explorações intersemióticas da Poesia Concreta.
Oswald de Andrade, além de marcar presença com a famosa montagem
de O Rei da Vela pelo Oficina, emergiu, com a disseminação do ideário e
prática antropofágicos, como verdadeiro avô-avatar do movimento.
Claro, foram inúmeras as incorporações da tradição musical
brasileira e da música estrangeira - até mesmo da erudita (via Duprat,
Medaglia, Koellreuter et alii).
Diante do novo contexto de hegemonia da cultura de massa, os
tropicalistas (Caetano, Gil, Gal, Tom Zé, Torquato, Os Mutantes...)assumem uma
postura não defensiva mas lúdica e devoradora, inserindo, em sua celebração
paródica, elementos críticos sutis ou ostensivos.
Os desdobramentos do Tropicalismo na cultura criadora brasileira
foram múltiplos, tanto nos anos imediatamente seguintes (do Pós-Tropicalismo)
como até hoje, tendo uma última expressão coletiva vigorosa no manguebeat de
Science & cia.
A atividade jornalística de Severino Francisco, que se inicia, já
com uma forte marca pessoal, nos primeiros anos 80, tende, irresistivelmente,
ao questionamento e à agitação cultural. Com seus textos tão lúcidos quão
provocativos, tem sabido responder aos sinais artísticos e culturais brasileiros
mais novos e desafiadores, revelando o que eles têm de imprescindível e
relançando-os (idealmente que seja) para uma apropriação coletiva, recriadora.
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