Monday, July 06, 2015

Sarau Camões - COLETIVO DE POETAS E JARBAS JÚNIOR HOMENAGEIAM O AUTOR DE OS LUSÍADAS




O Coletivo de Poetas realiza nesta sexta-feira, 10 de julho, o Sarau Camões, no Empório Mineiro (CLN 104), das 18h30 às 22h30.  André Gurgel é o músico convidado.
O escritor convidado para fazer a minipalestra sobre a vida e a obra de Luís Vaz de Camões é o professor, ensaísta, romancista e poeta Jarbas Júnior, autor do romance (biografia romanceada) A Espada de Camões (Thesaurus).
O poeta, escritor e historiador Menezes y Morais falará sobe a contextualização histórica.
Haverá sorteio de livros de escritores residentes em Brasília e no Distrito Federal. No quadro Poesia na Roda, a plateia é convidada para ler ou recitar poemas, ou comunicar alguma notícia sobre autores, literatura, cultura.
Serão feitas rodas de leituras de alguns poemas do autor de Os Lusíadas, pelo Coletivo de Poetas e representantes da plateia.
POETAS CONVIDADOS
São convidados os poetas Brithowisckys (pseudônimo de José Carlos Ferreira Brito); Conceição Targino, Jarbas Júnior; e o escritor e jornalista Pedro César Batista, âncora do Programa Letras & Livros da TV Cidade Livre, canal 12, da NET.  
O romance (biografia romanceada) de Jarbas Junior, A Espada de Camões, também pode ser adquirido no sito: www.thesaurus.com.br

CAMÕES
Luís Vaz de Camões (1524-1580) é um poeta de Portugal, considerado um dos mais expressivos ícones da literatura em língua portuguesa e um dos grandes poetas do Ocidente.
Camões nasceu em 1524 (Lisboa, Portugal) e morreu dia 10 de junho de 1580, em Lisboa. Trabalhos escritos: Os Lusíadas, publicado em 1572.
SERVIÇO
O que: Sarau Camões, do Coletivo de Poetas.
Músico convidado: André Gurgel.
Quando: Dia 10 de julho de 2015, das 18h30 às 22h30.
Onde: Empório Mineiro (CLN 104, Bloco B, Loja 32).
Reservas: fones (61) 8116.6988 e 3340.2283.
Couvert artístico: R$ 5 (cinco). Poeta que der canja não paga.
 

 

Friday, July 03, 2015

A poesia libertária de Conceição Lima


Vocês conhecem a poesia de Conceição Lima?  Ela é uma poeta (poetisa deprecia, segundo meu professor) de São Tomé e Príncipe, África.
A título de informação: a África tem cinco países que têm como língua oficial a portuguesa. São Tomé e Príncipe é um deles. Os outros são: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique.

Conceição Lima nasceu em 1961, é natural da ilha São Tomé, onde estudou a escola primária e secundária. Depois obteve o diploma de jornalismo em Portugal. É também licenciada em Estudos Afro-Portugueses e Brasileiros pelo King's College londrino. Possui título de especialização em Governos e Políticas em África e de mestrado em Estudos Africanos, ambos pela School of Oriental and African Studies (SOAS) de Londres.  Atuou no rádio e na televisão de São Tomé. Atualmente reside em Londres, onde trabalha na BBC como produtora dos programas de Língua Portuguesa.

Conceição estreou com o livro "O útero da casa", coletânea de poemas (Lisboa: Editora Caminho, 2004). Dois anos depois publicou "A dolorosa raiz do micondó" (Editora Caminho).

o_utero_da_casa
A_dolorasa_raiz_do_micondó

A poesia de Conceição Lima se inscreve na temática de resgate do passado seu e, do seu povo, que foi marcado fundamente pela ação colonialista. Por isso, a escritora tem ânsia de contribuir para uma nova humanidade africana, sem esquecer jamais das raízes do seu povo e sem esquecer as gerações responsáveis pela independência de seu país, bem como de todas as ex-colônias africanas.


Mátria

Quero-me desperta
se ao útero retorno
para tactear a diurnal penumbra
das paredes
na pele dos dedos reviver a maciez
dos dias subterrâneos
os momentos idos
Creio nesta amplidão
de praia talvez ou de deserto
creio na insônia que verga
este teatro de sombras
E se me interrogo
é para te explicar
riacho de dor cascata de fúria
pois a chuva demora e o obô entristece
ao meio-dia
Não lastimo a morte dos imbondeiros
a Praça viúva de chilreios e risonhos dedos
Um degrau de basalto emerge do mar
e nas danças das trepadeiras reabito
o teu corpo
templo mátrio
meu castelo melancólico
de tábuas rijas e de prumos.
                   (LIMA, 2004, p. 17-18)


Conceição Lima coloca no eu lírico um sentimento pátrio que se revela por meio de metáforas, como, por exemplo: A África é a Casa, a Mátria, o templo sagrado, o castelo de tabuas rígidas. É, portanto, uma exaltação à sua terra.

Ainda em sua poesia, há um tom de reverência aos heróis de guerra, os mártires que se sacrificaram por uma África livre. Conceição também conclama aos seus irmãos africanos que não esqueçam seu passado e sua cultura.

Os heróis

Na raiz da praça
sob o mastro
ossos visíveis, severos, palpitam.
Pássaros em pânico derrubam trombetas
recuam em silêncio as estátuas
para paisagem longínquas.
Os mortos que morreram sem perguntas
regressam devagar de olhos abertos
indagando por sua asas crucificadas.
                                        (LIMA, 2004, p.23)

A poesia de Conceição Lima é considerada insubmissa, pois expressa repulsa ao colonialismo e o acusa de ser a raiz das misérias que assolam a África.

A poesia de Conceição Lima se inscreve junto àqueles que também produziram a chamada poesia combativa, uma poesia que prega os valores da negritude, como: Alda do Espírito Santo, Amílcar Cabral, Noêmia de Souza e outros mais. Todos que fizeram ou fazem de sua arte um grito contra o opressor.


Referências

PONTES, Roberto. Conceição Lima e a poesia na pós-independência em São Tomé.

Canal E entrevista: Conceição Lima: Poetisa representante de São Tomé e Princípe

Moçambique: o díficil equilíbrio entre gestão de recursos naturais e meio ambiente


Sociedade civil pede maior controlo das actividades extractivas.

Amancio Miguel
A extracção dos recursos naturais não deverá degradar o meio ambiente e as suas receitas deverão beneficiar a todos os moçambicanos. O apelo é da Plataforma da Sociedade Civil para os Recursos Minerais e Industria Extractiva, que reuniu esta semana em Maputo.
Recursos minerais vs meio ambiente - 2:40
A questão do ambiente é bastante sensível e não tem merecido a devida atenção, diz Fátima Mimbire, coordenadora de pesquisa para a indústria extractiva, no Centro de Integridade Pública.
“Muitas vezes, ficamos apenas preocupados com o reassentamento, onde vamos colocar as pessoas, mas esquecemos que o ambiente fica danificado e isso tem implicações na vida,” diz ela.
Outra preocupação levantada no encontro tem a ver com o facto de nas comunidades não existir muita consciência sobre os danos que podem ocorrer em resultado da extracção de recursos minerais.
E não só, afirma Mimbire: “Entre os parlamentares, o governo no geral e mesmo ao nível da sociedade civil o conhecimento não é generalizado.”

Para ultrapassar, ela sugere mais trabalho para educar as comunidades e outros interessados sobre as questões ambientais. Tal deverá realçar “a importância da participação activa de todos na prevenção e mitigação de problemas ambientais”.

A discussão sobre a protecção do meio ambiente faz parte da pressão das organizações da sociedade civil para que a indústria extractiva em Moçambique seja gerida com transparência de modo a beneficiar a todos.

“Nós queremos uma indústria que não só extrai e deteriore a vida das pessoas, mas que seja uma indústria que promove o desenvolvimento. Esperamos que o governo seja aberto,” diz  Mimbire.
Os organizadores do encontro elogiaram as instituições nacionais pelos avanços significativos na criação de condições para melhoria da governação do sector extractivo. Tais avanços incluem a validação do país como cumpridor da Iniciativa de Transparência da Indústria Extractiva, o início da publicação dos contratos do sector e aprovação de diversos instrumentos reguladores.

Mas referiram que ainda há desafios na implementação das leis, melhoria da monitoria e fiscalização do sector para garantir o cumprimento das obrigações por parte das empresas, tributação adequada, gestão das receitas e partilha de benefícios entre os moçambicanos.

Encontros similares terão lugar anualmente para promover o diálogo entre as onde as organizações da sociedade civil, Governo, o parlamento, o sector privado e outros sectores que participam na indústria extractiva.

http://www.voaportugues.com/content/mocambique-o-dificil-equilibro-entre-gestao-de-recursos-naturais-e-meio-ambiente/2847407.html
 

“A poesia é minha maior dependência”

É assim que define sua relação íntima com a literatura a escritora Dayse Kênya de Morais, que, após anos produzindo poemas, lança, amanhã, 1ª obra da carreira

Foto:RUBER COUTO
Rariana Pinheiro,Da editoria DMRevista

O Talhe. Este é o nome do primeiro livro de Dayse Kênya de Morais. É com ele que a experiente autora – mesmo após vencer mais de 30 prêmios de poesia – faz seu début na literatura goiana. E, nesta estreia, ela foi com tudo e mergulhou de vez em um mundo de verbos – impreterivelmente carregados de sentimentos. O resultado foram poemas densos, mas diretos, que serão oficialmente mostrados ao público amanhã, às 20h, no Espaço Sonhus, localizado na área anexa do Colégio Lyceu de Goiânia.

O lançamento vai se dividir em dois momentos e lugares do centro cultural. O primeiro se dará no Teatro do Espaço Sonhus, onde o ator Luciano Caldas irá apresentar uma performance teatral. Em seguida, o público será convidado a seguir para o Café Fornin, no mesmo local, onde irá acontecer a tradicional mesa de autógrafos.

A obra que Dayse Kênya vai mostrar hoje é a compilação de vários poemas, feitos ao longo de sua vida, mas que possuem um ponto em comum: a paixão pelos verbos. Logo, os oito capítulos do livro são nomeados por eles. “A obra é como uma peça dividida em atos. Abrindo com o verbo duvidar e passando pelas fases verbais existenciais e o desfecho no verbo morrer”, explica a poetiza.

A trajetória
Mas, mesmo sendo O Talhe a estreia no mundo das publicações, é possível, com facilidade, avistar uma longa intimidade com o mundo das palavras, não apenas na obra, mas também na história de Dayse, pois ela teve parte da vida dividida pela carreira publicitária, ilustração e, claro, pelos poemas.
No prefácio de O Talhe, feito por Carlos Brandão, se mostra ainda mais clara a relação desta artista com a poesia, lá no final dos anos 80. Com o grupo capitaneado pelo também poeta Pio Vargas, ela sempre podia ser vista “poetando”. “Este era um grupo não oficial (risos). Uma turma de amigos que se reunia, informalmente, pra beber, fazer poesia em guardanapo, sarais, coisas do gênero”, relembra Dayse.

E é também lembrando desta época que Brandão diz, nas orelhas de O Talhe, que a autora chega nesta obra “com o mesmo frescor poético daquela turma, a mesma sensibilidade, a mesma transgressão, alegria e dúvidas” daquela época.

Mesmo com tanta história para contar no mundo das letras – e carregada de prêmios de poesia – a autora, de fato, demorou a lançar uma obra para chamar de sua. E este certo atraso, ela atribui talvez a uma peculiaridade de todo poeta: “acho que demorei a lançar porque não pautei meu fazer poético nas questões práticas que uma publicação exige”, argumenta ela, que agora que começou não pretende parar: “Estou fazendo um romance autobiográfico, que vai se chamar Meu Querido Noitário”, revela ela sobre a próxima obra, ainda sem data de lançamento.

PREMIAÇÕES
1989
3º Lugar em poesia – I Feira Regional de Cultura e Artes de Montes Claros de Goiás
3º Lugar – I Concurso Arisco de poesia falada
1º Lugar– V concurso Wilson Cavalcante de Nogueira
3º lugar– I Concurso Picanha na Brasa de Poesia Falada
1990
1º Lugar– I Concurso Getúlio Vaz de Poesia– Inhumas-GO
Melhor Intérprete– I Concurso Getúlio Vaz de Poesia– Inhumas-GO
Destaque de Inhumas– I Concurso de Getúlio Vaz de Poesia
Melhor texto– Concurso de poesia falada Corujão
3º Lugar– Concurso de Poesia Falada Corujão
3º Lugar– Concurso Charlie Chaplin de Poesia Falada
2º Lugar em Poesia– III FAMA– Monte Alegre de Goiás
2º Lugar em Poesia – IV FAMA– Monte Alegre de Goiás
1992
3º Lugar– Concurso de poesia falada Pio Vargas


1993
1 Lugar– Concurso de Poesia Falada – Casa de Cultura João Bênio
2º Lugar– I Concurso de Poesia Falada– Casa de Cultura João Bênio
Melhor Texto– I Concurso de Poesia Falada– Casa de cultura João Bênio
Participação na Antologia de Concurso Nacional Gilberto Mendonça Teles de Poesia
1º Lugar em Poesia– I Festival Juriti
1994
2º Lugar em poesia– I Concurso de Poesia Falada Jota´s Restaurante Bar
2004
1º Lugar em Poesia– I Concurso Kelps de Poesia Falada
Melhor interpretação– I Cncurso Kelps de Poesia Falada
2005
2° Lugar no Concurso Novos talentos da Fundação Jaime Câmara

TALHE VERBAL

O verbo me talha
fazendo de minha carne território pra sua navalha.

O verbo me bica
(Prometeu atormentado com o frescor renovado de sua ferida).

Me sangra as entranhas
– órgãos em sacrifício –
lacerante ímpeto de amor;

– golpe bruto em minha matéria abrupta –
com afinco me finca
seu monumento à dor.

O verbo
pra brincar de lavrador.
se apropria de meus quintais
O verbo é um trator. Sem nenhum pudor.

Patrola descontrolada vincando estradas
no sem rumo de meu seja lá o que for.

Cadê o silêncio que tava aqui?
O verbo matou.
Verbolor.

Detalhe gráfico e metonímico na capa do livro chama a atenção para o modelo criativo e autêntico da autora Dayse Kênya
Detalhe gráfico e metonímico na capa do livro chama a atenção para o modelo criativo e autêntico da autora Dayse Kênya

Entrevista com a poetisa

DMRevista – Pode nos explicar como decidiu partir de viagem para este mundo de verbos de O Talhe?
Dayse Kênya – Como o livro é um apanhado de várias fases (meus poemas de origem eram longos e narrativos. Atualmente são bem mais concisos, tendendo para a rima e musicalidade. Com forte apelo visual), foi uma forma de dar unidade ao livro. Como uma peça dividida em atos. Abrindo com o verbo duvidar, e passando pelas fases verbais existenciais. Com seu desfecho no verbo morrer.

DMRevista – São estes oito verbos que te inspiram a criar?
Dayse Kênya – Posso dizer que não busco inspiração (entendendo isso como um exercício para escrever). Não tenho esse pragmatismo. Vejo as pessoas fazendo ‘exercícios’ para desenvolver a criatividade. Faz-me rir! Escrever é uma forma de estar viva. E vivenciando as etapas dessa peça, onde somos autores, atores e plateia de nós mesmos.

DMRevista – Em um de seus poemas você diz: “Mal vejo uma folha e pá.. piro!” Podemos dizer que escrever é sua maior loucura?
Dayse Kênya – É. É minha maior dependência. Termino o livro com a frase “…que a poesia seja meu maior apego!” Depois que eu conseguir, no curso natural das coisas, me desfazer de todos os outros! (risos).
DMRevista – Você começou a criar poemas na década de 80, no grupo capitaneado por Pio Vargas? Pode nos contar um pouco sobre como era fazer poesia nesta época?
Dayse Kênya – Na verdade, eu não comecei a escrever porque era da “turma do Pio”. Eu era da turma do Pio porque escrevia. E na época, talvez minha grande influência no escrever tenha vindo do poeta Ubirajara Galli. O Pio teve muita influência, sim, comportamental. Ele era contagiante. O que se poderia chamar de poeta 24h. Sem pose. Sem atitudes de conveniência. Ele respirava poesia em todos os seus atos. Inclusive, eu abro o livro com uma citação do Leminski, que aprendi com ele. Ele vivia repetindo: “Vai vir o dia, quando tudo que eu diga, seja poesia!”.

DMRevista – Além de Pio Vargas e Ubirajara Galli, quais são suas maiores influências na poesia?
Dayse Kênya – Talvez minhas maiores influências estejam na produção dos filósofos. Pois na minha juventude cursei Filosofia, e nunca mais abandonei o hábito da leitura dos filósofos. Sobretudo, Nietzche, Foucaut, Sartre, Sêneca.

DMRevista – Qual é o papel da poesia para você?
Dayse Kênya – É não ter papel. Baudelaire diz que a beleza da poesia está em ser completamente inútil!

Das Duas, Duas
(vem isso e aquilo)

Se é pra falar de poesia
faço sessão extraordinária;
reconvoco minha fome vária
Transformo a letra precária em pura elegia.
Se é pra manchar a brancura do caderno
roubo tinteiros no inferno;
Cometo algazarras bizarras
Na sacrossanta extensão de meu império.
Se é pra falar da alegria do preto do branco
meu semblante é sério.

Vem, poesia!
não faz cerimônia na antessala da agonia.
Vem pichar o muro de minha fortaleza vazia.

Vem isso:
Sem anestesia nem artifício.
Faz de lamber meu fígado nu
Seu grande fetiche – o ofício.

Vem Allan Poe põe tempero!
Põe uma montanha-russa no parque
do meu desespero.

http://www.dm.com.br/revista/2015/07/a-poesia-e-minha-maior-dependencia.html