Wednesday, October 16, 2013

Reconhecimento do trabalho da ATL


Boa notícia: numa feliz e oportuna decisão, a Câmara Legislativa do Distrito Federal reconheceu a luta e o valor cultural da ATL – Academia Taguatinguense de Letras, e declarou a Academia como Patrimônio Material, Imaterial e Cultural do Distrito Federal, com a promulgação da Lei 5.159, de 21 de agosto de 2013. Ameaçada de despejo em sua sede atual, a vitória da Academia representa um incentivo a todas as atividades culturais desenvolvidas em Brasília, por ter sido sacramentada num gesto formal de sua Câmara Legislativa. Estão de parabéns todos os dirigentes da ATL e, em particular, seu Presidente Gustavo Dourado, pelo denodo e proficiência com que se entregou a essa causa.

Fonte: http://www.lagonoticiasbsb.com.br/index.php/colunistas/nestorkirjner.html

Tuesday, October 15, 2013

Aságuas promove seu 49º debate técnico - Gestão de eventos hidrológicos extremos para a redução de riscos de desastres naturais



Aságuas promove seu 49º debate técnico no dia 10, as 16:00h, na Sala de Vidro do Bloco M

Marcos Airton de Sousa Freitas, Especialista em Recursos Hídricos, apresentará o 49º Debate Técnico, o oitavo da série deste ano de 2013, promovido pela Associação dos Servidores da Agência Nacional de Águas (Aságuas), sobre o tema:

Gestão de eventos hidrológicos extremos para a redução de riscos de desastres naturais

Conforme relatório de avaliação (AR5) do IPCC – Intergovernamental Panel on Climate Change, bem como do Primeiro Relatório de Avaliação Nacional (RAN 1), do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, lançados recentemente, os eventos hidrológicos extremos tenderão a se tornar mais intensos e mais frequentes nos próximos cem anos. Objetiva-se, pois, apresentar as bases legal e institucional para a gestão de eventos hidrológicos extremos, visando à redução de riscos de desastres naturais, incluindo atores como o CEMADEN, CENAD, CPRM e ONS. Serão ainda apresentadas as ferramentas técnicas para a Gestão de Secas, a exemplo do Sistema de Gestão de Secas – SIGES, bem como sistemas de previsão e de alerta de cheias para bacias amazônicas, desenvolvidos pelo palestrante.

Todos os servidores e colaboradores estão convidados a participar deste evento, que conta para a capacitação dos servidores.
Após a palestra haverá um lanche de confraternização e todos estão convidados.

Ferreira Gullar em Novo Projeto pela José Olympio


Monday, October 14, 2013

Lançamento do livro Artesanato de perguntas, de Carla Andrade




A poeta e jornalista Carla Andrade, em sua jornada de fazer versos, lança – em 22 de outubro, a partir das 19h, no Sebinho Cultural – o livro Artesanato de perguntas, obra costurada, imaginada, sonhada, desenhada, vivida nos últimos cinco anos. O lançamento marca o final de uma trajetória iniciada logo após a edição de seu primeiro trabalho, Conjugação de pingos de chuva, de 2007.
Mineira de Belo Horizonte, Carla já pode se dizer uma mineiro-brasiliense, pois há mais de uma década vive no Planalto Central, sempre atuando na área de formação, Jornalismo, e se alimentando diariamente de palavras poéticas. Ler seus versos é mergulhar em um mundo paralelo de imagens, cores, sabores, aromas, lembranças, sonhos, desesperanças, saudades, fantasia, amores, erotismo e por aí pelo infinito. É submergir em um verdadeiro artesanato de perguntas. Afinal, para que respostas?
“Sentirás que aos poucos a poesia de Carla Andrade vai penetrando nos teus olhos e te lendo”, escreve o poeta Nicolas Behr na orelha do livro. No “Prefácio”, o também poeta Alberto Bresciani não fala mais que a verdade ao considerar que os “Novos poemas de Carla Andrade recusam a monotonia e a estagnação,[afinal]Carla tem o ‘andar curioso/ de quem não se acostuma mais a olhar sem ver’ (do poema Vietnã)”.  


E seu olhar vai longe dentro de si, do outro, do espaço ao redor, passa pelo Vietnã, Argentina, Itália, Tailândia... e volta para seu próprio interior. Inquieta, se não pode viajar pelo tempo e pelo espaço, Carla viaja nos vocábulos, nos sentimentos, nos detalhes ocultos àqueles que não querem ver. Questiona o cotidiano da solidão entre pessoas, abre as vísceras de uma contemporaneidade em que a imaginação, o diálogo, a contemplação, a simplicidade vêm sendo tragadas pelo abismo de uma sociedade cada vez mais desintegrada, apartada da essência humana.
Para completar sua poesia de sentir, de comer, de degustar, de nos ler, ilustrações da artista gráfica Marina Soares, materializando imagens em traços delicados, tão poéticos quanto as linhas melódicas (ou não) de Carla Andrade, que não escreve para ser compreendida, mas para fazer viajar – mesmo que se esteja quieto em um apartamento qualquer das Asas, ou em qualquer das cidades do Distrito Federal, de Minas, do Brasil, do mundo ou em nós.
Artesanato de Perguntas recebeu recursos do Fundo da Arte e da Cultura (FAC), da Secretaria de Estado da Cultura do Distrito Federal. 

O quê?
Lançamento do livro Artesanato de perguntas, de Carla Andrade
Quando?
Dia 22 de outubro
A que horas?
A partir das 19h
Onde?
No Sebinho Cultural, SCLN 406, bl. C, lj. 44

Falar com quem?
Ateliê da Palavra
Ana Vilela – 61 8182 4555
Carla Andrade – 61 9634 3966

Uma degustação de Artesanato de perguntas

Antes do chuveiro

Artesãs são minhas mãos
na cama no espelho seu corpo.

Meus dedos, teares febris
a fiar a incógnita do seu gozo.

Minha boca vapor
de um trem sem destino.
Afasto meus dentes
como persianas abertas
para todo o sol entrar.

Concentro o que gruda
e molha na minha língua
ávida pelo seus poros
encravados 
de indulgência.

Sou toda parábola para
folhear páginas
de um livro pagão.
O suor do cio.

Espasmos rebelados.
Trêmula,
terei que reinventar o chão...

Artesanato de perguntas

A colonização dos maribondos
nos meus pensamentos
começou em sânscrito.

Meditação das palavras.
Um mantra de curiosidade de luz
arregalava meus olhos répteis de criança.

Às vezes, levava uma ferroada da ignorância.
Mas passava logo, com sopro em margaridas.
A infância cuidou da urbanização das ideias.

Conjunções interrogativas fizeram
prédios no horizonte,
mas os adultos não entendiam
a essência das janelas.

Depois, a rebeldia dos porquês escravizados.
O desejo devorava séculos sem respostas
em pés religiosos atolados.

A independência da colônia veio depois
de um jejum de palavras.

Não quis mais saber o porquê do universo
e da minha travessia cambaleante.

Como um coral no fundo do mar
deixei que peixes me acolhessem
e segui o movimento das algas.


Cidade

O tempo
e suas longas tranças
debruçadas em varandas com
vista para os olhos da cidade.

A cidade com seus sentimentos
enclausurados
em caixas de concreto,
pés de aço,
jardins de cimento,
estátuas mijadas.

Você tem que ser híbrido,
até seu silêncio deve ser civilizado.
Deixe o que é visceral para
a fotossíntese das plantas.
O que é magistral na sua loucura
para a metamorfose das borboletas.

Nada de mudanças repentinas
enquanto a cidade e seu relógio analógico
decidem seu destino.

Ande devagar, não olhe para os pássaros.
Quando você assumir uma cor cinzenta
e tiver a idade do ralo,
do bueiro,
a cidade respirará o
o resto de sua alma.

Vão te chamar de homem,
seus músculos tensos
serão condecorados,
até que você não tenha nem
mais o consolo da beleza
do abismo da tristeza.

Você ficará só com seus olhos de boneca.
Sentindo em suas feridas o focinho da cidade.
O tempo irá desfazer suas, nossas tranças.

Friday, October 11, 2013

Eu não fui à Feira do Livro de Frankfurt

 

poemas de "Staub und Schotter" - Marcos Freitas



HEUTIGE ODE

ich will heute alle Empfindungen zum Ausdruck bringen
ich will alles, das ich schon gewuβt habe
ich will alles, das ich noch nicht weiβ
ich will das ganze Universum küssen
ich will Milliarden von Sternen neben mir
ich will die kleine Ameise durch dem Blumen frei laufen sehen
ich will den anarchischen Tanz des blühenden Frühlings
ich will alle Flüche als ganz gewöhliche Wörter verwenden
ich will deine Augen sehen, so weit meine Auge dringt
ich will die Prägnanz deines Lächelns in meiner Haut prägen
ich will die melodische Melodie deines Körpers mitspielen
heiter und still wie der Sonnenuntergang direct am Meer
- leider schliefst du gerade –
ich will die übermäβige Maβlosigkeit meines Gefühles
ich will das Geprassel des Begehrens in deine Augen sehen
ich will die Feuerwolke meines Wunsches zur Nachmittagssonne bringen
ich will das Plaster meines gekrümmten Bürgersteigs vergipsen
ich will die wuchtige Erregnung voller Fieber
ich will in deiner durstigen ungebrannten Haut entgleisen
ich will die empörende Hartnäckigkeit meiner Poesie
ich will tausendeVerse für dich schreiben
ich will dich
- leider schliefst du gerade –
STAUB UND SCHOTTER

Nur aus Staub und Schotter
wird dies Bahn eingebaut.
Keiner fährt über es hin.
Einige Teile davon
wird von dem Wald gefresst.
Andere, beim starke Regen gebisst.
Loch und Loch – Hinterhalt –
jede Stück.
Über dem fahre Ich, einsam,
und frage mich:
Hättet aus Staub und Schotter
meine ganze Lebenstrasse gewesen?

Marcos Freitas [ de Staub und Schotter - 2008 ]  


Para adquirir o livro:
http://www.livrariacultura.com.br/Produto/LIVRO/STAUB-UND-SCHOTTER/9030995


O som latino de Rodrigo Vivar e Jorge Macarrão, no Caleuche




Caleuche  Restaurante  apresenta:
O som latino de Rodrigo Vivar e Jorge Macarrão

Interpretando os ícones latinos Mercedes Sosa, Milton Nascimento, Violeta Parra, Chico Buarque, Silvio Rodrigues, Santana, Pablo Milanes e muitos outros.
Happy Hour:  das 19 às 22  horas.                                                                          
sexta-feira, 11/10/2013
Caleuche Restaurante – SCLS 310 – Bloco A -Asa Norte                                    
Reservas:  61 - 3522-5363 / 99378914                                                                                                                                    
Espetáculo recomendável  para  todas  as  idades.

Que Venha a Seca, de Marcos Airton de Sousa Freitas



Autor: Marcos Airton de Sousa Freitas
ISBN: 8578106601
ISBN-13: 9788578106607
Brochura, 1ª Edição – 2010, 413 pág.

O autor não se propõe a lutar quixotescamente contra a seca e derrotá-la, mas sim compreender os fenômenos envolvidos nos diversos tipos de seca, conjeturar sua ocorrência, sua duração e sua intensidade, e estabelecer critérios para que sejam tomadas decisões realistas. Trata-se de um livro complementar à cadeira de Hidrologia, para ser utilizado principalmente pelos cursos que têm em vista a formação de hidrólogos que vivem e trabalham nas regiões assoladas pelas secas, constituindo-se em uma fonte segura de pesquisa sobre o tema. Embora haja interdependência entre os capítulos, eles podem, até certo ponto, ser lidos independentemente uns dos outros, fazendo com que o livro possa ser também usado como manual de procedimentos por gestores, administradores públicos e demais tomadores de decisão, uma vez que cada capítulo possui sua própria lista bibliográfica.

Onde adquirir o livro:

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=9044208&sid=97511819712322634963904325&k5=D11FF6E&uid=

http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/3373355/que-venha-a-seca-modelos-para-gestao-de-recursos-hidricos-em-regioes-semiaridas/?ID=BD4B76C57DB01150C1D160306

http://www.martinsfontespaulista.com.br/ch/prod/382548/QUE-VENHA-A-SECA---MODELOS-PARA-GESTAO-DE-RECURSOS-HIDRICOS-EM-REGIOES-SEMIARIDAS.aspx

http://www.siciliano.com.br/pesquisaweb/pesquisaweb.dll/pesquisa?ESTRUTN1=0301&ORDEMN2=E&PALAVRASN1=que+venha+a+seca&x=44&y=13

http://www.livrariagalileu.com.br/home/detalhe.asp?id_livro=177871&buscape

http://www.livrariaunesp.com.br/livrariaunesp/produto/28045/QUE+VENHA+A+SECA
 
http://www.sbs.com.br/ciencias-humanas-e-sociais/ecologia-e-meio-ambiente/que-venha-a-seca-modelos-para-gest-o-de-recursos-hidr-cos-em-regi-es-semi-ridas.html

QUE VENHA A SECA Sumário
AGRADECIMENTOS APRESENTAÇÃO PREFÁCIO CAPÍTULO 1 MUDANÇAS CLIMÁTICAS E SECAS CAPÍTULO 2 O FENÔMENO DAS SECAS, A GESTÃO DE RECURSOS HÍDRICOS E O NORDESTE DO BRASIL CAPÍTULO 3 ANÁLISE INTEGRADA DO FENÔMENO DAS SECAS (SIGES) CAPÍTULO 4 MODELAGEM CHUVA-VAZÃO EM RIOS DO SEMIÁRIDO CAPÍTULO 5 GERAÇÃO SINTÉTICA DE VAZÃO EM RIOS DE REGIÕES SEMIÁRIDAS CAPÍTULO 6 MODELOS DE ESTIMATIVA DE DEMANDA CAPÍTULO 7 MECANISMOS DE ALOCAÇÃO E NEGOCIAÇÃO DE RECURSOS HÍDRICOS CAPÍTULO 8 APLICAÇÕES DO SIGES AO SEMIÁRIDO BRASILEIRO CAPÍTULO 9 ANÁLISE MULTICRITÉRIO E TOMADA DE DECISÃO EM REGIÕES SEMIÁRIDAS CAPÍTULO 10 ANÁLISE DE RISCO NA GESTÃO HIDROAMBIENTAL CAPÍTULO 11 OPERAÇÃO DE RESERVATÓRIOS EM SITUAÇÕES DE ESCASSEZ CAPÍTULO 12 INTEGRAÇÃO SETORIALNA GESTÃO DE RECURSOS HÍDRICOS CAPÍTULO 13 PLANOS DE CONVIVÊNCIA COM AS SECAS E MITIGAÇÃO DOS IMPACTOS CAPÍTULO 14 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Thursday, October 10, 2013

Espetáculo Cantos Negreiros - Frankfurter Buchmesse

Espetáculo Cantos Negreiros, da cantora Fabiana Cozza e o escritor Marcelino Freire, apresentando na Romanfabrik, em Frankfurt (Alemanha), no dia 10/09. Músicos: Angela Frontera (percussão) e Ricardo Fiúza (piano).


Wednesday, October 09, 2013

Íntegra do discurso do escritor Luiz Ruffato na abertura da Feira do Livro de Frankfurt


Seu discurso, de cerca de dez minutos, foi ovacionado e aplaudido de pé por alguns dos presentes, entre eles o diretor do Sesc-SP Danilo Santos Miranda e escritores brasileiros, como o romancista Paulo Lins e o poeta Age de Carvalho.
No encerramento das cerimônias, depois do discurso de políticos como o Ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle, que elogiou a fala de Ruffato e pediu lugar permanente para o Brasil no Conselho de Segurança da ONU, o vice-presidente Michel Temer fez um discurso que foi concluído com vaias.
Começou chamando a ministra da Cultura, Marta Suplicy, de "ministra da Educação" e fez declarações elogiosas à sua participação na Constituinte de 1987-88, que resultou na Constituição de 1988.
Em seguida falou de sua relação com a literatura. "Jamais abandonei a literatura. As leituras aguçaram meu raciocínio. Graças a isso cheguei a este palco", disse, antes de fazer propaganda de seus próprios poemas, publicados recentemente no livro "Anonima Intimidade" (Topbooks). "Não recebi elogios, mas também não recebi críticas."

*
Leia a íntegra do discurso do escritor Luiz Ruffato na abertura da Feira do Livro de Frankfurt:
 
"O que significa ser escritor num país situado na periferia do mundo, um lugar onde o termo capitalismo selvagem definitivamente não é uma metáfora? Para mim, escrever é compromisso. Não há como renunciar ao fato de habitar os limiares do século 21, de escrever em português, de viver em um território chamado Brasil. Fala-se em globalização, mas as fronteiras caíram para as mercadorias, não para o trânsito das pessoas. Proclamar nossa singularidade é uma forma de resistir à tentativa autoritária de aplainar as diferenças.
O maior dilema do ser humano em todos os tempos tem sido exatamente esse, o de lidar com a dicotomia eu-outro. Porque, embora a afirmação de nossa subjetividade se verifique através do reconhecimento do outro --é a alteridade que nos confere o sentido de existir--, o outro é também aquele que pode nos aniquilar... E se a Humanidade se edifica neste movimento pendular entre agregação e dispersão, a história do Brasil vem sendo alicerçada quase que exclusivamente na negação explícita do outro, por meio da violência e da indiferença.
Nascemos sob a égide do genocídio. Dos quatro milhões de índios que existiam em 1500, restam hoje cerca de 900 mil, parte deles vivendo em condições miseráveis em assentamentos de beira de estrada ou até mesmo em favelas nas grandes cidades. Avoca-se sempre, como signo da tolerância nacional, a chamada democracia racial brasileira, mito corrente de que não teria havido dizimação, mas assimilação dos autóctones. Esse eufemismo, no entanto, serve apenas para acobertar um fato indiscutível: se nossa população é mestiça, deve-se ao cruzamento de homens europeus com mulheres indígenas ou africanas - ou seja, a assimilação se deu através do estupro das nativas e negras pelos colonizadores brancos.
Até meados do século 19, cinco milhões de africanos negros foram aprisionados e levados à força para o Brasil. Quando, em 1888, foi abolida a escravatura, não houve qualquer esforço no sentido de possibilitar condições dignas aos ex-cativos. Assim, até hoje, 125 anos depois, a grande maioria dos afrodescendentes continua confinada à base da pirâmide social: raramente são vistos entre médicos, dentistas, advogados, engenheiros, executivos, jornalistas, artistas plásticos, cineastas, escritores.
Invisível, acuada por baixos salários e destituída das prerrogativas primárias da cidadania --moradia, transporte, lazer, educação e saúde de qualidade--, a maior parte dos brasileiros sempre foi peça descartável na engrenagem que movimenta a economia: 75% de toda a riqueza encontra-se nas mãos de 10% da população branca e apenas 46 mil pessoas possuem metade das terras do país. Historicamente habituados a termos apenas deveres, nunca direitos, sucumbimos numa estranha sensação de não pertencimento: no Brasil, o que é de todos não é de ninguém...
Convivendo com uma terrível sensação de impunidade, já que a cadeia só funciona para quem não tem dinheiro para pagar bons advogados, a intolerância emerge. Aquele que, no desamparo de uma vida à margem, não tem o estatuto de ser humano reconhecido pela sociedade, reage com relação ao outro recusando-lhe também esse estatuto. Como não enxergamos o outro, o outro não nos vê. E assim acumulamos nossos ódios --o semelhante torna-se o inimigo.
A taxa de homicídios no Brasil chega a 20 assassinatos por grupo de 100 mil habitantes, o que equivale a 37 mil pessoas mortas por ano, número três vezes maior que a média mundial. E quem mais está exposto à violência não são os ricos que se enclausuram atrás dos muros altos de condomínios fechados, protegidos por cercas elétricas, segurança privada e vigilância eletrônica, mas os pobres confinados em favelas e bairros de periferia, à mercê de narcotraficantes e policiais corruptos.
Machistas, ocupamos o vergonhoso sétimo lugar entre os países com maior número de vítimas de violência doméstica, com um saldo, na última década, de 45 mil mulheres assassinadas. Covardes, em 2012 acumulamos mais de 120 mil denúncias de maus-tratos contra crianças e adolescentes. E é sabido que, tanto em relação às mulheres quanto às crianças e adolescentes, esses números são sempre subestimados.
Hipócritas, os casos de intolerância em relação à orientação sexual revelam, exemplarmente, a nossa natureza. O local onde se realiza a mais importante parada gay do mundo, que chega a reunir mais de três milhões de participantes, a Avenida Paulista, em São Paulo, é o mesmo que concentra o maior número de ataques homofóbicos da cidade.
E aqui tocamos num ponto nevrálgico: não é coincidência que a população carcerária brasileira, cerca de 550 mil pessoas, seja formada primordialmente por jovens entre 18 e 34 anos, pobres, negros e com baixa instrução.
O sistema de ensino vem sendo ao longo da história um dos mecanismos mais eficazes de manutenção do abismo entre ricos e pobres. Ocupamos os últimos lugares no ranking que avalia o desempenho escolar no mundo: cerca de 9% da população permanece analfabeta e 20% são classificados como analfabetos funcionais --ou seja, um em cada três brasileiros adultos não tem capacidade de ler e interpretar os textos mais simples.
A perpetuação da ignorância como instrumento de dominação, marca registrada da elite que permaneceu no poder até muito recentemente, pode ser mensurada. O mercado editorial brasileiro movimenta anualmente em torno de 2,2 bilhões de dólares, sendo que 35% deste total representam compras pelo governo federal, destinadas a alimentar bibliotecas públicas e escolares. No entanto, continuamos lendo pouco, em média menos de quatro títulos por ano, e no país inteiro há somente uma livraria para cada 63 mil habitantes, ainda assim concentradas nas capitais e grandes cidades do interior.
Mas, temos avançado.
A maior vitória da minha geração foi o restabelecimento da democracia - são 28 anos ininterruptos, pouco, é verdade, mas trata-se do período mais extenso de vigência do estado de direito em toda a história do Brasil. Com a estabilidade política e econômica, vimos acumulando conquistas sociais desde o fim da ditadura militar, sendo a mais significativa, sem dúvida alguma, a expressiva diminuição da miséria: um número impressionante de 42 milhões de pessoas ascenderam socialmente na última década. Inegável, ainda, a importância da implementação de mecanismos de transferência de renda, como as bolsas-família, ou de inclusão, como as cotas raciais para ingresso nas universidades públicas.
Infelizmente, no entanto, apesar de todos os esforços, é imenso o peso do nosso legado de 500 anos de desmandos. Continuamos a ser um país onde moradia, educação, saúde, cultura e lazer não são direitos de todos, mas privilégios de alguns. Em que a faculdade de ir e vir, a qualquer tempo e a qualquer hora, não pode ser exercida, porque faltam condições de segurança pública. Em que mesmo a necessidade de trabalhar, em troca de um salário mínimo equivalente a cerca de 300 dólares mensais, esbarra em dificuldades elementares como a falta de transporte adequado. Em que o respeito ao meio-ambiente inexiste. Em que nos acostumamos todos a burlar as leis.
Nós somos um país paradoxal.
Ora o Brasil surge como uma região exótica, de praias paradisíacas, florestas edênicas, carnaval, capoeira e futebol; ora como um lugar execrável, de violência urbana, exploração da prostituição infantil, desrespeito aos direitos humanos e desdém pela natureza. Ora festejado como um dos países mais bem preparados para ocupar o lugar de protagonista no mundo --amplos recursos naturais, agricultura, pecuária e indústria diversificadas, enorme potencial de crescimento de produção e consumo; ora destinado a um eterno papel acessório, de fornecedor de matéria-prima e produtos fabricados com mão de obra barata, por falta de competência para gerir a própria riqueza.
Agora, somos a sétima economia do planeta. E permanecemos em terceiro lugar entre os mais desiguais entre todos...
Volto, então, à pergunta inicial: o que significa habitar essa região situada na periferia do mundo, escrever em português para leitores quase inexistentes, lutar, enfim, todos os dias, para construir, em meio a adversidades, um sentido para a vida?
Eu acredito, talvez até ingenuamente, no papel transformador da literatura. Filho de uma lavadeira analfabeta e um pipoqueiro semianalfabeto, eu mesmo pipoqueiro, caixeiro de botequim, balconista de armarinho, operário têxtil, torneiro-mecânico, gerente de lanchonete, tive meu destino modificado pelo contato, embora fortuito, com os livros. E se a leitura de um livro pode alterar o rumo da vida de uma pessoa, e sendo a sociedade feita de pessoas, então a literatura pode mudar a sociedade. Em nossos tempos, de exacerbado apego ao narcisismo e extremado culto ao individualismo, aquele que nos é estranho, e que por isso deveria nos despertar o fascínio pelo reconhecimento mútuo, mais que nunca tem sido visto como o que nos ameaça. Voltamos as costas ao outro --seja ele o imigrante, o pobre, o negro, o indígena, a mulher, o homossexual-- como tentativa de nos preservar, esquecendo que assim implodimos a nossa própria condição de existir. Sucumbimos à solidão e ao egoísmo e nos negamos a nós mesmos. Para me contrapor a isso escrevo: quero afetar o leitor, modificá-lo, para transformar o mundo. Trata-se de uma utopia, eu sei, mas me alimento de utopias. Porque penso que o destino último de todo ser humano deveria ser unicamente esse, o de alcançar a felicidade na Terra. Aqui e agora."

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2013/10/1353517-escritor-luiz-ruffato-diz-em-frankfurt-que-brasil-e-pais-da-impunidade-e-intolerancia.shtml