blog do poeta e engenheiro marcos freitas, piauiense, nascido na rua do barrocão ("ê rua do barrocão ê parnaíba separando a minha rua das outras, do maranhão", Torquato Neto). versos, prosas e algumas idéias.
Março é o mês da poesia, "da mulher" e no último dia do mês a ariana poeta Marina Mara lançará seu livro Figuras e celebrará seu aniversário - e você é o convidado mais que especial dessa festa.
O livro Figuras traz 123 poemas escritos em diferentes momentos da vida da autora, porém, todos com a mesma textura lírica e ativista. O livro será lançado também na versão e-book pela editora Kiron, com sede em Taguatinga, cidade natal da poeta Marina Mara. O ativismo literário de Marina Mara está presente nos 123 poemas deste livro, que também presta homenagem a algumas "figuras" ímpares como Honestino Guimarães, Pagu, Patativa do Assaré, Fela Kuti, Leila Diniz, Laerte Coutinho, Manoel de Barros, Baden Powell, Reynaldo Jardim, entre outros seres imprescindíveis para nossa formação ideológica e poética. O prefácio do livro é do mestre Tom Zé, guru amoroso de Marina Mara e figura imprescindível que dispensa apresentações.
A ilustração da capa do livro é da artista plástica e tatuadora Téssia Araújo, que expressou com sua arte a essência dos poemas e da autora em cada traço e cada tom de aquarela que ilustra o livro Figuras. Conheça mais sobre a artista no http://instagram.com/tessiatattoo .
Como sempre, nosso palco está aberto à poesia de quem chegar. A noite dessa terça está recheada de surpresas musicais, líricas e inesquecíveis, além do sorteio de um Day SPA Poético do Lotus SPA, um ensaio fotográfico da Mirah Fotografia, livros, imãs poéticos e no mais, quem vier ver, verá.
AniverLounge, parabéns a quem vier ♥ !
SERVIÇO
Lançamento do Livro Figuras e Niver da poeta Marina Mara
Marina Mara é poeta, publicitária, ativista cultural, atriz, roteirista, designer gráfico, consultora de projetos poéticos e literários. Atua pelo Brasil desde 2006 com projetos multimídia que abordam a poesia em diferentes formatos como grafite, quadrinhos, cinema, artes visuais, teatro, intervenções urbanas, internet.
Dedicada exclusivamente à poesia, Marina viajou o país ministrando cursos e oficinas poéticas em feiras literárias e coletivos de arte. Em maio de 2010, Marina Mara lançou seu primeiro livro solo, o SarauSanitário.com, que é parte de um projeto homônimo que distribuiu poesia por banheiros públicos e pelo mundo virtual. Em março de 2012, Marina produziu a Parada Poética, reunindo cerca de cinquenta artistas (e amigos) no palco-caminhão do Teatro Mapati para celebrar o Dia Mundial da Poesia. Em junho de 2012, Marina foi convidada a se apresentar na Cúpula dos Povos na Rio +20 e também realizou intervenções poéticas Rio a fora, distribuindo cerca de 500 poemas em troca de sorrisos. Em outubro do mesmo ano, Marina realizou a segunda edição do projeto Declame para Drummond, um intercâmbio de poesia autoral em homenagem ao poeta Carlos Drummond de Andrade que distribuiu poemas por todos os estados do Brasil, em algumas cidades de Portugal, Espanha, Itália, Noruega, Suíça, Timor Leste, para os brasileiros que lá residem, principalmente, totalizando cerca de 50 mil poemas.
Em 2013 Marina lançou o curso Profissão Poeta que pretende, de forma prática e descontraída, indicar o caminho das pedras – que haverão no meio do caminho – entre poetas e o público/mercado. Os temas abordados no Curso são: publicação de poesia, captação de recursos, produção independente, dicas de palco e Poesia Falada, divulgação na mídia, poesia na internet, estratégias de marketing, entre outros. No Rio de Janeiro, Marina foi selecionada para participar do Festival Internacional de Teatro Home Theatre em 2013, onde dirigiu e atuou em o espetáculo poético autoral Sarau Sanitário. Em novembro de 2013, Marina foi uma das poetas convidadas da Feira do Livro de Pelotas – RS, da qual também participaram Alice Ruiz, Chacal e Nicolas Behr.
Em julho de 2014 foi mês de nascimento do Lounge Poético, um laboratório-sarau realizado semanalmente em Brasília com sucesso de público e entrada gratuita.A proposta do Lounge é lançar novos poetas, fomentar a cena local, formar público para a poesia e oferecer aos poetas oficinas e vivências lúdicas com artistas de renome na cena literária como a escritora Elisa Lucinda. Marina Mara ministrou várias oficinas em 2014, entre elas: Poesia Ativista no projeto Mapa Gentil; Roteiros e zines no Jovem de Expressão – Ceilândia - DF; Profissão Poeta em algumas feiras literárias e coletivos de artistas pelo Brasil. Em outubro desse ano a poeta produziu a terceira edição do Declame para Drummond, com a participação de 180 poetas de todo o país. Ainda em 2014, Marina participou do longa-metragem Menina de Barro, do diretor Vinícius Machado, e do curta-metragem Diana, do mesmo diretor. No mesmo ano Marina Mara ministrou o curso Mulheres que Correm com os Lobos, com foco na autoestima e valorização do Sagrado Feminino.
Em 2015 Marina Mara idealizou e produziu o calendário Poesia Nua, no qual quinze poetas posaram nus para arrecadar fundos para publicação de livros, recebendo grande destaque nos principais veículos de comunicação do país. O calendário trabalhou fotografia, poesia autoral e a arte urbana do artista londrino Banksy – artes gráficas feitas por Marina Mara. Em fevereiro Marina Mara colocou o bloco Rejunta meu Bulcão na rua como coordenadora e idealizadora propondo uma homenagem poética ao artista Athos Bulcão e a Brasília - foram mais de mil e quinhentas pessoas ocupando as ruas da cidade de forma poética, iniciativa que foi pauta de vários jornais, inclusive o jornal TeleSur, que deu ao bloco visibilidade internacional. Em março de 2015, Marina lançou dois cursos de interpretação de poesia, o Poeteen, para jovens e o Poesia no Palco, para adultos. No fim deste mês Marina lançará seu livro Figuras, com 123 poemas e prefácio de Tom Zé.
“Ser romântico é achar que tudo são flores, ser poético é plantá-las”.
Morreu na segunda-feira o grande mago da poesia portuguesa actual. Herberto Helder tinha 84 anos e publicara há pouco A Morte Sem Mestre, livro onde se mostrava a morrer, mas ainda tocado por esse poder criador que o tornou único.
O poeta Herberto Helder morreu esta segunda-feira na sua casa de
Cascais, aos 84 anos, e apenas alguns meses após o lançamento de A Morte Sem Mestre
(2014), um ofício de trevas, irado e irónico, e às vezes de uma crueza
sem bálsamo: “e eu que me esqueci de cultivar: família, inocência,
delicadeza,/ vou morrer como um cão deitado à fossa!”. Outras vezes
sabendo que os seus misteriosos dons criadores ainda não o tinham
deixado de todo: “(…) a morte faz do teu corpo um nó que bruxuleia e se
apaga,/ e tu olhas para as coisas pequenas/ e para onde olhas é essa
parte alumiada toda”.
Como Pedro Mexia refere na sua reacção à morte
do poeta, não tardará a tornar-se pacífico que Herberto Helder é o poeta
central da segunda metade do século XX, como Pessoa o foi da primeira.
Mas é uma centralidade que é ao mesmo tempo uma anomalia, porque a
mágica e bárbara linguagem de Herberto, mesmo na sua versão atenuada dos
últimos livros, parece vir do fundo dos tempos e ter nascido por engano
nesta modernidade.
Não há na poesia portuguesa pós-Pessoa nenhum
poeta que tenha exercido um tal poder de atracção e gerado tantos
epígonos. E nenhum mais absolutamente impossível de imitar com proveito.
Quem
leu desprevenidamente esses primeiros livros de Herberto, nos anos 60 e
70, há-de ter experimentado essa sensação de que a poesia só podia ser
aquilo. Foi sempre esse o maior e mais estranho dom de Herberto Helder:
convencer-nos (ainda que injustamente) de que escreve directamente em
poesia, como se a poesia fosse a sua língua materna, e todos os outros
poetas se limitassem a traduções mais ou menos conseguidas de um idioma
perdido de que só ele detinha a chave.
Nada poderia estar mais
longe desta pós-modernidade culta, enfadada, cínica e céptica, do que o
entendimento que Herberto tinha da poesia. Numa extraordinária
entrevista que concebeu para uma revista galega e que o PÚBLICO divulgou
em 1990, ele próprio escreve: “(…) o poema é um objecto carregado de
poderes magníficos, terríficos: posto no sítio certo, no instante certo,
segundo a regra certa, promove uma desordem e uma ordem que situam o
mundo num ponto extremo: o mundo acaba e começa”. Herberto Helder não
vinha entreter ninguém, vinha para viver aquilo a que um dia chamou, com
inteira propriedade, a sua vida verdadeira.
Apenas um ano antes de A Morte Sem Mestre, que assinalou a passagem da sua obra para a Porto Editora, o poeta lançara em 2013, na Assírio & Alvim, o livro Servidões. Mas fora sobretudo com A Faca Não Corta o Fogo (2008) que se tornara um caso de consenso crítico quase absoluto.
O maior depois de Camões “Herberto
Helder foi um poeta poderoso, a sua obra foi um centro de atracção e um
horizonte em relação ao qual todos os seus contemporâneos tiveram de se
situar”, diz o crítico António Guerreiro. “Como antes tinha acontecido
com Fernando Pessoa, também houve um ‘efeito Herberto Helder’”.
Visivelmente
emocionada com a notícia da morte de Herberto Helder, a escritora Maria
Velho da Costa disse ao PÚBLICO que “morreu o maior poeta português
depois de Luís de Camões”. A romancista, que vê em A Morte Sem Mestre
“um longo poema, belíssimo”, conclui com um apelo: “Se as minhas
palavras tivessem alguma influência, eu propunha um dia de luto
nacional”.
“Quando morre um poeta com a dimensão de Herberto
Helder, o que sentimos é que não apenas morreu um poeta mas a poesia”,
declarou ao PÚBLICO o poeta madeirense José Tolentino Mendonça. “Nestes
casos o luto torna-se insuportável e, ao mesmo tempo, este luto faz-nos
perceber que Herberto Helder é imortal com a sua obra. Daqui a mil anos,
se subsistir um falante de língua portuguesa, a poesia de Herberto
Helder subsistirá”.
Num testemunho recolhido pela agência Lusa, o
crítico e poeta Pedro Mexia considera que “o lugar de Herberto Helder na
literatura portuguesa equivalerá ao de Fernando Pessoa na primeira
metade do século XX”, algo que, acrescenta, “se começou a dizer há algum
tempo e que se tornará, com o tempo, uma coisa pacífica, sem prejuízo
dos grandes poetas da geração dele”
Desde O Amor em Visita, ainda no fim dos anos 50, até A Morte sem Mestre,
já em pleno século XXI, a produção escrita de Herberto Helder criou um
universo em permanente expansão e revisão, um poema contínuo
constantemente reescrito. Cuja última formulação ficou agora
irremediavelmente fixada pela sua morte nos recém-lançados Poemas Completos (Porto
Editora, 2014), um título, aliás, algo desconcertante para quem nunca
parece ter visto na sua obra uma sucessão discreta de poemas autónomos e
fechados.
Se é inegável que Herberto Helder é hoje um poeta muito
conhecido, a ponto de cada novo livro se esgotar num ápice – o que não
quer necessariamente dizer que tenha assim tantos leitores –, nunca
alimentou essa notoriedade com a exibição da sua pessoa civil. Já na sua
poesia, pode dizer-se que os seus últimos livros assinalam uma inflexão
marcada por uma mais nítida e declarativa dimensão autobiográfica, com
todas as cautelas que a palavra exige quando aplicada a um poeta. “Os meus restos mortais” “Foi
muito inesperado”, confessa o poeta Gastão Cruz sobre a morte de
Herberto. “Tinha tido um contacto recente com ele, o que já não
acontecia há algum tempo”, conta. No final de Janeiro Herberto
enviou-lhe um exemplar dos Poemas Completos com uma dedicatória: “Aqui vão os meus restos mortais”.
Gastão
Cruz lembra que conviveu muito com o poeta mais velho nos anos 60 e 70.
“Primeiro, no restaurante Toni dos Bifes, ao lado do prédio onde vivia
Carlos de Oliveira, e depois da morte de Carlos de Oliveira no café
Monte Carlo.
Herberto era muito amigo do poeta de Sobre o Lado Esquerdo
e “sentiu muito a sua morte”, diz Gastão Cruz: “A morte afectava-o, ele
manifesta uma grande dificuldade em enfrentar o envelhecimento e a
morte, e isso é muito visível em Servidões e em A Morte sem Mestre”.
Num e no outro livro, diz ainda, “vai por caminhos de linguagem
diferentes dos anteriores, mais metafóricos, mas continua a ter uma
linguagem fulgurante, só que com mais referências ao concreto”. A última
poesia de Herberto “era de uma grande força verbal”, diz, e “mantinha
uma ligação profunda com o que sempre foi a poesia dele, uma poesia de
um poema único”.
O poeta prefere não estabelecer comparações, mas
não hesita em afirmar que Herberto é um dos nomes de primeira linha da
poesia portuguesa. “É extraordinário como na segunda metade do século
XX, depois de um fenómeno como Fernando Pessoa, a poesia conseguiu
renovar-se”, nota. “Surgiram poetas excelentes e ele é um dos maiores
dessa geração onde estão Ruy Belo, Luiza Neto Jorge, ou poetas um pouco
mais velhos, como Sophia e Carlos de Oliveira”.
Sobre a marca que Herberto deixa, Gastão Cruz remete para um ensaio de António Ramos Rosa, Herberto Helder – Poeta Órfico, onde este diz que Herberto Helder “é um poeta visionário e um poeta órfico da estirpe de um Hölderlin ou de um Rilke”.
A
sua poesia “cruza o modernismo e o surrealismo com algumas coisas dos
poetas do romantismo alemão”, mas há nela “uma intensidade própria” que
Gastão Cruz associa a algo que o poeta um dia lhe confidenciou:
“Disse-me que a poesia dele parte da tragédia pessoal que foi a perda da
mãe aos oito anos”. E cita os versos de A Colher na Boca em
que Herberto diz que “No sorriso louco das mães batem as leves/ gotas de
chuva (…)”. “Ele podia ter deixado apenas esse livro e já seria
suficiente para o considerar único”, diz Gastão Cruz. “Do lado da verdade” “Agora
há um enorme silêncio”, diz Jaime Rocha, cujo testemunho confirma bem o
hipnótico poder de sedução que a poesia de Herberto exerce sobre quem
tomba de improviso nesta verdadeira língua por direito próprio.
“Tínhamos vinte anos de diferença e a poesia dele apanhou-me quando eu
tinha 17, 18 anos, e qualquer ideia de pensamento poético a partir desse
momento se alterou, a minha relação com o texto mudou”, disse ao
PÚBLICO Jaime Rocha, pseudónimo do escritor e jornalista Rui Ferreira e
Sousa. “Demorei mais 25 anos a tentar encontrar um texto meu, uma
palavra minha que conseguisse sair daquela força, daquela sedução”,
garante.
“Herberto Helder é para mim o poeta mais importante, o que mais
me influenciou de uma geração que incluía Sophia ou Eugénio de Andradiz
ainda. “Dava-me uma força que só encontro no mar da Nazaré, a minha
terra, um mar de tragédia, dramático”. E voltando à triste notícia da
morte do poeta, constata: “Fomos construindo uma bola muito grande à
volta do Herberto e nestes dias fica um grande vazio”.
A ensaísta
Rosa Maria Martelo afirma dever a Herberto Helder “horas sem conta de
pura alegria de ler, de vislumbre, de paixão das coisas do mundo”. E ao
saber que o poeta “morreu de morte súbita”, diz que “ter sido assim de
repente” lhe parece “de uma grande justiça”. Nos últimos livros,
recorda, “tinha antecipado muitas vezes a morte própria, vivendo-a em
poemas exasperados, sem querer fugir à violência, ao pânico, mas em
certos textos desejava isto mesmo: morrer depressa e sem dor”. E
acrescenta: “Ele que nos últimos livros morreu tantas vezes, com
evidente sofrimento”.
Herberto deixa-nos, diz, “uma das obras
maiores alguma vez escritas em língua portuguesa, porque na sua poesia a
língua extrema-se em subtileza, nitidez, precisão conceptual e
plástica”. E sublinha que o poeta “escreveu com paixão absoluta” para
notar que, “nestes tristes tempos, em que o significado das palavras
flutua constantemente ao sabor de interesses e compromissos”, ele nos
deixa “uma escrita que acontece literalmente no reverso disso, do lado
da verdade, que é onde as palavras são um corpo vivo, sempre acabado de
nascer”.
Poema contínuo Nascido em 1930 no Funchal, Herberto Helder publicou os seus primeiros poemas em antologias madeirenses – Arquipélago (1952) e Poemas Bestiais (1954) –, e ainda na revista Búzio, editada por António Aragão. A sua obra de estreia, O Amor em Visita,
um pequeno folheto editado pela Contraponto, saiu em 1958, quando
frequentava, em Lisboa, o grupo surrealista que se reunia no Café Gelo,
convivendo com Mário Cesariny, António José Forte ou Luiz Pacheco.
Por
esta altura, abandonada a frequência universitária em Coimbra (primeiro
de Direito e depois de Filologia Românica), o poeta tivera já vários
empregos precários – passou pela Caixa Geral de Depósitos, angariou
publicidade, trabalhou no Serviço Meteorológico e foi delegado de
propaganda médica.
Em 1961, publicou o livro que desde logo o consagraria como uma das vozes fundamentais da poesia portuguesa: A Colher na Boca,
editado pela Ática, a chancela que então publicava as obras de Fernando
Pessoa. Ruy Belo, que também publicou na Ática, e no mesmo ano, o seu
primeiro livro, Aquele Grande Rio Eufrates, contou a Joaquim Manuel Magalhães, segundo este narra em Os Dois Crepúsculos (1981), que “ao ver em provas na editora o livro de Herberto Helder, teria sentido ser esse o livro e não o seu”.
Entre a publicação, em 1958, do longo poema O Amor em Visita,
cujos versos iniciais todos os jovens leitores de poesia portuguesa
contemporânea sabiam de cor nos anos 60 e 70 – “Dai-me uma jovem mulher
com sua harpa de sombra/ e seu arbusto de sangue. Com ela/ encantarei a
noite (…)” – e o lançamento de A Colher na Boca, o poeta viajou pela Europa.
Tornou-se
mítico o ecléctico e pitoresco inventário de ofícios que foi
desempenhando para sobreviver enquanto deambulava pela França, Holanda e
Bélgica. Foi operário metalúrgico, empregado numa cervejaria, cortador
de legumes numa casa de sopas, guia de marinheiros em Amsterdão e
empacotador de aparas de papel, curiosa ocupação para alguém que irá
demonstrar uma permanente pulsão para se transformar, ele próprio, em
papel, desaparecendo no interior da obra.
Regressado a Lisboa,
trabalha nas Bibliotecas Itinerantes da Gulbenkian. Depois passa pela
Emissora Nacional e pela RTP, trabalha em publicidade e torna-se, em
1969, director literário da Estampa, onde dá início à edição das obras
de Almada Negreiros, que sempre admirará.
Em 1963, publicara um
livro que basta para lhe assegurar também um altíssimo lugar entre os
prosadores portugueses contemporâneos, Os Passos em Volta. Ainda nos anos 60, saem Poemacto (1961), Lugar (1962), Electronicolírica (1964), depois reintitulado A Máquina Lírica, Húmus (1967), o seu fascinante diálogo com Raul Brandão, e Retrato em Movimento (1967). Em 1968 publica O Bebedor Nocturno, o primeiro devários volumes de traduções de poesia, e Apresentação do Rosto, título que mais tarde rejeitará, ainda que vários dos textos que o compõem ressurjam depois noutros livros.
No início dos anos 70, volta a viajar pela Europa e, em 1971, trabalha em Angola para a revista Notícia,
de Luanda. Numa das suas reportagens, ao viajar com o seu colega
Eduardo Guimarães, que ia ao volante, sofre um grave acidente de viação
que quase lhe custa a vida.
Novamente em Lisboa, trabalha na
editora Arcádia, e também na RDP, e colabora em várias publicações,
sendo um dos organizadores da revista Nova (1976).
Em 1968 afirmara ir deixar de escrever – voltará a fazê-lo mais vezes –, e, de facto, descontado Vocação Animal (1971), não publica nenhum novo livro até Cobra (1977), se exceptuarmos também os dois volumes da Poesia Toda, publicados na Plátano em 1973, ano em que viaja para os Estados Unidos.
Mas Cobra assinala o início de um período muito criativo, que inclui O Corpo o Luxo a Obra (1978), Flash (1980), ou A Cabeça Entre as Mãos (1982). E ainda o volume de prosa e poesia Photomaton & Vox
(1979), o primeiro lançado com a chancela da Assírio & Alvim, de
Hermínio Monteiro e Manuel Rosa, que será durante décadas a sua editora.
Se descontarmos as compilações e traduções, e a sua muito pessoal antologia da poesia moderna portuguesa, Edoi Lelia Doura (1985), segue-se mais um período de silêncio até A Última Ciência (1988), e outros seis anos até Do Mundo,
publicado em 1994, o mesmo ano em que lhe é atribuído o Prémio Pessoa,
que Herberto Helder recusa, pedindoao júri que não o anunciassem como
vencedor e dessem o prémio a outro.
Embora continue a reescrever a obra, Herberto eclipsa-se depois durante quase uma década e meia. Mas o seu regresso com A Faca Não Corta o Fogo, possivelmente o melhor livro de poesia portuguesa do século XXI, é avassalador. Em 2013 publicou Servidões, e em 2014 saiu A Morte Sem Mestre,
que assinalou a sua passagem para a Porto Editora e recebeu críticas
desiguais, quebrando pela primeira vez o consenso quase absoluto que se
gerara em torno da sua obra.
Herberto Helder vivia actualmente com
a sua segunda mulher, Olga Ferreira Lima, em Cascais. Era pai de Daniel
Oliveira, político e colunista, e de Gisela Oliveira. O seu funeral
realiza-se hoje e vai ser reservado à família, informa a Porto Editora. com Isabel Lucas, Isabel Coutinho e Hugo Pinto Santos
Há
mais de dois anos sem promover saraus, o Coletivo de Poetas está de volta. Dia
20 de março o grupo homenageia o poeta, tradutor e ensaísta Thiago de Mello, no
Empório Mineiro (CLN 104).
O poeta
amazonense será tema de minipalestra sobre sua vida e sua obra e rodas de
leituras de sua poesia. Poetas convidados: Alceu Brito Côrrea, Carla Andrade,
José Edson dos Santos e Menezes y Morais. Músico convidado: Nonato Veras.
QUEM SÃO
ALCEU BRITO
CÔRREA, engenheiro elétrico e poeta belorizontino. Publicou Epiciclo e Ekinox,
de poesia. É coautor de Fincapé, com o Coletivo de Poetas, entre outras
coletâneas. Colaborou com diversas antologias de contos e poesia, no Brasil,
Portugal e na Itália. Alceu fará minipalestra sobre a vida e a obra de Thiago
de Mello.
CARLA ANDRADE
Bonifácio Gomes é mineira de Belo Horizonte. Atua como jornalista e poeta.
Publicou Conjugação de Pingos de Chuva e Artesanato de Perguntas, ambos de
poesia. É coautora da coletânea de poemas Fincapé, do Coletivo de Poetas.
JOSÉ EDSON DOS
SANTOS: arte-educador, poeta e contista macapaense. Publicou Bolero em Noite Cinza
e Ampulheta de Aedo, ambos de poesia; Loucura pouca é bobagem (contos e
esquetes). Entre as coletâneas poéticas, Latitude Zero e Fincapé; de contos,
Todas as gerações – o conto brasiliense contemporâneo.
MENEZES y
MORAIS, jornalista, professor, historiador, escritor. Livros: Diário da Terra
& Cenas da Cidade Sitiada; A Balada do Ser e do Tempo, O Rock da Massa
Falida, poesia, entre outros. Por Favor, Dirija-se a Outro Guichê (teatro); O
Suicídio da Mãe Terra (contos) e A Íris do Olho da Noite (romance). Também fará
minipalestra sobre Thiago de Mello.
NONATO VÉRAS.
Nasceu em Tutóia (MA). Músico e poeta. Participou do Liga Tripa,
Músicas-à-tentativa e Udigrudi entre outros. É percussionista na Orquestra
Sinfônica do Teatro Nacional CS. Coautor de Fincapé, do Coletivo de Poetas.
Gravou o CD Trakstykatum. Está fazendo um livro e um novo CD.
THIAGO DE MELLO: nasceu a 31 Março
de 1926 em Manaus (AM). É um dos mais influentes e respeitados no país,
reconhecido como um ícone da literatura regional. Tem obras traduzidas para
mais de trinta idiomas. Preso durante a ditadura (1964-85) exilou-se no Chile,
encontrando em Pablo Neruda um amigo e colaborador. Um traduziu a obra do outro
e Neruda escreveu ensaios sobre o amigo.
Drago Stambuk nasceu em Selca, na ilha de Braë, Croácia, no dia 20 de setembro de 1950. Durante a infância, viveu e estudou em Split. Graduou-se em Medicina, com especialização em gastrenterologia e ênfase na área de hepatologia em Zagreb. A partir de 1983, dedicou-se à pesquisa científica e ao tratamento de doenças hepáticas e AIDS, em Londres. Em 1991, ingressou na carreira diplomática, representando seu país na Grã-Bretanhã. Depois, foi embaixador da Croácia na Índia e no Sri Lanka (1995 a 1998), no Egito e em diversos países árabes (1998 a 2000), no Japão e na Coreia do Sul (2005 a 2010). Desde 2011, é Embaixador para Brasil, Colômbia e Venezuela. É fellow da Universidade de Harvard, onde estudou e trabalhou como professor.
Paralelamente à medicina e à diplomacia, Stambuk desenvolveu uma intensa carreira como poeta, que o coloca entre os mais importantes autores contemporâneos de seu país. Em 1973, publicou seus primeiros poemas em "Vidik" e hoje tem mais de 40 obras - principalmente de poesia — publicadas em croata e traduzidas para diversos idiomas.
Stambuk é autor da polêmica antologia INSULAE/nova lírica croata (1981), com a qual abriu espaço para uma nova tendência neoplatônica na jovem poesia croata, que veio a ser conhecida como insularismo.
Em 1991, fundou o festival linguístico-poético Croatia rediviva, que ocorre anualmente em Selca, na ilha de Braë. A cada ano, um poeta recebe a coroa de ramos de oliveira, tornando-se poeta oliveatus, e tem seus versos gravados em placa de mármore e incluídos na Parede de poesia. Além disso, Stambuk compilou as antologias Coroa de Oliveira 1-4, nas quais foram publicados poemas dos coroados do festival.
Stambuk é membro da Sociedade Croata de Escritores e do PEN Club da Croácia, da Inglaterra e do Japão. Em 2010, estabeleceu no Japão o prêmio literário internacional Vladimir Devidé para melhor haikai em língua inglesa.
“Sobre as ondas, sobre as cristas das ondas cai a neve macia.
Ó, pardalzinho, não deixe o alpiste no prato.
Viajante eu sou que, descalço, ando apressado sobre o restolho.”
DRAGO ŠTAMBUK
Esta página, ainda em construção, foi criada para registrar e celebrar a presença do poeta DRAGO ŠTAMBUK no Brasil, na condição de embaixador da Croácia.
ŠTAMBUK, Drago.Céu no poço. Tradução da língua croata Tomislav Correia-Deur / Milan Puh. Porto Alegre, RS: ediPUCRS, 2014. 207 p. 14x21 cm. ISBN 978-85-397-0422-4
Em comemoração ao aniversário de 50 anos da capital federal, a Câmara Legislativa vai expor 24 esculturas em mármore, granito e metal, do artista paulistano radicado em Brasília Ennio Bernardo. As obras realizadas, com matérias-primas vindas de Portugal e do Espírito Santo, estarão disponíveis à visitação do público entre 26 de março e 31 de maio no Espaço Cultural do Foyer do Plenário da CLDF.
Duas semanas antes da inauguração, no dia 12 de março, o Conselho Curador de Cultura da CLDF realiza o vernissage de pré-lançamento da exposição. O evento ocorre a partir das 20h, no Ernesto Cafés Especiais (115 Sul).
Segundo o curador da exposição, o paranaense Adriano Vasconcelos, a Brasília de Ennio Bernardo revela uma extraordinária contradição. "Se a Capital de todos os brasileiros brotou do solo árido do cerrado por meio das calejadas mãos candangas, para este solo ela retorna pelas mãos de Ennio. E na pedra, ele grava os revolucionários traços de Niemeyer e a ousadia de Kubitschek. Na rocha estão presentes a um só tempo, as utopias de Juscelino, Darcy Ribeiro, Anísio Teixeira e a epopéia de tantas Marias e Josés, Raimundos e Severinos, que impregnaram, com seu suor e trabalho, no clima seco do Planalto Central, sua imensa humanidade, tão brasileira quanto as esculturas modernistas deste revolucionário paulista-candango".
Além das esculturas inspiradas em Brasília, o Arquivo Público do DF fará, no mesmo espaço cultural da CLDF, uma mostra conjunta de fotografias históricas da construção da cidade.
Guinea Bissau’s Waldir Araújo is a prolific writer whose talent took him to Portugal, where his writing career blossomed for several decades. But despite his bond to Portugal, and Lisbon in particular, Araújo’s narratives – poetry and short stories alike – are led by a Guinea-Bissauan voice, and tell tales of the troubled land’s history, social struggle and political identity. Paul Southern, Waldir Araújo’s translator, reveals the themes and concerns that navigate through the writer’s body of work.
Waldir Araújo
Born in Guinea-Bissau in 1971, Waldir Araújo was awarded a scholarship to Portugal after winning a literary competition organised by the Portuguese Cultural Centre in Bissau City. He was fourteen. Following his success, he completed his secondary and university studies in Lisbon. In 1996 he became a journalist, then a member of the editorial staff of the cultural magazine Valor. In 2001, he joined the staff of RTP – África (Portuguese Radio and Television Service). Three years later, he was awarded a Literary Creation Scholarship by the Portuguese National Centre for Culture, enabling him to study the Rabelados community on Santiago Island, Cape Verde. In addition to many recognitions and publications that followed suit, his most recent work, published in collaboration with the Mozambican poet Mia Couto, the Angolan writer ‘Ondjaki’ – Ndalu de Almeida, and the Brazilian poet Paula Maia, was recently published in Portugal.
Waldir Araújo
Short Stories
Waldir Araújo’s short stories transport the reader to scenes of everyday life in Guinea-Bissau, seen through the eyes of the narrator. The narratives are strongly connected geographically and psychologically to Guinea-Bissau, where Waldir invites the reader to visit his world, his very own version of the country. These short stories give a novel insight into the lives of the diverse peoples who constitute modern-day Guinea-Bissau, and serve to further interest in this often ignored, economically disadvantaged West African country.
In these stories, many of them interlaced with Creole, often dealing with the struggle to survive and prosper in a changing post-independence world, the reader meets fascinating Guinea-Bissauan characters – not a small number of them are powerful women.
In Admirable Rough Diamond(Admirável Diamante Bruto), a humorously ironic and entertaining story dealing with perceptions of reality, we meet an incorrigible confidence trickster and ex-junior Benfica footballer. Prior to leaving Guinea-Bissau, the handsome young man had re-invented himself as ‘Admirable Rough Diamond,’ perhaps in an effort to hide his lowly origins. We follow him as he effortlessly navigates and ‘cons’ his way through the smart lobbies of Lisbon’s international hotels. The footballer failed to make the grade with Benfica and fell on hard times but was supported by his cousin, the hard-working, building sub-contractor, Ansumane Sidibé. ‘Admirable,’ on arriving in Lisbon, had initially ignored his cousin, but knew that Ansumane would never turn his back on him; it would be ‘against the principles of solidarity that characterise African families.’ Thanks to his cousin, ‘Admirable’ is provided with a sinecure: the ex-footballer views it as a means of having the wherewithal to lead his ‘other life.’ Every evening he strolls into Lisbon’s best hotels and seats himself comfortably on a sofa to casually leaf through a number of prestigious foreign dailies. He is not disturbed by the hotel staff as they believe he is an ‘important personage.’ ‘Admirable’ has almost convinced himself that he really could be an executive, a political bigwig, African ambassador or even a diamond merchant. He gets to rub shoulders with Pedro V, the pretender to the Portuguese throne, Eusébio, the legendary Maputo-born footballer, sees Elton John and speaks to a much-admired Brazilian actress. One evening, dressed for ‘another world,’ he meets by pure chance (or could it be by pure connivance?), the influential French businesswoman, Monique Arnaud. A lucky, comic misunderstanding leads her to employ the handsome Guinean as her ‘escort,’ followed, eventually, by a glitzy wedding in Paris. But even now, when in Lisbon, ‘Admirable’ still gets a thrill out of visiting his former, trendy haunts.
In another short story, The Day of Self-Belief, we are transported to the mythical, mystical island of Etiokó in the Bijagós Archipelago where we find its queen, the formidable Domingas Odianga – the island has been ruled from time immemorial by a succession of powerful, sexually voracious, female monarchs. The story opens with Domingas’ rejected lover, Ernesto Nanqui, driven to attempt to commit a particularly gruesome and personal act of self-mutilation. The hitherto powerful fisherman becomes an outcast, shunned by fellow fishermen and Etiokó’s womenfolk. Domingas Odianga ‘insisted on punishment for the mate she saw as a traitor.’ However, Ernesto’s miserable existence is alleviated through his relationship with Nené Sankó, a young, childless and lovelorn woman who nevertheless fights his corner and welcomes him into her home. Thanks to Nené’s insistence and the intervention of an aged, blind soothsayer, Nácia Kabunqueré, Ernesto (now much sought-after by Domingas Odianga and other women on the island) recovers both pride and potency.
In No Reasons for Bitterness, the scene is the Glow-Worm Bar in Guinea-Bissau’s capital city where, amid constant power cuts, the headlights of enormous, sinister four-by-fours provide the only illumination. On the wall of a colonial era building destroyed by war is daubed in Creole, panha raiba ka tem – ‘no reason for bitterness.’ At a candle-illuminated table sits Dino Isaacs – ‘the most Guinean Jew I’ve ever met’, narrates the world-weary Gabriel Mendes. Gabriel’s character may be a nod to the author Waldir Araújo himself. Gabriel is attempting, with the aid of foreign cultural organisations, to produce a positive post-electoral documentary on the ‘realities of the new Guinea-Bissau.’ The question posed is whether his politically correct European backers will chance their Euro dollars on the odd pair Gabriel and Dino or opt for a tacky tourist film instead?
In Saved by Death we meet the much-feared and admired former liberation fighter Carlos Nhambréne, the king-pin of Bafatá region, known by the nickname ‘iron hand.’ Carlos had been badly injured by a Portuguese anti-personnel mine in 1969 while at the wheel of a military truck. While on a crowded toca-toca bus ride back to his hometown from Bissau City, where he had completed a livestock sale, he reads his own obituary in the newspaper. In a clear insight into human nature, the author tells us that Carlos took a certain satisfaction in reading the obituaries of others. That feeling is soured by anger as he attempts to fathom such an act. He was, in his own estimation, ‘one of the most feared men in the region.’ The narrator tells us that Nhambrené’s war injuries ‘saved his life,’ as the People’s Party declared him a ‘Fighter for the Nation’s Freedom’ and awarded him a lucrative, lifelong pension which set him up in business in Bafatá. While formulating revenge he attempts to fathom his enemy’s identity. The list is huge but one by one he discounts characters like the new, young, regional governor who is striving to bring fresh ideas, energy and development to the region. The narrator provides an insight into Guinea-Bissau life and politics as the young governor struggles against entrenched views and self-serving attitudes. Nhambrené’s personal life is clothed in secrecy – he is captivated by only one woman, a beautiful, intelligent and powerful businesswoman from the Mandinga clan, yet she shuns him after one night together. Religion now enters the narration; Samba Dabó is a boyhood friend now hated for having become successful; a Muslim businessman, he is beyond reproach and respected in the region. The protagonist unsuccessfully tries to elicit the help of an Islamic religious community leader and soothsayer in an attempt to frustrate Dabó’s business plans. Carlos Nhambrené’s cathartic, Scrooge-like experience leads him to reappraise the less noble side of his character.
Second Time Round opens in 1998 with a scene in which the young narrator describes his hometown as ‘the violated city, opaque and full of pain.’ The narrator returning to Bissau City is terrified by the scenes of violence and death and by a thunderous, bellicose voice from the regime’s radio station. The narrator describes his fear and anguish on confronting the realities of his country’s vicious civil war. In a moment of sheer panic he attempts to seek security in the recollection of childhood games and songs. Then he remembers his friend Saliu. The character of Saliu is a metaphor for his country – a man blinded in the ‘real war.’ That is, in the thirteen-year-long war against the Portuguese ending with Guinea-Bissau’s independence in 1974. Brave, proud Saliu is now reduced to begging in the streets. While searching for Saliu, the narrator asks himself: ‘How could a blind man escape from this chaos…?’ But then, amazingly, he catches sight of Saliu frantically marshalling a group of panic stricken townspeople: ‘A blind man was commanding a mob fleeing from a senseless war.’ Later Saliu and the narrator arrange to meet but the war and chaos take their toll and the narrator reluctantly makes for the harbour where he joins ‘people boarding an overloaded fishing boat.’ These fearful people are intent on making an ‘escape towards uncertainty.’ As the boat pulls away from the harbour the narrator sees Saliu armed to the teeth and almost surrounded by hostile government soldiers. The old liberation fighter calls out: ‘Nobody’s going to hurt me anymore. The first time they took away my sight, this time…’
Online Poetry
In the powerfully dramatic poem Murmurs, Waldir Araújo writes of his feelings surrounding the infamous Pidjiguiti Massacre which took place among the mildewed docks and warehouses in Bissau, the capital of colonial Portuguese Guinea. On 3 August 1959, paramilitary police confronted striking Guinean dockworkers protesting against chronically low wages; the protesters were armed only with oars and sticks. Murmurs is a deeply mystical, poetic homage to the many victims of Pidjiguiti whose actions, Araújo believes, initiated the long struggle against colonial Portugal.
In Africa he exorcises, through the medium of his verse, a poetic lamentation on the pain of a continent which, he believes, others would condemn to a state of everlasting poverty.
But none can justify
All this misery, pain and folly.
It is a fate he contrasts with its immense human and natural wealth, while at the same time alluding to the impact of centuries-long exploitation.
Many are the riches you conceal
Deep within your mysterious soul
Greed of Kings, Nobles and Counts.
The poem concludes in a deeply pessimistic tone:
families from your African home
…abandoning you…
In search of a strange safe haven.
In Dawning, the poet relates that his birth and early years were lived in the final, chaotic days of colonialism: ‘I blossomed on the eve of the canticle of freedom.’ He writes of growing up ‘enmeshed in the echoes of an epic’ referring to the epic liberation struggle initiated by Amílcar Cabral. The poet speaks of being freed from that ‘epic’ and of witnessing the end of colonialism in his country; hence, ‘I chanted the canticles in praise of the death of the centipede.’ The ‘centipede’ in a figurative sense is representative of colonial Portugal, which then also held sway over Angola and Mozambique. The poet writes movingly of his feelings of post-colonial disillusionment after the euphoria of liberation, and of the way that its leaders took the country toward a web of corruption and a cycle of constant instability. Yet, in spite of his disillusionment, he feels that his country may yet be ‘on the threshold of a dream.’
By Paul Southern
Paul Southern has translated many of Waldir Araújo’s works into English.
Jornalista guineense Waldir Araújo, redator da RDP África, quer destacar o que de positivo acontece no país "nesta nova fase", numa revista trimestral lançada em toda a diáspora
Revista `Polón` quer ajudar a promover "uma Guiné Bissau capaz e que faz"
O jornalista Waldir Araújo lançou esta sexta-feira em Bissau a revista Polón, um projeto que pretende ajudar a promover a "Guiné que faz" através de uma aposta na atualidade cultural, económica, política e da sociedade em geral.
A revista será trimestral, com mais de 60 páginas, editada em Portugal mas distribuída também na Guiné-Bissau, França, Espanha e futuramente em Angola e em todos os países de concentração da diáspora guineense. Dando cobertura a atualidade junto da comunidade guineense radicada no estrangeiro, a Polon pretende, acima de tudo, informar sobre o que se passa na Guiné-Bissau "na nova etapa" que o país vive. "Nos últimos tempos tem saído muita notícia menos positiva sobre o país. É nosso propósito, sem escamotear ou ocultar a realidade dos factos, mostrar a outra face das coisas, uma Guiné empreendedora, de gente que faz e faz bem. Gente que pode estar ao lado dos que fazem noutras partes do mundo", disse o editor da revista Polon.
Para já, a revista estará nas bancas de três em três meses mas no futuro essa periodicidade poderá ser encurtada, defendeu Waldir Araújo, anunciando 2500 exemplares para primeira edição. Neste primeiro número, a Polón destaca as potencialidades turísticas da Guiné-Bissau, com um extenso artigo. O Turismo será, aliás, um setor que vai merecer uma particular neste novo projeto. "Vamos concentrar-nos muito no Turismo, porque percebemos que as novas autoridades querem vender o nosso setor turístico", disse Waldir Araújo, que pretende colocar em prática a "larga experiência" adquirida na extinta revista Valor.
Sobre o nome da revista, Waldir Araújo frisou ser uma homenagem "à imponente árvore" africana. "Polón é uma alusão a uma árvore sagrada, mítica, imponente não só pelo seu porte mas também pelo lado sagrado que representa e merece um grande respeito no nosso imaginário coletivo", explicou Araújo, jornalista da RDP África.
No dia 12 de março de 2015 o POEMAÇÃO em conjunto com Tróia Negra faz seu primeiro sarau na cidade de Taguatinga, com o propósito de divulgar e incentivar a poesia brasiliense o POEMAÇÃO contará com a presença de poetas de Brasília que dividirão o palco com artistas nas áreas de música e cênica.
Participantes:
Marina Andrade compositora, cantora e intérprete da música brasileira em que a poesia e a boa harmonia são presentes. Compôs músicas sobre poemas de Cecília Meireles, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Augusto dos Anjos e Fernando Pessoa. No cd Versos Íntimos, Marina Andrade homenageia e exalta musicalmente a genialidade de Augusto dos Anjos, cuja modernidade dos versos, a ironia e a dramaticidade foram magistralmente transformadas em blues, pop e folk. Marina Andrade desenvolve ainda um delicado trabalho de composição sobre poemas de destacados poetas de Brasília como Jorge Amâncio, Gelly Fritta, Nicolas Behr e Menezes & Moraes dentre outros.
O Poeta dos Ventos, Alen Guimarães, é jornalista, fotógrafo, assessor de imprensa e produtor cultural. Dois livros publicados, Frente e Versos e o Mosaico de Sonhos, livros de poemas e algumas canções. Um poeta que ama cantar seus poemas, um Poeta que ama a vida.
Cumpadi Ancelmo Borges de Moura, poeta-matuto e contador, de Oeiras, Piauí. Com a boa cepa nordestina representa com os verbos criados, crescidos e declamados dos poemas que cantam as sagas e os mistérios do povo nordestino, sertanejo e lutador. Declamador de mestres como Zé da Luz, Patativa do Assaré, Amazan dentre outros tantos do sertão nordestino.
Henrique Silva músico e compositor com um repertório que passeia pelos ritmos da MPB e composições afro-brasileiras. Rique Silva nos apresenta o seu mais recente trabalho “Mate-me agora ou me ame pra sempre” que penetra no universo poético de letras em guardanapos, em pedaços de papel, algumas cifradas outras datilografadas, muitas noites sem dormir e a paixão que teima em ser lembrada, querida e rejeitada, nas andanças de um poeta em “Batom d‘amor e morte”, de Jorge Amancio.
Grupo de Teatro Elementos Pretos formado em 2014, nos traz uma proposta de reflexão e ação, sobre o genocídio sofrido pela população negra, num esquete com direção de Rafael Dos Santos Nunes e Dilmar Durães que também participam do texto em conjunto com Bruna Rosa.
Serviço:
POEMAÇÃO Local: EMPÓRIO DAS BEBIDAS QI 02 Lote 01 Loja 02 – SANDÚ NORTE
O jornalista e
escritor Zuenir Ventrura estava bastante emocionado na cerimônia de
posse, na noite de hoje (6), na Academia Brasileira de Letras (ABL), na
sede da instrução, no centro do Rio. O novo imortal, que no dia da
eleição, no dia 30 de outubro do ano passado, disse à Agência Brasil, que a ficha ainda não tinha caído para expressar o sentimento daquele momento, revelou nesta sexta, que permanece a reação.
"Acho
que só vai cair depois da posse e do discurso. Eu estou multo nervoso,
muito tenso, porque não é brincadeira. O peso simbólico desse fardão é
muito grande, muito maior do que o peso físico. Então, acho que vai cair
mesmo amanhã de manhã", disse antes de começar a cerimônia.
Zuenir
revelou que passou os últimos meses lendo a obra do escritor e
romancista Ariano Suassuna, a quem sucedeu na Cadeira 32 da ABL. " Nessa
releitura de Ariano, ele ficou maior até", analisou. O novo acadêmico
disse que pretende, a partir de agora, divulgar ainda mais a obra do seu
antecessor na instituição. "Se eu puder tornar o Ariano ainda mais
acessível aos jovens, já vou me sentir realizado por isso, porque vou
sucedê-lo e não substituir, porque Ariano é insubstituível. Vou tentar
de alguma maneira ajudar a difundir a obra dele".
O acadêmico
Domício Proença Filho, que na cerimônia entregou o diploma de imortal
para Zuenir, também estava feliz com a posse dele. " A presença dele
traz uma pessoa que já era pensada para estar aqui. Falo com a suspeição
natural de ser amigo há 60 anos, colega de faculdade e a vinda dele
para este grupo de amigos da academia só enriquece a casa. Ele já vem
tarde, já devia ter vindo há mais tempo. Temos ainda o privilégio de
sermos alunos da mestríssima Cleonice Berardinelli", analisou.
Durante
a cerimônia de posse, foi a acadêmica que recebeu Zuenir pela
instituição. "Eu fico feliz, não digo honra, digo alegria que é menos
pomposa, porque parece que quem está se dirigindo a mim está embaixo e
não está" , avaliou Cleinice, que foi professora de Zuenir Ventura,
assim como Domício Proença Filho.
O presidente da ABL, Geraldo
Holanda Cavalcanti, disse que a chegada de Zuenir na Academia é mais um
enriquecimento para a instituição. "É um homem que traz para a ABL uma
biografia respeitável de um intelectual engajado, que sempre esteve à
frente da luta pelos valores democráticos", avaliou.
Para o
acadêmico Celso Lafer, Zuenir levará a sua preocupação com problemas
sociais para as análises que os integrantes da instituição costumam
fazer. "É natural que traga porque os acadêmicos trazem a sua agenda e o
pluralismo das suas preocupações. É isso que enriquece a vida da
academia", destacou.
Letras
vermelhas é uma página dedicada à divulgação de novos poetas
brasileiros, de diferentes linhas de pesquisa estética, que publicam
seus poemas em blogues, sites, revistas literárias e livros editados por
selos independentes.
Arquivo pessoal
Chiu Yi Chih é escritor, performer e mestre em Filosofia pela Universidade de São Paulo
Os jovens poetas participam de recitais e festivais de poesia,
que acontecem em espaços culturais, bares, livrarias e adotam várias
formas de comunicação poética, do poema visual à performance, da poesia
cantada ao oriki, ao haicai e ao poema em prosa.
Os temas abordados por eles vão da denúncia da violência urbana à
celebração do corpo, do pensamento, da afetividade e da própria
linguagem poética.
A partir desta edição, Letras vermelhas apresentará aos leitores alguns
dos autores que se destacam no panorama da novíssima cena literária
brasileira pela originalidade e consistência de seu trabalho.
O poeta que inaugura a seção é Chiu Yi Chih, nascido em 1982 em Taiwan e
radicado no Brasil. Escritor, performer e mestre em Filosofia pela
Universidade de São Paulo, é autor do livro Naufrágios (Rio de Janeiro:
Multifoco, 2011) e criador da Metacorporeidade e do LOZ-2962 Studio com o
escultor Irael Luziano.
Chiu escreve no blog Philomundus.
A seleção dos autores apresentados em Letra vermelha é feita pelo poeta
e professor de literatura portuguesa Claudio Daniel, que foi curador de
literatura e poesia no Centro Cultural São Paulo e hoje é colunista da
revista Cult.
Veja três poemas de Chiu Y Chih ilustrados com obras de Irael Luziano:
Ao limite do ruído enclausurado
paletó
esfarelado na brisa da insônia quando a nuvem se alarga entre flocos de
cimento e nenhum solo propício se ergue diante do rubor das árvores em
meio ao redemoinho de magnésios e aminoácidos de uma cidade entulhada de
vesículas impermeáveis a poucos metros de um corpo irreconhecível que
quase não fala nem se cala mas se engalfinha sob alérgicas ferragens nos
pés daquela malha de sobrancelhas que receosamente se esquiva por
detrás dos lençóis embolorados nas espinhosas azinheiras com os biombos
que dilatam aquele solitário monstro enquanto todos os anteparos se
entregam aos sonhos retorcidos numa abstinência inexplicável de
gastronômicos asfódelos fincados quase ao fim do interminável precipício
que obscurece as veias apagando os temores de tal latitude de sombras
então não havendo pensamentos que não tenham sido triturados pelas
raízes da própria irrealidade quando ninguém mais se contenta em ser
apenas efêmera transparência fingindo-se impassível ânsia de ser-sombra
ou indefinidamente aniquilado entre ossaturas pisoteadas com clavículas
em incêndio por cima de estraçalhamentos como se mais do que mero enredo
de panacéias assim pudesse atravessar o próprio som das mortes
ilusórias a tal ponto de travestir-se numa outra identidade passível de
ser brevemente dispersada em gravuras metálicas ou mesmo nas colagens de
genitálias desfiguradas tal qual a desolada visão de algumas criaturas
que nos leva à suspeita de não sei que desequilíbrio dos sulcos
linfáticos no instante em que ainda se entrelaça este sussurro de
máquinas com dióxidos que se desenrolam sobre a efígie da paixão quando a
tal tempestade se encasula nos tijolos ao mesmo tempo que uma lufada de
vento sorrateiramente enclausura as luzes que mal escorrem entre
liquefações e fugacidades porém sempre atirando os cordões da
perversidade daqueles que se amam relatando suas histórias sem que
entretanto qualquer uma delas possa ser fielmente reconstituída da mesma
maneira em que contemplamos a fatalidade quando repentinamente um jovem
desprevenido pode sucumbir ao desejo de se abandonar à deriva como se
jamais houvesse carregado consigo seus diários pessoais ao se ver
coagido naquele incipiente realismo de cadernos improvisados sendo que
cada passo se revelaria vulnerável aos ataques furibundos de arrancar a
própria pele sem nunca saber ao certo se chegou a esta cidade por um
caminho interditado quando ele mesmo se vê incapaz de escrever seu
próprio nome considerando que tal falha teria sido impossível a menos
que uma peça de vidro o tenha atraído para aquele abismo azulado onde
tal angústia seria como olhar o fundo de uma tampinha de aço em que
talvez pudesse reencontrar nesta pérfida erosão algum rosto indefinido a
perder-se de vista murmurando apenas primavera-clamor tanto quanto uma
pedra poderia se encolher nas margens da vaga luminosidade ou mesmo tais
nuvens que se sonhariam abraçadas se dissessem uma à outra inúmeras
asperezas naquela música em que todos estaríamos excitados quase a
estremecer de terrores e prazeres diante de tantas vidas amaldiçoadas em
confronto com o único horizonte que seria o desastre que nos absolveria
daquela arquitetura de ínfimos arcos tingidos pela eterna hipótese de
sonhar com uma paisagem inextinguível de tal modo que sejamos
restituídos à informe moldura pois sendo então inútil reter qualquer
substância assim que num segundo o ar começa a se expirar em milagrosas
diluições com os estrépitos da infâmia sem que se possa ouvir o próprio
silêncio das árvores quando ainda ele deveria suspirar de vileza se
vislumbrasse agora um esquálido cavalo debaixo de alguns galhos ou se
sua lâmina aguçada tivesse redescoberto a sombra de sua própria mãe a
suplicar-lhe misericórdia precisamente naquela estrada limítrofe onde o
cavalo mais pálido do que magro teria sido um presságio que
neutralizaria o lado obscuro da noite quando somente um ponto minúsculo
lhe serve como vestígio no meio do deserto onde os corpos inteiramente
desnudos parecem estar incinerados com o rosto de seu pai que então lhe
desvelaria o crepúsculo de sua própria humanidade se por acaso seu
espírito fosse uma raposa suspendida nos ganchos da máscara com que se
aspira o último prepúcio extraído da gola prisioneira sem a qual a
frágil ventania provavelmente se dissolveria diante dos sobrados
ressentidos após sucessivos pesadelos de sangria onde um rosto poderia
se desdobrar numa mórbida infinidade de outros rostos atrás dos quais
ter-se-ia vislumbrado um assassino de sonhos desaparecendo com miríades
de esconderijos durante a cremação dos cristais de fogo no meio da qual
os homens se desencaminhariam em virtude dos estilhaços que submergem
sob o enxame de musgos que atacam o círculo adormecido das correntes
como se todas as pálpebras pudessem se recurvar até se deixarem absorver
pelo negrume que subsiste abaixo das escalas de altiplanos escumosos ou
mesmo assim sendo pressionadas voluptuosamente debaixo das conchas de
grutas retesadas ao som das folhas aspiradas pela pólvora admirando-se
tal qual imaginação ruidosa dos cérebros naquele alvoroço tão infantil
de se mesclar às rochosas lágrimas do mastro demoníaco e então apenas se
recurvando a ponto de ser fulminado pelos sinos de sangue ferruginoso e
ser arrastado para além dos olhos das lagunas derrisórias
Ossivorous
enquanto
as pálpebras escarnecidas ao galope dos mausoléus estremecem aquele
trilho enrugado das lembranças uma menina com suas veias auspiciosas
tritura a pedra de riso condenável no turvo deleite dos dias que se
estendem até o ápice das visões mais distantes como se nenhuma sandália
de platina pudesse ser resgatada durante a crispação do torso aracnídeo
sobre essa algaravia insustentável de tantas lástimas expurgadas quando
nem mesmo nossos espasmos saberiam atravessar o limiar das efusões
insulares daquela muralha de enxofre onde pela última vez ainda se
eclipsavam as gramíneas das vultosas encenações sendo que um promontório
bordejado pelas cornijas de barba equina se escureceria aos látegos dos
sorvedouros encefálicos daquele forasteiro arqueado no recôncavo em
fúria tal como se um caudaloso e inconsolável quebra-mar se agigantasse
em meio às profusões de agulhas que se arrastam sob a desfiadura dos
salgueiros gaseiformes acima de todas as tábuas enfunadas pelo estrondo
do recém-dissecado dédalo de tal modo a desembarcar rumo ao irremediável
quadrilátero à beira-vazante do gozo originário das amputações
cubiculares com as fluorescências de uma ave fibrilosa que nunca se
cansa de morrer em sua própria queda astronômica
Arboreous
sob
a eternidade de uma sombra sem asas circula o pássaro dos candelabros
de seus beiços infames e a cada pausa redobrada dessa claridade cinzenta
se descortinam os tentáculos daquela planície esganiçada como se todos
os espelhos suplicassem com a navalha de suas penugens brumosas assim
quando os olhos começam a regurgitar as tapeçarias da impetuosa caverna
enquanto involuntariamente ainda se recolhem as mãos das flores
sudoríferas desenfaixando a concha dos rastros vaticinadores por meio da
escoriação inumana de seus ouvidos onde em raras ocasiões até as
bandeiras imprecatórias pareceriam irromper de dentro do suspiro das
constelações em desalinho desfolhando sem nenhum remorso o grumo das
sereníssimas conspirações
LOZ
Os três poemas com as imagens de suas respectivas esculturas são
trabalhos do LOZ (Chiu Yi Chih e Irael Luziano). Ambos artistas fundiram
suas linguagens e realizam conjuntamente obras em escultura,
performance, poesia e vídeo em torno da proposta da “Metacorporeidade”.
Recentemente publicaram juntos o livro “Metacorporeidade” (Editora
Córrego) com prefácio de Cláudio Willer e texto de Luis Serguilha. Suas
obras se encontram no www.loz2962.com .
“Escrever é fácil: você começa com uma letra Maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca as idéias.” Neruda. "Temos a arte para que a verdade não nos destrua..."; Nietzsche.
Livros: NEUROCOMPUTAÇÃO APLICADA (1998); A VIDA SENTE A SI MESMA (2003); A TERCEIRA MARGEM SEM RIO (2004); MORO DO LADO DE DENTRO (2006); QUASE UM DIA (2006);
NA CURVA DE UM RIO, MUNGUBAS (1ª ed., 2006);
RAIA-ME FUNDO O SONHO TUA FALA (1ª ed., 2007);
MARCOS FREITAS – Micro-Antologia de Rua – Poesia Brasileira Contemporânea nº 44, Ed. Thesaurus, Brasília – DF, 2008; STAUB UND SCHOTTER (RJ, 2008); A REGULAÇÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS (RJ, 2009); QUE VENHA A SECA (RJ, 2010); URDIDURA DE SONHOS E ASSOMBROS (RJ, 2010); INQUIETUDES DE HORAS E FLORES (português-espanhol; 2011); NA TARDE QUE SE AVIZINHA E OUTROS POEMAS (Emooby Ed.; Portugal, 2012); SENTIMENTO OCEÂNICO (Catrumano, SP, 2015); de arrodeios (2017), Nous sommes son songes (2018) e Lavoura de galáxias e outros poemas / Вспашка галактик и другие поэмы: bilíngue: português e russo (2018); Cem Poemas Escolhidos (2018); Membro da ANE e da UBE.