Wednesday, January 15, 2014

Artigos na área de Recursos Hídricos

Artigos Marcos Airton de Sousa Freitas - Engenheiro Civil - Especialista em Recursos Hídricos


1. FREITAS, M. A. S. Alocação negociada de águas na bacia hidrográfica do Rio Gorutuba (Reservatório Bico da Pedra) - Minas Gerais. IN: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE RECURSOS HÍDRICOS, 15., 2003, Curitiba. Anais... Porto Alegre: ABRH, 2003.

2. FREITAS, M. A. S. Análise de risco e incerteza na gestão hidroambiental. IN: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE RECURSOS HÍDRICOS, 15., 2003, Curitiba. Anais... Porto Alegre: ABRH, 2003.

3. FREITAS, M. A. S. A Previsão de secas e a gestão hidroenergética: o caso da bacia do Rio Parnaíba no Nordeste do Brasil. IN: SEMINÁRIO INTERNACIONAL SOBRE REPRESAS Y OPERACIÓN DE EMBALSES, 2004, Puerto Iguazú. Anais... Buenos Aires: CACIER, 2004.

4. FREITAS, M. A. S. Regras de Operação dos Reservatórios da Bacia do Rio Paraíba do Sul / Sistema Guandu. IN: SEMINÁRIO INTERNACIONAL SOBRE REPRESAS Y OPERACIÓN DE EMBALSES, 2004, Puerto Iguazú. Anais... Buenos Aires: CACIER, 2004. v. 1. p.1 - 1.

5. FREITAS, M. A. S. Um Sistema de suporte à decisão para o monitoramento de secas meteorológicas em regiões semi-áridas. Revista Tecnologia, Fortaleza, v. 19, n. 19, p. 19- 30, 1999. Republicado em Revista Tecnologia - ISSN 0101-8191, Fortaleza. Suplemento Comemorativo de 25 anos, p. 85 - 95, 2005.

6. FREITAS, M. A. S. Usos múltiplos da água na bacia hidrográfica do Rio Guaribas (Estado do Piauí). IN: SIMPÓSIO DE RECURSOS HÍDRICOS DO NORDESTE, 6., 2002, Maceió, AL. Anais... Porto Alegre: Editora da ABRH, 2002. v. 1.

7. FREITAS, M. A. S.; SILVEIRA, P. B. M. Políticas de operação de reservatório visando minimizar os impactos sócio-econômicos em situações de escassez. IN: SEMINÁRIO INTERNACIONAL SOBRE REPRESAS Y OPERACIÓN DE EMBALSES, 2004, Puerto Iguazú. Anais... Buenos Aires: CACIER, 2004.

8. GONCALVES, R. W.; PINHEIRO, P. R.; FREITAS, M. A. S. Métodos multicritérios como auxílio à tomada de decisão na bacia hidrográfica do Rio Curu - Estado do Ceará. IN: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE RECURSOS HÍDRICOS, 15., 2003, Curitiba. Anais... Porto Alegre: ABRH, 2003.

9. LOPES, A. V.; FREITAS, M. A. S. Avaliação das demandas e ofertas hídricas na bacia do rio São Francisco usando modelo de rede de fluxo. IN: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE RECURSOS HÍDRICOS, 15., 2003, Curitiba. Anais... Porto Alegre: ABRH, 2003.

10. SILVA, L. M. C.; FREITAS, M. A. S. Aplicativo para operação de reservatórios em situações de escassez. IN: SIMPÓSIO DE RECURSOS HÍDRICOS DO NORDESTE, 6., 2002, Maceió, AL. Anais... Porto Alegre: Editora da ABRH, 2002. v.1.

11. SILVA, L. M. C.; FREITAS, M. A. S.; SILVEIRA, P. B. M. Aplicativo para operação de reservatório em situações de escassez - fase II. IN: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE RECURSOS HÍDRICOS, 15., 2003, Curitiba. Anais... Porto Alegre: ABRH, 2003. v. 1.

12. FREITAS, M. A. S.; BILLIB, M. H. A.  Drought prediction and characteristic analysis in semiarid Cearâ, northeast Brazil  Published in 1997.

13. Freitas, M.A.S.; Billib, M.H.A. Drought prediction and characteristic analysis in semiarid Ceara, northeast Brazil. Sustainability of water resources under increasing uncertainty. Proceedings of an international symposium of the Fifth Scientific Assembly of the International Association of Hydrological Sciences (IAHS), Rabat, Morocco, 23 April to 3 May 1997, Rosbjerg, D.Boutayeb, N.E.Gustard, A.Kundzewicz, Z.W.Rasmussen, P.F. (eds.).- Wallingford (United Kingdom): IAHS Press, 1997.- ISBN 0-901502-05-8
http://
iahs.info/redbooks/a240/iahs_240_0105.pdf

14. FREITAS, M. A. S. A Decision Support System for Drought Forecasting and Reservoirs Management in Northeast Brazil.
In: VIII Congresso Latino-Americano e Ibérico de Meteorologia, 1998, Brasilia. Anais do VIII Congresso Latino-Americano e Ibérico de Meteorologia, 1998. http://pt.scribd.com/doc/17863281/A-Decision-Support-System-for-drought-forecasting-and-reservoirs-management-in-NortheastBrazil
          http://www.cbmet.com/cbm-files/13-e391e41674a8aab104363bb55a380dc5.pdf

15. GONCALVES, R. W. ; PINHEIRO, P. R. ; FREITAS, M. A. S. ; CASTRO, A. K. A. . Multicriteria Methods as Decision Making Aids in the Hydrographic Basin of Curu River - State of Ceará. In: International Conference Service System and Service Management, 2006, Troyes - França. Proceedings International Conference Service System and Service Management. Troyes : Sponsered by IEEE. v. 1.
http://
pt.scribd.com/doc/17656142/Multicriteria-Methods-as-Decision-Making-Aids

16.
LOPES, A. V. ; FREITAS, M. A. S. . A Alocação de Água como Instrumento de Gestão de Recursos Hídricos: Experiências Brasileiras. REGA. Revista de Gestão de Águas da América Latina, v. 4, p. 5-28, 2007.
http://www.abrh.org.br/rega/REGA_v4_n1.pdf

17. FREITAS, M. A. S. . O Fenômeno das Secas no Nordeste do Brasil: Uma Abordagem Conceitual. In: IX Simpósio de Recursos Hídricos do Nordeste, 2008, Salvador. Anais do IX Simpósio de Recursos Hídricos do Nordeste. Porto Alegre : ABRH, 2008. v. 1. p. 1-1.
http://pt.scribd.com/doc/17656235/O-Fenomeno-das-Secas-no-Nordeste-do-Brasil

18. FREITAS, M. A. S. . O Fenômeno do El Niño e as Secas no Ceará: A Previsão através de Modelos Estatísticos e de Redes Neurais Artificiais. In: I Fórum Interamericano de Gestão de Recursos Hídricos, 1997, Fortaleza. Anais do I Fórum Interamericano de Gestão de Recursos Hídricos, 1997.
http://pt.scribd.com/doc/17656076/O-Fenomeno-do-El-Nino-e-as-Secas-no-Ceara

19. FREITAS, M. A. S. Previsão de Secas por Meio de Métodos Estatísticos e Redes Neurais e Análise de Suas Características Através de Diversos Índices. In: IX Congresso Brasileiro de Meteorologia, 1996, Campos do Jordão. Anais do IX Congresso Brasileiro de Meteorologia, 1996.
http://pt.scribd.com/doc/77137923/PREVISAO-DE-SECAS-REDES-NEURAIS

20. Water Resources Models and Risk Management for Reducing Vulnerability in Semi-arid regions: The Case of Northeast Brazil - ICID+18, 16-20 de Agosto de 2010, Fortaleza - Ceará, Brasil
http://
pt.scribd.com/doc/80495337/Water-Resources-Models-and-Risk-Management

21.
FREITAS, M. A. S. Um sistema de suporte à decisão para o monitoramento de secas meteorológicas em regiões semi-áridas
http://hp.unifor.br/pdfs_notitia/698.pdf
          http://pt.scribd.com/doc/17656360/Um-Sistema-de-Suporte-a-Decisao-para-o-Monitoramento-de-Secas-Meteorologicas-em-Regioes-Semiaridas

22. BARROS, F. R. M., FREITAS, M. A. S. A previsão de cheias usando redes neurais artificiais
http://hp.unifor.br/pdfs_notitia/708.pdf

23. FREITAS, M. A. S.  Aspectos a serem considerados quando de uma análise regional integral de secas
http://hp.unifor.br/pdfs_notitia/473.pdf

24. FREITAS, M. A. S.  Análise estatística dos parâmetros de secas e de cheias hidrológicas em rios intermitentes do semi-árido brasileiro
http://hp.unifor.br/pdfs_notitia/686.pdf

25. ALECAR, P. F., RIBEIRO, A. V. R., FREITAS, M. A. S.  Modelos computacionais baseados na biologia: algoritmos genéticos e redes neurais artificiais
http://hp.unifor.br/pdfs_notitia/694.pdf

26. FREITAS, M. A. S., PORTO, A. S.   Considerações sobre um modelo deterministico chuva-vazão aplicado a bacias do semi-árido nordestino
http://hp.unifor.br/pdfs_notitia/290.pdf

27. FREITAS, M. A. S.   Modelos diarios chuva-vazão em bacias do semi-arido brasileiro
http://hp.unifor.br/pdfs_notitia/452.pdf

28. SISNANDO, S. R. A., FREITAS, M. A. S.  Previsão e Avaliação do Desempenho dos Contribuintes do ICMS do Estado do Ceará utilizando as Redes Neurais Artificiais
http://www.bnb.gov.br/projwebren/Exec/artigoRenPDF.aspx?cd_artigo_ren=411

29. FREITAS, M. A. S.; AFONSO, S.R. O trinômio água-clima-floresta: integração das políticas, governança e participação social no Brasil

30. FREITAS, M. A. S.; BIELENKI JUNIOR, C. Geração de Série de Vazão Média Mensal para a Bacia Hidrográfica do Rio Jari (Pará-Amapá)

31. Freitas, M. A. S. ; Rebello, E. R. G. ; Carvalho, B. E. F. C. ; Costa, J. A. V. ; Cavalcante, O. A. . Estratégias para a redução de riscos de desastres relacionados aos eventos hidrometeorológicos extremos (secas) no estado do Rio Grande do Norte Nordeste do Brasil. In: Congresso Brasileiro Sobre Desastres Naturais, 2012, Rio Claro - São Paulo. Anais do Congresso Brasileiro Sobre Desastres Naturais. Rio Claro : Editora Unesp, 2012.

32. Costa, J. A. V. ; Carvalho, B. E. F. C. ; Cavalcante, O. A. ; Freitas, M. A. S. ; Rebello, E. R. G. . Desastres Natruais: Estudo de caso, o município de Guidoval/MG. In: Congresso Brasileiro Sobre Desastres Naturais, 2012, Rio Claro - São Paulo. Anais do Congresso Brasileiro Sobre Desastres Naturais. Rio Claro : Editora da Unesp, 2012.

33. Costa, J. A. V. ; Carvalho, B. E. F. C. ; Cavalcante, O. A. ; Freitas, M. A. S. ; Rebello, E. R. G. . Atuação da Secretaria Nacional de Defesa Civil por meio do Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres em Minas Gerais. In: Congresso Brasileiro Sobre Desastres Naturais, 2012, Rio Claro - São Paulo. Anais do Congresso Brasileiro Sobre Desastres Naturais. Rio Claro : Editora da Unesp, 2012.

34. Rebello, E. R. G. ; Carvalho, B. E. F. C. ; Costa, J. A. V. ; Freitas, M. A. S. ; Cavalcante, O. A. . Diagnóstico, Monitoramento e Prognóstico das Chuvas Intensas no Rio de Janeiro no período de 06 a 09 de Abril de 2010. In: Congresso Brasileiro Sobre Desastres Naturais, 2012, Rio Claro - São Paulo. Anais do Congresso Brasileiro Sobre Desastres Naturais. Rio Claro : Editora da Unesp, 2012.

35. Rebello, E. R. G. ; Carvalho, B. E. F. C. ; Costa, J. A. V. ; Freitas, M. A. S. ; Cavalcante, O. A.  Condições Meteorológicas das Chuvas Fortes que  Atingiram a Região Serrana do Rio de Janeiro no dia 12.01.2011. In: Congresso Brasileiro Sobre Desastres Naturais, 2012, Rio Claro - São Paulo. Anais do Congresso Brasileiro Sobre Desastres Naturais. Rio Claro : Editora da Unesp, 2012.

36. FREITAS, M. A. S. . SAGE: Um Pacote Computacional para a Geração de Vazão em Rios de Regiões Semi-áridas. In: XIV Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos, 2001, Aracaju. Anais do XIV Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos. Porto Alegre : ABRH, 2001.

37. FREITAS, M. A. S. ; GONDIM FILHO, J. G. C. . Modelos de Previsão de Cheias na Bacia Amazônica. In: XVI Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos, 2005, João Pessoa. Anais do XVI Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos. Porto Alegre : Editora da ABRH, 2005. v. 1. p. 23-23. http://pt.scribd.com/doc/17655750/ABRH2005-Cheia-Amazonia-Artigo2

38. Freitas, M. A. S.; Gondim Filho, J. G. C. Curva de Aversão ao Risco para os reservatórios Armando Ribeiro Gonçalves e Curemas-Mãe D´água. XVII Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos, 2007.

39. Freitas, M. A. S.  Vinculando las necesidades sectoriales con la disponibilidad hídrica en la región. In: CIIFEN; WMO. (Org.). Memorias Técnicas del Taller: Integración de los Pronósticos Estacionales con la Información Hidrológica para los sectores vinculados al agua en el Oeste de Sudamérica. 1ed.Guayaquil: CIIFEN-WMO, 2010, v. 1, p. 85-96.
http://www.infoandina.org/sites/default/files/publication/files/memoria_tecnica_taller_hidrologia.pdf

40. ES Martins et al. (2013) Climate Change Impacts on Water Resources Management: adaptation challenges and opportunities in northeast Brazil. Worldbank.
http://www-wds.worldbank.org/external/default/WDSContentServer/WDSP/IB/2013/07/15/000356161_20130715142452/Rendered/PDF/795280WP0P144500Box037737900PUBLIC0.pdf

41. Martins, Eduardo Sávio P. R.; Braga, Cybelle Frazão Costa; De Nys, Erwin; Filho, Francisco de Assis de Souza; e Freitas, Marcos Airton de Souza. Impacto das Mudanças do Clima e Projeções de Demanda Sobre o Processo de Alocação de Água em Duas Bacias do Nordeste Semiárido – 1ª Edição
(revisada) – Brasília – 2013, 112p.   ISBN 978-85-63879-06-6

42. Alan Vaz Lopes; André Raymundo Pante; Leonardo Mitre Alvim de Castro & Marcos Airton de Sousa Freitas - Estudo Técnico de Apoio ao PBHSF - nº 16. Alocação de Água. Subprojeto 4.5C - Plano Decenal de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco - PBHSF (2004-2013).
http://www.ana.gov.br/prhbsf/arquivos/Estudos/ET%2016%20Alocacao%20de%20Agua.pdf

 

Monday, January 13, 2014

Bruna Beber lança 'Rua da padaria' e confirma seu lugar na poesia brasileira contemporânea

Poeta tem dicção própria e não tem medo de enfrentar o mundo e mergulhar na memória

André Di Bernardi Batista Mendes - Estado de Minas Publicação:11/01/2014 00:13Atualização:11/01/2014 10:21
 
Para a poeta Bruna Beber, “tudo é letra, palavra, e som”, que se transforma em memória, talento, poesia. A escritora carioca acaba de lançar, pela Editora Record, Rua da padaria, onde reafirma o seu estilo forte e despojado. Depois de A fila sem fim dos demônios descontentes, seu livro de estreia, publicado em 2006, depois de Balés, seu segundo livro, de 2009, depois de Rapapés & apupos, de 2012, Beber mira e aponta sua verve para o certo e prova que já deixou de ser uma promessa literária. Joveme audaciosa, Bruna mostra que tem fôlego e talento de sobra.

Bruna confunde o leitor. O melhor desta jovem poeta é que ela gosta das coisas necessárias: gentes, lembranças, pão e manteiga, que pode ser palavra e poesia. Beber escreve dentro de um processo legítimo de perdas e ganhos (mais perdas do que ganhos), a poeta escreve num turbilhão legítimo de legítimas intuições necessárias.

Esta boa poeta fala de preguiças e “perderes”, fala de dúvidas e lírios e canta suas dores, e canta suas perdas, principalmente sementes vindas da infância, boas matérias e substrato para o que há de melhor em termos de arte – e poesia.

Bruna transita, solta, entre esquinas e circunferências, entre “prédios que assistem os ônibus”, ela mesma a melhor observadora do mundo. É que os olhos dos poetas enxergam um ambiente de cores, é que a alma dos poetas bebem de um mundo que aceita todas as cores, do cinza ao branco, passando pelos azuis de céus e pelos lilases de pássaros indecifráveis até certo ponto.

Bruna molha suas plantas (seus versos, seus poemas), com o carinho, com o desvelo de quem merece e salva em si o que tem de melhor. Porque “tudo tem barulho de mar”, porque Bruna percebeu a alegria dos monges, porque Bruna sacou que tudo importa: do inseto ao céu, pois tudo vibra. Bruna adivinhou que existem cavernas e biritas, panelas, dinossauros alados. Só mesmo uma poeta para dizer e alertar: “tem mar de todo tipo.”

Bruna tem, acima de tudo, uma grande qualidade quando o assunto é poesia: síntese. Muitos poemas do livro carregam sóis inteiros, à maneira de haikais, luas que fazem nascer na página, no livro, a poesia. Bruna não desbanca a palavra, ela encara o verbo e com ele bebe e brinca até nascer o verso. Um verso inacabado por natureza. Uma poesia urgente de marulho e incerteza.

Um bom poeta é puro e cheio de urgências. É incrível o poder, a dimensão que ganha uma simples toalha bordada quando o branco, ou as cores possíveis de tal urdidura, ganham asas e estatura de coisa/poesia.

Por que padaria? Por que rua? Porque homem é sinônimo de fome, e poesia é um muito pão. Porque é nas ruas que a vida acontece, de forma vil e grotesca, a rua é o nosso ambiente mais familiar. Pão e circo: somos seres necessariamente famélicos.

Bruna sabe dizer de si e de nós. Ela transita para alertar. O que dói primeiro vai doer para sempre: pode ser uma música no parque, pode ser, e é, uma grande alegria que só sentem os homens, as avós, as tias, as mães, os pais, os filhos e os poetas, que são as pétalas da mais alta árvore. Bruna Beber tem poemas traduzidos e publicados na Alemanha, Argentina, Espanha, Estados Unidos, México e Portugal. A poeta nasceu em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, em 1984.

RUA DA PADARIA

• De Bruna Beber
• Editora Record
• 68 páginas, R$ 25


Três perguntas para...

Bruna Beber
escritora

Como surgiu a inspiração para o título do livro?
A ideia para o título surgiu quando me dei conta de que queria explorar minha memória de infância no livro. Nasci e cresci na Baixada Fluminense. Não sei fazer o paralelo geográfico-econômico com Minas, mas é uma região de cidades-satélite do Rio. São municípios que têm sua economia própria, mas que não dão conta da sobrevivência de todas as pessoas, grande parte delas trabalha no Rio e na Zona Sul do Rio. Eu nasci em Duque de Caxias, onde morei até os 10 anos, e cresci em São João de Meriti, minha família ainda mora e se divide entre essas duas cidades. Minha avó morava num bairro de pequeno, cheio de pessoas de vários estados do brasil, sobretudo nordeste, que vinham tentar a vida no estado do Rio. Lá, na casa dela, passei boa parte da infância. Aquela coisa: uma igreja central, uma rua do comércio, uma rua dos ônibus. O açougue, a farmácia e a padaria eram grandes referências de localização, me dei conta disso depois que cresci, e também depois que conheci outras cidades pequenas. Sendo assim, as ruas não eram chamadas, na maior parte do tempo, por seus nomes, mas sim pelo estabelecimento mais importante localizado nelas. Minha avó e toda a minha família sempre se referiam a essa rua como “rua da padaria”, e assim o fazem até hoje. Daí a ideia de intitular o livro de Rua da padaria. Eu queria falar do pequeno para o grande, da minha “praça íntima”, mas também física, e homenagear não só a minha rua da padaria, mas as ruas da padaria que existem por aí.

Qual é a importância da memória para a sua poesia?

Nesse livro, especificamente, a memória tem um papel central. Houve um esforço de reconstituição, ou de construção mesmo, do que vivi ou de como imagino ter vivido. Quis pontuar algumas questões muito vivas daquela época – a cultura popular, os sotaques que se misturavam, a distância do mar, as brincadeiras, as primeiras paqueras, a escola, a convivência familiar numa família muito grande e unida, porém muito diversa, os eventos de cidade pequena etc. Só consegui escrever esse livro muitos anos depois de não só ter saído da casa dos meus pais, mas também do Rio, e de ter ido morar em São Paulo, onde vivo desde 2007.

Quais são os seus próximo projetos?

Em 2014 vou terminar de lançar/divulgar o livro que escrevi para crianças e lancei recentemente, o Zebrosinha. Estou envolvida em alguns projetos de literatura e vou dar também oficinas de poesia em alguns lugares do Brasil. Estou terminando de traduzir um romance e pretendo dar prosseguimento a uma narrativa longa que quero contar. 

Günter Grass: Wohl kein neuer Roman mehr

Günter Grass wird das Schreiben nicht einstellen.
Günter Grass wird das Schreiben nicht einstellen. © Markus Scholz
Literatur

Günter Grass: Wohl kein neuer Roman mehr

Literaturnobelpreisträger Günter Grass glaubt nicht an einen neuen Roman aus seiner Feder. "Ich bin jetzt 86. Ich glaube nicht, dass ich einen Roman noch schaffen würde", sagte er der "Passauer Neuen Presse".
Hamburg/Passau. Sein Gesundheitszustand lasse auch nicht zu, über einen Zeitraum von fünf oder sechs Jahren zu planen. "Das wäre Voraussetzung für die Recherchearbeiten zu einem Roman."
Das Schreiben ganz einzustellen komme für ihn allerdings nicht infrage. Zuletzt habe er mit dem Zeichnen wieder zu einer kreativen Tätigkeit gefunden. Daraus hätten sich nun auch schon erste Texte ergeben. "Daran arbeite ich." Grass wohnt in Behlendorf bei Lübeck.
dpa

http://www.neuepresse.de/Nachrichten/Kultur/Uebersicht/Guenter-Grass-Wohl-kein-neuer-Roman-mehr

Friday, January 10, 2014

Matemático cazaque encontra solução para um dos Problemas do Milênio




Moscou, 10 jan (EFE).- Um matemático cazaque disse ter encontrado a solução parcial para a equação Navier-Stokes sobre a mecânica de fluidos, um dos sete problemas do milênio lançados pela Fundação Clay em 2000 e cuja resolução é premiada com US$ 1 milhão.

O professor universitário Mujtarbay Otelbayev explicou a solução em um artigo intitulado "A existência de uma boa solução da equação Navier-Stokes" e publicado pela "Revista Matemática" cazaque.

Otelbayev, diretor do Instituto Matemático da Universidade Nacional Euroasiática de Almaty, garantiu ter chegado a uma resposta satisfatória e única para o famoso conjunto de equações em derivadas parciais não lineareis que descrevem o movimento de qualquer fluído.
Até agora, soluções para a equação Navier-Stokes só tinham sido definidas em casos muito particulares.

Agora a comunidade científica deve determinar se o matemático cazaque encontrou realmente a solução para o enigma. Caso isso seja confirmado, permitiria avançar em muitos âmbitos da física e da engenharia, como é o caso da aeronáutica.

Até agora, só o cientista russo Grigori Perelman foi capaz de resolver um dos problemas do milênio (a Conjectura de Poincaré), o que valeu a medalha Fields, conhecida como o Nobel da Matemática, e um prêmio de US$ 1 milhão, mas ele rejeitou os dois prêmios.

A Fundação Clay apresentou os Problemas do Milênio em comemoração dos famosos 23 problemas enunciados por David Hilbert no Congresso Internacional de Matemáticos de Paris de 1900.

Os cinco problemas restantes são "P versus NP", "conjectura de Hodge", a "hipótese de Riemann", a "existência de Yang-Mills e a falha na massa " e a "conjectura de Birch e Swinnerton-Dyer ".

EFE
io/cd

Thursday, January 09, 2014

Show de Metá Metá com as participações especiais

Em comemoração ao aniversário de São Paulo, no dia 25 de janeiro, o Parque Villa Lobos recebe um grande show de Metá Metá com as participações especiais da banda Mulheres Negras e da cantora Ná Ozzetti. A apresentação acontece no Teatro de Arena, a partir das 14h, com entrada Catraca Livre.

divulgação
divulgação
Metá Metá se apresenta no Parque Villa-Lobos ao lado de Ná Ozzetti e Mulheres Negras no dia do aniversário de São Paulo

“Além do nosso repertório e das participações especiais, a intenção do show é também fazer uma homenagem a São Paulo no dia do aniversário da cidade”, afirma Thiago França, saxofonista e flautista do Metá Metá. O trio formado por Thiago, Juçara Marçal (voz) e Kiko Dinucci (guitarra e voz) apresenta as canções de seu último álbum “Metal Metal”, entre outras do seu repertório, além de canções escolhidas especialmente para essa apresentação.
Ná Ozzetti iniciou sua carreira em 1979 como integrante do grupo Rumo. No decorrer de sua carreira, já dividiu palco com nomes como Zélia Duncan, Mônica Salmaso, Ivan Vilela, entre outros. Recentemente lançou seu último álbum “Embalar”.

Já a dupla Mulheres Negras, banda marcante dos anos 1980, é formada por André Abujamra e Maurício Pereira, e mistura ritmos e gêneros como rock, pop, clássico, punk, música caipira, jazz, entre outros. Os dois também ficaram conhecidos por conta das irônicas e divertidas letras que compunham.

Serviço
O que: Metá Metá, Mulheres Negras e Ná Ozzetti comemoram o aniversário de São Paulo
Quando: Sáb 25/01 às 14:00
Quanto: Catraca Livre
http://www.ambiente.sp.gov.br/parquevillalobos/
Avenida Professor Fonseca Rodrigues, 2001
Alto dos Pinheiros - Oeste
São Paulo (11) 3023-0316/ (11) 3023-2229

http://catracalivre.com.br/sp/agenda/gratis/meta-meta-mulheres-negras-e-na-ozzeti-no-parque-villa-lobos/

FOTO TABOCA, de Marcos Freitas



FOTO TABOCA

Quem não deixou
sua alma aprisionada
em 3X4
no lambe-lambe
do Seu Chiquinho
na Praça da Bandeira?

Marcos Freitas.
No livro: Urdidura de Sonhos e Assombros: poemas escolhidos (2003-2007), Ed. Cbje, RJ, 2010.




Fonte:Folder " a praça deu bandeira!".Fundac.1985.

http://kakiafonso.blogspot.com.br/2010/08/praca-da-bandeiratensoes-e-conflitos.html

Céu de Brasília, de Toninho Horta


A cidade acalmou logo depois das dez
Nas janelas a fria luz da televisão divertindo as famílias
Saio pela noite andando nas ruas
Lá vou eu pelo ar asas de avião
Me esquecendo da solidão da cidade grande
Do mundo dos homens num vôo maluco
Que eu vou inventando e vôo até ver nascer
O mato, o sol da manhã, as folhas, os rios, o azul
Beleza bonita de ver nada existe como o azul
Sem manchas do céu do Planalto Central
E o horizonte imenso aberto sugerindo mil direções
E eu nem quero saber se foi bebedeira louca ou lucidez.

Toninho Horta.


A Poesia de José Expedito Rego

expedito
José Expedito  de Carvalho Rêgo,  foi romancista, poeta, médico e jornalista, nasceu em Oeiras no dia 1° de junho de 1928. Escreveu , entre outros, os romances “Né de Souza”, uma biografia romanceada de Manoel de Souza Martins, o Visconde da Parnaíba, e “Malhadinha”, considerado pela crítica como sua obra prima.José Expedito também é reconhecido por defender o patrimônio histórico de Oeiras, sendo membro fundador do Instituto Histórico de Oeiras
Como jornalista editou em Oeiras, em parceria com Possidônio Queiroz e Costa Machado, o jornal mensal ” O Cometa” , que circulou na cidade de 1971 a 1976. Foi membro titular da cadeira número 2 da Academia Piauiense de Letras e morreu no dia 31 de março de 2000. No ano de 1999 lançou o livro de poesia intitulado “Horas sem tempo”, neste livro faz uma homenagem a sua mãe D. Carmem Reis, com a poesia ” Os três reis magos”. Seus trabalhos incluem este livro de poemas, quatro romances e uma obra de crônicas, publicada postumamente,neste livro estão reunidas  todas suas crônicas que foram publicadas em jornais.
  • Obras do Autor:
  • Vaqueiro e Visconde (na primeira edição se intitulava Né de Souza).
  • Malhadinha 1990.
  • Vida em contraste 1992.
  • Os caminhos da loucura 1996.
  • Horas sem tempo 1999.
  • Crônicas esquecidas (obra póstuma) 2009.
Poesia “Os três Reis Magos” de José Expedito Rego.(1999)

os tres reis magros
Gaspar veio das bandas do Jurani
Tinha os cabelos louros e os olhos azuis
O rosto cheio de sardas, o nariz arrebitado
Montava uma motocicleta de sonhos
Ultrapassava todos os carros
Na avenida Transamazônica
Ouvira sua mãe dizer
Que Jesus nasceria naquela noite
E que uma grande estrela pendurada no céu
Apontava para o lugar do prodígio
Gaspar montava sua motocicleta de sonhos
E voava no rumo da grande estrela
Melchior morava ao pé do morro do Leme
Tinha o moreno afogueado dos caboclos do Brasil
Cabelos lisos e corridos
Olhos ardentes, corpo desnutrido
Montava um cavalo de talo de carnaúba
E viu a grande estrela
Na direção da grande praça
Perguntou a uma mulher que passava a seu lado
E soube que nascera o Salvador
E que haveria presentes para as crianças
Aumentou o galope de seu cavalo de pau
Baltazar desceu do alto do Rosário
Negrinho como a noite
Vinha chutando uma lata sobre os lajedos
Com o pé saído dos murais de Portinari
Viu também a estrela
Que parecia pairar sobre o largo da Matriz
E quis saber o que era…
Foi Jesus que nasceu!—uma voz disse ao lado
Ele montou num carneiro que passava
E atravessou a ponte do riacho da Pouca Vergonha
E Gaspar
E Melchior
E Baltazar
Chegaram juntos na grande praça
A estrela estava sobre a torre da matriz
E as freiras distribuíam presentes aos meninos pobres
Mas já estava no fim
Cada um ganhou apenas um saquinho de bombons
E saíram pulando
Chupando os confeitos
Foram visitar os presepes
Entraram numa casa
Onde havia um muito bonito
Todo enfeitado de ramos verdes
Bolas coloridas e bichinhos de matéria plástica
Sobre a areia da mesa
No centro o Menino-Deus
Deitado sobre o bercinho de palha
Em volta, José, Maria, os pastores
E Gaspar
E Melchior
E Baltazar
Ficaram parados em redor do presepe
Admirando tanto bichinho bonito…
Gaspar roubou em elefante
Melchior roubou uma vaquinha
E Baltazar roubou o galo
Que estava empoleirado num ramo de alecrim
Saíram de mansinho
Sem que ninguém notasse
A não ser o menino-Jesus de barro
Que do berço sorriu seu mais belo sorriso

Fonte: http://www.facesdopiaui.com.br/category/poesias/

Mirian Marques e grupo

Mirian Marques e grupo

AndréZimmerer/Divulgação

Miriam Marques se apresenta com grupo com o melhor do MPB e samba no Bar do Ferreira.

Horário: Sexta, às 21h

Informações:

Data - 17/01/2014 a 17/01/2014
 
 
 
 
 

Wednesday, January 08, 2014

Cânticos ao guerreiro mandu ladino



Marcos Airton de Sousa Freitas
Brasília / DF

Cânticos ao guerreiro mandu ladino



o mato cheiroso daquela hora
é flecha certeira
é grito tupinambá
o mato cheiroso daquela hora
é onça pintada
é pintura jaicó
o mato cheiroso daquela hora
é rede de embira
é artefato timbira
o mato cheiroso daquela hora
é cobra na ribanceira
é saudação pimenteira
o mato cheiroso daquela hora
é lágrima de miridan
é lamento acaraó
o mato cheiroso daquela hora
é silvo guerreiro
é nado tremembé
o vento airoso daquela hora
é canto ladino
é elegia arani

Tuesday, January 07, 2014

Urdidura de sonhos e assombros, de Marcos Freitas

Escritor piauiense Marcos Freitas lança Urdidura de sonhos e assombros

Publicação: 17/09/2010 08:00 Atualização:
 

Existem pessoas que nascem em um berço tão sólido que seria improvável não vê-las atuando em alguma linguagem artística. O engenheiro piauiense Marcos Freitas é uma delas. Oriundo de uma família dedicada aos movimentos culturais, ele gosta de destacar que, além de seu pai, seus tios e seu avós terem sido escritores, a família foi a grande responsável pela fundação da Academia Piauiense de Letras, que contou com familiares como Lucídio, Clodoaldo e Alcides Freitas. “Minha parente Amélia de Freitas Beviláqua foi a primeira mulher a tentar integrar a Academia Brasileira de Letras, antes mesmo da Rachel de Queiroz”, completa.

Seguindo os passos, Marcos também tornou-se escritor e poeta. Hoje, ele soma 12 livros publicados. Entre eles estão três obras técnicas sobre engenharia e outras nove, todas de poesia. “Primeiro fui estudar para me tornar engenheiro. Só depois passei a me dedicar mais à literatura, já que infelizmente ainda não dá para viver de poesia”, explica.

A última obra, Urdidura de sonhos e assombros, lançada pela editora Câmara Brasileira de Jovens Escritores (CBJE), é uma antologia que traz cerca de 250 poemas escritos entre os anos de 2003 e 2007, todos retirados das seis primeiras publicações do autor. “Urdidura junta textos produzidos em solo brasiliense, já que moro aqui desde 2001”, atualiza o engenheiro civil, que se mudou para a cidade por conta de sua posição na Agência Nacional de Águas (Ana).

Por escrever desde os 10 anos, o autor declara ter material acumulado, até dois romances que nunca foram impressos, mas que pretende lançar na praça em breve. Com 47 anos, além de ser letrista, músico amador e de possuir participações em diversas atividades, cargos de chefia e cursos voltados para a engenharia, Marcos se destacou em sua carreira literária por fazer parte do Coletivo de Poetas do Distrito Federal e por suas prosas contemplarem diversas antologias, como a Contos e crônicas livre pensador, da editora Scortecci; a Antologia de poetas brasileiros contemporâneos nº 4 e As 100 melhores poesias de 2004, ambas da mesma CBJE, que distribui seu último lançamento.

Marcos também possui uma obra chamada Staub und schotter (poeira e cascalho, em tradução literal para português), na qual uniu suas poesias feitas em línguas estrangeiras, como inglês, português, espanhol, italiano, francês e alemão; e já participou do projeto Poesia 10-10-10, ao lado do reconhecido poeta Nicolas Behr.

Trecho

Aflorações
fuga de corrente?
quem sabe
meu coração
não tem voltímetro
súbito?
quem sabe
meu trapézio
não tem lona
chuva de maio?
quem sabe
meu querer
não tem ensaio
desvario?
quem sabe
minha calçada
não tem meio-fio







APRESENTAÇÃO

Marcos Freitas chega, precocemente, à primeira antologia de poemas (2003-2007), num percurso de produção intensa e constante. Engenheiro como o nosso Joaquim Cardoso (calculista das obras de Niemeyer, na mesma Brasília em que agora, no ano de seu cinquentenário de fundação, vive Marcos Freitas). Cientista e poeta, uma combinação que vem das origens da poesia, quando o verso era também o curso e o discurso do saber científico, da poiesofia, da techné. Também o grande João Cabral de Melo Neto reclamava ser a poesia um exercício de engenharia, de engenho e arte. Marcos Freitas também é nordestino e atua na criação poética com suor e destreza, como queria o modernista Cassiano Ricardo:

POÉTICA

1
Que é a Poesia?

uma ilha
cercada
de palavras
por todos
os lados.

2

Que é o Poeta?

um homem
que trabalha o poema
com o suor do seu rosto.
Um homem
que tem fome
como qualquer outro
homem.


(De Jeremias Sem-Chorar. São Paulo: José Olympio, 1964)

Marcos Freitas, no entanto, é um poeta lírico, mas também tem raízes sociais, e em versilibrismo avança no domínio de sua técnica, reconhecendo "um poema / tão denso e pequeno / que não cabe em si", que é o desafio. Síntese, amálgama, fusão de idéias e sentidos, e — por que não? — de mementos e sentimentos.

Poesia como um exercício de vida. Poesia e vida: "em letras garrafais/ te sinto/ e / te desejo/ como a uma botelha de absinto." Botelha, com origem no francês (bouteille), mas em português seleto, como o próprio absinto que o poeta evoca. Poesia é também estas coisas que vem das coisas, mas que são outras coisas, coisas que só existem na poesia, e que o leitor também aprecia, no caso, da própria garrafa-poema lançada ao universo.

Não é um poeta narcisista e ensimesmado. É um poeta da noite, das relações, dos acasalamentos. "Um jeito meio assim", casual, jovem, de um propósito construído na circunstância. Tátil. Verso solto, que é contido, mas também desprendido e sutil, que é um registro sensorial e ao mesmo tempo mental, recursivo, pois o poeta sempre volta à solidão e ao espelho. Os tais "momentos-intantes" de que nos fala Marcos em um de seus poemas.

Nordestino desterrado, levado a terras distantes. A outras línguas e experiências, guarda um tanto a aparência de um passado que ele mantém vivo —não apenas porque conserva a vasta cabeleira dos rebeldes, mas por manter uma dialética questão com o tempo: "o tempo passado,/ passado sem os meus. /o tempo futuro/ futuro para os seus?", diz no poema da Irreversibilidade.

Queiramos ou não, a poesia nos remete sempre à autobiografia, ao memorialismo, que não é apenas do poeta, mas sobretudo do leitor, que se identifica e se reconhece.

FOTO TABOCA
Quem não deixou
sua alma aprisionada
em 3X4
no lambe-lambe
do Seu Chiquinho
na Praça da Bandeira?

A poesia de Marcos flui e reflui. É relicário e é ofertório, como a sua/nossa Cajuina que é "pura, cristalina/ do Piauí, genuína". Ah, Marcos viveu na Alemanha, escreve seus poemas em várias línguas, mas tem um retrato ovalado na parede que ele trouxe do seu Piauí, naquela "difusa fronteira de tua (dele, nossa) verve fantasia."
De carne e sonho, de beijos e coices de amor, como queria Oswald de Andrade.

Antonio Miranda  


Friday, December 27, 2013

Climate Change Impacts on Water Resources Management



Climate Change Impacts on Water Resources Management
Adaptation Challenges and Opportunities in Northeast Brazil

Eduardo Sávio Martins, President, Meteorology and Water Resource, Center of Ceará State
Cybelle Frazão Costa Braga, Consultant, World Bank
Francisco de Assis de Souza Filho, Professor, Federal University of Ceará
Marcia Alcoforado de Moraes, Professor, Federal University of Pernambuco
Guilherme Marques, Professor, Federal Center for Technological Education
Eduardo Mario Mendiondo, Professor, University of São Paulo
Marcos Airton de Sousa Freitas, Senior Water Resources Specialist, Brazil National Water Agency
Victor Vazquez, Water and Sanitation Specialist, World Bank
Nathan Engle, Climate Adaptation Specialist, World Bank
Erwin De Nys, Senior Water Resources Specialist, World Bank

http://www-wds.worldbank.org/external/default/WDSContentServer/WDSP/IB/2013/07/15/000356161_20130715142452/Rendered/PDF/795280WP0P144500Box037737900PUBLIC0.pdf


A Regulação dos Recursos Hídricos





APRESENTAÇÃO

Este livro trata da análise do modelo vigente de gestão de recursos hídricos, com seus avanços e problemas de implementação, visando apresentar proposições ao seu aprimoramento. Tem como objetivo geral discutir o atual modelo de gestão da água com ênfase nos aspectos de regulação e de controle social (busca da eficiência e melhoria da qualidade e resgate da esfera pública como instrumento do exercício da cidadania, dentre outros aspectos). Para a consecução dos objetivos expostos, procurou-se analisar a temática a partir de uma abordagem teórico-histórica da regulação (modelos de administração da água implantados no Brasil e gênese das agências reguladoras) e da gestão participativa dos recursos hídricos, envolvendo a relação do Estado e da esfera pública, em especial, no âmbito dos comitês de bacias hidrográficas e agências de água. Conclui-se, destarte, que a participação efetiva e qualificada da sociedade civil nos conselhos e nos comitês de bacias necessita ser aprimorada, sendo de suma importância para o aperfeiçoamento da gestão integrada de recursos hídricos e da democracia deliberativa brasileira.

O Autor

Catalogação na fonte
F8665a Freitas, Marcos Airton de Sousa
A regulação dos recursos hídricos: estado e esfera pública na gestão de
recursos hídricos : análise do modelo atual brasileiro, críticas e
proposições/ Marcos Airton de Sousa Freitas. — 1. ed. — Rio de Janeiro:
CBJE, 2009. 21cm - 174p. : Il.
ISBN: 978-85-7810-278-4
1. estado 2. esfera pública 3. regulação 4. recursos hídricos, gestão
5. sociedade civil
I. Marcos Airton de Sousa Freitas II. Título
CDU 556.18:35 (81)


Para a aquisição do livro:
http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.a...

O livro foi lançado na 28ª Feira do Livro de Brasília, no
Shopping Pátio Brasil – Estande-Espaço Mangueira Diniz, em 24 de
novembro de 2009. 

Monday, December 23, 2013

Gestão de Recursos Hídricos em Regiões Semiáridas


Autor: Marcos Airton de Sousa Freitas
ISBN: 8578106601 ISBN-13: 9788578106607 
Brochura, 1ª Edição – 2010, 413 pág. Preço R$ 80,00

O autor não se propõe a lutar quixotescamente contra a seca e derrotá-la, mas sim compreender os fenômenos envolvidos nos diversos tipos de seca, conjeturar sua ocorrência, sua duração e sua intensidade, e estabelecer critérios para que sejam tomadas decisões realistas. Trata-se de um livro complementar à cadeira de Hidrologia, para ser utilizado principalmente pelos cursos que têm em vista a formação de hidrólogos que vivem e trabalham nas regiões assoladas pelas secas, constituindo-se em uma fonte segura de pesquisa sobre o tema. Embora haja interdependência entre os capítulos, eles podem, até certo ponto, ser lidos independentemente uns dos outros, fazendo com que o livro possa ser também usado como manual de procedimentos por gestores, administradores públicos e demais tomadores de decisão, uma vez que cada capítulo possui sua própria lista bibliográfica.



Onde adquirir o livro:

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=9044208&sid=97511819712322634963904325&k5=D11FF6E&uid= 

http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/3373355/que-venha-a-seca-modelos-para-gestao-de-recursos-hidricos-em-regioes-semiaridas/?ID=BD4B76C57DB01150C1D160306

http://www.fnac.com.br/pesquisa/undefined/fnac.html?=que%20venha%20a%20seca

http://www.siciliano.com.br/pesquisaweb/pesquisaweb.dll/pesquisa?ESTRUTN1=0301&ORDEMN2=E&PALAVRASN1=que+venha+a+seca&x=44&y=13

http://www.livrariagalileu.com.br/home/detalhe.asp?id_livro=177871&buscape

QUE VENHA A SECA
Sumário
AGRADECIMENTOS 
APRESENTAÇÃO 
PREFÁCIO
CAPÍTULO 1 MUDANÇAS CLIMÁTICAS E SECAS 
CAPÍTULO 2 O FENÔMENO DAS SECAS, A GESTÃO DE RECURSOS HÍDRICOS E O NORDESTE DO BRASIL 
CAPÍTULO 3 ANÁLISE INTEGRADA DO FENÔMENO DAS SECAS (SIGES) 
CAPÍTULO 4 MODELAGEM CHUVA-VAZÃO EM RIOS DO SEMIÁRIDO 
CAPÍTULO 5 GERAÇÃO SINTÉTICA DE VAZÃO EM RIOS DE REGIÕES SEMIÁRIDAS
CAPÍTULO 6 MODELOS DE ESTIMATIVA DE DEMANDA 
CAPÍTULO 7 MECANISMOS DE ALOCAÇÃO E NEGOCIAÇÃO DE RECURSOS HÍDRICOS 
CAPÍTULO 8 APLICAÇÕES DO SIGES AO SEMIÁRIDO BRASILEIRO 
CAPÍTULO 9 ANÁLISE MULTICRITÉRIO E TOMADA DE DECISÃO EM REGIÕES SEMIÁRIDAS 
CAPÍTULO 10 ANÁLISE DE RISCO NA GESTÃO HIDROAMBIENTAL
CAPÍTULO 11 OPERAÇÃO DE RESERVATÓRIOS EM SITUAÇÕES DE ESCASSEZ 
CAPÍTULO 12 INTEGRAÇÃO SETORIALNA GESTÃO DE RECURSOS HÍDRICOS 
CAPÍTULO 13 PLANOS DE CONVIVÊNCIA COM AS SECAS E MITIGAÇÃO DOS IMPACTOS 
CAPÍTULO 14 CONSIDERAÇÕES FINAIS 


FREITAS, MARCOS
Marcos Freitas tem Pós-graduação em Engenharia Civil - Dipl. Ing. - Universität Hannover (1995). Mestrado em Engenharia Civil (UFC, 1991). Graduação em Engenharia Civil (UFPI, 1985). Especialista em Recursos Hídricos da Agência Nacional de Águas - ANA, desde 2001. Professor Universitário, desde 1990 (atualmente licenciado). Engenheiro Civil/Consultor (1985-2000). Coordenador e professor de diversos cursos de Pós-graduação (Engenharia de Software; Gestão de Recursos Hídricos; Gestão Ambiental). Mais de 100 publicações técnico-científicas em periódicos e anais de simpósios nacionais e internacionais e mais de 40 livros e capítulos de livros, técnicos e de literatura, em autoria e co-autoria, em 6 idiomas. Aprovado em 2º lugar para o cargo de Especialista em Infraestrutura Sênior – Recursos Hídricos, do MPOG. Participou da elaboração do Plano Nacional de Recursos Hídricos - PNRH, do Plano da Bacia do rio São Francisco - PDRHSF, do GEO Brasil Recursos Hídricos (PNUD), GEF São Francisco, Outorga do Sistema Cantareira (SP), dentre outros. Fundador e Ex-Diretor Técnico-Científico da Associação dos Servidores da Agência Nacional de Águas - ASÁGUAS. Fundador e Ex-Conselheiro da Associação Nacional dos Especialistas em Regulação - ANER. Autor da ideia da criação da Escola Nacional de Regulação. Sócio da Associação Brasileira de Recursos Hídricos - ABRH. Fundador da Associação Piauiense de Astronomia – APA (1982). Militante estudantil e sindical no início da década de 80. Poeta. Contista. Letrista. Músico amador. Diretor do Sindicato de Escritores do DF. Filiado à Associação Nacional de Escritores - ANE e à União Brasileira de Escritores - UBE.

Friday, December 13, 2013

"Laboratório/Show", de Eduardo Rangel

"Laboratório/Show", de Eduardo Rangel
Segunda-feira (16 de dez), 21h
Feitiço Mineiro - 306N - Brasília

O cantor e compositor Eduardo Rangel apresenta o show "Laboratório', nesta segunda-feira, 16 de dezembro, 21h, no “Feitiço Mineiro”, 306 Norte. 
Ao lado do maestro e pianista Joaquim França, Rangel interpreta trechos de shows que a dupla vem apresentando no Rio e Brasília, experimenta suas novas criações e recebe convidados especiais. 
Como convidados da noite, o cantor e guitarrista Marcelo Bopp, autor da trilha sonora da peça "Sonhadores"; a cantora da banda "Mata Hari", Verônica Carriço; além de canjas de grandes instrumentistas que participam dos discos de Rangel. 
No roteiro, entre os compositores, Torquato Neto, Chico Buarque, Sergio Sampaio, Carlos Gardel e Cordel do Fogo Encantado.
Durante as apresentações o artista plástico californiano David Delany irá capturar flagrantes do show e oferecer suas pinturas ao público. 

Serviço:
Show: "Laboratório", com Eduardo Rangel
Participações: Joaquim França (piano), Marcelo Bopp (voz e guitarra), Liliana Gayoso (violino), Verônica Carriço (voz), Jaime Ernest Dias (violão), David Delany (desenhos).
Data: 16 de dezembro (segunda-feira), 21h
Local: Feitiço Mineiro - 306 Norte, Bl. B, lojas 45/51, Brasília DF
Reservas: (61) 3272-3032
Couvert: R$10,00
Classificação Indicativa: 14 anos ou acompanhado dos pais

Ouça músicas do novo CD: www.facebook.com/eduardorangelmusicas
Assista ao Clipe "3416 dC":  http://youtu.be/QBoSS12osG4

Sobre:
Eduardo Rangel, cantor e compositor, gravou seu primeiro disco ao vivo, " Pirata de Mim (Visualização) ", na casa carioca "Mistura Fina" em 1998. Sua música "Copacabana Blues" valeu indicação à melhor composição brasileira pelo "VII Prêmio Sharp de Música", atual Prêmio da Música Brasileira. O segundo CD ao vivo, " Eduardo Rangel & Orquestra Filarmônica de Brasília (Visualização) ”, foi lançado em 2006, no Teatro Nacional de Brasília, com 60 instrumentistas regidos pelo maestro e arranjador Joaquim França. Atualmente o artista divulga seu primeiro álbum gravado inteiramente em estúdio. O CD, intitulado simplesmente "Eduardo Rangel – Estúdio" se destaca pela engenharia de áudio e participações de músicos do primeiro time brasileiro, entre eles Leo Gandelman, Milton Guedes e Torcuato Mariano. Rangel tem composições gravadas por, entre outros, Edson Cordeiro, Márcio Faraco (em parceria), Indiana Nomma, Renata Arruda, Célia Porto, Antenor Bogéa, Ju Cassou e Suzana Maris.

Joaquim França, acompanhou, como maestro titular da Orquestra Filarmônica de Brasília grandes artistas da MPB como Francis Hime, Guilherme Arantes, Édson Cordeiro, Rosa Passos e Hamilton de Holanda. Regeu diversos concertos com a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional de Brasília, onde atuou como regente assistente do maestro Silvio Barbato. Gravou para TV e CD a trilha sonora da minissérie Quando fui morto em Cuba, com a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais. Participou como maestro e arranjador no DVD Choro Sinfônico, do bandolinista Hamilton de Holanda, no CD “Eduardo Rangel e Orquestra Filarmônica de Brasília”, e no show Brasil Clássico Caipira, gravado para a Rede Brasil de Televisão. Recentemente assinou os arranjos do show Ed Mota com a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional, apresentado este ano no T-Bone Açougue Cultural.

Wednesday, December 11, 2013

João Filho, saxofonista piauiense do Meia Boca Band e Stevie Wonder

Carioca radicada em Brasília, Claudia Marins lança o livro 'Pulsante'

O lançamento do livro é nesta quarta-feira (11/12), às 19h, no Carpe Diem (104 Sul). A unidade custa R$ 25

Guilherme Pera - Esp. Correio

Publicação: 10/12/2013 15:25 Atualização: 10/12/2013 15:32
 

A servidora pública Claudia Abreu Marins, 49 anos, começou a escrever poesias aos 13. Tomou gosto pela escrita e se formou nos cursos de letras e jornalismo da Universidade de Brasília. Viveu apaixonada pelos espaços e horizontes da cidade, por noitadas no Beirute e em transpor para o papel os sentimentos. Mas nunca havia publicado um livro. Até agora.

Em 114 páginas destinadas a crônicas e contos, a carioca radicada em Brasília desde os dois anos de idade relembra a vida na juventude e amigos como o ator e encenador Robson Graia, a quem dedica o título da obra, Pulsante. Entre as razões para a primeira publicação, a autora destaca a vontade de mostrar seus sentimentos às pessoas. “Saí de um processo de terapia e quis parar de ser escritora de gaveta. Quero que me leiam”, explica.

Perguntada sobre o que a motiva escrever, a resposta “Eu adoro gente. E adoro gente que pulsa, que tem uma vida interessante, com algo mais. Não precisa nem ser um amigo íntimo, às vezes uma pessoa que vejo na rua já atrai”, diz a nova autora. O lançamento do livro é nesta quarta-feira (11/12), às 19h, no Carpe Diem (104 Sul). A unidade custa R$ 25.

Abaixo, trecho da crônica Pulsante, que dá nome ao livro:

“Ao lembrar do Robson, lembrei de outras pessoas, e cheguei à conclusão de que gosto de pessoas que pulsam. É, de repente, assim, a partir do Robson, descobri o tipo de gente de que eu gosto de verdade, eu gosto de gente que pulsa. Aquele tipo de gente que parece que a vida não cabe no corpo, de tão grande e intensa, gente que mesmo quieta mantém o olhar inquieto. Porque gente que pulsa tem de ter inquietude, não se contenta nunca, está sempre buscando alguma coisa, que muitas vezes nem sabe o que é, nem pra que serve. Não importa, gente que pulsa busca e pronto. Se não buscar, não pulsa, e, se não pulsa, não tem graça.”
 
 

Sarau dos Saraus - Tribo das Artes


Friday, December 06, 2013

Robben Island - Nelson Mandela

Você pensa que água é H2O?




Sábado, dia 7 de dezembro, a partir das 15 horas, lançamento do livro VOCÊ PENSA QUE ÁGUA É H2O? na Blooks Livraria, no Espaço Itaú de Cinema, Praia de Botafogo, 316.

Lançado pela Editora Garamond, o livro faz parte da COLEÇÃO ECOAR. São sete livros destinados ao público jovem, cada um abordando um tema ligado ao meio ambiente. O meu tema, como o título indica, é a Água.

Toda a coleção será lançada neste sábado. E quem levar um livro infantojuvenil a ser doado para crianças do AMA – Alan de Mello Abrigo – ganha desconto de 10% na compra de qualquer título.

Thursday, December 05, 2013

Um encontro entre artistas brasileiros e italianos. Entrada Gratuita. 13.Dez, Arena Brasília.


Vencedora de Nobel de Literatura considera prêmio uma conquista para todos

O trabalho da escritora foi definido como "mestre da narrativa breve contemporânea"


Mariana Vieira - Especial para o correio
Publicação: 05/12/2013 08:29 Atualização: 05/12/2013 08:50
 

Por conta da idade, Alice Munro não viajará neste sábado (7/12) para receber o prêmio (Peter Muhly/AFP Photo)
Por conta da idade, Alice Munro não viajará neste sábado (7/12) para receber o prêmio
A vencedora do Nobel de Literatura deste ano, a canadense Alice Munro, não viajará até a Suécia para a cerimônia de entrega do prêmio, marcada para este sábado (7/12). Uma entrevista foi gravada em vídeo e será exibida como alternativa ao discurso que os vencedores fazem na ocasião. O motivo da ausência no evento é a idade da vencedora: 82 anos. O comitê de premiação classificou Munro como uma “mestre da narrativa breve contemporânea”.

A escritora dedicou-se quase que exclusivamente ao conto, sendo que seu único romance, The view from Castle Rock, trata-se de uma reunião de histórias entrelaçadas pelos mesmos personagens, que se desenrolam de forma paralela. Com 14 livros publicados, — o último deles, Vida Querida, lançado no Brasil nesta semana pela Cia das Letras —, ela considera que o prêmio é uma conquista para todos os autores de contos. A explicação, segundo ela, é que os escritores geralmente começam pelo conto para, depois, escreverem o primeiro romance. Em entrevista ao site do Nobel, Munro explicitou sua paixão pelo gênero: “Eu gostaria que o conto viesse à tona, sem amarras, de modo que não tenha que ser um romance”.

Leia mais notícia em Diversão & Arte


“O conto é incisivo, crucial. Depois daquele momento, a vida do personagem não será mais a mesma”, define o escritor José Resende Júnior. Mineiro radicado em Brasília há 25 anos, é autor de três livros de contos, sendo que Eu perguntei para o velho se ele queria morrer foi vencedor do prêmio Jabuti em 2010. Seus livros foram publicados pela editora carioca 7Letras. “Fui recusado por outras editoras não pelo conteúdo, mas pelo fato de serem contos”, explica.
Confira a lista e as designações com que foram contempladas as 13 damas da escrita

Alice Munro em 2013

“Mestre do conto contemporâneo”

"master of the contemporary short story"

Herta Müller em 2009

“Aquela que, com a concentração da poesia e a franqueza da prosa, retrata a paisagem dos despossuídos"

Doris Lessing em 2007

"O ápice da experiência feminina, que com ceticismo, fogo e poder visionário, sujeitou uma civilização dividida a uma análise"

Elfriede Jelinek em 2004

"Por seu fluxo musical de vozes e contra-vozes em novelas e peças que com zelo linguístico extraordinário revelam o absurdo de clichês da sociedade e seu poder de subjugar os indivíduos"

Wislawa Szymborska em 1996

"Para a poesia que, com precisão irônica, permite que o contexto histórico e biológico se ilumine em fragmentos da realidade humana"

Toni Morrison em 1993

"Aquela que,  em romances caracterizados por força visionária e importação poética, dá vida a um aspecto essencial da realidade americana"

Nadine Gordimer em 1991

"Quem, através de sua magnífica escrita épica tem sido - nas palavras de Alfred Nobel -  de grande benefício para a humanidade"

Nelly Sachs em 1966

"Por sua  notável escrita lírica e dramática, que interpreta o destino de Israel com força comovente"

Gabriela Mistral em 1945

"Por sua poesia lírica, que, inspirada por emoções fortes, fez do nome dela um símbolo das aspirações idealistas de todo o mundo latino-americano"

Pearl Buck em 1938

"Por suas descrições ricas e verdadeiramente épicas da vida camponesa na China e por suas obras biográficas"

Sigrid Undset em 1928

"Principalmente por suas descrições poderosas de vida do Norte durante a Idade Média"

Grazia Deledda em 1926

"Por seus escritos idealisticamente inspirados  que, com uma clareza plástica, retratam a vida em sua ilha nativa e com profundidade e simpatia lidam com os problemas humanos em geral"

Selma Ottilia Lovisa Lagerlöf em 1909

"Em apreciação pelo idealismo elevado, vívida imaginação e percepção espiritual que caracterizam seus escritos"

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2013/12/05/interna_diversao_arte,401810/vencedora-de-nobel-de-literatura-considera-premio-uma-conquista-para-todos.shtml

Monday, December 02, 2013

Na cidade natal de Shakespeare, poesia vira terapia para Alzheimer



AFP - Agence France-Presse
Publicação: 28/11/2013 08:35 Atualização:
 

 (Foto: Will Oliver/AFP Photo )

Uma adolescente começa a ler um poema de Rudyard Kipling, rompendo o silêncio em uma sala cheia de idosos: "se puder manter a calma/quando todos à tua volta já a perderam", quando um deles, doente de Alzheimer, completa com um murmúrio: "você será um homem, meu filho!".

Para combater a perda de memória que afeta 800 mil pessoas no Reino Unido, instituições especializadas e hospitais estão recorrendo à poesia.

A melodia e o ritmo de versos conhecidos consegue bater na porta da memória, servem de "detonador que ativa" a palavra e as lembranças, explicou Jill Fraser. A associação Kissing it Better, que ela dirige, organiza leituras em asilos para idosos.

Quando os pacientes "escutam uma palavra que conseguem lembrar de um poema, eles ganham o dia", contou Elaine Gibbs, diretora do lar para idosos Hylands, que abriga 19 velhinhos em Stratford upon Avon, terra natal de William Shakespeare, região central da Inglaterra.

Com os cabelos grisalhos presos e vestido florido, Miriam Cowley ouve com atenção uma jovem que lê o poema À Margarida, de William Wordsworth, um clássico nas escolas britânicas.

"Sabia o poema, mas tinha esquecido. Aprendi quando era menina", lembrou esta antiga professora, que sofre com a perda de memória recente. "Terei belos sonhos, sonhos tranquilizadores, de margaridas e árvores", comemorou.

Quando se chega a este centro, "todo mundo está sentado em seu canto e, de repente, você começa a ler um poema em voz alta e vê como o olhar deles se ilumina", explicou Hannah Ciotkowski, uma voluntária de 15 anos.

"É maravilhoso quando se juntam a você para terminar um verso", continuou Anita Wright, de 81 anos, ex-atriz da respeitada companhia Royal Shakespeare (RSC), que também lê neste lar e integra o projeto "Kissing it Better", que conta com voluntários de 6 a 81 anos.

O ritmo da poesia "cola no nosso eu mais profundo", assegurou Lyn Darnley, que chefia o departamento de voz e texto da RSC.

"A poesia pode afetar, recuperar lembranças, não só emoções, mas também da profundidade da linguagem", continuou Darnley.

Anita Wright lembrou de uma experiência emocionante. Ela estava lendo um poema sobre um homem que se despedia da amada, quando uma idosa começou a chorar e lembrou da morte do namorado.

"Não tinha dito uma só palavra desde que entrou na instituição e este poema abriu as comportas porque remeteu a um episódio de sua vida", explicou Anita, emocionada.

"A poesia não cura a senilidade", disse Dave Bell, enfermeiro da organização Dementia UK, que luta contra o Alzheimer. "Mas tem o poder de, como a música, devolver confiança aos pacientes: eles descobrem que lembram de algo". Além disso, "permite criar um laço entre gerações", acrescentou.

"Quando for velha", disse Hannah, de 15 anos, "vou querer que as pessoas venham me ver para ler poemas e cantar músicas para mim".

http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/viver/2013/11/28/internas_viver,476332/na-cidade-natal-de-shakespeare-poesia-vira-terapia-para-alzheimer.shtml