Marcos Airton de S. Freitas
A Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável estabeleceu estratégias globais visando minorar as conseqüências predatórias do atual modelo de desenvolvimento, baseado no consumo desenfreado: A Agenda 21, a Declaração sobre Florestas, a Convenção sobre a Biodiversidade e a Convenção sobre Mudanças Climáticas.
Infelizmente, a grande maioria dessas propostas ainda não saiu do papel. A Agenda 21 Brasileira, lançada recentemente pelo Ministério do Meio Ambiente, aborda, dentre outros aspectos, os diversos mecanismos de manejo ambientalmente saudável de nossos recursos naturais: solo, águas, florestas, biodiversidade, fauna, recuperação e proteção de ecossistemas degradados, controle da poluição ambiental e extrativismo.
O destino final dos resíduos sólidos tem se constituído em um dos mais graves problemas dos grandes centros urbanos. Os resíduos sólidos, que se conhece comumente por lixo, são de acordo com as Normas Brasileiras (NB 10.004), aqueles em estado sólido ou semi-sólido, resultantes das atividades da comunidade e de origem doméstica, dos serviços de saúde e de educação, além das atividades econômicas industriais, serviços, comércio, agropecuária, construção civil, feiras e mercados.
Os resíduos sólidos são uma das grandes fontes poluidoras de nossos recursos hídricos. Cerca de 76% dos resíduos sólidos coletados no Brasil são destinados aos lixões, que se constituem no simples despejo em terrenos a céu aberto, expostos a vetores de doenças, animais e catadores de lixo. No Piauí, pesquisa restrita aos municípios litorâneos, em 1996, visando o Macrozoneamento Costeiro do Estado, aponta as seguintes formas de destino mais utilizadas pela indústria: lixão (98%), aterro industrial para resíduos sólidos (1%) e incineração (1%). É de fundamental importância se ter um diagnóstico preciso da distribuição espacial da geração e destinação dos resíduos sólidos, para todo o Estado, por tipologias industriais, municípios, bacias e sub-bacias hidrográficas.
Essas avaliações seriam de grande valia ao planejamento das ações de controle da poluição industrial, auxiliando, por exemplo, na priorização das ações levando em consideração o cruzamento das potencialidades da poluição por geração de resíduos sólidos.
Os municípios, em geral, não têm lugar apropriado para depositar seu lixo. Algumas cidades brasileiras, entretanto, vêm instalando usinas de reciclagem e compostagem. São usinas que separam os restos de alimentos e outros materiais orgânicos, os materiais recicláveis (papel, papelão, plásticos, vidros, metais, etc.) e o lixo propriamente dito. O Programa de Financiamento à Conservação e Controle do Meio Ambiente (FNE Verde), criado pelo Banco do Nordeste, vem disponibilizando recursos financeiros para essa finalidade. E lixo é dinheiro. No Ceará, por exemplo, a reciclagem de lixo movimenta cerca de 3 milhões de reais por mês.
Boa parte da problemática do lixo está relacionada não só à sua produção, mas também às políticas públicas de limpeza, tratamento e destinação final do lixo. As administrações municipais são constitucionalmente responsáveis pela limpeza urbana e domiciliar, devendo garantir gratuitamente a coleta residencial, a varrição regular de logradouros, os serviços de limpeza de férias livres, bocas de lobo, parques e jardins, além da poda de árvores e capinação das vias públicas. Os resíduos sólidos de origem industrial (tóxico e perigoso), radioativo (lixo atômico), agrícola, serviços de saúde (hospitais, postos, laboratórios, farmácias e outros), da construção civil (entulho) e do comércio, não constituem, entretanto, obrigações municipais, e sim dos empresários e produtores. A resolução nº 257, do Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA), prevê que os fabricantes de pilhas e baterias, compostas por metais pesados, serão obrigados a recolher esses produtos, a partir do próximo dia 22 de julho.
Afora a lei nº 4.162, de 29.12.1987, que proíbe a deposição de lixo atômico no Estado, o Piauí carece de legislação visando à formulação de uma política estadual integrada para o gerenciamento de resíduos sólidos.
Dentre os procedimentos desejáveis para a execução de uma política de resíduos sólidos, incluem-se: 1) medidas de prevenção à geração de resíduos; 2) medidas para a organização da gestão, fiscalização e operação do sistema estadual de resíduos sólidos; 3) procedimentos adequados para acondicionamento, coleta, transporte, estocagem e disposição final dos resíduos sólidos; 4) programas para o tratamento/gerenciamento dos resíduos urbanos, industriais, de serviços de saúde, de agrotóxicos e os considerados perigosos; 5) medidas para universalização do acesso ao serviço público de limpeza urbana e 6) programações educativas para o público em geral e de capacitação técnica na área de gestão de resíduos sólidos.
O Estado do Piauí necessita, urgente e indubitavelmente, promover amplas discussões no seio da sociedade, a fim de propiciar uma base técnica e política para o desenvolvimento da Agenda 21 Piauiense e do Sistema Estadual de Gestão de Resíduos Sólidos. Um primeiro passo nesse sentido vem sendo dado no âmbito do Curso de Especialização em Gestão de Recursos Hídricos e Meio Ambiente, promovido pela Secretaria do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos e realizado pela Universidade Federal do Piauí e Fundação de Desenvolvimento e Apoio à Pesquisa, Ensino e Extensão do Piauí.
Centenas de toneladas diárias de lixo urbano, em cada município, ao invés de gerarem emprego e recursos financeiros através da coleta seletiva e reciclagem, estão, porém, causando sérios danos ambientais ao nosso tão decantado potencial de águas subterrâneas e riscos de saúde a nossa população.
Matéria publicada no Jornal Meio Norte, Teresina-PI, em 17.07.2000.
Sunday, June 22, 2008
Wednesday, June 18, 2008
Último sarau do semestre traz música e contos - UnB
A banda Vaga-lumes no vazio da noite de Vênus, que mistura música, poesia e performance, é a atração do último sarau do semestre promovido pelo projeto Proesias. A apresentação será nesta quarta-feira, 18 de junho, às 12h30, no anfiteatro 9 (ICC Sul). Os presentes também vão conferir a apresentação de contos, entre os quais Pequetito, uma história tradicional japonesa, feita por alunos do projeto Experimente a Palavra.
O Proesias, realizado mensalmente pela Diretoria de Esporte, Arte e Cultura (DEA) da UnB, busca divulgar a literatura e experimentos poético-musicais. Surgiu de intervenções realizadas no campus pelo Centro Acadêmico de Letras e Diretório Central dos Estudantes (DCE).
http://www.secom.unb.br/unbhoje/index.php?data=18/06/2008#2338
O Proesias, realizado mensalmente pela Diretoria de Esporte, Arte e Cultura (DEA) da UnB, busca divulgar a literatura e experimentos poético-musicais. Surgiu de intervenções realizadas no campus pelo Centro Acadêmico de Letras e Diretório Central dos Estudantes (DCE).
http://www.secom.unb.br/unbhoje/index.php?data=18/06/2008#2338
VII Prêmio Literário Livraria Asabeça
Inscrições até 30 de junho de 2008
A Livraria e Loja Virtual Asabeça organiza anualmente o Prêmio Literário Livraria Asabeça, nas categorias Poesia, Conto/Crônica e Infantil, com apoio da Scortecci Editora, para autores brasileiros, maiores de 16 anos, residentes ou não no Brasil.
O tema é livre. Tem por objetivo descobrir novos talentos e promover a literatura brasileira.
Inscrições até 30 de junho de 2008 e deverão ser feitas somente pela Internet.
Regulamento Completo --- Ficha de Inscrição --- Autores Inscritos
PRÊMIOS
1º Lugar Categoria Poesia: Um contrato de edição e impressão de 250 (duzentos e cinqüenta) exemplares (sendo 200 exemplares para comercialização através da Livraria e Loja Virtual Asabeça e 50 exemplares inteiramente grátis para o autor), com 80 (oitenta) páginas, formato 14 x 20,7cm, sendo: 1) Miolo - Impressão em duplicador digital, preto e branco, sem o uso de fotolitos, em papel offset branco 75 gramas, acabamento telado e colado em cadernos de 4 páginas. 2) Capa - Impressão em 4 cores (quadricromia), em papel Cartão branco 250 gramas, com orelhas e plastificação brilhante.
1º Lugar Categoria Conto/Crônica: Um contrato de edição e impressão de 250 (duzentos e cinqüenta) exemplares (sendo 200 exem plares para comercialização através da Livraria e Loja Virtual Asabeça e 50 exemplares inteiramente grátis para o autor), com 80 (oitenta) páginas, formato 14 x 20,7cm, sendo: 1) Miolo - Impressão em duplicador digital, preto e branco, sem o uso de fotolitos, em papel offset branco 75 gramas, acabamento telado e colado em cadernos de 4 páginas. 2) Capa - Impressão em 4 cores (quadricromia), em papel Cartão branco 250 gramas, com orelhas e plastificação brilhante.
1º Lugar Categoria Infantil: Um contrato de edição e impressão de 200 (duzentos) exemplares (sendo 150 exemplares para comercialização através da Livraria e Loja Virtual Asabeça e 50 exemplares inteiramente grátis para o autor), com 32 (trinta e duas) páginas, formato 16x23 cm, sendo: 1) Miolo - Impressão em digital, 4 x 4 colorido, sem o uso de fotolitos, em papel couchê fosco 115 gramas, acabamento grampeado. 2) Capa - Impressão em 4 cores, em papel Cartão branco 250 gramas, sem orelhas, com laminaç ão fosca.
2º ao 15º Lugares Categorias Poesia e Conto/Crônica: Publicação dos trabalhos classificados na 1a. Etapa do concurso na Antologia do VII Prêmio Literário Livraria Asabeça - 2008. Cada autor receberá 5 (cinco) exemplares da obra a título de Direito Autoral. Após o lançamento da Antologia do VII Prêmio Literário Livraria Asabeça – 2008, os autores participantes poderão adquirir exemplares da obra com 50% de desconto sobre o preço de capa, havendo livros em estoque.
Mais informações:
Telefone: (11) 3031-3956
Email: asabeca@asabeca.com.br
www.concursosliterarios.com.br
A Livraria e Loja Virtual Asabeça organiza anualmente o Prêmio Literário Livraria Asabeça, nas categorias Poesia, Conto/Crônica e Infantil, com apoio da Scortecci Editora, para autores brasileiros, maiores de 16 anos, residentes ou não no Brasil.
O tema é livre. Tem por objetivo descobrir novos talentos e promover a literatura brasileira.
Inscrições até 30 de junho de 2008 e deverão ser feitas somente pela Internet.
Regulamento Completo --- Ficha de Inscrição --- Autores Inscritos
PRÊMIOS
1º Lugar Categoria Poesia: Um contrato de edição e impressão de 250 (duzentos e cinqüenta) exemplares (sendo 200 exemplares para comercialização através da Livraria e Loja Virtual Asabeça e 50 exemplares inteiramente grátis para o autor), com 80 (oitenta) páginas, formato 14 x 20,7cm, sendo: 1) Miolo - Impressão em duplicador digital, preto e branco, sem o uso de fotolitos, em papel offset branco 75 gramas, acabamento telado e colado em cadernos de 4 páginas. 2) Capa - Impressão em 4 cores (quadricromia), em papel Cartão branco 250 gramas, com orelhas e plastificação brilhante.
1º Lugar Categoria Conto/Crônica: Um contrato de edição e impressão de 250 (duzentos e cinqüenta) exemplares (sendo 200 exem plares para comercialização através da Livraria e Loja Virtual Asabeça e 50 exemplares inteiramente grátis para o autor), com 80 (oitenta) páginas, formato 14 x 20,7cm, sendo: 1) Miolo - Impressão em duplicador digital, preto e branco, sem o uso de fotolitos, em papel offset branco 75 gramas, acabamento telado e colado em cadernos de 4 páginas. 2) Capa - Impressão em 4 cores (quadricromia), em papel Cartão branco 250 gramas, com orelhas e plastificação brilhante.
1º Lugar Categoria Infantil: Um contrato de edição e impressão de 200 (duzentos) exemplares (sendo 150 exemplares para comercialização através da Livraria e Loja Virtual Asabeça e 50 exemplares inteiramente grátis para o autor), com 32 (trinta e duas) páginas, formato 16x23 cm, sendo: 1) Miolo - Impressão em digital, 4 x 4 colorido, sem o uso de fotolitos, em papel couchê fosco 115 gramas, acabamento grampeado. 2) Capa - Impressão em 4 cores, em papel Cartão branco 250 gramas, sem orelhas, com laminaç ão fosca.
2º ao 15º Lugares Categorias Poesia e Conto/Crônica: Publicação dos trabalhos classificados na 1a. Etapa do concurso na Antologia do VII Prêmio Literário Livraria Asabeça - 2008. Cada autor receberá 5 (cinco) exemplares da obra a título de Direito Autoral. Após o lançamento da Antologia do VII Prêmio Literário Livraria Asabeça – 2008, os autores participantes poderão adquirir exemplares da obra com 50% de desconto sobre o preço de capa, havendo livros em estoque.
Mais informações:
Telefone: (11) 3031-3956
Email: asabeca@asabeca.com.br
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Monday, June 16, 2008
Brasil participa de debate internacional sobre uso sustentável da água
16/06/2008 - 12h06
Por Adriana Brendler, da Agência Brasil
Pressão internacional sobre Amazônia desvia foco da sustentabilidade, diz diretor da ANA.Brasília - A participação na Exposição Internacional Água e Desenvolvimento Sustentável (Expo Zaragoza 2008) será decisiva para a disputa do Brasil pelos recursos de um fundo criado pelos europeus para incentivar o uso racional e a melhoria na gestão dos recursos hídricos na América Latina. A avaliação foi feita pelo comissário-geral do Brasil na feira, João Bosco Senra, ao comentar a importância do encontro aberto no sábado (14), na cidade espanhola de Zaragoza.
A mostra reúne, até o dia 14 de setembro, representantes de 107 países que vão discutir novas tecnologias para o desenvolvimento sustentável e inovações na gestão de recursos hídricos. Domingo (15) toda a programação é voltada ao Brasil. Um dos destaques é a apresentação da Política Nacional de Recursos Hídricos pelo diretor presidente da Agência Nacional das Águas (ANA), José Machado, que representa o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, Expo Zaragoza 2008.
Segundo Senra, que também é diretor de Recursos Hídricos da Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, o fundo europeu irá doar a países sul-americanos, ainda este ano, pelo menos 1,5 bilhão de euros para o custeio de projetos, principalmente, de abastecimento de água na zona rural.Ele informou que a distribuição dos recursos, a serem aplicados até 2012, começa a ser definida no segundo semestre deste ano e o Brasil já começou a apresentar suas propostas. Entre elas, projetos de criação de cisternas no Nordeste, de dessalinização de água para o Semi-Árido, de abastecimento de água em comunidades indígenas e em escolas e assentamentos rurais.
De acordo com Senra, a apresentação, na feira, das experiências e dos avanços a partir da criação da Política Nacional de Recursos Hídricos, em 1997, pode ser uma credencial para a aprovação de projetos brasileiros.“Mostrar essas experiências de sucesso, esse esforço que o governo vem fazendo, será decisivo para que o Brasil possa ter uma participação maior nesses recursos.”Para o diretor, um dos avanços mais relevantes, depois de onze anos da política de recursos hídricos, é a participação social, pois, segundo ele, o país tem hoje cerca de 15 mil pessoas atuantes nos comitês de bacias hidrográficas e nos conselhos estaduais e nacional de recursos hídricos, instituídos como instâncias de decisão sobre a destinação da água.
Em entrevista à Agência Brasil, Senra disse que há uma grande expectativa sobre a participação brasileira na Expo Zaragoza 2008, não só porque o país é o participante com maior volume de água doce no planeta – cerca de 12% do total – como também pela sua posição referente a políticas de gestão do recurso e pela capacidade técnica desenvolvida nessa área."O Brasil é referência na política de gestão de águas. Foi o primeiro país da América a ter a um Plano Nacional de Recursos Hídricos. Uma medida que está nas Metas do Milênio da Organização Nações Unidas”, destacou.O país também tem um estande com exposições interativas sobre as bacias Amazônica, do Prata e do Rio São Francisco. Hoje, além do debate sobre experiências na área de recursos hídricos, estão ocorrendo shows musicais e apresentação de grupos folclóricos brasileiros.
________________
Pressão internacional sobre Amazônia desvia foco da sustentabilidade, diz diretor da ANABrasília - O desmatamento e a Floresta Amazônica têm uma grande visibilidade global que acaba pressionando, muitas vezes, o governo a dar uma atenção exagerada a essas temáticas em detrimento de outros assuntos importantes para a sustentabilidade do país, como o uso dos recursos hídricos.
A opinião é do diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), José Machado, que apresentou no sábado (14) na Exposição Internacional Água e Desenvolvimento Sustentável, na cidade espanhola de Zaragoza, as principais ações da Política Brasileira de Recursos Hídricos.“A priorização da preservação amazônica é necessária, não há dúvidas sobre isso, mas também acho importante ter uma pauta mais diversificada, e a questão da água me parece que precisa ter uma proeminência maior na agenda nacional”, afirmou o diretor , em entrevista à Agência Brasil.
Para Machado, o país poderia obter ganhos substanciais se usasse estrategicamente a grande disponibilidade de água, com a gestão do recurso de forma sustentável. “O Brasil tem de fazer uma gestão eficiente da água e com isso calcar o desenvolvimento em função da sua disponibilidade do recurso. Essa é uma vantagem comparativa que o Brasil tem e precisa ver isso como oportunidade”, defendeu.O diretor apontou como exemplo o uso da irrigação. O Brasil usa atualmente apenas 10% da potencialidade dessa técnica.
De acordo com Machado, a aplicação moderna e inteligente da prática irrigatória poderia aumentar a produção agrícola em várias regiões do país, pois permitiria a colheita de duas safras anuais, em vez de uma.Ele destacou também que a Política Nacional de Irrigação já tramita no Congresso Nacional e há tecnologias e instituições de pesquisa suficientes para uma gestão eficiente das águas, mas o assunto precisa ser incluído em um planejamento estratégico do país.
(Envolverde/Agência Brasil)
http://envolverde.ig.com.br/?materia=48517#
Por Adriana Brendler, da Agência Brasil
Pressão internacional sobre Amazônia desvia foco da sustentabilidade, diz diretor da ANA.Brasília - A participação na Exposição Internacional Água e Desenvolvimento Sustentável (Expo Zaragoza 2008) será decisiva para a disputa do Brasil pelos recursos de um fundo criado pelos europeus para incentivar o uso racional e a melhoria na gestão dos recursos hídricos na América Latina. A avaliação foi feita pelo comissário-geral do Brasil na feira, João Bosco Senra, ao comentar a importância do encontro aberto no sábado (14), na cidade espanhola de Zaragoza.
A mostra reúne, até o dia 14 de setembro, representantes de 107 países que vão discutir novas tecnologias para o desenvolvimento sustentável e inovações na gestão de recursos hídricos. Domingo (15) toda a programação é voltada ao Brasil. Um dos destaques é a apresentação da Política Nacional de Recursos Hídricos pelo diretor presidente da Agência Nacional das Águas (ANA), José Machado, que representa o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, Expo Zaragoza 2008.
Segundo Senra, que também é diretor de Recursos Hídricos da Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, o fundo europeu irá doar a países sul-americanos, ainda este ano, pelo menos 1,5 bilhão de euros para o custeio de projetos, principalmente, de abastecimento de água na zona rural.Ele informou que a distribuição dos recursos, a serem aplicados até 2012, começa a ser definida no segundo semestre deste ano e o Brasil já começou a apresentar suas propostas. Entre elas, projetos de criação de cisternas no Nordeste, de dessalinização de água para o Semi-Árido, de abastecimento de água em comunidades indígenas e em escolas e assentamentos rurais.
De acordo com Senra, a apresentação, na feira, das experiências e dos avanços a partir da criação da Política Nacional de Recursos Hídricos, em 1997, pode ser uma credencial para a aprovação de projetos brasileiros.“Mostrar essas experiências de sucesso, esse esforço que o governo vem fazendo, será decisivo para que o Brasil possa ter uma participação maior nesses recursos.”Para o diretor, um dos avanços mais relevantes, depois de onze anos da política de recursos hídricos, é a participação social, pois, segundo ele, o país tem hoje cerca de 15 mil pessoas atuantes nos comitês de bacias hidrográficas e nos conselhos estaduais e nacional de recursos hídricos, instituídos como instâncias de decisão sobre a destinação da água.
Em entrevista à Agência Brasil, Senra disse que há uma grande expectativa sobre a participação brasileira na Expo Zaragoza 2008, não só porque o país é o participante com maior volume de água doce no planeta – cerca de 12% do total – como também pela sua posição referente a políticas de gestão do recurso e pela capacidade técnica desenvolvida nessa área."O Brasil é referência na política de gestão de águas. Foi o primeiro país da América a ter a um Plano Nacional de Recursos Hídricos. Uma medida que está nas Metas do Milênio da Organização Nações Unidas”, destacou.O país também tem um estande com exposições interativas sobre as bacias Amazônica, do Prata e do Rio São Francisco. Hoje, além do debate sobre experiências na área de recursos hídricos, estão ocorrendo shows musicais e apresentação de grupos folclóricos brasileiros.
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Pressão internacional sobre Amazônia desvia foco da sustentabilidade, diz diretor da ANABrasília - O desmatamento e a Floresta Amazônica têm uma grande visibilidade global que acaba pressionando, muitas vezes, o governo a dar uma atenção exagerada a essas temáticas em detrimento de outros assuntos importantes para a sustentabilidade do país, como o uso dos recursos hídricos.
A opinião é do diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), José Machado, que apresentou no sábado (14) na Exposição Internacional Água e Desenvolvimento Sustentável, na cidade espanhola de Zaragoza, as principais ações da Política Brasileira de Recursos Hídricos.“A priorização da preservação amazônica é necessária, não há dúvidas sobre isso, mas também acho importante ter uma pauta mais diversificada, e a questão da água me parece que precisa ter uma proeminência maior na agenda nacional”, afirmou o diretor , em entrevista à Agência Brasil.
Para Machado, o país poderia obter ganhos substanciais se usasse estrategicamente a grande disponibilidade de água, com a gestão do recurso de forma sustentável. “O Brasil tem de fazer uma gestão eficiente da água e com isso calcar o desenvolvimento em função da sua disponibilidade do recurso. Essa é uma vantagem comparativa que o Brasil tem e precisa ver isso como oportunidade”, defendeu.O diretor apontou como exemplo o uso da irrigação. O Brasil usa atualmente apenas 10% da potencialidade dessa técnica.
De acordo com Machado, a aplicação moderna e inteligente da prática irrigatória poderia aumentar a produção agrícola em várias regiões do país, pois permitiria a colheita de duas safras anuais, em vez de uma.Ele destacou também que a Política Nacional de Irrigação já tramita no Congresso Nacional e há tecnologias e instituições de pesquisa suficientes para uma gestão eficiente das águas, mas o assunto precisa ser incluído em um planejamento estratégico do país.
(Envolverde/Agência Brasil)
http://envolverde.ig.com.br/?materia=48517#
Thursday, June 12, 2008
Wednesday, June 11, 2008
Filme: "O milagre de Berna" (Das Wunder von Bern)

Aproveitando o início da Eurocopa 2008 Suíça/ Áustria, exibimos o filme: "O milagre de Berna" (Das Wunder von Bern)
Sinopse:
Na Alemanha, verão de 1954, um garoto de 11 anos que adora futebol tenta acompanhar cada momento dos últimos jogos que decicirão a final da copa mundial. Ele se chama Matthias Lubanski e tem os sonhos de qualquer outro menino da sua idade. Mas a relação com seu pai não está fácil, pois ele acaba de retornar da Rússia, onde ficou por 11 anos como prisioneiro de guerra, trazendo consigo sérios problemas emocionais e dificultando assim a convivência com todos na família. Matthias não desiste e vai tentar superar todas as barreiras existentes em seu caminho para alcançar o seu ideal: ver o time de sua nação jogar a final da Copa do Mundo.
Comédia/ Drama - Alemanha, 2003– Direção: Sönke Wortmann – 118min.
Sinopse:
Na Alemanha, verão de 1954, um garoto de 11 anos que adora futebol tenta acompanhar cada momento dos últimos jogos que decicirão a final da copa mundial. Ele se chama Matthias Lubanski e tem os sonhos de qualquer outro menino da sua idade. Mas a relação com seu pai não está fácil, pois ele acaba de retornar da Rússia, onde ficou por 11 anos como prisioneiro de guerra, trazendo consigo sérios problemas emocionais e dificultando assim a convivência com todos na família. Matthias não desiste e vai tentar superar todas as barreiras existentes em seu caminho para alcançar o seu ideal: ver o time de sua nação jogar a final da Copa do Mundo.
Comédia/ Drama - Alemanha, 2003– Direção: Sönke Wortmann – 118min.
Monday, June 09, 2008
69º Sarau Tribo das Artes
Monday, June 02, 2008
Águas, o que fazemos por elas?
(*) Marcos Airton de S. Freitas1
(*) Fred Maia2
No dia 22 de março passado comemorou-se o Dia Mundial da Água e no dia 5 de junho próximo comemorar-se-á o Dia Mundial do Meio Ambiente. Mais do que comemoração, as datas exigem reflexão: o que estamos fazendo com nosso meio ambiente, com nossas águas? O que estamos fazendo por nossos mananciais e rios? O que os rios significam para nós? O que está acontecendo com eles?
É inegável a contribuição dos rios na história humana. Praticamente, todas as grandes civilizações foram mantidas e guiadas pelos rios. Podemos citar algumas: a civilização egípcia ergueu-se no rio Nilo; as tribos e povos do Oriente Médio acamparam milenarmente às margens dos rios Tigres e Eufrates; os hindus consagram o Ganges [hindu - do sânscrito sindhu, ‘rio’, pelo persa hindu, ‘do vale do rio (Indo)’, fonte: Aurélio]; os asiáticos veneram o Mekong e o Amarelo; os americanos do norte cantam blues ao Mississipi; os americanos do sul irmanam-se no Amazonas e os europeus refletem suas vidas e moradas nos espelhos do Reno e Danúbio. E no Piauí? o rio Parnaíba - o “Velho Monge”, na visão do poeta maior do estado -, é um rio cada dia mais velho e cansado de sua labuta, desde suas nascentes até o seu magnífico delta, independentemente de como o queiram denominar. Os rios têm, portanto, significado social, cultural e religioso.
Como não poderia ser diferente, a origem e o desbravamento do Piauí deu-se graças aos rios. A primeira fazenda de gado foi fundada às margens do “Mocha”, em Oeiras. Fala-se que Domingos Jorge Velho, alcançou o nordeste do Piauí por meio da falha geológica do rio Poti, com seus maravilhosos câniones. Em seu período de estiagem, o rio Poti quase sempre se transforma num tapete verde de aguapés devido, muito provavelmente, aos nutrientes provenientes dos esgotos lançados na região urbana de Teresina.
Enquanto os rios nos possibilitam inúmeros usos, tais como a geração de energia, a navegação, o abastecimento de água (doméstico e industrial), a dessedentação animal, o lazer, a pesca etc, cabe-nos perguntar: o que estamos fazendo com eles? Transformando-os meramente em desaguadouros de todo o lixo da civilização moderna? Freqüentemente, encontramos de tudo em nossos rios: armários, guarda-roupas, geladeiras, pneus velhos, computadores e toda sorte de quinquilharias.
Os rios, assim como seus lagos e lagoas marginais, devem ser preservados em sua dinâmica, em termos de quantidade e qualidade. Os recursos hídricos são elementos fundamentais não só para o desenvolvimento econômico, mas também para a preservação da biodiversidade.
A Constituição Federal, de 1988, em seus artigos 20 e 26 declara as águas bens públicos, de domínio da União e dos Estados, e passíveis de outorga.
O rebaixamento do lençol freático devido à super-explotação dos aqüíferos, na região de Picos, o desperdício de água em dezenas de poços jorrantes na região do Gurgüéia, o aterramento de inúmeras lagoas marginais (estimadas em cerca de 130 pelo ilustre geógrafo e professor João Gabriel Baptista; só na bacia do rio Piauí são mais de 30) são exemplos de problemas, apontados em diversos estudos e diagnósticos realizados, ainda a demandar soluções.
Felizmente, depois de discussões iniciadas pela Associação Brasileira de Recursos Hídricos - ABRH, o Brasil ganhou uma Lei das Águas, a Lei 9.433/97, que vem, com bastante esforço, mas com êxito, sendo implementada.
Entretanto, o desmatamento indiscriminado de imensas áreas nativas - a exemplo da Serra Vermelha -, do ainda não implantado Parque das Nascentes do rio Parnaíba, da Chapada Grande e de inúmeras matas ciliares, é uma grave ameaça à fauna e flora, podendo causar danos inimagináveis às zonas de recarga e nascentes dos cursos d´águas.
Um rio é a contribuição de todos os efluentes, que conjuntamente com a rede de drenagem, florestas e solos compõem a bacia hidrográfica. Portanto, não se pode reduzir um rio a sua calha principal. Os cursos de água têm sua capacidade de diluição e auto-depuração. Para uma mesma carga de efluentes, em geral, quanto maior a vazão do rio maior será sua capacidade de diluição. Restringir ou priorizar o tratamento dos esgotos das cidades à margem da calha do rio principal não resolve o problema no todo. Melhor e mais eficiente, possivelmente, seria tratar os efluentes dos municípios localizados à margem dos afluentes, de vazão relativamente menor.
O Piauí vive um momento excepcional de crescimento e desenvolvimento social, mas precisa combinar esse crescimento, com o desenvolvimento sustentável e respeito aos seus bens naturais. Provavelmente, o motivo do atraso histórico do Estado advenha da incapacidade gerencial de uma oligarquia feudal, herdeira das sesmarias, que transformou a terra em latifúndio improdutivo. Como resultado desse processo, surgiu uma população famélica, empobrecida e destituída de direitos. O poeta Carlos Drummond sinaliza: “existe a coisa e a sua sombra” e, o povo, sabiamente afirma: há males que vêem para o bem.
Esse processo de não-ocupação da terra pelo trabalho e a lavoura - que tanta miséria causou -, permite hoje ao Piauí, a existência de enormes áreas verdes, ricas em biodiversidade e possibilidades de manejo, que deverão ser transformadas em riqueza sustentável para a sua gente.
A ocupação da terra, tarefa necessária para o crescimento e desenvolvimento sustentável do agricultor familiar piauiense, não pode desconsiderar as águas: nascentes, cursos, lagoas, lençóis freáticos -, sob risco de perder o Piauí, o seu maior bem: a bacia hidrográfica do rio Parnaíba, que é formada por centenas de rios ameaçados.
1) Engº Civil, professor universitário licenciado e pós-graduado em meio ambiente e recursos hídricos
2) Jornalista, gerente de Articulação Institucional do MINC
* Matéria publicada no Jornal Diário do Povo, 02 de junho de 2008
(*) Fred Maia2
No dia 22 de março passado comemorou-se o Dia Mundial da Água e no dia 5 de junho próximo comemorar-se-á o Dia Mundial do Meio Ambiente. Mais do que comemoração, as datas exigem reflexão: o que estamos fazendo com nosso meio ambiente, com nossas águas? O que estamos fazendo por nossos mananciais e rios? O que os rios significam para nós? O que está acontecendo com eles?
É inegável a contribuição dos rios na história humana. Praticamente, todas as grandes civilizações foram mantidas e guiadas pelos rios. Podemos citar algumas: a civilização egípcia ergueu-se no rio Nilo; as tribos e povos do Oriente Médio acamparam milenarmente às margens dos rios Tigres e Eufrates; os hindus consagram o Ganges [hindu - do sânscrito sindhu, ‘rio’, pelo persa hindu, ‘do vale do rio (Indo)’, fonte: Aurélio]; os asiáticos veneram o Mekong e o Amarelo; os americanos do norte cantam blues ao Mississipi; os americanos do sul irmanam-se no Amazonas e os europeus refletem suas vidas e moradas nos espelhos do Reno e Danúbio. E no Piauí? o rio Parnaíba - o “Velho Monge”, na visão do poeta maior do estado -, é um rio cada dia mais velho e cansado de sua labuta, desde suas nascentes até o seu magnífico delta, independentemente de como o queiram denominar. Os rios têm, portanto, significado social, cultural e religioso.
Como não poderia ser diferente, a origem e o desbravamento do Piauí deu-se graças aos rios. A primeira fazenda de gado foi fundada às margens do “Mocha”, em Oeiras. Fala-se que Domingos Jorge Velho, alcançou o nordeste do Piauí por meio da falha geológica do rio Poti, com seus maravilhosos câniones. Em seu período de estiagem, o rio Poti quase sempre se transforma num tapete verde de aguapés devido, muito provavelmente, aos nutrientes provenientes dos esgotos lançados na região urbana de Teresina.
Enquanto os rios nos possibilitam inúmeros usos, tais como a geração de energia, a navegação, o abastecimento de água (doméstico e industrial), a dessedentação animal, o lazer, a pesca etc, cabe-nos perguntar: o que estamos fazendo com eles? Transformando-os meramente em desaguadouros de todo o lixo da civilização moderna? Freqüentemente, encontramos de tudo em nossos rios: armários, guarda-roupas, geladeiras, pneus velhos, computadores e toda sorte de quinquilharias.
Os rios, assim como seus lagos e lagoas marginais, devem ser preservados em sua dinâmica, em termos de quantidade e qualidade. Os recursos hídricos são elementos fundamentais não só para o desenvolvimento econômico, mas também para a preservação da biodiversidade.
A Constituição Federal, de 1988, em seus artigos 20 e 26 declara as águas bens públicos, de domínio da União e dos Estados, e passíveis de outorga.
O rebaixamento do lençol freático devido à super-explotação dos aqüíferos, na região de Picos, o desperdício de água em dezenas de poços jorrantes na região do Gurgüéia, o aterramento de inúmeras lagoas marginais (estimadas em cerca de 130 pelo ilustre geógrafo e professor João Gabriel Baptista; só na bacia do rio Piauí são mais de 30) são exemplos de problemas, apontados em diversos estudos e diagnósticos realizados, ainda a demandar soluções.
Felizmente, depois de discussões iniciadas pela Associação Brasileira de Recursos Hídricos - ABRH, o Brasil ganhou uma Lei das Águas, a Lei 9.433/97, que vem, com bastante esforço, mas com êxito, sendo implementada.
Entretanto, o desmatamento indiscriminado de imensas áreas nativas - a exemplo da Serra Vermelha -, do ainda não implantado Parque das Nascentes do rio Parnaíba, da Chapada Grande e de inúmeras matas ciliares, é uma grave ameaça à fauna e flora, podendo causar danos inimagináveis às zonas de recarga e nascentes dos cursos d´águas.
Um rio é a contribuição de todos os efluentes, que conjuntamente com a rede de drenagem, florestas e solos compõem a bacia hidrográfica. Portanto, não se pode reduzir um rio a sua calha principal. Os cursos de água têm sua capacidade de diluição e auto-depuração. Para uma mesma carga de efluentes, em geral, quanto maior a vazão do rio maior será sua capacidade de diluição. Restringir ou priorizar o tratamento dos esgotos das cidades à margem da calha do rio principal não resolve o problema no todo. Melhor e mais eficiente, possivelmente, seria tratar os efluentes dos municípios localizados à margem dos afluentes, de vazão relativamente menor.
O Piauí vive um momento excepcional de crescimento e desenvolvimento social, mas precisa combinar esse crescimento, com o desenvolvimento sustentável e respeito aos seus bens naturais. Provavelmente, o motivo do atraso histórico do Estado advenha da incapacidade gerencial de uma oligarquia feudal, herdeira das sesmarias, que transformou a terra em latifúndio improdutivo. Como resultado desse processo, surgiu uma população famélica, empobrecida e destituída de direitos. O poeta Carlos Drummond sinaliza: “existe a coisa e a sua sombra” e, o povo, sabiamente afirma: há males que vêem para o bem.
Esse processo de não-ocupação da terra pelo trabalho e a lavoura - que tanta miséria causou -, permite hoje ao Piauí, a existência de enormes áreas verdes, ricas em biodiversidade e possibilidades de manejo, que deverão ser transformadas em riqueza sustentável para a sua gente.
A ocupação da terra, tarefa necessária para o crescimento e desenvolvimento sustentável do agricultor familiar piauiense, não pode desconsiderar as águas: nascentes, cursos, lagoas, lençóis freáticos -, sob risco de perder o Piauí, o seu maior bem: a bacia hidrográfica do rio Parnaíba, que é formada por centenas de rios ameaçados.
1) Engº Civil, professor universitário licenciado e pós-graduado em meio ambiente e recursos hídricos
2) Jornalista, gerente de Articulação Institucional do MINC
* Matéria publicada no Jornal Diário do Povo, 02 de junho de 2008
Thursday, May 29, 2008
V Festa Junina de Tradição Nordestina


Com o objetivo disseminar a cultura nordestina: culinária, dança, folclore e outros costumes, há quatro anos a Associação Cultural dos Amigos do Piauí - ACAMPI promove a festa junina da tradição nordestina, em parceria com várias instituições.
A V FESTA JUNINA DE TRADIÇÃO NORDESTINA acontecerá no próximo dia 13 de junho, sexta-feira, a partir das 18 horas, no Clube da ASEFE, na 912 Sul (atrás do Setor Oeste).
O público estimado é de 5 mil nordestinos e amigos, pois o evento já faz parte do calendário cultural de piauienses radicados em Brasília e amigos do Piauí.
Contamos uma vez mais com o seu tradicional apoio e empenho no sentido de manter, cultivar e divulgar nossos valores culturais do Nordeste brasileiro.
Divulgue a amigos, parentes, vizinhos e conterrâneos.
A V FESTA JUNINA DE TRADIÇÃO NORDESTINA acontecerá no próximo dia 13 de junho, sexta-feira, a partir das 18 horas, no Clube da ASEFE, na 912 Sul (atrás do Setor Oeste).
O público estimado é de 5 mil nordestinos e amigos, pois o evento já faz parte do calendário cultural de piauienses radicados em Brasília e amigos do Piauí.
Contamos uma vez mais com o seu tradicional apoio e empenho no sentido de manter, cultivar e divulgar nossos valores culturais do Nordeste brasileiro.
Divulgue a amigos, parentes, vizinhos e conterrâneos.
Foto-fonte: http://acsolha.deviantart.com/art/Bumba-Meu-Boi-2-58570371
"Si fractus illabatur orbis, Impavidum ferient ruinae." Horácio (III, I, 1).
"Si fractus illabatur orbis, Impavidum ferient ruinae." Horácio (III, I, 1).
Monday, May 26, 2008
Filme: Rosalie vai às compras (Rosalie goes shopping)

Happy Hour Cultural
Cinema Open Air com bar vendendo cerveja (alemã e brasileira), e salsichão com pão e mostarda
Data: quinta, 29 de maio
Horário: 18h30
Local: Pátio do Goethe-Zentrum Brasília
Cinema Open Air com bar vendendo cerveja (alemã e brasileira), e salsichão com pão e mostarda
Data: quinta, 29 de maio
Horário: 18h30
Local: Pátio do Goethe-Zentrum Brasília
Sinopse: Rosalie é uma dona de casa alemã que vive no Arkansas, nos EUA, casada com um piloto e mãe de sete filhos. Ela falsifica cartões de crédito, cheques e assinaturas para poder dar conforto para a família. Quando não consegue mais usar o esquema, acaba se tornando hacker. Rosalie vai às compras é uma comédia inteligente e impagável sobre o consumismo da sociedade contemporânea.
Alemanha, 1989 – Direção: Percy Adlon – 94 min.
Alemanha, 1989 – Direção: Percy Adlon – 94 min.
Friday, May 23, 2008
H. Dobal. Um Homem Particular.
MATURAÇÃO DAS ROMÃS OU H. DOBAL REVISITADO
"Quatro vezes mudou a ´stação falsa
No falso ano, no imutável curso
Do tempo conseqüente;"
Fernando Pessoa
a cidade-projeto
com seus signos e siglas:
solidão geometricamente
estampada
na tarde de domingo de verão
de um temp(l)o
inconseqüente.
Marcos Freitas. In: A Vida Sente a Si Mesma, 2003.
"Foi só isto, cara. E talvez tudo seja só
isto: um brilho rápido e depois de novo o
silêncio das águas paradas!"
H. Dobal. Um Homem Particular.
CHUVA
A chuva cata segredos
nas folhas vivas da tarde.
O leve passar do vento,
o lento passar do tempo
nas folhas vivas da tarde.
E a chuva a chuva,
as águas doces da chuva,
no lento apodrecer
das folhas mortas da tarde
vão despertando os segredos da vida.
CAMPO MAIOR
Ai campos do verde plano
todo alagado de carnaúbas.
Ai planos dos tabuleiros
tão transformados tão de repente
num vasto verde num plano
campo de flores e de babugem
Ai rios breves preparados
de noite e nuvem. Ai rios breves
amanhecidos na várzea longa,
cabeças d’água do Surbim
no chão parado dos animais,
no chão das vacas e das ovelhas.
Ai campos de criar. Fazendas
de minha avó onde outrora
havia banhos de leite. Ai lendas
tramadas pelo inverno. Ai latifúndios.
Sobre H. Dobal:
http://www.portalodia.com/jornal/pages/pdf_23-05-2008_5_20080522213759.pdf
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/piaui/hdobal.html
"Quatro vezes mudou a ´stação falsa
No falso ano, no imutável curso
Do tempo conseqüente;"
Fernando Pessoa
a cidade-projeto
com seus signos e siglas:
solidão geometricamente
estampada
na tarde de domingo de verão
de um temp(l)o
inconseqüente.
Marcos Freitas. In: A Vida Sente a Si Mesma, 2003.
"Foi só isto, cara. E talvez tudo seja só
isto: um brilho rápido e depois de novo o
silêncio das águas paradas!"
H. Dobal. Um Homem Particular.
CHUVA
A chuva cata segredos
nas folhas vivas da tarde.
O leve passar do vento,
o lento passar do tempo
nas folhas vivas da tarde.
E a chuva a chuva,
as águas doces da chuva,
no lento apodrecer
das folhas mortas da tarde
vão despertando os segredos da vida.
CAMPO MAIOR
Ai campos do verde plano
todo alagado de carnaúbas.
Ai planos dos tabuleiros
tão transformados tão de repente
num vasto verde num plano
campo de flores e de babugem
Ai rios breves preparados
de noite e nuvem. Ai rios breves
amanhecidos na várzea longa,
cabeças d’água do Surbim
no chão parado dos animais,
no chão das vacas e das ovelhas.
Ai campos de criar. Fazendas
de minha avó onde outrora
havia banhos de leite. Ai lendas
tramadas pelo inverno. Ai latifúndios.
Sobre H. Dobal:
http://www.portalodia.com/jornal/pages/pdf_23-05-2008_5_20080522213759.pdf
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/piaui/hdobal.html
Wednesday, May 21, 2008
O FINAL DO JUÍZO
As legiões estão dispostas em retângulos com mil e trezentas almas de comprimento por novecentas de largura. E o produto de um mil e trezentos por novecentos é o número de almas de cada retângulo; e cada retângulo não tem mais que um mil e trezentas vezes novecentas almas. E se chamam quadrilaterus animae, esses retângulos. E são mais de noventa mil retângulos, perfazendo os quase cento e sete milhares de milhões de almas que passaram pela Terra. Não é inferior a noventa mil o número de retângulos; e não é superior a cento e sete milhões de milhares o número de almas. Igual é o número de anjos da guarda, cada um deles sustentando-se no ar sobre cada uma das almas.
A não ser por umas nódoas que algumas têm a mais, outras a menos, são as almas todas muito semelhantes, não havendo como distingui-las por sexo, idade com que teriam deixado o mundo, época ou local de sua vida mundana. Tampouco faz sentido tentar precisar o tempo em que se encontram ali, por situarmo-nos depois do fim dos tempos. Uma infinidade de querubins toca cítaras, harpas e outros instrumentos aparentados com as liras, enquanto as almas esperam, impassíveis. A escala pentatônica em que tocam, decorrente da evidente proibição do trítono (ou diabolus in musica), resulta em frases melódicas intermináveis, desprovidas de tensão e, conseqüentemente, sem qualquer necessidade de resolução.
Um arcanjo, saído de trás de uma nuvem em forma de cogumelo, enxota os querubins com gestos das mãos, bradando “xô, xô”, com um timbre parecido com o rufar de um tarol. À revoada de querubins, segue-se a entrada de uma quantidade inumerável de serafins que, portando trombetas de bronze, perfilam-se em dois grupos, um em cada lado de uma nuvem do tipo nimbo-cúmulo. As trombetas bramem e a nuvem se descortina, lançando um facho incandescente que inunda os mais de noventa mil retângulos d’almas. Assim que os olhos das almas vão se acostumando à luz ofuscante, começam elas a perceber que a fonte luminosa é um olho castanho, dentro de um triângulo eqüilátero. Algumas almas entram em pânico e começam a cochichar entre si: “é Ele, é Ele”. Então, uma voz retumba dentro da nuvem e faz com que tudo se cale e estremeça.
----- “Sim, sou Ele, oh, vós que cochichais!”, diz Ele. E arremata: “Não vos esqueçais de jamais chamardes Meu nome em vão!”
Então, uma pomba branca, trazendo um galho de oliveira no bico, pousa no vértice superior do triângulo, e arrulha duas vezes. E são duas, nem mais nem menos que duas, as vezes que a pomba arrulha. Algumas almas cochicham: “a pomba-gira, a pomba-gira!”. Pela expressão do Olho, umas almas concluem que Ele dá de ombros aos comentários. E Sua voz estrondeia novamente.
----- “Por terem sido desalmados, não estão aqui, nem em lugar nenhum, aqueles que negaram a Minha existência. Se eles não creram em Mim, também não creio neles, e pronto! Antes de iniciarmos o julgamento, informo àqueles que pensavam em ir para o Nirvana ou para o Valhala, que quebraram a cara! Eles que vão procurar o Nirvana ou o Valhala noutro lugar. E já! Mas, aos siques será dado um lugar onde poderão deixar os cabelos crescerem por toda a eternidade. Finalmente, reservo aos hindus bela pastagem, onde viverão e ruminarão como criaturas sagradas para sempre.”
----- “Devo aqui fazer uma autocrítica com relação ao decreto que pôs fim ao Limbo”, continuou. “Como não estou disposto a julgar trogloditas, índios velhos, animistas, recém-nascidos, xamanistas, hippies, pagãos antediluvianos e inocentes úteis, fica reestabelecido o Limbo, para onde devem voltar os que lá estavam.”
E continua Deus.
----- “Depois destes acertos inicias, serão julgados apenas os monoteístas. Advirto-vos de que serei particularmente rigoroso com os trocadilhistas, e implacável com os humoristas.”
----- “E quanto a nós?”, lamentam-se os anjos da guarda que perderam as almas que estavam sob suas custódias. “O que será de nós?”
----- “Depois daremos um jeito!”, troveja Ele.
De repente, um fedor sulfúreo invade a atmosfera, e surge, do nada, um burocrata com um crachá no qual está impresso o número novecentos e noventa e nove, acompanhado do diabo em pessoa. O diabo dá um tabefe na cabeça do burocrata e mostra a ele que seu crachá está de cabeça para baixo. O burocrata conserta rapidamente o crachá, deixando cair uns carimbos e um mata-borrão.
----- “Como tendes passado, oh, Déspota Onisciente?”, diz o diabo, tirando o chapéu tricorne com a mão direita e, com o antebraço esquerdo encostado na barriga, curvando-se em uma mesura exagerada.
----- “O que queres tu, criatura repugnante? Como ousas interferir no julgamento derradeiro?”, ribomba Ele.
----- “Vim apenas pelo que me pertence”, retruca o diabo. “Não houve isonomia e liberdade de competição. Foi uma concorrência desleal e nos foi exaustivo competir com Vossos caixeiros viajantes. Enquanto aos seres bajuladores que Vos cercam concedestes elegantes asas de alvas plumagens, dotadas da mais perfeita aerodinâmica, o que destinastes a mim e aos meus, oh, Tirano Onipotente? Nada mais que sombrias membranas iguais às dos pterossauros que afogastes no dilúvio e dos quirópteros, com as quais foi-nos forçoso adejar continuamente para que pudéssemos flutuar sobre os potenciais pecadores, enquanto seus anjinhos pairavam sobre eles sem o menor esforço.”
----- “Proíbo-te de Me acusares de Tirano. Dei-te toda a liberdade para que agisses como desejasses na captura das almas que mais te conviesses”, estrondeia Deus.
----- “Ah, essa é boa! Como podeis falar em livre concorrência, com esse Vosso transtorno obsessivo-compulsivo de serdes um voyeur onipresente? Fui espionado ininterruptamente do Gênese ao Apocalipse, Seu velho bisbilhoteiro”, diz o diabo.
----- “Alerto-te, pela última vez, que não Me trates assim. Exijo tratamento respeitoso, elegante e diplomático”, grita o Altíssimo.
----- “Então, que assim seja, oh, Criador do Céu e da Terra. Indago-Vos, Senhor, por que razão colocastes as almas em retângulos, se não há mais gravidade? Por que não amontoá-las em um hexaedro com, no máximo, umas cinco mil almas de aresta, e, destarte, economizardes espaço?”
----- “Sei lá! Criei a música, mas foste tu, com o propósito de torná-la complicada, que inventaste a matemática. Se o problema é este, que seja feita a tua vontade e se faça o cubus animae, oh, espírito do mal”, trona Deus, enquanto as almas, cada qual com seu anjo da guarda, formam um cubo de quatro mil, setecentas e vinte e oito almas de aresta. E são exatamente quatro mil, setecentas e vinte e oito almas que formam a altura, a largura e o comprimento do cubo. E o número de almas é exatamente igual a quatro mil, setecentos e vinte e oito elevado ao cubo. E vê Deus que o cubo é bom, e o abençoa, pois ele é perfeito e contém todas as almas que estão para serem julgadas.
----- “Comecemos então o julgamento”, esbraveja Deus. “Certamente não te oporás, oh, Príncipe das Trevas, se aos zoroastristas, embora monoteístas, for destinado o tempo que quiserem para adorarem o fogo nos quintos dos teus infernos. No que diz respeito aos muçulmanos, estes disporão de espaçosas mesquitas para ficarem eternamente aboiando e adorando caligrafia. Aos judeus darei a Terra Prometida, e aos cristãos, a Minha agradável companhia, que tal?”
----- “Data venia(*), oh, Jeová”, argumenta o diabo. “Dentre os cristãos, há os que protestaram contra o impedimento da usura e do mercantilismo e se opuseram ao Vaticano, aos quais deveríeis, por princípio de tratamento isonômico, destinar tratamento similar ao que reservastes aos judeus. Quanto aos demais cristãos, tanto ortodoxos quanto católicos romanos, não podereis contradizer a sina que impusestes aos politeístas, uma vez que o panteão de santos e a enorme quantidade de templos a eles erguidos pelos católicos romanos e ortodoxos os qualifica como semi-deuses aos quais esses fiéis dedicam verdadeira adoração. Sede coerente, oh, Pai de Todos.”
----- “Não Me cobres coerência! Não me venhas com tuas artimanhas! Incoerente és tu!”, vocifera o Criador de Todas as Coisas.
----- “Incoerência é acusardes-me de incoerente e, ao mesmo tempo, proibirdes-me de cobrar-Vos coerência.”
----- “Não Me cobres coerência, já disse!”
----- “Que seja! Além do mais, já no princípio dos tempos havia Gabriel Vos aconselhado que contivésseis Vossa ira e colocásseis Vossos desafetos no Purgatório. Vossa maior incoerência é terdes condenado tantas e tantas almas ao fogo eterno... ouvi, oh, Javé, fogo ETERNO, dissestes... o que as torna impossibilitadas de serem novamente julgadas, mesmo no dia do Juízo Final, que hoje se nos apresenta”, completa o diabo.
Subitamente, o Olho dá três piscadelas e olha para cima. Do topo do triângulo, escorre um líquido cremoso de coloração cinzenta com manchas esbranquiçadas. A seguir, o Espírito Santo bate as asas e alça vôo.
----- “Quá! O que esperáveis?”, exclama, cofiando a barbicha, o diabo. “As duas acepções da escatologia são a mesma coisa!”. Dito isso, escafede-se junto com o burocrata, arrastando atrás de si a maioria das almas, deixando o Olho piscando nervosamente, e as almas restantes, os anjos da guarda, os serafins, os arcanjos, os querubins e demais criaturas celestiais atônitos, imersos em um baita cheiro de peido.
(*) Como sempre se suspeitou, o diabo, o advogado do diabo e os demais advogados são todos a mesma pessoa.
***
Marambaia toca no Clube no Choro
Após os shows em Paris e Barcelona, grupo é recebido no Prata da CasaMais maduro e experiente após a temporada de shows realizada com sucesso em Paris e Barcelona em março/abril, e já com dois CDs na bagagem, o Marambaia volta à cena brasiliense subindo ao palco do Clube do Choro, neste sábado, 24/5, em mais uma sessão do projeto Prata da Casa.
E bota prata da casa nisso! Com apenas sete anos de estrada, o grupo agora leva em sua trajetória o título de único representante brasileiro no Festival do Choro de Paris de 2008. Lá, “com impecável atuação, foi chamado ao palco para repetidos bis pelo público que lotou a Casa do Brasil”, segundo reportou o correspondente do Correio Braziliense.
Ainda em Paris, o som de personalidade acentuadamente brasiliense do quinteto foi aplaudido pela platéia da casa tradicional de jazz Swan Bar, assim como pelo público do Espaço Aconchego – movimento cultural brasileiro que circula pelos bares e restaurantes da cidade, promovendo a MPB.
Já em Barcelona, o Marambaia fez shows na casa Harlen Jazz e foi convidado a ministrar a Oficina de Choro e Música Brasileira no Teatro do Centro Cívico. O líder do grupo, Marcelo Lima, conta que o encontro terminou com uma confraternização de catalãos e brasileiros, numa grande roda de choro e samba.
Na França e na Espanha, o repertório apresentado foi o que público irá ouvir no show deste sábado. O grupo mescla diversos clássicos da música brasileira com as canções do CD Marambaia (2005), de autoria de Marcelo Lima e do violonista Marcus Moraes. O talento do quinteto e a qualidade profissional desse primeiro CD tiveram boa repercussão até mesmo fora de Brasília. E o Marambaia acabou ganhando crítica elogiosa em Goiânia, no jornal O Popular e em Fortaleza, no Diário do Nordeste.
No ano passado, o quinteto lançou outro CD, resultado de um projeto idealizado e produzido por Marcelo Lima, que propiciou a estréia do percussionista e ex-marambaia George Lacerda como cantor. “Ser acompanhado pelo Marambaia, que tem um trabalho instrumental de muito bom-gosto foi maravilhoso”, registrou George no CD, gravado inteiramente com composições de músicos de Brasília.
Com todo esse reconhecimento e essa significativa caminhada profissional em tão curto tempo de estrada, o público deve apostar no show de retorno à casa do choro brasiliense pelos “filhos pródigos” Marcelo Lima (violão e bandolim), Marcus Moraes (violão), Alexandre Macarrão (baixo), Rafael dos Santos (bateria) e Léo Barbosa (percussão).
Marambaia no Clube do Choro - Sábado, 24/5, às 21h, no Prata da Casa. Contatos: marambaias@terra.com.br; Marcelo Lima: (61) 8417.6557. Leia mais, veja fotos da temporada européia e ouça o som do quinteto em www.myspace.com/marambaias.
Tuesday, May 20, 2008
1º PRÊMIO TALENTO LITERÁRIO/POESIA EM SUPERDOTAÇÃO

1º PRÊMIO TALENTO LITERÁRIO/POESIA EM SUPERDOTAÇÃO
ALUNOS DA EDUCAÇÃO BÁSICA
atendidos pelos Núcleos de Atividades de Altas Habilidades (NAAH/S) e outras necessidades especiais
ALUNOS DO ENSINO REGULAR
identificados pelo potencial de talento para a poesia
Período de realização:18 de abril a 13 de junho de 2008
Local de inscrição: NAAH/S Estadual
INFORMAÇÕES
www.bienaldepoesia.unb.br
www.bipbrasilianews.wordpress.com
premiotalentoliterario@gmail.com
http://www.bienaldepoesia.unb.br/premio_regulamento.pdf
Thursday, May 15, 2008
Quinta Cultural do T-Bone
A programação cultural desta quinta-feira(15) no Açougue T-Bone terá o encontro do forró pernambucano com a literatura gaúcha. O Forrozeiro Paulo Matricó fará show com músicas de seus setes CD´s, como Da cor do chão, Um diamante e voz da terra, e representando a Associação Gaúcha de Escritores, Donaldo Schüler, que estará em Brasília exclusivamente para o evento.Música Regional Popular Brasileira é assim que PAULO MATRICÓ auto denomina seu trabalho, uma mistura de ritmos puramente nordestinos. Criado no meio de repentistas, cantadores e forrozeiros, Paulo Matricó traz a semente de artistas tipicamente nordestinos e naturalmente fortes. No show cantará musicas de seus 7 CD´s, como Da cor do chão, Um diamante e voz da terra.
Bate-papo literário:
Donaldo Schüler – Nasceu em 1932, em Videira-SC. É bacharel em Letras pela UFRGS, onde hoje é docente titular, é doutor em Letras e pós-Doutorado na USP. É ensaísta, tradutor, ficcionista e poeta. A Associação Paulista de Críticos Literários (APCA), escolheu Finnegans Wake como a melhor tradução de 2003. A Câmara Brasileira do Livro concedeu-lhe o Prêmio Jabuti 2004 pela tradução de Finnegans Wake. Recebeu o Prêmio Açorianos de Literatura na categoria de tradução (2004) e na categoria de literatura infanto-juvenil (2005).
Entre os ensaios publicados, Aspectos estruturais na Ilíada, A dramaticidade na poesia de Drummond, A poesia modernista no Rio Grande do Sul, Eros:dialética e retórica, Heráclito e seu (dis)curso e Origens do discurso democrático. Em ficção publicou A mulher afortunada, O tatu, Chimarrita, Refabular Esopo e Império Caboclo.Em poesia, é autor de Martim Fera e A essência da mulher. Além de Finnegans Wake, de James Joyce; traduziu Antígona, de Sófocles; Édipo em Colono, de Sófocles e Sete contra Tebas, de Ésquilo.
Lançamentos literários:
ANIMAIS QUE PLANTAM GENTE
Autora: Sandra Fayad - brasileira de nascimento, sírio-libanesa por orgulho, goiana de berço, candanga de coração, economista por formação acadêmica, poetisa e cronista por vocação. Suas produções literárias são publicadas em vários Sites, Portais, Antologias, Jornais e Revistas virtuais e impressos, onde é colunista convidada desde 2005, tendo sido premiada e homenageada em diversas ocasiões. Participou de três Coletâneas nacionais e internacionais. Em sua coluna semanal do Diário de Catalão publicou durante dois anos textos resultantes de pesquisas e observações do que se passa na natureza. É desse trabalho que surgiu a idéia do livro Animais Que Plantam Gente.
SABER MEXER E CREDITAR EM GENTE. UM DIRETOR DE ESCOLA PÚBLICA DO BRASIL NO SÉCULO XXI
Autor: Everardo de A. Lopes - educador social, formado pela Universidade Holísta Internacional, FHB - UNIPAZ, coordenador do Movimento Amigos da Paz e autor dos
Livros; Paz, Uma Viagem a Ser Realizada e Saber Mexer e Creditar em Gente. Um diretor de escola pública do Brasil no século XXI, pela Ed. Estações.
Homenagem:
Deputado Federal Augusto Carvalho – Autor da lei que inclui a Noite Cultural T-Bone no calendário oficial do DF.
Apresentação: Mímico Miquéias Paz
Informações:
Francisca Azevedo comunicacao@t-bone.com.br
Classificação: Livre
Horário e data: 20 horas do dia 15 de maio
Local:Açougue Cultural T-Bone: SCLN 312 Bl B Lj 27 Brasília-DF 3963-2069
ENTRADA FRANCA
www.t-bone.org.br
Marcelo Zamith no Clube do Choro de Brasília
Wednesday, May 14, 2008
Barca Brasília Poética
A BARCA POÉTICA VAI PARTIR E VOCÊ NÃO PODE PERDER ESSA VIAGEM
O grupo poético OI POEMA, de Brasília – Cristiane Sobral, Luis Turiba, Amneres, Nicolas Behr e Bic Prado com a participação especial do cantor e violonista Paulo Djorge – vai inaugurar a BARCA BRASÍLIA POÉTICA, com um recital-happening em pleno Lago Paranoá.
O espetáculo inédito será nos próximos dias 17 e 18 de Maio (sábado e domingo), com saída às 17 horas, e a navegação terá a duração média de três horas pelas águas do Paranoá. O "OI POEMA" é um encontro de poetas brasilienses. Ele existe há cinco anos, já fez várias intervenções na cidade e também no festival de Poesia no Circo Voador, Rio de Janeiro. O "OI POEMA" será uma das atrações da I Bienal Internacional de Poesia de Brasília, que acontecerá no segundo semestre.
O espetáculo "A Barca Poética" tem uma hora e meia de duração e os poetas recitarão e cantarão textos e músicas de suas autorias sobre temas comuns e extraordinários, como lendas de Brasília, natureza, samba, negritude, linguagem poética, etc. Ao longo do passeio, inúmeras surpresas animarão o happening que começará durante o pôr-do-sol – lindo e maravilhoso nesta época do ano. Mas atenção: se você não sabe nadar, traga um poema salva-vidas!
Os passageiros da Barca Brasília podem usufruir, além de ótimos poemas, do excepcional cardápio com vinhos, drinks e petiscos variados. Durante o passeio, na Rota do Charme do Lago Paranoá, a Barca passa por vários monumentos de Brasília e garante, através de sua equipe, um atendimento diferenciado.
Foto: divulgação
Serviço:
A Barca Poética no Happy Hour flutuante da Barca Brasília
Dias: 17 e 18 de maio (sábado e domingo).
Saída da Barca: 17h00 com retorno às 20h30.
Cais do Bay Park Hotel: SHTN Trecho 02 Lote 05.
Valor do passeio: R$ 40,00 por pessoa.
Couvert artístico: R$ 10,00. Comidas e bebidas à parte.
Evento não indicado para menores de 16 anos.
Obs: recomenda-se ter à mão um agasalho.
Reservas e mais informações:
8419-7192 Edmilson Figueiredo
8432-6234 Amon Trajano
passeio@barcabrasilia.com.br
www.barcabrasilia.com.br
O grupo poético OI POEMA, de Brasília – Cristiane Sobral, Luis Turiba, Amneres, Nicolas Behr e Bic Prado com a participação especial do cantor e violonista Paulo Djorge – vai inaugurar a BARCA BRASÍLIA POÉTICA, com um recital-happening em pleno Lago Paranoá.
O espetáculo inédito será nos próximos dias 17 e 18 de Maio (sábado e domingo), com saída às 17 horas, e a navegação terá a duração média de três horas pelas águas do Paranoá. O "OI POEMA" é um encontro de poetas brasilienses. Ele existe há cinco anos, já fez várias intervenções na cidade e também no festival de Poesia no Circo Voador, Rio de Janeiro. O "OI POEMA" será uma das atrações da I Bienal Internacional de Poesia de Brasília, que acontecerá no segundo semestre.
O espetáculo "A Barca Poética" tem uma hora e meia de duração e os poetas recitarão e cantarão textos e músicas de suas autorias sobre temas comuns e extraordinários, como lendas de Brasília, natureza, samba, negritude, linguagem poética, etc. Ao longo do passeio, inúmeras surpresas animarão o happening que começará durante o pôr-do-sol – lindo e maravilhoso nesta época do ano. Mas atenção: se você não sabe nadar, traga um poema salva-vidas!
Os passageiros da Barca Brasília podem usufruir, além de ótimos poemas, do excepcional cardápio com vinhos, drinks e petiscos variados. Durante o passeio, na Rota do Charme do Lago Paranoá, a Barca passa por vários monumentos de Brasília e garante, através de sua equipe, um atendimento diferenciado.
Foto: divulgação
Serviço:
A Barca Poética no Happy Hour flutuante da Barca Brasília
Dias: 17 e 18 de maio (sábado e domingo).
Saída da Barca: 17h00 com retorno às 20h30.
Cais do Bay Park Hotel: SHTN Trecho 02 Lote 05.
Valor do passeio: R$ 40,00 por pessoa.
Couvert artístico: R$ 10,00. Comidas e bebidas à parte.
Evento não indicado para menores de 16 anos.
Obs: recomenda-se ter à mão um agasalho.
Reservas e mais informações:
8419-7192 Edmilson Figueiredo
8432-6234 Amon Trajano
passeio@barcabrasilia.com.br
www.barcabrasilia.com.br
Super Festa da Vivendo

No próximo sábado, dia 17/05, vai rolar a “Super Festa da Vivendo”!
Para quem não conhece, essa é uma das festas mais legais de Brasília. Ela acontece duas vezes por ano (uma em cada semestre) no espaço da Associação Pró-Educação Vivendo e Aprendendo
O ambiente é ótimo, a música super-dançante (duas pistas com sons diferentes). Incluídas no ingresso: frutas, pães e pastas.
A Vivendo fica na L3 Norte, Quadra 604 (atrás do Clube de Vizinhança) e a festança começa às 22h.
Lançamento do CD "O mundo era o céu" de Cacá Pereira

Show-celebração dos resultados após o lançamento do CD "O mundo era o céu". 1.650 cópias vendidas. Músicas executadas em quase 40 rádios pelo país. Shows importantes, como o CCBB e o 1º de maio, Dia do Trabalhador, na Esplanada, para quase 15 mil pessoas. Em dezembro de 2007, vencedor do 1º FESTCUT. Interpretação do CD e apresentação de algumas novas músicas que estarão no 2º disco - a caminho. Dia 16 de maio. Cacá Pereira, Leo Benon, Diretor Musical (cavaquinho e violão tenor), Dudu 7 Cordas, Bruno Patrício (sax), Augustinho (pandeiro e zabumba), Marcelo Bicudo (percussão geral) e Carlinhos Barbosa (acordeon).
Thursday, May 08, 2008
LXVIII Sarau Tribo das artes
dia 13 de maio de 2008, no Butiquim Blues, Praça do DI, em Taguatinga - DF.
“Sal e Sonho”
Vinheta de abertura
Recital Poético – Notícia da morte de Alberto da Silva, de Ferreira Gullar
Com participação de Daniel Pedro, Miriam, Jorge Augusto, Deliane Leite, Máximo Mansur
Vídeo
“Frei Tito” - 1984, Direção e Roteiro de Marlene França
Poeta convidado
Pedro Morandim – Poeta e Ator
Música
Carol Voigt – MPB, Compositora e intérprete
Daniel Fernandes – Lançando o CD Visão Noturna
Espaço livre
Sem microfone e palco
Momento do Troca
Conversa e vendas entre artistas e público (Recomendando que levem Beijos/ CDs/ DVDs/ Vinil/ livros/ artesanato/ outros)
Lançamento de livro
"Raia-me fundo o sonho tua fala" de Marcos Freitas
Artes plásticas
Rosa Marta com criações próprias (Óleo sobre tela e no estilo Expressionismo Geométrico)
Artesanato
Bijouterias com material reciclado – Fátima Melo
Canção do Sal
Milton Nascimento
Trabalhando o sal
É amor, o suor que me sai
Vou viver cantando
O dia tão quente que faz
Homem ver criança
Buscando conchinhas no mar
Trabalho o dia intei...ro
Pra vida de gente levar
Água vira sal lá na sali...na
Quem diminuiu água do mar
Água enfrenta o sol lá na sali...na
Sol que vai queimando até queimar
Trabalhando o sal
Pra ver a mulher se vestir
E ao chegar em casa
Encontrar a família a sorrir
Filho vir da escola
Problema maior, estudar
Que é pra não ter meu trabalho
http://www.tribodasartes.org.br/
“Sal e Sonho”
Vinheta de abertura
Recital Poético – Notícia da morte de Alberto da Silva, de Ferreira Gullar
Com participação de Daniel Pedro, Miriam, Jorge Augusto, Deliane Leite, Máximo Mansur
Vídeo
“Frei Tito” - 1984, Direção e Roteiro de Marlene França
Poeta convidado
Pedro Morandim – Poeta e Ator
Música
Carol Voigt – MPB, Compositora e intérprete
Daniel Fernandes – Lançando o CD Visão Noturna
Espaço livre
Sem microfone e palco
Momento do Troca
Conversa e vendas entre artistas e público (Recomendando que levem Beijos/ CDs/ DVDs/ Vinil/ livros/ artesanato/ outros)
Lançamento de livro
"Raia-me fundo o sonho tua fala" de Marcos Freitas
Artes plásticas
Rosa Marta com criações próprias (Óleo sobre tela e no estilo Expressionismo Geométrico)
Artesanato
Bijouterias com material reciclado – Fátima Melo
Canção do Sal
Milton Nascimento
Trabalhando o sal
É amor, o suor que me sai
Vou viver cantando
O dia tão quente que faz
Homem ver criança
Buscando conchinhas no mar
Trabalho o dia intei...ro
Pra vida de gente levar
Água vira sal lá na sali...na
Quem diminuiu água do mar
Água enfrenta o sol lá na sali...na
Sol que vai queimando até queimar
Trabalhando o sal
Pra ver a mulher se vestir
E ao chegar em casa
Encontrar a família a sorrir
Filho vir da escola
Problema maior, estudar
Que é pra não ter meu trabalho
http://www.tribodasartes.org.br/
Tuesday, May 06, 2008
Dois Contos...

KARLUV MOST
Percorria aquela rua escura e estreita em meio ao nevoeiro. A noite já ia alta. O burburinho dos últimos bares e tavernas ainda se ouvia ao longe. De súbito, aquela figura de mulher, ainda adolescente, aproximou-me daquele praça, da Catedral de Tyn, circundou a Prefeitura, prédio imponente com seu histórico relógio astronômico. Não sei se o último metrô ainda havia. A estação Staromestská certamente estaria fechada. O caminho a ser seguido então passava pela Ponte Carlos, rio Vltava. O seu rosto alvo e o verde de seus olhos resplandeciam na atmosfera fria. Encostado à mureta, vi-a atirando-se dali, rodopiando no ar feito folha seca no outono e por fim pousando junto aos outros pombos, lá embaixo, próximo aos faróis que iluminam a ponte, ao lado da velha eclusa.
Marcos Freitas. Do livro “na curva de um rio, mungubas”, Ed. CBJE, Rio de Janeiro, 2006.
STULTIFERA NAVIS
“só usa a razão quem nela incorpora suas paixões”. Raduan Nassar. Um Copo de Cólera.
Ela desceu de sua nave reluzente no Pouso Alto, paralelo 14, Chapada dos Veadeiros. Seus lábios descreviam sua fúria interior. Seus pensamentos espiralados removiam do ar a força de destruição avassaladora. O vácuo da incompreensão era o olho do furacão.
Em mil pedaços, quase reduzidos a pó.
Sua respiração desenfreada provocava estremecimentos. Seus dedos em riste, como a ditar ordens a milhões de soldados imagináveis de um batalhão invisível. Pobre general de exército algum.
Lá fora, pela janela, da pequena varanda, descortinava-se um céu cinzento. A grama removida pelos tratores e máquinas trazia de volta o vermelho da terra do cerrado. Tortuosos caminhos. Tortuosas e retorcidas árvores de uma discutível nascente: olho d´água. Encharcadas terras. Saturadas de tudo.
Mudo, lastimei mais uma vez sua incompreensão. Não compreenderia jamais meus sentimentos tão puros. Nunca mais presente algum. Versos, então, nunca mais. Ecos de perplexidades evadiam em todas as direções, enquanto o cheiro de incenso enchia todo o ar do quarto. Cinzas enterradas em pedra furada.
Marcos Freitas. Da Antologia de Contos Fantásticos, Edição Especial - Volume 9, Ed. CBJE, Rio de Janeiro, 2007.
Para adquirir o livro "na curva de um rio, mungubas":
http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=9041236&sid=97511819711128520958824711&k5=33C21440&uid=
Friday, April 25, 2008
AS CIGARRAS E AS FORMIGAS
Antônio Cardoso Neto
Eis que ao lado de um extenso e agitado formigueiro, erguia-se frondoso jacarandá, cuja basta copa sustentava um galho que servia de palco a uma estridente cigarra. Deu-se que num determinado momento, enquanto o desentoado inseto cantava sua estrepitosa melodia, o chão sob a árvore cedeu e o vicejante jacarandá veio abaixo, com tremendo estardalhaço, arrastando consigo a ruidosa cigarra. Bastou-lhe ter recobrado os sentidos, para que o indignado inseto esbravejasse:
--- É nisso que dá confiar na firmeza do solo, com essa quantidade de formigas que assolam o país!
E completou:
--- Ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil!
Por estar vedado o uso de notas de rodapé, o autor se vê compelido a interromper a narrativa para informar que, a partir deste ponto, compromete-se a pôr fim a essa mania, que sói ocorrer nas fábulas, de colocar os adjetivos sempre antepostos aos substantivos. Dito isso, voltemos à narração.
A partir de então, a cigarra passou a alardear pelos dezenove ventos (a aritmética das cigarras é deplorável) a necessidade premente de acabar com as saúvas. Péssimo menestrel, porém arauto competente, o cicadídeo acabou por convencer todas as outras cigarras a levarem a cabo a gigantesca e nobre tarefa.
Sabendo que as formigas, assim como os pobres, adoram açúcar, as cigarras passaram a exterminá-las por meio do envenenamento sistemático de colônias inteiras. E tanto se empenharam em tal faina, que acabaram promovendo um formicídio colossal, após o qual, quase já não se viam mais saúvas em lugar algum.
Ocorre, porém, que, além de péssimas instrumentistas, as cigarras também são muito ignorantes em assuntos correlatos à entomologia. E tanto é assim, que o formigueiro a que a cigarra indignada se referia não era de saúvas, mas sim de formigas lava-pés (por que o plural de lava-pé não é lavam-pés?), as quais, talvez por ausência de solidariedade entre si ou por algum atraso tecnológico, nem haviam tomado conhecimento do extermínio de suas primas saúvas. A bem da verdade, algumas delas até que tinham alguma noção da história do extermínio, mas sabiam que esse negócio de serem primas das saúvas é invenção de biólogos e outros naturalistas, cujas opiniões, as formigas, ao menos as lava-pés, não costumam levar muito em consideração.
Pois bem. Estava o fórmico-proletariado agregando o valor de sua força produtiva às folhas, aos bolores e aos fungos por meio dos quais a formiga-rainha, detentora dos meios de produção, extraía mais-valia e explorava o diminuto povo lava-pé, quando uma operária começou a vociferar impropérios (é possível vociferar coisas que não sejam impropérios?) contra o modo de produção das formigas e a lançar imprecações e insultos contra a tirania da monarquia absolutista.
Em meio à correição, a formiga panfletária aproveitou para convocar as outras camaradas para uma assembléia deliberativa da mais alta importância no topo de um dos galhos secos do outrora frondoso jacarandá que caíra sobre o formigueiro. A multidão de obreiras espalhou-se pelas redondezas do vasto mirmecódomo descrito no primeiro parágrafo, e pôs-se a ouvir a eloqüência da formiga revolucionária.
--- Boa tarde a todos e a todas (puro vício, pois todos sabem que não há machos no formigueiro). A classe operária talvez não tenha notado que não se vêem mais saúvas neste país. Pois saibam que elas foram exterminadas pelas cigarras, aquelas lumpenproletárias que não fazem nada na vida além de encher o saco de quem quer trabalhar neste país. Temos de tomar alguma providência neste país, antes que aconteça o mesmo com a gente (na verdade, ela disse “a formiga”, mas devemos interpretar como “a gente”, por uma questão de registro coloquial).
Uma lava-pé dedo-duro, fura-greve e puxa-saco (é bem conhecido pelos filólogos e tradutores o fato de o dialeto lava-pé fazer uso excessivo de hífens) saiu dali sorrateiramente, e, poucos minutos depois, os galhos do jequitibá (era jacarandá, mas, de agora em diante, passa a ser jequitibá, o que, na opinião do autor, não deverá alterar em absolutamente nada o desenrolar da trama) já estavam tomados por milhares de formigas-soldado. A operária aquela (o autor se julga com amplo direito de, subitamente, começar a narrar como se fosse gaúcho, e abancar a falar desta maneira peculiar) agitou as patas e gritou:
--- Sempre tem de ter um filho-da-puta dum traidor na História deste país.
Ah, pra quê? Por pior que possa ser a traição de uma formiga puxa-saco, nunca se deve chamá-la de filha-da-puta, pois, como se sabe, todas as formigas são filhas da rainha, e isso equivale a ofender seriamente a honra da nobre monarca. E foi assim que teve início um enorme tumulto entre as formigas, uma se atracando à outra, indistintamente de serem soldados ou operárias. Quem já teve a infeliz oportunidade de presenciar uma guerra civil sabe que o canibalismo é inevitável, e que o decoro e os bons costumes dissipam-se rapidamente; sobretudo quando se trata de guerra entre formigas, na qual a bagunça acaba por tomar as proporções de um gigantesco e confuso bacanal, que os entomologistas costumam chamar de suruba mirmecológica, obviamente uma orgia lesbiana e, de certa forma, clandestina, pois não é segredo que entre as formigas, abelhas e cupins, somente à cúpula é permitido copular, como se diz por aí.
De repente, eis que surgiu a formiga-rainha, fazendo com que aquela formicação (juro que não será mais cometido nenhum trocadilho até o final da história) cessasse instantaneamente. Estabeleceu-se então grande excitação entre as operárias, que exclamavam extasiadas:
--- A formiga-patroa! A formiga-patroa! A formiga-patroa!
Enrolando uma folha de fícus no formato de um cone, e usando-a como megafone, uma formiga-milico anunciou:
--- Silêncio, plebe! A nossa graciosa rainha vai se dirigir a vocês!
Sua Majestade, com a circunstância que tais ocasiões exigem, demandou calma às súditas proletárias e ordem à soldadesca, declarando-se indignada com o infortúnio que se abatera sobre a antiga e quase extinta cultura e civilização saúvas. Depois de um discurso breve, porém bastante hifenizado, a soberana mostrou-se preocupada com o destino que as cigarras haviam imposto às saúvas, e informou que declarava guerra às cigarras e aos seus eventuais aliados.
Seguiu-se um longo conflito entre as duas espécies de insetos, ao término do qual centenas de milhares de cadáveres de cigarras jaziam sobre as relvas e os campos de todos os lugares. A vitória havia sido formigável (eu tinha prometido, mas não agüentei), e após a capitulação cicadídea e a assinatura do armistício, levas de cigarras migraram em direção ao centro do país, espalhando-se buliçosamente pelo cerrado. Passaram então a habitar a região do Planalto Central, onde, desprovidas da mais elementar noção de polifonia, harmonia e contraponto, cantam em um uníssono monotônico abominável, sem que isso cause qualquer espécie ou revolta entre os habitantes locais, acostumados que já estão ao assédio das duplas sertanejas que assolam o país. Estas sim, muito mais que as saúvas.
***
Programação do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ
28.4.2008
Série Música no Fórum homenageia Franz Peter Schubert
A Série Música no Fórum recebe a pianista Nadge Breide (foto) e o flautista Eduardo Monteiro em Tributo a Franz Peter Schubert, que completa 180 anos de morte. O evento faz parte do Projeto Tributo da série Música no Fórum, cujo objetivo é divulgar, nas homenagens de nascimento ou de morte, músicas de grandes compositores. No programa, o público poderá ouvir a Sonata Per Arpeggione para flauta e piano e as Variações sobre Trockne Blume. Segunda, 28 de abril, às 19 horas, no Salão Dourado do Fórum de Ciência e Cultura, Entrada franca.
29.4.2008
Livro “Espaço e Teatro” será lançado no Fórum
O Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ receberá a arquiteta e urbanista Evelyn Furquim (foto) para o lançamento do livro “Espaço e Teatro: do edifício teatral à cidade como palco”, ed.7Letras. A obra traz uma série de ensaios sobre o teatro e o diálogo com o espaço urbano na contemporaneidade. O evento reunirá, em mesa-redonda, teóricos do teatro, da cidade, da arquitetura e da dança, alguns deles também ensaístas da obra recém-lançada. Terça-feira, 29 de abril, às 19 horas, no Salão Dourado do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ.
30.4.2008
Duo Barrenechea toca obras do Prelúdio 21 no Fórum de Ciência e Cultura
O Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ recebe mais um concerto de música contemporânea, em comemoração aos dez anos do Prelúdio 21. O duo Sérgio e Lúcia Barrenechea, de flauta e piano, respectivamente, interpretará obras de compositores do grupo. A apresentação será na próxima quarta, dia 30, às 19 horas, no Salão Dourado do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ. A entrada é franca. Informações: www.duobarrenechea.mus.br.
01.5.2008
Fórum em Cena abre temporada, volta ao passado e prédio vira hospício
A temporada 2008 do projeto Fórum em Cena estréia na próxima quinta, dia 1º de maio, com a peça “Estação Terminal”, da Companhia Ensaio Aberto. O texto do espetáculo, a Companhia e o próprio prédio do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, onde acontecerá a apresentação, estão ligados de forma curiosa. O escritor Lima Barreto foi internado no Hospital Geral dos Alienados em 1919, local que hoje abriga o Palácio Universitário. As apresentações serão nos dias 1º, 2, 4, 5, 6 e 7 de maio, às 20h30, no Salão Dourado do Fórum de Ciência e Cultura.
Mais informacões, acesse o site: http://www.forum.ufrj.br
Série Música no Fórum homenageia Franz Peter Schubert
A Série Música no Fórum recebe a pianista Nadge Breide (foto) e o flautista Eduardo Monteiro em Tributo a Franz Peter Schubert, que completa 180 anos de morte. O evento faz parte do Projeto Tributo da série Música no Fórum, cujo objetivo é divulgar, nas homenagens de nascimento ou de morte, músicas de grandes compositores. No programa, o público poderá ouvir a Sonata Per Arpeggione para flauta e piano e as Variações sobre Trockne Blume. Segunda, 28 de abril, às 19 horas, no Salão Dourado do Fórum de Ciência e Cultura, Entrada franca.
29.4.2008
Livro “Espaço e Teatro” será lançado no Fórum
O Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ receberá a arquiteta e urbanista Evelyn Furquim (foto) para o lançamento do livro “Espaço e Teatro: do edifício teatral à cidade como palco”, ed.7Letras. A obra traz uma série de ensaios sobre o teatro e o diálogo com o espaço urbano na contemporaneidade. O evento reunirá, em mesa-redonda, teóricos do teatro, da cidade, da arquitetura e da dança, alguns deles também ensaístas da obra recém-lançada. Terça-feira, 29 de abril, às 19 horas, no Salão Dourado do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ.
30.4.2008
Duo Barrenechea toca obras do Prelúdio 21 no Fórum de Ciência e Cultura
O Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ recebe mais um concerto de música contemporânea, em comemoração aos dez anos do Prelúdio 21. O duo Sérgio e Lúcia Barrenechea, de flauta e piano, respectivamente, interpretará obras de compositores do grupo. A apresentação será na próxima quarta, dia 30, às 19 horas, no Salão Dourado do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ. A entrada é franca. Informações: www.duobarrenechea.mus.br.
01.5.2008
Fórum em Cena abre temporada, volta ao passado e prédio vira hospício
A temporada 2008 do projeto Fórum em Cena estréia na próxima quinta, dia 1º de maio, com a peça “Estação Terminal”, da Companhia Ensaio Aberto. O texto do espetáculo, a Companhia e o próprio prédio do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, onde acontecerá a apresentação, estão ligados de forma curiosa. O escritor Lima Barreto foi internado no Hospital Geral dos Alienados em 1919, local que hoje abriga o Palácio Universitário. As apresentações serão nos dias 1º, 2, 4, 5, 6 e 7 de maio, às 20h30, no Salão Dourado do Fórum de Ciência e Cultura.
Mais informacões, acesse o site: http://www.forum.ufrj.br
Wednesday, April 23, 2008
II Curto-Circuito da Palavra
No dia 23 de Abril três poetas, Cristiane Sobral, Luis Turiba e Antônio Miranda, com suas palavras cortantes, estarão falando seus poemas no II Curto-Circuito da Palavra. CRISTIANE SOBRAL
Nasceu no Rio de Janeiro, em 1974, e reside em Brasília desde 1990. Como escritora, possui poemas e contos publicada na Antologia Cadernos Negros, edições 23, 24, e 25. Graduada como atriz habilitada em Interpretação Teatral pela Universidade de Brasília, sendo a primeira negra a ganhar o título acadêmico. Fonte: http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/distrito_federal/cristiane_sobral.html
Página da autora: http://crisobral.sites.uol.com.br/
LUIS TURIBA
Poeta e Jornalista. Nasceu em Pernambuco, em 1950, e vive em Brasília desde 1979, tendo recebido o título de Cidadão Brasiliense pelos serviços prestados à cultura da cidade. Sua estréia na poesia se deu pela publicação do livreto Kiprokó em 1977. Recebeu o Prêmio Candango de Literatura do Governo do Distrito Federal, em 1998, pelo livro-CD Cadê. A obra Bala (Salvador: P555 Edições, 2005) reúne os textos mais recentes do poeta, da qual extraímos os seguintes poemas como mostra de uma obra sempre original, instigante, criativa.
Fonte: http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/distrito_federal/luis_turiba.html
ANTONIO MIRANDA
Antonio Lisboa Carvalho de Miranda é maranhense nascido em 5 de agosto de 1940. Membro da Academia de Letras do Distrito Federal, foi colaborador de revistas e suplementos literários como o Suplemento Dominical do Jornal do Brasil e também o La Nación (Buenos Aires, Argentina) e Imagen (Caracas, Venezuela). Professor e coordenador do Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação do Departamento de Ciência da Informação e Documentação da Universidade de Brasília, Brasil, ministra aulas e cursos por todo o Brasil e países ibero-americanos. Também é consultor em planejamento e arquitetura de Bibliotecas e Centros de Documentação. Doutor em Ciência da Comunicação (Universidade de São Paulo, 1987), fez mestrado em Biblioteconomia na Loughborough University of Technology, LUT, Inglaterra, 1975. Sua formação em Bibliotecologia é da Universidad Central de Venezuela, UCV, Venezuela, 1970. Diretor da Biblioteca Nacional de Brasília desde março de 2007.
Fonte: http://www.antoniomiranda.com.br/sobreoautor/sobre_autor_index.html
Wednesday, April 16, 2008
Monday, April 14, 2008
A Maior Medição de Vazão do Mundo (Foz do rio Amazonas)
"Passados quase dez meses, criei vergonha na cara e organizei os filminhos que fiz durante a medição da vazão na foz do rio Amazonas, que acabou sendo a maior já registrada com aparelho eletrônico. Editei o filme da maneira que acreditei ser a mais didática possível, e, para explicar a física envolvida na medição, fiz umas animações quadro a quadro, o que deu um trabalhão danado. Ficou muito amador, mas acho que dá para ter uma idéia de como é que acabamos medindo a vazão na foz do rio Amazonas.
Embora eu tenha participado da expedição em caráter institucional, o filme relata minha experiência pessoal. As opiniões dos tripulantes do barco foram feitas com o consentimento deles, e não retratam a opinião da instituição onde trabalho. Filmei com uma câmera pessoal e editei no meu computador de casa, após o horário do expediente, pois o filme não está dentro das normas de impessoalidade exigidas pelo serviço público.
Tive que dividir o filme em 5 partes para poder colocar no youtube, pois há limitação de tamanho. Ao todo, deu 37 minutos. Se você resolver ver os filmes, por favor, veja-os seqüencialmente, pois eles já não estão lá grande coisa, e se você vê-los numa seqüência aleatória, daí é que não vai dar para entender nada, mesmo. Quem tiver interesse, é só clicar nos links abaixo.
(ps) O filme é sonoro, e demora um pouquinho para carregar."
Aquele abraço,
Antonio Cardoso Neto.
1. http://www.youtube.com/watch?v=0jtovj7B688
2. http://www.youtube.com/watch?v=IfJypzOyMas
3. http://www.youtube.com/watch?v=FOYEiKjKoUE
4. http://www.youtube.com/watch?v=E13P-fM1ve0
5. http://www.youtube.com/watch?v=jPb9qxaOt_w
BANZEIROS
tuas formas esbravejam
em mim
milhões de turbilhões
de desejo
descolam meus pés do chão
desmancham meus redemoinhos
de sonhos
a canoa da vida estremece
afugentando tambaquis e matrinchãs
Marcos Freitas. Do livro: na curva de um rio, mungubas. Ed. CBJE, 2006.
Thursday, April 10, 2008
Festival VidéEau

Abertas as inscrições para concurso de vídeos sobre água
Jovens de 17 a 30 anos têm até 15 de junho para inscreverem vídeos no Festival VidéEau, organizado pelo Secretariado Internacional da Água (SIE) com o apoio institucional da Agência Nacional de Águas (ANA). Com o tema “A água, o ser humano e o desenvolvimento sustentável”, as peças devem ter, no máximo, 90 segundos e ser enviadas em MiniDV (NTSC) ou DVD (multizona).
Os três primeiros colocados receberão, respectivamente, US$ 2 mil; US$ 1,5 mil e US$ 1 mil. Os vencedores serão anunciados durante o Congresso Mundial dos Jovens, em Québec (Canadá), entre 10 e 21 de agosto deste ano. Além disso, eles estarão automaticamente pré-selecionados para a competição oficial dos Encontros Internacionais “Água e Cinema”, a ocorrerem durante o 5º. Fórum Mundial da Água, em Istambul (Turquia), em março de 2009.
Fonte e mais informações: http://www.ana.gov.br/SalaImprensa/FestivalVideEau/
The Festival VidéEau is an international competition for video clips organized by the International Secretariat for Water (ISW), in preparation for the International Water and Film Events Istanbul in 2009. It is also a part of the "Celebration of Lakes and Rivers" project, a process to raise awareness and involve young people in international citizenship and cooperation for water in Quebec and around the world. The 2008 edition invites young people aged from 17 to 30, to submit 90 second or shorter video clips on the theme "Water, People and Sustainable Development". The winners of the competition will be announced at a ceremony to be held during the World Youth Congress, taking place in Quebec, Canada, from 10 to 21 August 2008. They will also be automatically selected for the official competition of the IWFE.
Fonte: http://www.worldwatercouncil.org/index.php?id=342
Wednesday, April 09, 2008
A alocação de água como instrumento de gestão de recursos hídricos: experiências brasileiras
Alan Vaz Lopes & Marcos Airton de Sousa Freitas
RESUMO: Embora os mecanismos de alocação de água adotados historicamente no Brasil sejam caracterizados pela forte intervenção do poder público, as políticas estaduais e nacional de recursos hídricos têm possibilitado a implementação de modelos alternativos, de caráter participativo. Baseando-se em conceitos e classificações de estudos sobre alocação de recursos escassos, o artigo analisa diversas experiências brasileiras de aplicações de mecanismos de alocação de água e sistematiza os principais elementos conceituais e metodológicos que concorrem para o seu sucesso como instrumento ou como componente de outros instrumentos de gestão de recursos hídricos. Essa análise mostra a importância da adaptação dos mecanismos de alocação de água a cada realidade regional, nos seus aspectos conceituais e metodológicos e na definição de múltiplos objetivos estratégicos.
ABSTRACT: Although the water allocation mechanisms historically adopted in Brazil are characterized by the strong intervention of the public sector, the state and national water resources policies has made the implementation of alternative models with participative character possible. Based on concepts and classifications of scarce water allocation studies the article analyses several Brazilian experiences of water allocation mechanisms applications and systematizes the main conceptual and methodological elements which concur to its success as an instrument or a component of other water resources management instruments. This analysis shows the importance of the adaptation of water allocation mechanisms to each regional reality, in their conceptual and methodological aspects and in the definition of multiple strategic objectives.
PALAVRAS-CHAVE: Alocação de água, gerenciamento de recursos hídricos, instrumentos de gestão de recursos hídricos.
KEY-WORDS: Water allocation, water resources management, water resources management instruments.
Artigo completo: http://www.abrh.org.br/rega/REGA_v4_n1.pdf
Referência: Alan Vaz Lopes, A. V. & M. A. S. Freitas. A alocação de água como instrumento de gestão de recursos hídricos: experiências brasileiras. REGA – Vol. 4, no. 1, p. 5-28, jan./jun. 2007
RESUMO: Embora os mecanismos de alocação de água adotados historicamente no Brasil sejam caracterizados pela forte intervenção do poder público, as políticas estaduais e nacional de recursos hídricos têm possibilitado a implementação de modelos alternativos, de caráter participativo. Baseando-se em conceitos e classificações de estudos sobre alocação de recursos escassos, o artigo analisa diversas experiências brasileiras de aplicações de mecanismos de alocação de água e sistematiza os principais elementos conceituais e metodológicos que concorrem para o seu sucesso como instrumento ou como componente de outros instrumentos de gestão de recursos hídricos. Essa análise mostra a importância da adaptação dos mecanismos de alocação de água a cada realidade regional, nos seus aspectos conceituais e metodológicos e na definição de múltiplos objetivos estratégicos.
ABSTRACT: Although the water allocation mechanisms historically adopted in Brazil are characterized by the strong intervention of the public sector, the state and national water resources policies has made the implementation of alternative models with participative character possible. Based on concepts and classifications of scarce water allocation studies the article analyses several Brazilian experiences of water allocation mechanisms applications and systematizes the main conceptual and methodological elements which concur to its success as an instrument or a component of other water resources management instruments. This analysis shows the importance of the adaptation of water allocation mechanisms to each regional reality, in their conceptual and methodological aspects and in the definition of multiple strategic objectives.
PALAVRAS-CHAVE: Alocação de água, gerenciamento de recursos hídricos, instrumentos de gestão de recursos hídricos.
KEY-WORDS: Water allocation, water resources management, water resources management instruments.
Artigo completo: http://www.abrh.org.br/rega/REGA_v4_n1.pdf
Referência: Alan Vaz Lopes, A. V. & M. A. S. Freitas. A alocação de água como instrumento de gestão de recursos hídricos: experiências brasileiras. REGA – Vol. 4, no. 1, p. 5-28, jan./jun. 2007
Administração pública contemporânea
(*) Marcos Airton de S. Freitas
É inegável, conforme Bresser-Pereira, que, no Brasil, no plano político deu-se uma evolução do Estado oligárquico ao Estado democrático, mesmo que de elites. No plano administrativo, percebeu-se um avanço do Estado patrimonial em direção ao Estado gerencial. E no plano social, houve um movimento de uma sociedade senhorial para a sociedade pós-industrial. Essa transição, que na Europa durou algumas centenas de anos, no Brasil ocorreu muito rapidamente, de modo que esses três tipos de administração (patrimonialista, burocrática e gerencial) se articulam e sobrevivem, em maior ou menor escala, na Administração Pública contemporânea.
Do último baile da Ilha Fiscal, como bem nos reporta Raymundo Faoro até a década de 30, predominou no país um Estado patrimonialista. Somente com a criação do DASP (Departamento Administrativo do Serviço Público), em 1938, verificou-se um primeiro passo no sentido de se implantar um serviço público organizado, onde se previa a realização de concurso público e fixavam-se critérios para a aquisição de bens e serviços. Outros marcos foram: a promulgação do Decreto-lei 200, de 25 de fevereiro de 1967, que dispôs sobre a organização da Administração Federal; e a Constituição Federal, de 1988.
A reforma do aparelho do Estado, nomeada também de reforma administrativa ou reforma gerencial de 1995, no governo FHC, inseriu-se no bojo de um conjunto de propostas e medidas elaboradas, dentro de uma visão neoliberal, no sentido de atingir a modernização e a adaptação do Estado brasileiro às novas demandas do mercado e às crescentes relações entre os Estados. Essa reforma passou por alguns avanços e retrocessos, em funções de interesses diversos, indo desde a resistência à mudança, passando pelo corporativismo da máquina burocrática, pelos interesses políticos-eleitoreiros, até o interesse do grande capital em obter benefícios do Estado.
Dentro dessa lógica, o Estado burocrático-industrial e o Estado gerencial seriam estados de transição de uma política de elites para uma democracia moderna, isto é, em uma democracia na qual a sociedade civil e a opinião pública seriam cada vez mais importantes, e na qual a defesa dos direitos republicanos, ou seja, do direito que cada cidadão teria de que o patrimônio público seria usado de forma pública, seria cada vez mais possível e necessária. Mesmo com todos os esforços, atualmente, é fato, ainda coexistem esses três tipos de administração nas três esferas de poder (União, estados e municípios).
A idéia norteadora da reforma do aparelho do Estado relacionava-se com os conceitos de eficiência, flexibilização, controle finalístico, contrato de gestão, qualidade e cidadão-cliente. Como alcançar, porém, esses conceitos na prática? Quais seriam, portanto, as possibilidades e os limites dos controles baseados nos resultados (autonomia), tendo em vista os condicionamentos impostos pelo princípio da legalidade (burocracia)? Como evitar que o administrador num contexto de total submissão ao texto legal e à excessiva fixação de regras para o alcance do objetivo pretendido, acabasse por enfatizar os meios em detrimento de um resultado mais eficiente e rápido, tendo em vista o permanente controle, tanto interno, quanto externo?
É cediço a ênfase conferida à descentralização administrativa, a partir do Decreto-lei 200/67 e da Constituição Federal de 1988, no tocante às políticas sociais. Porém, o que se observou, na prática, foi uma submissão das entidades descentralizadas às normas aplicáveis à administração direta, acarretando clara perda de autonomia, aparente submissão dos aspectos técnico-científicos em função das exigências políticas, dificuldades das empresas estatais atuarem em condições isonômicas nas relações de mercado com as empresas privadas, face às rígidas normas de licitação e contratação de bens e serviços.
É fácil verificar, portanto, que a reforma administrativa brasileira foi elaborada com adoção parcial dos princípios da new public management, visando sobremaneira à melhoria da performance pública, a eliminação dos excessos de padronização e da lentidão dos meios. Daí o conceito de accountability – originário das organizações privadas -, interpretado como a obrigação de responder pelos resultados, no sentido do controle orçamentário e organizacional sobre os atos administrativos, do respeito pela legalidade dos procedimentos e da responsabilização pelas conseqüências da execução das políticas públicas.
Em vista desses desafios, deu-se a adjeção de novas formas institucionais de administração pública nos últimos tempos, a exemplo das parcerias público-privadas (PPPs), consórcios, organizações não-governamentais, agências reguladoras, governança em redes, dentre outras. Convém frisar, contudo, que os sistemas de subcontratação e de parcerias, tendência em aumento nesta fase do estado regulador e de esbatimento das fronteiras do setor público, podem acarretar nítida dispersão da autoridade e das entidades às quais é devido à prestação de contas dos resultados de gestão e de utilização dos recursos públicos. O que não se pode, entretanto, esquecer, de forma alguma, é do sentimento de responsabilidade, do qual nos fala Max Weber.
Por fim, não nos custa também lembrar que o modo como a administração pública se organiza é reflexo da sociedade na qual ela está inserida. E, de acordo com a teoria social de Mangabeira Unger, pode-se entender a sociedade como um artefato. Ele ensina que a “sociedade é feita e imaginada, que ela é um artefato humano e não a expressão de uma ordem natural fundamental”. A idéia da “sociedade como artefato” no mínimo implica a não sujeição da história humana à providência divina, ou noutras palavras, os povos fazem e refazem a sociedade ad libitum.
(*) Marcos Airton de S. Freitas é escritor, Engenheiro Civil, Pós-graduando em Gestão Pública.
http://www.diariodopovo-pi.com.br/opiniao.php
É inegável, conforme Bresser-Pereira, que, no Brasil, no plano político deu-se uma evolução do Estado oligárquico ao Estado democrático, mesmo que de elites. No plano administrativo, percebeu-se um avanço do Estado patrimonial em direção ao Estado gerencial. E no plano social, houve um movimento de uma sociedade senhorial para a sociedade pós-industrial. Essa transição, que na Europa durou algumas centenas de anos, no Brasil ocorreu muito rapidamente, de modo que esses três tipos de administração (patrimonialista, burocrática e gerencial) se articulam e sobrevivem, em maior ou menor escala, na Administração Pública contemporânea.
Do último baile da Ilha Fiscal, como bem nos reporta Raymundo Faoro até a década de 30, predominou no país um Estado patrimonialista. Somente com a criação do DASP (Departamento Administrativo do Serviço Público), em 1938, verificou-se um primeiro passo no sentido de se implantar um serviço público organizado, onde se previa a realização de concurso público e fixavam-se critérios para a aquisição de bens e serviços. Outros marcos foram: a promulgação do Decreto-lei 200, de 25 de fevereiro de 1967, que dispôs sobre a organização da Administração Federal; e a Constituição Federal, de 1988.
A reforma do aparelho do Estado, nomeada também de reforma administrativa ou reforma gerencial de 1995, no governo FHC, inseriu-se no bojo de um conjunto de propostas e medidas elaboradas, dentro de uma visão neoliberal, no sentido de atingir a modernização e a adaptação do Estado brasileiro às novas demandas do mercado e às crescentes relações entre os Estados. Essa reforma passou por alguns avanços e retrocessos, em funções de interesses diversos, indo desde a resistência à mudança, passando pelo corporativismo da máquina burocrática, pelos interesses políticos-eleitoreiros, até o interesse do grande capital em obter benefícios do Estado.
Dentro dessa lógica, o Estado burocrático-industrial e o Estado gerencial seriam estados de transição de uma política de elites para uma democracia moderna, isto é, em uma democracia na qual a sociedade civil e a opinião pública seriam cada vez mais importantes, e na qual a defesa dos direitos republicanos, ou seja, do direito que cada cidadão teria de que o patrimônio público seria usado de forma pública, seria cada vez mais possível e necessária. Mesmo com todos os esforços, atualmente, é fato, ainda coexistem esses três tipos de administração nas três esferas de poder (União, estados e municípios).
A idéia norteadora da reforma do aparelho do Estado relacionava-se com os conceitos de eficiência, flexibilização, controle finalístico, contrato de gestão, qualidade e cidadão-cliente. Como alcançar, porém, esses conceitos na prática? Quais seriam, portanto, as possibilidades e os limites dos controles baseados nos resultados (autonomia), tendo em vista os condicionamentos impostos pelo princípio da legalidade (burocracia)? Como evitar que o administrador num contexto de total submissão ao texto legal e à excessiva fixação de regras para o alcance do objetivo pretendido, acabasse por enfatizar os meios em detrimento de um resultado mais eficiente e rápido, tendo em vista o permanente controle, tanto interno, quanto externo?
É cediço a ênfase conferida à descentralização administrativa, a partir do Decreto-lei 200/67 e da Constituição Federal de 1988, no tocante às políticas sociais. Porém, o que se observou, na prática, foi uma submissão das entidades descentralizadas às normas aplicáveis à administração direta, acarretando clara perda de autonomia, aparente submissão dos aspectos técnico-científicos em função das exigências políticas, dificuldades das empresas estatais atuarem em condições isonômicas nas relações de mercado com as empresas privadas, face às rígidas normas de licitação e contratação de bens e serviços.
É fácil verificar, portanto, que a reforma administrativa brasileira foi elaborada com adoção parcial dos princípios da new public management, visando sobremaneira à melhoria da performance pública, a eliminação dos excessos de padronização e da lentidão dos meios. Daí o conceito de accountability – originário das organizações privadas -, interpretado como a obrigação de responder pelos resultados, no sentido do controle orçamentário e organizacional sobre os atos administrativos, do respeito pela legalidade dos procedimentos e da responsabilização pelas conseqüências da execução das políticas públicas.
Em vista desses desafios, deu-se a adjeção de novas formas institucionais de administração pública nos últimos tempos, a exemplo das parcerias público-privadas (PPPs), consórcios, organizações não-governamentais, agências reguladoras, governança em redes, dentre outras. Convém frisar, contudo, que os sistemas de subcontratação e de parcerias, tendência em aumento nesta fase do estado regulador e de esbatimento das fronteiras do setor público, podem acarretar nítida dispersão da autoridade e das entidades às quais é devido à prestação de contas dos resultados de gestão e de utilização dos recursos públicos. O que não se pode, entretanto, esquecer, de forma alguma, é do sentimento de responsabilidade, do qual nos fala Max Weber.
Por fim, não nos custa também lembrar que o modo como a administração pública se organiza é reflexo da sociedade na qual ela está inserida. E, de acordo com a teoria social de Mangabeira Unger, pode-se entender a sociedade como um artefato. Ele ensina que a “sociedade é feita e imaginada, que ela é um artefato humano e não a expressão de uma ordem natural fundamental”. A idéia da “sociedade como artefato” no mínimo implica a não sujeição da história humana à providência divina, ou noutras palavras, os povos fazem e refazem a sociedade ad libitum.
(*) Marcos Airton de S. Freitas é escritor, Engenheiro Civil, Pós-graduando em Gestão Pública.
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Wednesday, April 02, 2008
Fábio, o fobófobo

Antonio Cardoso Neto (Brasília-DF)
E pensar que eu não acreditava nessas coisas. Bem feito! Quem me mandou mexer com isso? Se eu pudesse fazer o tempo voltar para trás... não, eu não quis dizer voltar no tempo; é só força de expressão, quero ficar aqui mesmo, já chega o que tenho sido obrigado a agüentar desde a semana passada. Como é que eu poderia imaginar que aquela bobagem ia dar nisso? Se eu soubesse que era sério, não teria falado daquela maneira, com tanta convicção. Eu estava só brincando. Jamais imaginaria que ele fosse morrer de verdade. Quando falei em voz alta que entregaria minha alma ao diabo se o avião dele caísse, não imaginava... eu estava meio bêbado, só isso... não imaginava que o avião fosse cair de verdade. Não que me sinta arrependido por ter falado que desejava sua morte, pois ele era um canalha que merecia isso mesmo. Também não tenho medo de que as pessoas que me ouviram dizer essa asneira lá no bar pensem que tenho alguma coisa a ver com a queda do avião. Estou apavorado é com Lúcifer, Belzebu, seja lá como se chame o demônio, Mefistófeles, sei lá. Não, não, não! Não estou invocando o capeta, só estou me referindo a ele na terceira pessoa. Será que também não se pode chamar seu santo nome em vão? Santo nome, não! Não foi isso que eu quis dizer. Não estou comparando Deus a Satanás. Meu Deus, já estou começando a blasfemar...
Acho que vou enlouquecer, doutor. Faz quase uma semana que não durmo direito, não agüento mais. Que tormento! Não agüento mais! Meça a minha pressão, por favor. Estou com a boca seca; o senhor me arranja um copo d’água, por favor? Será que estou morrendo? Será que já vou me encontrar com ele no inferno? Ajude-me, doutor, pelo amor de Deus. Essas pílulas são boas mesmo? Devo tomar assim, sem água? Ah, aí está o copo d’água! Obrigado, doutor, mas estou desesperado. Meu Deus do céu, por que fui me meter nisso? O fogo eterno...
Será que o diabo não é um servo de Deus, criado para encurralar nossas pretensas certezas? E se a realidade física for apenas um teste da nossa fé, e tudo for uma provação? Como é que se chamavam mesmo as árvores que existiam no centro do Éden, aquelas do fruto proibido? Não eram a Árvore da Ciência e a Árvore do Bem e do Mal? Pode ser que a Ciência seja um artifício arquitetado pelo Criador para pôr nossa crença à prova. Talvez a racionalidade científica não passe de uma emboscada para aqueles que não têm fé. Mas se for assim, será que Ele teria nos concebido só para provarmos que cremos Nele e que O amamos? Nesse caso, não teria sido mais cômodo se tivesse criado seres crédulos e acima de qualquer suspeita? Porém, como somos incrédulos e mal-agradecidos, pode ser que haja necessidade de que sejamos postos à prova continuamente. Mas se o Príncipe das Trevas estiver a serviço do Criador, há um lado maléfico na essência de Deus. Lá estou eu blasfemando de novo... perdão, meu Deus! É a tentação! O senhor acha que esse comprimido vai me fazer ficar livre do diabo, doutor? Por toda a eternidade...
Se Deus é onipotente, então Ele exerce controle sobre todas as criaturas, não é, doutor? Por outro lado, se Ele estiver limitado a engendrar apenas criaturas que se submetam à sua autoridade, Ele não é onipotente. Mas Ele é bom, e quiçá Sua infinita bondade O tenha feito preferir não ser assim tão onipotente e aceitar os caprichos do diabo, exógenos à sua vontade... mas como sou incoerente, doutor! Estou tentando demonstrar racionalmente que a racionalidade é uma miragem gerada pelo Todo-Poderoso. E tudo isso para provar para mim mesmo, por puro egoísmo, que se o coisa-ruim estiver a serviço da Providência Divina, eu não fiz mais que servir a Deus. O senhor acha que, além de incoerente, eu também estou sendo egoísta?
***
A minha boca não está mais seca como antes. Deve ser efeito do remédio. Como é que fui entrar nessa de horror? Estou morrendo de vergonha do senhor, que fiasco, doutor. Que papelão ficar ali como uma criança com medo do capeta, de Deus e de tudo. Que besteira. Agora estou me sentindo otimamente bem. Como a farmacologia se desenvolveu nesses últimos anos, hem? É uma coisa fantástica. A ciência é uma coisa fantástica. Ah, que disparate acabei de dizer. A ciência é fantástica, veja só, doutor. Fantástica, a ciência, justo a ciência. De fantástica a ciência não tem nada; seus princípios incontestáveis se fundamentam na realidade concreta e objetiva. Ela é insensível aos nossos humores e angústias, pois a natureza é indiferente ao martírio do antílope ao ter sua garganta dilacerada pelas garras do leopardo. Se somos frutos de Deus, então também o somos do diabo, pois quem, além do diabo, poderia ter concebido uma obra de tamanha crueldade como a cadeia alimentar?
E a consciência, então? Eis outra obra demoníaca. Por que será que temos consciência, quando poderíamos funcionar muito bem se fôssemos autômatos? Sem cérebro a vida seria muito mais fácil. O sujeito nasceria como se ligassem um motor de arranque. Daí em diante, bastaria acionar o piloto automático e ir vivendo até morrer. Pode ser que não sentíssemos prazer, mas também não sentiríamos culpa, e não teríamos remorso de nada.
Mas é a consciência que nos faz raciocinar. Viva o Império da Razão! Veja essas simples pílulas que o senhor me receitou, doutor. Foi só tomar, e pimba! Pouco tempo depois e aqui estou eu, bem humorado, contente; nem pareço aquele cara que na semana passada estava apavorado com o diabo. Esse negócio de alma, espírito, fantasma, é tudo conversa mole. A vida é pura química. Quer maior prova disso do que essas pílulas que tenho tomado? Estou me sentindo outro. E que outro sou eu além de alguns miligramas de substâncias químicas a mais? É isso. A vida é só isso. Pura química, nada mais que isso. Não somos nada além de matéria bruta.
O senhor é judeu, não é? O que o senhor acharia se descobrisse que os cristãos, os muçulmanos e os judeus passaram toda a História prometendo um monte de tolices e se trucidando mutuamente por uma causa imaginária? E se a nossa consciência fragmentada em bilhões de mentes não passar de um delírio de Brahma ou de Buda, e tudo isso, inclusive as religiões monoteístas, for uma ilusão? E não precisa ir longe, até a Índia ou o Tibete. Conheci um irlandês que dizia que a realidade é uma alucinação causada por abstinência muito prolongada de álcool.
A velocidade da luz é absoluta. O senhor sabe que não existe luz parada, não é, doutor? Só existe luz na velocidade da luz. O senhor também sabe que a luz é composta de fótons. Então, não existe fóton sem velocidade. Em outras palavras, a massa do fóton sem velocidade é zero. Mas, na velocidade da luz, o fóton tem massa. Se estivermos encerrados em uma caixa com velocidade constante, por exemplo, um elevador, não conseguimos saber se estamos parados ou não. E se o universo for como o fóton? E se o universo inteiro estiver se deslocando com a velocidade da luz? Será que tudo não passa do nada se deslocando com a velocidade da luz? “Se deslocando com relação a quê?”, o senhor poderia me perguntar. Em relação a nada, pois a velocidade da luz não é relativa, doutor. Será que tudo existe porque nada existe? Não, não é jogo de palavras, doutor... pense nisso.
De acordo com os físicos que trabalham com Mecânica Quântica, qualquer observação interfere no comportamento das coisas. Segundo eles, a natureza muda seu comportamento quando tentamos esquadrinhá-la, fazendo com que a realidade seja inobservável, tornando, assim, inútil qualquer descrição que tentemos fazer dela. E se não somos capazes de conhecer nem o que nos rodeia, como é que podemos tecer comentários sobre o que está além da vida?
O senhor nunca ouviu dizer que a galinha é a maneira encontrada pela natureza para que um ovo possa produzir outro ovo? Como? Clarice Lispector? Não, quem disse isso foi Samuel Butler, que morreu dezoito anos antes do nascimento dela. O primeiro a surgir foi o ovo, e a vontade do ovo é absoluta, doutor. O ovo usa a galinha sem a menor consideração pelas suas dúvidas existenciais, seus conflitos psicológicos e suas indagações metafísicas. O ovo não é mau; ele é apenas indiferente às aflições da galinha. Na verdade, é uma relação simbiótica a que o ovo estabelece com a galinha. Sim, pois é o ovo que impõe as regras dessa relação. A galinha não tem a menor escolha. Ela fica à procura do orgasmo o tempo todo, mas quem lucra com isso é o ovo. O orgasmo é a arma secreta da evolução e da seleção natural, que, por sua vez, são parte do estratagema construído pela natureza para que as espécies se perpetuem, e a gente passa a vida inteira trabalhando, descobrindo coisas e inventando moda, tentando justificar a existência, que, no fundo, não passa de um efeito colateral dessa estratégia montada pela natureza, para que um ovo produza outro ovo.
Passei a vida juntando meus cacos: uma parte andaluz, um pedaço calabrês, um quarto português e outro tanto meio desconhecido disputado entre batavos, provençais, quimbundos e tupinambás acorrentados aos grilhões inquebrantáveis de DNA. Nem eu nem ninguém somos culpados por agirmos assim ou assado, visto que somos fantoches da tirania genética; meros títeres manipulados pelos cromossomos. Ah, sim... há também a herança comportamental que adquirimos como resposta à manifestação da sociedade na nossa vida pessoal. Mas a sociedade só existe porque nossa frágil espécie, não tendo garras nem couraça, foi forçada a viver coletivamente. Sempre que surge uma oportunidade, as pessoas preferem ficar sossegadas, longe da turba, e sabem que sexo é mais importante que política. Se a realidade é naturalmente injusta, só resta à sociedade transformá-la em algo artificialmente injusto. Cabe então à sociedade racionalizar a injustiça inerente à existência. Tenho mais esperança no passado que no futuro da Humanidade. A vida mundana não tem o menor sentido, e a consciência não sobrevive à morte. Parece que foi Manuel Bandeira quem descreveu um defunto como sendo matéria liberta para sempre da alma extinta, não foi? Estou começando a ficar atormentado com isso. Que vazio, que abismo... como é que eu faço para sair dessa, doutor? Me ajude, por favor...
http://www.revistavagalume.com/23601.html
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