Wednesday, May 21, 2008

Marambaia toca no Clube no Choro


Após os shows em Paris e Barcelona, grupo é recebido no Prata da Casa

Mais maduro e experiente após a temporada de shows realizada com sucesso em Paris e Barcelona em março/abril, e já com dois CDs na bagagem, o Marambaia volta à cena brasiliense subindo ao palco do Clube do Choro, neste sábado, 24/5, em mais uma sessão do projeto Prata da Casa.

E bota prata da casa nisso! Com apenas sete anos de estrada, o grupo agora leva em sua trajetória o título de único representante brasileiro no Festival do Choro de Paris de 2008. Lá, “com impecável atuação, foi chamado ao palco para repetidos bis pelo público que lotou a Casa do Brasil”, segundo reportou o correspondente do Correio Braziliense.

Ainda em Paris, o som de personalidade acentuadamente brasiliense do quinteto foi aplaudido pela platéia da casa tradicional de jazz Swan Bar, assim como pelo público do Espaço Aconchego – movimento cultural brasileiro que circula pelos bares e restaurantes da cidade, promovendo a MPB.

Já em Barcelona, o Marambaia fez shows na casa Harlen Jazz e foi convidado a ministrar a Oficina de Choro e Música Brasileira no Teatro do Centro Cívico. O líder do grupo, Marcelo Lima, conta que o encontro terminou com uma confraternização de catalãos e brasileiros, numa grande roda de choro e samba.

Na França e na Espanha, o repertório apresentado foi o que público irá ouvir no show deste sábado. O grupo mescla diversos clássicos da música brasileira com as canções do CD Marambaia (2005), de autoria de Marcelo Lima e do violonista Marcus Moraes. O talento do quinteto e a qualidade profissional desse primeiro CD tiveram boa repercussão até mesmo fora de Brasília. E o Marambaia acabou ganhando crítica elogiosa em Goiânia, no jornal O Popular e em Fortaleza, no Diário do Nordeste.

No ano passado, o quinteto lançou outro CD, resultado de um projeto idealizado e produzido por Marcelo Lima, que propiciou a estréia do percussionista e ex-marambaia George Lacerda como cantor. “Ser acompanhado pelo Marambaia, que tem um trabalho instrumental de muito bom-gosto foi maravilhoso”, registrou George no CD, gravado inteiramente com composições de músicos de Brasília.

Com todo esse reconhecimento e essa significativa caminhada profissional em tão curto tempo de estrada, o público deve apostar no show de retorno à casa do choro brasiliense pelos “filhos pródigos” Marcelo Lima (violão e bandolim), Marcus Moraes (violão), Alexandre Macarrão (baixo), Rafael dos Santos (bateria) e Léo Barbosa (percussão).

Marambaia no Clube do Choro - Sábado, 24/5, às 21h, no Prata da Casa. Contatos: marambaias@terra.com.br; Marcelo Lima: (61) 8417.6557. Leia mais, veja fotos da temporada européia e ouça o som do quinteto em www.myspace.com/marambaias.

Tuesday, May 20, 2008

1º PRÊMIO TALENTO LITERÁRIO/POESIA EM SUPERDOTAÇÃO


1º PRÊMIO TALENTO LITERÁRIO/POESIA EM SUPERDOTAÇÃO

ALUNOS DA EDUCAÇÃO BÁSICA
atendidos pelos Núcleos de Atividades de Altas Habilidades (NAAH/S) e outras necessidades especiais
ALUNOS DO ENSINO REGULAR
identificados pelo potencial de talento para a poesia

Período de realização:18 de abril a 13 de junho de 2008
Local de inscrição: NAAH/S Estadual

INFORMAÇÕES

www.bienaldepoesia.unb.br
www.bipbrasilianews.wordpress.com
premiotalentoliterario@gmail.com

http://www.bienaldepoesia.unb.br/premio_regulamento.pdf

Thursday, May 15, 2008

Quinta Cultural do T-Bone

A programação cultural desta quinta-feira(15) no Açougue T-Bone terá o encontro do forró pernambucano com a literatura gaúcha. O Forrozeiro Paulo Matricó fará show com músicas de seus setes CD´s, como Da cor do chão, Um diamante e voz da terra, e representando a Associação Gaúcha de Escritores, Donaldo Schüler, que estará em Brasília exclusivamente para o evento.
Música Regional Popular Brasileira é assim que PAULO MATRICÓ auto denomina seu trabalho, uma mistura de ritmos puramente nordestinos. Criado no meio de repentistas, cantadores e forrozeiros, Paulo Matricó traz a semente de artistas tipicamente nordestinos e naturalmente fortes. No show cantará musicas de seus 7 CD´s, como Da cor do chão, Um diamante e voz da terra.

Bate-papo literário:

Donaldo Schüler – Nasceu em 1932, em Videira-SC. É bacharel em Letras pela UFRGS, onde hoje é docente titular, é doutor em Letras e pós-Doutorado na USP. É ensaísta, tradutor, ficcionista e poeta. A Associação Paulista de Críticos Literários (APCA), escolheu Finnegans Wake como a melhor tradução de 2003. A Câmara Brasileira do Livro concedeu-lhe o Prêmio Jabuti 2004 pela tradução de Finnegans Wake. Recebeu o Prêmio Açorianos de Literatura na categoria de tradução (2004) e na categoria de literatura infanto-juvenil (2005).
Entre os ensaios publicados, Aspectos estruturais na Ilíada, A dramaticidade na poesia de Drummond, A poesia modernista no Rio Grande do Sul, Eros:dialética e retórica, Heráclito e seu (dis)curso e Origens do discurso democrático. Em ficção publicou A mulher afortunada, O tatu, Chimarrita, Refabular Esopo e Império Caboclo.Em poesia, é autor de Martim Fera e A essência da mulher. Além de Finnegans Wake, de James Joyce; traduziu Antígona, de Sófocles; Édipo em Colono, de Sófocles e Sete contra Tebas, de Ésquilo.

Lançamentos literários:

ANIMAIS QUE PLANTAM GENTE
Autora: Sandra Fayad - brasileira de nascimento, sírio-libanesa por orgulho, goiana de berço, candanga de coração, economista por formação acadêmica, poetisa e cronista por vocação. Suas produções literárias são publicadas em vários Sites, Portais, Antologias, Jornais e Revistas virtuais e impressos, onde é colunista convidada desde 2005, tendo sido premiada e homenageada em diversas ocasiões. Participou de três Coletâneas nacionais e internacionais. Em sua coluna semanal do Diário de Catalão publicou durante dois anos textos resultantes de pesquisas e observações do que se passa na natureza. É desse trabalho que surgiu a idéia do livro Animais Que Plantam Gente.
SABER MEXER E CREDITAR EM GENTE. UM DIRETOR DE ESCOLA PÚBLICA DO BRASIL NO SÉCULO XXI
Autor: Everardo de A. Lopes - educador social, formado pela Universidade Holísta Internacional, FHB - UNIPAZ, coordenador do Movimento Amigos da Paz e autor dos
Livros; Paz, Uma Viagem a Ser Realizada e Saber Mexer e Creditar em Gente. Um diretor de escola pública do Brasil no século XXI, pela Ed. Estações.
Homenagem:
Deputado Federal Augusto Carvalho – Autor da lei que inclui a Noite Cultural T-Bone no calendário oficial do DF.

Apresentação: Mímico Miquéias Paz
Informações:
Francisca Azevedo comunicacao@t-bone.com.br
Classificação: Livre
Horário e data: 20 horas do dia 15 de maio
Local:Açougue Cultural T-Bone: SCLN 312 Bl B Lj 27 Brasília-DF 3963-2069
ENTRADA FRANCA
www.t-bone.org.br

Marcelo Zamith no Clube do Choro de Brasília



Show do cantor e compositor Marcelo Zamith no CLUBE DO CHORO DE BRASÍLIA. Será no sábado, dia 17 de maio, em homenagem ao grande músico e compositor TOM JOBIM. Convites antecipados, por apenas R$ 10,00. Fone: 8186-1221 e 8132-2213.

Wednesday, May 14, 2008

Barca Brasília Poética

A BARCA POÉTICA VAI PARTIR E VOCÊ NÃO PODE PERDER ESSA VIAGEM

O grupo poético OI POEMA, de Brasília – Cristiane Sobral, Luis Turiba, Amneres, Nicolas Behr e Bic Prado com a participação especial do cantor e violonista Paulo Djorge – vai inaugurar a BARCA BRASÍLIA POÉTICA, com um recital-happening em pleno Lago Paranoá.
O espetáculo inédito será nos próximos dias 17 e 18 de Maio (sábado e domingo), com saída às 17 horas, e a navegação terá a duração média de três horas pelas águas do Paranoá. O "OI POEMA" é um encontro de poetas brasilienses. Ele existe há cinco anos, já fez várias intervenções na cidade e também no festival de Poesia no Circo Voador, Rio de Janeiro. O "OI POEMA" será uma das atrações da I Bienal Internacional de Poesia de Brasília, que acontecerá no segundo semestre.
O espetáculo "A Barca Poética" tem uma hora e meia de duração e os poetas recitarão e cantarão textos e músicas de suas autorias sobre temas comuns e extraordinários, como lendas de Brasília, natureza, samba, negritude, linguagem poética, etc. Ao longo do passeio, inúmeras surpresas animarão o happening que começará durante o pôr-do-sol – lindo e maravilhoso nesta época do ano. Mas atenção: se você não sabe nadar, traga um poema salva-vidas!
Os passageiros da Barca Brasília podem usufruir, além de ótimos poemas, do excepcional cardápio com vinhos, drinks e petiscos variados. Durante o passeio, na Rota do Charme do Lago Paranoá, a Barca passa por vários monumentos de Brasília e garante, através de sua equipe, um atendimento diferenciado.

Foto: divulgação

Serviço:

A Barca Poética no Happy Hour flutuante da Barca Brasília
Dias: 17 e 18 de maio (sábado e domingo).
Saída da Barca: 17h00 com retorno às 20h30.
Cais do Bay Park Hotel: SHTN Trecho 02 Lote 05.
Valor do passeio: R$ 40,00 por pessoa.
Couvert artístico: R$ 10,00. Comidas e bebidas à parte.
Evento não indicado para menores de 16 anos.
Obs: recomenda-se ter à mão um agasalho.

Reservas e mais informações:
8419-7192 Edmilson Figueiredo
8432-6234 Amon Trajano
passeio@barcabrasilia.com.br
www.barcabrasilia.com.br

Super Festa da Vivendo



No próximo sábado, dia 17/05, vai rolar a “Super Festa da Vivendo”!

Para quem não conhece, essa é uma das festas mais legais de Brasília. Ela acontece duas vezes por ano (uma em cada semestre) no espaço da Associação Pró-Educação Vivendo e Aprendendo

O ambiente é ótimo, a música super-dançante (duas pistas com sons diferentes). Incluídas no ingresso: frutas, pães e pastas.

A Vivendo fica na L3 Norte, Quadra 604 (atrás do Clube de Vizinhança) e a festança começa às 22h.

Lançamento do CD "O mundo era o céu" de Cacá Pereira



Show-celebração dos resultados após o lançamento do CD "O mundo era o céu". 1.650 cópias vendidas. Músicas executadas em quase 40 rádios pelo país. Shows importantes, como o CCBB e o 1º de maio, Dia do Trabalhador, na Esplanada, para quase 15 mil pessoas. Em dezembro de 2007, vencedor do 1º FESTCUT. Interpretação do CD e apresentação de algumas novas músicas que estarão no 2º disco - a caminho. Dia 16 de maio. Cacá Pereira, Leo Benon, Diretor Musical (cavaquinho e violão tenor), Dudu 7 Cordas, Bruno Patrício (sax), Augustinho (pandeiro e zabumba), Marcelo Bicudo (percussão geral) e Carlinhos Barbosa (acordeon).

Thursday, May 08, 2008

LXVIII Sarau Tribo das artes

dia 13 de maio de 2008, no Butiquim Blues, Praça do DI, em Taguatinga - DF.

“Sal e Sonho”

Vinheta de abertura
Recital Poético – Notícia da morte de Alberto da Silva, de Ferreira Gullar
Com participação de Daniel Pedro, Miriam, Jorge Augusto, Deliane Leite, Máximo Mansur

Vídeo
“Frei Tito” - 1984, Direção e Roteiro de Marlene França

Poeta convidado
Pedro Morandim – Poeta e Ator

Música
Carol Voigt – MPB, Compositora e intérprete
Daniel Fernandes – Lançando o CD Visão Noturna

Espaço livre
Sem microfone e palco

Momento do Troca
Conversa e vendas entre artistas e público (Recomendando que levem Beijos/ CDs/ DVDs/ Vinil/ livros/ artesanato/ outros)

Lançamento de livro
"Raia-me fundo o sonho tua fala" de Marcos Freitas


Artes plásticas
Rosa Marta com criações próprias (Óleo sobre tela e no estilo Expressionismo Geométrico)

Artesanato
Bijouterias com material reciclado – Fátima Melo

Canção do Sal
Milton Nascimento

Trabalhando o sal
É amor, o suor que me sai
Vou viver cantando
O dia tão quente que faz
Homem ver criança
Buscando conchinhas no mar
Trabalho o dia intei...ro
Pra vida de gente levar
Água vira sal lá na sali...na
Quem diminuiu água do mar
Água enfrenta o sol lá na sali...na
Sol que vai queimando até queimar
Trabalhando o sal
Pra ver a mulher se vestir
E ao chegar em casa
Encontrar a família a sorrir
Filho vir da escola
Problema maior, estudar
Que é pra não ter meu trabalho

http://www.tribodasartes.org.br/

Tuesday, May 06, 2008

Dois Contos...


KARLUV MOST

Percorria aquela rua escura e estreita em meio ao nevoeiro. A noite já ia alta. O burburinho dos últimos bares e tavernas ainda se ouvia ao longe. De súbito, aquela figura de mulher, ainda adolescente, aproximou-me daquele praça, da Catedral de Tyn, circundou a Prefeitura, prédio imponente com seu histórico relógio astronômico. Não sei se o último metrô ainda havia. A estação Staromestská certamente estaria fechada. O caminho a ser seguido então passava pela Ponte Carlos, rio Vltava. O seu rosto alvo e o verde de seus olhos resplandeciam na atmosfera fria. Encostado à mureta, vi-a atirando-se dali, rodopiando no ar feito folha seca no outono e por fim pousando junto aos outros pombos, lá embaixo, próximo aos faróis que iluminam a ponte, ao lado da velha eclusa.

Marcos Freitas. Do livro “na curva de um rio, mungubas”, Ed. CBJE, Rio de Janeiro, 2006.

STULTIFERA NAVIS

“só usa a razão quem nela incorpora suas paixões”. Raduan Nassar. Um Copo de Cólera.

Ela desceu de sua nave reluzente no Pouso Alto, paralelo 14, Chapada dos Veadeiros. Seus lábios descreviam sua fúria interior. Seus pensamentos espiralados removiam do ar a força de destruição avassaladora. O vácuo da incompreensão era o olho do furacão.

Em mil pedaços, quase reduzidos a pó.

Sua respiração desenfreada provocava estremecimentos. Seus dedos em riste, como a ditar ordens a milhões de soldados imagináveis de um batalhão invisível. Pobre general de exército algum.

Lá fora, pela janela, da pequena varanda, descortinava-se um céu cinzento. A grama removida pelos tratores e máquinas trazia de volta o vermelho da terra do cerrado. Tortuosos caminhos. Tortuosas e retorcidas árvores de uma discutível nascente: olho d´água. Encharcadas terras. Saturadas de tudo.

Mudo, lastimei mais uma vez sua incompreensão. Não compreenderia jamais meus sentimentos tão puros. Nunca mais presente algum. Versos, então, nunca mais. Ecos de perplexidades evadiam em todas as direções, enquanto o cheiro de incenso enchia todo o ar do quarto. Cinzas enterradas em pedra furada.

Marcos Freitas. Da Antologia de Contos Fantásticos, Edição Especial - Volume 9, Ed. CBJE, Rio de Janeiro, 2007.

Para adquirir o livro "na curva de um rio, mungubas":
http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=9041236&sid=97511819711128520958824711&k5=33C21440&uid=

Friday, April 25, 2008

AS CIGARRAS E AS FORMIGAS



Antônio Cardoso Neto

Eis que ao lado de um extenso e agitado formigueiro, erguia-se frondoso jacarandá, cuja basta copa sustentava um galho que servia de palco a uma estridente cigarra. Deu-se que num determinado momento, enquanto o desentoado inseto cantava sua estrepitosa melodia, o chão sob a árvore cedeu e o vicejante jacarandá veio abaixo, com tremendo estardalhaço, arrastando consigo a ruidosa cigarra. Bastou-lhe ter recobrado os sentidos, para que o indignado inseto esbravejasse:

--- É nisso que dá confiar na firmeza do solo, com essa quantidade de formigas que assolam o país!

E completou:

--- Ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil!

Por estar vedado o uso de notas de rodapé, o autor se vê compelido a interromper a narrativa para informar que, a partir deste ponto, compromete-se a pôr fim a essa mania, que sói ocorrer nas fábulas, de colocar os adjetivos sempre antepostos aos substantivos. Dito isso, voltemos à narração.

A partir de então, a cigarra passou a alardear pelos dezenove ventos (a aritmética das cigarras é deplorável) a necessidade premente de acabar com as saúvas. Péssimo menestrel, porém arauto competente, o cicadídeo acabou por convencer todas as outras cigarras a levarem a cabo a gigantesca e nobre tarefa.

Sabendo que as formigas, assim como os pobres, adoram açúcar, as cigarras passaram a exterminá-las por meio do envenenamento sistemático de colônias inteiras. E tanto se empenharam em tal faina, que acabaram promovendo um formicídio colossal, após o qual, quase já não se viam mais saúvas em lugar algum.

Ocorre, porém, que, além de péssimas instrumentistas, as cigarras também são muito ignorantes em assuntos correlatos à entomologia. E tanto é assim, que o formigueiro a que a cigarra indignada se referia não era de saúvas, mas sim de formigas lava-pés (por que o plural de lava-pé não é lavam-pés?), as quais, talvez por ausência de solidariedade entre si ou por algum atraso tecnológico, nem haviam tomado conhecimento do extermínio de suas primas saúvas. A bem da verdade, algumas delas até que tinham alguma noção da história do extermínio, mas sabiam que esse negócio de serem primas das saúvas é invenção de biólogos e outros naturalistas, cujas opiniões, as formigas, ao menos as lava-pés, não costumam levar muito em consideração.

Pois bem. Estava o fórmico-proletariado agregando o valor de sua força produtiva às folhas, aos bolores e aos fungos por meio dos quais a formiga-rainha, detentora dos meios de produção, extraía mais-valia e explorava o diminuto povo lava-pé, quando uma operária começou a vociferar impropérios (é possível vociferar coisas que não sejam impropérios?) contra o modo de produção das formigas e a lançar imprecações e insultos contra a tirania da monarquia absolutista.

Em meio à correição, a formiga panfletária aproveitou para convocar as outras camaradas para uma assembléia deliberativa da mais alta importância no topo de um dos galhos secos do outrora frondoso jacarandá que caíra sobre o formigueiro. A multidão de obreiras espalhou-se pelas redondezas do vasto mirmecódomo descrito no primeiro parágrafo, e pôs-se a ouvir a eloqüência da formiga revolucionária.

--- Boa tarde a todos e a todas (puro vício, pois todos sabem que não há machos no formigueiro). A classe operária talvez não tenha notado que não se vêem mais saúvas neste país. Pois saibam que elas foram exterminadas pelas cigarras, aquelas lumpenproletárias que não fazem nada na vida além de encher o saco de quem quer trabalhar neste país. Temos de tomar alguma providência neste país, antes que aconteça o mesmo com a gente (na verdade, ela disse “a formiga”, mas devemos interpretar como “a gente”, por uma questão de registro coloquial).

Uma lava-pé dedo-duro, fura-greve e puxa-saco (é bem conhecido pelos filólogos e tradutores o fato de o dialeto lava-pé fazer uso excessivo de hífens) saiu dali sorrateiramente, e, poucos minutos depois, os galhos do jequitibá (era jacarandá, mas, de agora em diante, passa a ser jequitibá, o que, na opinião do autor, não deverá alterar em absolutamente nada o desenrolar da trama) já estavam tomados por milhares de formigas-soldado. A operária aquela (o autor se julga com amplo direito de, subitamente, começar a narrar como se fosse gaúcho, e abancar a falar desta maneira peculiar) agitou as patas e gritou:

--- Sempre tem de ter um filho-da-puta dum traidor na História deste país.

Ah, pra quê? Por pior que possa ser a traição de uma formiga puxa-saco, nunca se deve chamá-la de filha-da-puta, pois, como se sabe, todas as formigas são filhas da rainha, e isso equivale a ofender seriamente a honra da nobre monarca. E foi assim que teve início um enorme tumulto entre as formigas, uma se atracando à outra, indistintamente de serem soldados ou operárias. Quem já teve a infeliz oportunidade de presenciar uma guerra civil sabe que o canibalismo é inevitável, e que o decoro e os bons costumes dissipam-se rapidamente; sobretudo quando se trata de guerra entre formigas, na qual a bagunça acaba por tomar as proporções de um gigantesco e confuso bacanal, que os entomologistas costumam chamar de suruba mirmecológica, obviamente uma orgia lesbiana e, de certa forma, clandestina, pois não é segredo que entre as formigas, abelhas e cupins, somente à cúpula é permitido copular, como se diz por aí.

De repente, eis que surgiu a formiga-rainha, fazendo com que aquela formicação (juro que não será mais cometido nenhum trocadilho até o final da história) cessasse instantaneamente. Estabeleceu-se então grande excitação entre as operárias, que exclamavam extasiadas:

--- A formiga-patroa! A formiga-patroa! A formiga-patroa!

Enrolando uma folha de fícus no formato de um cone, e usando-a como megafone, uma formiga-milico anunciou:

--- Silêncio, plebe! A nossa graciosa rainha vai se dirigir a vocês!

Sua Majestade, com a circunstância que tais ocasiões exigem, demandou calma às súditas proletárias e ordem à soldadesca, declarando-se indignada com o infortúnio que se abatera sobre a antiga e quase extinta cultura e civilização saúvas. Depois de um discurso breve, porém bastante hifenizado, a soberana mostrou-se preocupada com o destino que as cigarras haviam imposto às saúvas, e informou que declarava guerra às cigarras e aos seus eventuais aliados.

Seguiu-se um longo conflito entre as duas espécies de insetos, ao término do qual centenas de milhares de cadáveres de cigarras jaziam sobre as relvas e os campos de todos os lugares. A vitória havia sido formigável (eu tinha prometido, mas não agüentei), e após a capitulação cicadídea e a assinatura do armistício, levas de cigarras migraram em direção ao centro do país, espalhando-se buliçosamente pelo cerrado. Passaram então a habitar a região do Planalto Central, onde, desprovidas da mais elementar noção de polifonia, harmonia e contraponto, cantam em um uníssono monotônico abominável, sem que isso cause qualquer espécie ou revolta entre os habitantes locais, acostumados que já estão ao assédio das duplas sertanejas que assolam o país. Estas sim, muito mais que as saúvas.

***

Programação do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ

28.4.2008
Série Música no Fórum homenageia Franz Peter Schubert

A Série Música no Fórum recebe a pianista Nadge Breide (foto) e o flautista Eduardo Monteiro em Tributo a Franz Peter Schubert, que completa 180 anos de morte. O evento faz parte do Projeto Tributo da série Música no Fórum, cujo objetivo é divulgar, nas homenagens de nascimento ou de morte, músicas de grandes compositores. No programa, o público poderá ouvir a Sonata Per Arpeggione para flauta e piano e as Variações sobre Trockne Blume. Segunda, 28 de abril, às 19 horas, no Salão Dourado do Fórum de Ciência e Cultura, Entrada franca.

29.4.2008
Livro “Espaço e Teatro” será lançado no Fórum
O Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ receberá a arquiteta e urbanista Evelyn Furquim (foto) para o lançamento do livro “Espaço e Teatro: do edifício teatral à cidade como palco”, ed.7Letras. A obra traz uma série de ensaios sobre o teatro e o diálogo com o espaço urbano na contemporaneidade. O evento reunirá, em mesa-redonda, teóricos do teatro, da cidade, da arquitetura e da dança, alguns deles também ensaístas da obra recém-lançada. Terça-feira, 29 de abril, às 19 horas, no Salão Dourado do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ.

30.4.2008
Duo Barrenechea toca obras do Prelúdio 21 no Fórum de Ciência e Cultura

O Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ recebe mais um concerto de música contemporânea, em comemoração aos dez anos do Prelúdio 21. O duo Sérgio e Lúcia Barrenechea, de flauta e piano, respectivamente, interpretará obras de compositores do grupo. A apresentação será na próxima quarta, dia 30, às 19 horas, no Salão Dourado do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ. A entrada é franca. Informações: www.duobarrenechea.mus.br.

01.5.2008
Fórum em Cena abre temporada, volta ao passado e prédio vira hospício

A temporada 2008 do projeto Fórum em Cena estréia na próxima quinta, dia 1º de maio, com a peça “Estação Terminal”, da Companhia Ensaio Aberto. O texto do espetáculo, a Companhia e o próprio prédio do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, onde acontecerá a apresentação, estão ligados de forma curiosa. O escritor Lima Barreto foi internado no Hospital Geral dos Alienados em 1919, local que hoje abriga o Palácio Universitário. As apresentações serão nos dias 1º, 2, 4, 5, 6 e 7 de maio, às 20h30, no Salão Dourado do Fórum de Ciência e Cultura.

Mais informacões, acesse o site: http://www.forum.ufrj.br

Wednesday, April 23, 2008

II Curto-Circuito da Palavra

No dia 23 de Abril três poetas, Cristiane Sobral, Luis Turiba e Antônio Miranda, com suas palavras cortantes, estarão falando seus poemas no II Curto-Circuito da Palavra.

CRISTIANE SOBRAL
Nasceu no Rio de Janeiro, em 1974, e reside em Brasília desde 1990. Como escritora, possui poemas e contos publicada na Antologia Cadernos Negros, edições 23, 24, e 25. Graduada como atriz habilitada em Interpretação Teatral pela Universidade de Brasília, sendo a primeira negra a ganhar o título acadêmico. Fonte: http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/distrito_federal/cristiane_sobral.html
Página da autora: http://crisobral.sites.uol.com.br/

LUIS TURIBA
Poeta e Jornalista. Nasceu em Pernambuco, em 1950, e vive em Brasília desde 1979, tendo recebido o título de Cidadão Brasiliense pelos serviços prestados à cultura da cidade. Sua estréia na poesia se deu pela publicação do livreto Kiprokó em 1977. Recebeu o Prêmio Candango de Literatura do Governo do Distrito Federal, em 1998, pelo livro-CD Cadê. A obra Bala (Salvador: P555 Edições, 2005) reúne os textos mais recentes do poeta, da qual extraímos os seguintes poemas como mostra de uma obra sempre original, instigante, criativa.
Fonte: http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/distrito_federal/luis_turiba.html

ANTONIO MIRANDA
Antonio Lisboa Carvalho de Miranda é maranhense nascido em 5 de agosto de 1940. Membro da Academia de Letras do Distrito Federal, foi colaborador de revistas e suplementos literários como o Suplemento Dominical do Jornal do Brasil e também o La Nación (Buenos Aires, Argentina) e Imagen (Caracas, Venezuela). Professor e coordenador do Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação do Departamento de Ciência da Informação e Documentação da Universidade de Brasília, Brasil, ministra aulas e cursos por todo o Brasil e países ibero-americanos. Também é consultor em planejamento e arquitetura de Bibliotecas e Centros de Documentação. Doutor em Ciência da Comunicação (Universidade de São Paulo, 1987), fez mestrado em Biblioteconomia na Loughborough University of Technology, LUT, Inglaterra, 1975. Sua formação em Bibliotecologia é da Universidad Central de Venezuela, UCV, Venezuela, 1970. Diretor da Biblioteca Nacional de Brasília desde março de 2007.
Fonte: http://www.antoniomiranda.com.br/sobreoautor/sobre_autor_index.html

Monday, April 14, 2008

A Maior Medição de Vazão do Mundo (Foz do rio Amazonas)



"Passados quase dez meses, criei vergonha na cara e organizei os filminhos que fiz durante a medição da vazão na foz do rio Amazonas, que acabou sendo a maior já registrada com aparelho eletrônico. Editei o filme da maneira que acreditei ser a mais didática possível, e, para explicar a física envolvida na medição, fiz umas animações quadro a quadro, o que deu um trabalhão danado. Ficou muito amador, mas acho que dá para ter uma idéia de como é que acabamos medindo a vazão na foz do rio Amazonas.

Embora eu tenha participado da expedição em caráter institucional, o filme relata minha experiência pessoal. As opiniões dos tripulantes do barco foram feitas com o consentimento deles, e não retratam a opinião da instituição onde trabalho. Filmei com uma câmera pessoal e editei no meu computador de casa, após o horário do expediente, pois o filme não está dentro das normas de impessoalidade exigidas pelo serviço público.

Tive que dividir o filme em 5 partes para poder colocar no youtube, pois há limitação de tamanho. Ao todo, deu 37 minutos. Se você resolver ver os filmes, por favor, veja-os seqüencialmente, pois eles já não estão lá grande coisa, e se você vê-los numa seqüência aleatória, daí é que não vai dar para entender nada, mesmo. Quem tiver interesse, é só clicar nos links abaixo.

(ps) O filme é sonoro, e demora um pouquinho para carregar."

Aquele abraço,

Antonio Cardoso Neto.

1. http://www.youtube.com/watch?v=0jtovj7B688

2. http://www.youtube.com/watch?v=IfJypzOyMas

3. http://www.youtube.com/watch?v=FOYEiKjKoUE

4. http://www.youtube.com/watch?v=E13P-fM1ve0

5. http://www.youtube.com/watch?v=jPb9qxaOt_w


BANZEIROS
 
tuas formas esbravejam
em mim
milhões de turbilhões
de desejo
descolam meus pés do chão
desmancham meus redemoinhos
de sonhos
a canoa da vida estremece
afugentando tambaquis e matrinchãs

Marcos Freitas. Do livro: na curva de um rio, mungubas. Ed. CBJE, 2006.

Thursday, April 10, 2008

Festival VidéEau


Abertas as inscrições para concurso de vídeos sobre água
Jovens de 17 a 30 anos têm até 15 de junho para inscreverem vídeos no Festival VidéEau, organizado pelo Secretariado Internacional da Água (SIE) com o apoio institucional da Agência Nacional de Águas (ANA). Com o tema “A água, o ser humano e o desenvolvimento sustentável”, as peças devem ter, no máximo, 90 segundos e ser enviadas em MiniDV (NTSC) ou DVD (multizona).

Os três primeiros colocados receberão, respectivamente, US$ 2 mil; US$ 1,5 mil e US$ 1 mil. Os vencedores serão anunciados durante o Congresso Mundial dos Jovens, em Québec (Canadá), entre 10 e 21 de agosto deste ano. Além disso, eles estarão automaticamente pré-selecionados para a competição oficial dos Encontros Internacionais “Água e Cinema”, a ocorrerem durante o 5º. Fórum Mundial da Água, em Istambul (Turquia), em março de 2009.

Fonte e mais informações: http://www.ana.gov.br/SalaImprensa/FestivalVideEau/

The Festival VidéEau is an international competition for video clips organized by the International Secretariat for Water (ISW), in preparation for the International Water and Film Events Istanbul in 2009. It is also a part of the "Celebration of Lakes and Rivers" project, a process to raise awareness and involve young people in international citizenship and cooperation for water in Quebec and around the world. The 2008 edition invites young people aged from 17 to 30, to submit 90 second or shorter video clips on the theme "Water, People and Sustainable Development". The winners of the competition will be announced at a ceremony to be held during the World Youth Congress, taking place in Quebec, Canada, from 10 to 21 August 2008. They will also be automatically selected for the official competition of the IWFE.

Fonte: http://www.worldwatercouncil.org/index.php?id=342

Wednesday, April 09, 2008

A alocação de água como instrumento de gestão de recursos hídricos: experiências brasileiras

Alan Vaz Lopes & Marcos Airton de Sousa Freitas

RESUMO: Embora os mecanismos de alocação de água adotados historicamente no Brasil sejam caracterizados pela forte intervenção do poder público, as políticas estaduais e nacional de recursos hídricos têm possibilitado a implementação de modelos alternativos, de caráter participativo. Baseando-se em conceitos e classificações de estudos sobre alocação de recursos escassos, o artigo analisa diversas experiências brasileiras de aplicações de mecanismos de alocação de água e sistematiza os principais elementos conceituais e metodológicos que concorrem para o seu sucesso como instrumento ou como componente de outros instrumentos de gestão de recursos hídricos. Essa análise mostra a importância da adaptação dos mecanismos de alocação de água a cada realidade regional, nos seus aspectos conceituais e metodológicos e na definição de múltiplos objetivos estratégicos.


ABSTRACT: Although the water allocation mechanisms historically adopted in Brazil are characterized by the strong intervention of the public sector, the state and national water resources policies has made the implementation of alternative models with participative character possible. Based on concepts and classifications of scarce water allocation studies the article analyses several Brazilian experiences of water allocation mechanisms applications and systematizes the main conceptual and methodological elements which concur to its success as an instrument or a component of other water resources management instruments. This analysis shows the importance of the adaptation of water allocation mechanisms to each regional reality, in their conceptual and methodological aspects and in the definition of multiple strategic objectives.

PALAVRAS-CHAVE: Alocação de água, gerenciamento de recursos hídricos, instrumentos de gestão de recursos hídricos.

KEY-WORDS: Water allocation, water resources management, water resources management instruments.

Artigo completo: http://www.abrh.org.br/rega/REGA_v4_n1.pdf

Referência: Alan Vaz Lopes, A. V. & M. A. S. Freitas. A alocação de água como instrumento de gestão de recursos hídricos: experiências brasileiras. REGA – Vol. 4, no. 1, p. 5-28, jan./jun. 2007

Administração pública contemporânea

(*) Marcos Airton de S. Freitas
É inegável, conforme Bresser-Pereira, que, no Brasil, no plano político deu-se uma evolução do Estado oligárquico ao Estado democrático, mesmo que de elites. No plano administrativo, percebeu-se um avanço do Estado patrimonial em direção ao Estado gerencial. E no plano social, houve um movimento de uma sociedade senhorial para a sociedade pós-industrial. Essa transição, que na Europa durou algumas centenas de anos, no Brasil ocorreu muito rapidamente, de modo que esses três tipos de administração (patrimonialista, burocrática e gerencial) se articulam e sobrevivem, em maior ou menor escala, na Administração Pública contemporânea.
Do último baile da Ilha Fiscal, como bem nos reporta Raymundo Faoro até a década de 30, predominou no país um Estado patrimonialista. Somente com a criação do DASP (Departamento Administrativo do Serviço Público), em 1938, verificou-se um primeiro passo no sentido de se implantar um serviço público organizado, onde se previa a realização de concurso público e fixavam-se critérios para a aquisição de bens e serviços. Outros marcos foram: a promulgação do Decreto-lei 200, de 25 de fevereiro de 1967, que dispôs sobre a organização da Administração Federal; e a Constituição Federal, de 1988.
A reforma do aparelho do Estado, nomeada também de reforma administrativa ou reforma gerencial de 1995, no governo FHC, inseriu-se no bojo de um conjunto de propostas e medidas elaboradas, dentro de uma visão neoliberal, no sentido de atingir a modernização e a adaptação do Estado brasileiro às novas demandas do mercado e às crescentes relações entre os Estados. Essa reforma passou por alguns avanços e retrocessos, em funções de interesses diversos, indo desde a resistência à mudança, passando pelo corporativismo da máquina burocrática, pelos interesses políticos-eleitoreiros, até o interesse do grande capital em obter benefícios do Estado.
Dentro dessa lógica, o Estado burocrático-industrial e o Estado gerencial seriam estados de transição de uma política de elites para uma democracia moderna, isto é, em uma democracia na qual a sociedade civil e a opinião pública seriam cada vez mais importantes, e na qual a defesa dos direitos republicanos, ou seja, do direito que cada cidadão teria de que o patrimônio público seria usado de forma pública, seria cada vez mais possível e necessária. Mesmo com todos os esforços, atualmente, é fato, ainda coexistem esses três tipos de administração nas três esferas de poder (União, estados e municípios).
A idéia norteadora da reforma do aparelho do Estado relacionava-se com os conceitos de eficiência, flexibilização, controle finalístico, contrato de gestão, qualidade e cidadão-cliente. Como alcançar, porém, esses conceitos na prática? Quais seriam, portanto, as possibilidades e os limites dos controles baseados nos resultados (autonomia), tendo em vista os condicionamentos impostos pelo princípio da legalidade (burocracia)? Como evitar que o administrador num contexto de total submissão ao texto legal e à excessiva fixação de regras para o alcance do objetivo pretendido, acabasse por enfatizar os meios em detrimento de um resultado mais eficiente e rápido, tendo em vista o permanente controle, tanto interno, quanto externo?
É cediço a ênfase conferida à descentralização administrativa, a partir do Decreto-lei 200/67 e da Constituição Federal de 1988, no tocante às políticas sociais. Porém, o que se observou, na prática, foi uma submissão das entidades descentralizadas às normas aplicáveis à administração direta, acarretando clara perda de autonomia, aparente submissão dos aspectos técnico-científicos em função das exigências políticas, dificuldades das empresas estatais atuarem em condições isonômicas nas relações de mercado com as empresas privadas, face às rígidas normas de licitação e contratação de bens e serviços.
É fácil verificar, portanto, que a reforma administrativa brasileira foi elaborada com adoção parcial dos princípios da new public management, visando sobremaneira à melhoria da performance pública, a eliminação dos excessos de padronização e da lentidão dos meios. Daí o conceito de accountability – originário das organizações privadas -, interpretado como a obrigação de responder pelos resultados, no sentido do controle orçamentário e organizacional sobre os atos administrativos, do respeito pela legalidade dos procedimentos e da responsabilização pelas conseqüências da execução das políticas públicas.
Em vista desses desafios, deu-se a adjeção de novas formas institucionais de administração pública nos últimos tempos, a exemplo das parcerias público-privadas (PPPs), consórcios, organizações não-governamentais, agências reguladoras, governança em redes, dentre outras. Convém frisar, contudo, que os sistemas de subcontratação e de parcerias, tendência em aumento nesta fase do estado regulador e de esbatimento das fronteiras do setor público, podem acarretar nítida dispersão da autoridade e das entidades às quais é devido à prestação de contas dos resultados de gestão e de utilização dos recursos públicos. O que não se pode, entretanto, esquecer, de forma alguma, é do sentimento de responsabilidade, do qual nos fala Max Weber.
Por fim, não nos custa também lembrar que o modo como a administração pública se organiza é reflexo da sociedade na qual ela está inserida. E, de acordo com a teoria social de Mangabeira Unger, pode-se entender a sociedade como um artefato. Ele ensina que a “sociedade é feita e imaginada, que ela é um artefato humano e não a expressão de uma ordem natural fundamental”. A idéia da “sociedade como artefato” no mínimo implica a não sujeição da história humana à providência divina, ou noutras palavras, os povos fazem e refazem a sociedade ad libitum.

(*) Marcos Airton de S. Freitas é escritor, Engenheiro Civil, Pós-graduando em Gestão Pública.

http://www.diariodopovo-pi.com.br/opiniao.php

Wednesday, April 02, 2008

Fábio, o fobófobo



Antonio Cardoso Neto (Brasília-DF)

E pensar que eu não acreditava nessas coisas. Bem feito! Quem me mandou mexer com isso? Se eu pudesse fazer o tempo voltar para trás... não, eu não quis dizer voltar no tempo; é só força de expressão, quero ficar aqui mesmo, já chega o que tenho sido obrigado a agüentar desde a semana passada. Como é que eu poderia imaginar que aquela bobagem ia dar nisso? Se eu soubesse que era sério, não teria falado daquela maneira, com tanta convicção. Eu estava só brincando. Jamais imaginaria que ele fosse morrer de verdade. Quando falei em voz alta que entregaria minha alma ao diabo se o avião dele caísse, não imaginava... eu estava meio bêbado, só isso... não imaginava que o avião fosse cair de verdade. Não que me sinta arrependido por ter falado que desejava sua morte, pois ele era um canalha que merecia isso mesmo. Também não tenho medo de que as pessoas que me ouviram dizer essa asneira lá no bar pensem que tenho alguma coisa a ver com a queda do avião. Estou apavorado é com Lúcifer, Belzebu, seja lá como se chame o demônio, Mefistófeles, sei lá. Não, não, não! Não estou invocando o capeta, só estou me referindo a ele na terceira pessoa. Será que também não se pode chamar seu santo nome em vão? Santo nome, não! Não foi isso que eu quis dizer. Não estou comparando Deus a Satanás. Meu Deus, já estou começando a blasfemar...

Acho que vou enlouquecer, doutor. Faz quase uma semana que não durmo direito, não agüento mais. Que tormento! Não agüento mais! Meça a minha pressão, por favor. Estou com a boca seca; o senhor me arranja um copo d’água, por favor? Será que estou morrendo? Será que já vou me encontrar com ele no inferno? Ajude-me, doutor, pelo amor de Deus. Essas pílulas são boas mesmo? Devo tomar assim, sem água? Ah, aí está o copo d’água! Obrigado, doutor, mas estou desesperado. Meu Deus do céu, por que fui me meter nisso? O fogo eterno...

Será que o diabo não é um servo de Deus, criado para encurralar nossas pretensas certezas? E se a realidade física for apenas um teste da nossa fé, e tudo for uma provação? Como é que se chamavam mesmo as árvores que existiam no centro do Éden, aquelas do fruto proibido? Não eram a Árvore da Ciência e a Árvore do Bem e do Mal? Pode ser que a Ciência seja um artifício arquitetado pelo Criador para pôr nossa crença à prova. Talvez a racionalidade científica não passe de uma emboscada para aqueles que não têm fé. Mas se for assim, será que Ele teria nos concebido só para provarmos que cremos Nele e que O amamos? Nesse caso, não teria sido mais cômodo se tivesse criado seres crédulos e acima de qualquer suspeita? Porém, como somos incrédulos e mal-agradecidos, pode ser que haja necessidade de que sejamos postos à prova continuamente. Mas se o Príncipe das Trevas estiver a serviço do Criador, há um lado maléfico na essência de Deus. Lá estou eu blasfemando de novo... perdão, meu Deus! É a tentação! O senhor acha que esse comprimido vai me fazer ficar livre do diabo, doutor? Por toda a eternidade...

Se Deus é onipotente, então Ele exerce controle sobre todas as criaturas, não é, doutor? Por outro lado, se Ele estiver limitado a engendrar apenas criaturas que se submetam à sua autoridade, Ele não é onipotente. Mas Ele é bom, e quiçá Sua infinita bondade O tenha feito preferir não ser assim tão onipotente e aceitar os caprichos do diabo, exógenos à sua vontade... mas como sou incoerente, doutor! Estou tentando demonstrar racionalmente que a racionalidade é uma miragem gerada pelo Todo-Poderoso. E tudo isso para provar para mim mesmo, por puro egoísmo, que se o coisa-ruim estiver a serviço da Providência Divina, eu não fiz mais que servir a Deus. O senhor acha que, além de incoerente, eu também estou sendo egoísta?

***

A minha boca não está mais seca como antes. Deve ser efeito do remédio. Como é que fui entrar nessa de horror? Estou morrendo de vergonha do senhor, que fiasco, doutor. Que papelão ficar ali como uma criança com medo do capeta, de Deus e de tudo. Que besteira. Agora estou me sentindo otimamente bem. Como a farmacologia se desenvolveu nesses últimos anos, hem? É uma coisa fantástica. A ciência é uma coisa fantástica. Ah, que disparate acabei de dizer. A ciência é fantástica, veja só, doutor. Fantástica, a ciência, justo a ciência. De fantástica a ciência não tem nada; seus princípios incontestáveis se fundamentam na realidade concreta e objetiva. Ela é insensível aos nossos humores e angústias, pois a natureza é indiferente ao martírio do antílope ao ter sua garganta dilacerada pelas garras do leopardo. Se somos frutos de Deus, então também o somos do diabo, pois quem, além do diabo, poderia ter concebido uma obra de tamanha crueldade como a cadeia alimentar?

E a consciência, então? Eis outra obra demoníaca. Por que será que temos consciência, quando poderíamos funcionar muito bem se fôssemos autômatos? Sem cérebro a vida seria muito mais fácil. O sujeito nasceria como se ligassem um motor de arranque. Daí em diante, bastaria acionar o piloto automático e ir vivendo até morrer. Pode ser que não sentíssemos prazer, mas também não sentiríamos culpa, e não teríamos remorso de nada.

Mas é a consciência que nos faz raciocinar. Viva o Império da Razão! Veja essas simples pílulas que o senhor me receitou, doutor. Foi só tomar, e pimba! Pouco tempo depois e aqui estou eu, bem humorado, contente; nem pareço aquele cara que na semana passada estava apavorado com o diabo. Esse negócio de alma, espírito, fantasma, é tudo conversa mole. A vida é pura química. Quer maior prova disso do que essas pílulas que tenho tomado? Estou me sentindo outro. E que outro sou eu além de alguns miligramas de substâncias químicas a mais? É isso. A vida é só isso. Pura química, nada mais que isso. Não somos nada além de matéria bruta.

O senhor é judeu, não é? O que o senhor acharia se descobrisse que os cristãos, os muçulmanos e os judeus passaram toda a História prometendo um monte de tolices e se trucidando mutuamente por uma causa imaginária? E se a nossa consciência fragmentada em bilhões de mentes não passar de um delírio de Brahma ou de Buda, e tudo isso, inclusive as religiões monoteístas, for uma ilusão? E não precisa ir longe, até a Índia ou o Tibete. Conheci um irlandês que dizia que a realidade é uma alucinação causada por abstinência muito prolongada de álcool.

A velocidade da luz é absoluta. O senhor sabe que não existe luz parada, não é, doutor? Só existe luz na velocidade da luz. O senhor também sabe que a luz é composta de fótons. Então, não existe fóton sem velocidade. Em outras palavras, a massa do fóton sem velocidade é zero. Mas, na velocidade da luz, o fóton tem massa. Se estivermos encerrados em uma caixa com velocidade constante, por exemplo, um elevador, não conseguimos saber se estamos parados ou não. E se o universo for como o fóton? E se o universo inteiro estiver se deslocando com a velocidade da luz? Será que tudo não passa do nada se deslocando com a velocidade da luz? “Se deslocando com relação a quê?”, o senhor poderia me perguntar. Em relação a nada, pois a velocidade da luz não é relativa, doutor. Será que tudo existe porque nada existe? Não, não é jogo de palavras, doutor... pense nisso.

De acordo com os físicos que trabalham com Mecânica Quântica, qualquer observação interfere no comportamento das coisas. Segundo eles, a natureza muda seu comportamento quando tentamos esquadrinhá-la, fazendo com que a realidade seja inobservável, tornando, assim, inútil qualquer descrição que tentemos fazer dela. E se não somos capazes de conhecer nem o que nos rodeia, como é que podemos tecer comentários sobre o que está além da vida?

O senhor nunca ouviu dizer que a galinha é a maneira encontrada pela natureza para que um ovo possa produzir outro ovo? Como? Clarice Lispector? Não, quem disse isso foi Samuel Butler, que morreu dezoito anos antes do nascimento dela. O primeiro a surgir foi o ovo, e a vontade do ovo é absoluta, doutor. O ovo usa a galinha sem a menor consideração pelas suas dúvidas existenciais, seus conflitos psicológicos e suas indagações metafísicas. O ovo não é mau; ele é apenas indiferente às aflições da galinha. Na verdade, é uma relação simbiótica a que o ovo estabelece com a galinha. Sim, pois é o ovo que impõe as regras dessa relação. A galinha não tem a menor escolha. Ela fica à procura do orgasmo o tempo todo, mas quem lucra com isso é o ovo. O orgasmo é a arma secreta da evolução e da seleção natural, que, por sua vez, são parte do estratagema construído pela natureza para que as espécies se perpetuem, e a gente passa a vida inteira trabalhando, descobrindo coisas e inventando moda, tentando justificar a existência, que, no fundo, não passa de um efeito colateral dessa estratégia montada pela natureza, para que um ovo produza outro ovo.

Passei a vida juntando meus cacos: uma parte andaluz, um pedaço calabrês, um quarto português e outro tanto meio desconhecido disputado entre batavos, provençais, quimbundos e tupinambás acorrentados aos grilhões inquebrantáveis de DNA. Nem eu nem ninguém somos culpados por agirmos assim ou assado, visto que somos fantoches da tirania genética; meros títeres manipulados pelos cromossomos. Ah, sim... há também a herança comportamental que adquirimos como resposta à manifestação da sociedade na nossa vida pessoal. Mas a sociedade só existe porque nossa frágil espécie, não tendo garras nem couraça, foi forçada a viver coletivamente. Sempre que surge uma oportunidade, as pessoas preferem ficar sossegadas, longe da turba, e sabem que sexo é mais importante que política. Se a realidade é naturalmente injusta, só resta à sociedade transformá-la em algo artificialmente injusto. Cabe então à sociedade racionalizar a injustiça inerente à existência. Tenho mais esperança no passado que no futuro da Humanidade. A vida mundana não tem o menor sentido, e a consciência não sobrevive à morte. Parece que foi Manuel Bandeira quem descreveu um defunto como sendo matéria liberta para sempre da alma extinta, não foi? Estou começando a ficar atormentado com isso. Que vazio, que abismo... como é que eu faço para sair dessa, doutor? Me ajude, por favor...

http://www.revistavagalume.com/23601.html

Wednesday, March 26, 2008

Alexander Kluge: o Quinto Ato


Programação no Centro Cultural Banco do Brasil Brasília

25 de Março (terça) Local: Cinema
18h – Sessão de Curtas: Brutalidade em pedra (Brutalität in Stein, 1960, 16mm, 12 min) + Professor em transformação (Lehrer im Wandel, 1962/1963, 16mm, 11 min) + Retrato de quem deu certo (Porträt einer Bewährung, 1964, 16mm, 13 min) + Sra. Blackburn (Frau Blackburn, geb. 5. Jan. 1872, wird gefilmt, 1967, 16mm, 14 min) + Bombeiro (Feuerlöscher e.a. Winterstein, 1968, 16mm, 11 min)
20h30 - O ataque do presente sobre o restante do tempo (Der Angriff der Gegenwart auf die übrige Zeit, 1985, 16mm, 106 min)

26 de Março (quarta) Local: Cinema
18h - O candidato (Der Kandidat, 1980, DVD, 124 min)
20h30 - O grande caos (Der Grosse Verhau, 1969/1970, DVD, 90 min)

27 de Março (quinta) Local: Cinema
15h30 - Alemanha no outono (Deutschland im Herbst, 1978, DVD, 119 min)
18h00 - Trabalho ocasional de uma escrava (Gelegenheitsarbeit einer Sklavin, 1973, 87 min, DVD)
20h30 - Willi Tobler e a queda da 6ª. frota (Willi Tobler und der Untergang der 6. Flotte, 1971, DVD, 78 min)

28 de Março (sexta) Local: Cinema
15h30 - O poder dos sentimentos (Die Macht der Gefühle, 1983, 16mm, 112 min)
18h – No perigo e na penúria, o meio-termo leva à morte (In Gefahr und größter Not bringt der Mittelweg den Tod, 1974, 16mm, 86 min)
20h30 - Despedida de ontem (Abschied von gestern, 1965/1966, DVD, 84 min)

29 de Março (sábado) Local: Cinema
15h30 - A patriota (Die Patriotin, 1979, 16mm, 118 min)
18h - A Indomável Leni Peickert (Die unbezähmbare Leni Peickert, 1967/1969, DVD, 33 min) + Amor cego – Conversa com Jean-Luc Godard (Blinde Liebe- Gespräch mit Jean-Luc Godard, 2001, DVD, 24 min)
20h30 - Artistas na cúpula do circo: perplexos (Die Artisten in der Zirkuskuppel: ratlos, 1967, DVD, 100 min)

30 de Março (domingo) Local: Cinema
15h - Guerra e Paz (Krieg und Frieden, 1982/1983, DVD, 118 min)
17h30 - Notícias variadas (Vermischte Nachrichten, 1986, DVD, 103 min)
19h30 - Trabalho ocasional de uma escrava (Gelegenheitsarbeit einer Sklavin, 1973, 87 min, DVD)

01 de Abril (terça) Local: Cinema
18h - Despedida de ontem (Abschied von gestern, 1965/1966, DVD, 84 min)
20h30 - No perigo e na penúria, o meio-termo leva à morte (In Gefahr und größter Not bringt der Mittelweg den Tod, 1974, 16mm, 86 min)

02 de Abril (quarta) Local: Cinema
18h - Artistas na cúpula do circo: perplexos (Die Artisten in der Zirkuskuppel: ratlos, 1967, DVD, 100 min)
20h30 – Willi Tobler e a queda da 6ª. frota (Willi Tobler und der Untergang der 6. Flotte, 1971, DVD, 78 min)

03 de Abril (quinta) Local: Cinema
15h30 - O ataque do presente sobre o restante do tempo (Der Angriff der Gegenwart auf die übrige Zeit, 1985, 16mm, 106 min)
18h - O grande caos (Der Grosse Verhau, 1969/1970, DVD, 90 min)
20h30 - O candidato (Der Kandidat, 1980, DVD, 124 min)

04 de Abril (sexta) Local: Cinema
15h30 - Sessão de Curtas: Brutalidade em pedra (Brutalität in Stein, 1960, 16mm, 12 min) + Professor em transformação (Lehrer im Wandel, 1962/1963, 16mm, 11 min) + Retrato de quem deu certo (Porträt einer Bewährung, 1964, 16mm, 13 min) + Sra. Blackburn (Frau Blackburn, geb. 5. Jan. 1872, wird gefilmt, 1967, 16mm, 14 min) + Bombeiro (Feuerlöscher e.a. Winterstein, 1968, 16mm, 11 min)
18 - O poder dos sentimentos (Die Macht der Gefühle, 1983, 16mm, 112 min)
20h30 - A patriota (Die Patriotin, 1979, 16mm, 118 min)

05 de Abril (sábado)
15h30 - Ferdinand, o forte (Der Starke Ferdinand, 1975/1976, 16mm, 79 min)
18h - Trabalho ocasional de uma escrava (Gelegenheitsarbeit einer Sklavin, 1973, 87 min, DVD)
20h30 - Documentário Alexander Kluge: o 5º ato. Uma conversa com Bruno Fischli
(2007, colorido, DVD, 28 min, legendas em português) seguido de palestra sobre Alexander Kluge com José Carlos Avellar

06 de Abril (domingo)
15h30 - Notícias variadas (Vermischte Nachrichten, 1986, DVD, 103 min)
18h - Guerra e Paz (Krieg und Frieden, 1982/1983, DVD, 118 min)
20h30 - A Indomável Leni Peickert (Die unbezähmbare Leni Peickert, 1967/1969, DVD, 33 min) + Amor cego – Conversa com Jean-Luc Godard (Blinde Liebe- Gespräch mit Jean-Luc Godard, 2001, DVD, 24 min)

08 de Abril (terça)
18h - Ferdinand, o forte (Der Starke Ferdinand, 1975/1976, 16mm, 79 min)
20h30 - Notícias variadas (Vermischte Nachrichten, 1986, DVD, 103 min)

09 de Abril (quarta)
18h - Willi Tobler e a queda da 6ª. frota (Willi Tobler und der Untergang der 6. Flotte, 1971, DVD, 78 min)
20h30 - O poder dos sentimentos (Die Macht der Gefühle, 1983, 16mm, 112 min)

10 de Abril (quinta)
15h30 - O candidato (Der Kandidat, 1980, DVD, 124 min)
18h - Alemanha no outono (Deutschland im Herbst, 1978, DVD, 119 min)
20h30 - Despedida de ontem (Abschied von gestern, 1965/1966, DVD, 84 min)

11 de Abril (sexta)
15h30 - A Indomável Leni Peickert (Die unbezähmbare Leni Peickert, 1967/1969, DVD, 33 min) + Amor cego – Conversa com Jean-Luc Godard (Blinde Liebe- Gespräch mit Jean-Luc Godard, 2001, DVD, 24 min)
18h - No perigo e na penúria, o meio-termo leva à morte (In Gefahr und größter Not bringt der Mittelweg den Tod, 1974, 16mm, 86 min)
20h30 - Ferdinand, o forte (Der Starke Ferdinand, 1975/1976, 16mm, 79 min)

12 de Abril (sábado)
15h30 - Artistas na cúpula do circo: perplexos (Die Artisten in der Zirkuskuppel: ratlos, 1967, DVD, 100 min)
18h - A patriota (Die Patriotin, 1979, 16mm, 118 min)
20h30 - Guerra e Paz (Krieg und Frieden, 1982/1983, DVD, 118 min)

13 de Abril (domingo)
15h30 - O grande caos (Der Grosse Verhau, 1969/1970, DVD, 90 min)
18h - O ataque do presente sobre o restante do tempo (Der Angriff der Gegenwart auf die übrige Zeit, 1985, 16mm, 106 min)
20h30 - Sessão de Curtas: Brutalidade em pedra (Brutalität in Stein, 1960, 16mm, 12 min) + Professor em transformação (Lehrer im Wandel, 1962/1963, 16mm, 11 min) + Retrato de quem deu certo (Porträt einer Bewährung, 1964, 16mm, 13 min) + Sra. Blackburn (Frau Blackburn, geb. 5. Jan. 1872, wird gefilmt, 1967, 16mm, 14 min) + Bombeiro (Feuerlöscher e.a. Winterstein, 1968, 16mm, 11 min)

Classificação indicativa: 16 anos para todos os filmes.
Todos os filmes de longa-metragem tem legendas em português.
Filmes longa-metragem
Os ingressos custam R$ 4 (inteira) e R$ 2 (meia).
Fonte: www.goethe.de/brasilia

CARAVANÇARÁ



venho de milhares de eras de Sete Cidades
sou um milhão de civilizações gurguê
pinto com sangue os paredões de meus atos
incompletos no Boqueirão da Pedra Furada
gravo na terra indescifráveis geoglifos
em picos de morros da Serra das Confusões
renasço em arte naïf nas espinhas de peixes
fósseis da Chapada do Araripe
enquanto na Serra Vermelha sobram apenas
as cinzas da ignorante ganância de alguns

poema: Marcos Freitas, do livro 'raia-me fundo o sonho tua fala' - 2007
imagem: ilustração de Manoela Afonso, 2007

Adquirir o livro em: http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=9044865&sid=74115020313226344584235846&k5=2C0AC4C7&uid=

INSTANTES, APENAS



que sabemos nós do tempo,
se a cada momento deixamos
de ser o que somos?

do silêncio nada sabemos.
a cada instante somos, apenas.

poema: Marcos Freitas, do livro 'raia-me fundo o sonho tua fala' - 2007
imagem: ilustração de Manoela Afonso, 2007.

Adquirir o livro em: http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=9044865&sid=74115020313226344584235846&k5=2C0AC4C7&uid=

AGUACEIRO




o janeiro de chuva
chove
num dia inteiro
de fevereiro

poema: Marcos Freitas, do livro 'raia-me fundo o sonho tua fala' - 2007
imagem: ilustração de Manoela Afonso, 2007.

Adquirir o livro em: http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=9044865&sid=74115020313226344584235846&k5=2C0AC4C7&uid=

FIM DE FEIRA

das enjeitadas frutas
compadeço-me

em decomposição
não lhas restam
senão o endereço
da brenha de origem

podres
já não valem
mísero tostão

poema: Marcos Freitas, do livro 'raia-me fundo o sonho tua fala' - 2007.

Adquirir o livro em: http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=9044865&sid=74115020313226344584235846&k5=2C0AC4C7&uid=

A Gestão Florestal do Piauí

Marcos Airton de S. Freitas.
Escritor, professor universitário e pós-graduado em Meio Ambiente e Recursos Hídricos.

Poucos têm conhecimento, entretanto, o Piauí dispõe da Lei nº 5.178, de 27 de dezembro de 2000. Não se sabe porque motivos, mas o Plano de Gestão Florestal do Piauí sequer faz menção a essa importante lei. Essa lei instituiu a Política Florestal do Estado e conforme seu Artigo 2º tem por finalidade o uso sustentável adequado e racional dos recursos florestais com base em conhecimento técnico-científico de ordem econômica, social e ecológica, visando a melhoria de qualidade de vida da população e a compatibilização do desenvolvimento sócio-econômico, com a conservação e preservação do ambiente. São objetivos da lei, dentre outros: identificar, implantar, gerenciar e manter um sistema estadual de unidades de conservação, de forma a proteger comunidades biológicas representativas dos ecossistemas naturais florestal; promover o inventário contínuo da cobertura florestal do Estado, com divulgação de dados, de forma a permitir o planejamento e racionalização das atividades florestais; implantar banco de dados que reúna todas as informações existentes na área florestal, inclusive efetuar o controle estatístico da oferta e procura de matéria-prima florestal em níveis regional e estadual; manter cadastro de produtores, comerciantes e consumidores de produtos florestais no Estado.

Para a consecução desses objetivos diversos instrumentos são enumerados no escopo da lei, dentre os quais se destacam: o diagnóstico do setor florestal do Estado do Piauí; o programa de desenvolvimento florestal; os planos de manejo florestal; a lista das espécies de flora e fauna raras endêmicas e ameaçadas de extinção; o estabelecimento de critérios, padrões e normas relativas ao uso, e o manejo dos recursos naturais, de exploração econômica das florestas e demais formas de vegetação; o zoneamento agro-ecológico/econômico-florestal; o estudo prévio de impactos ambientais; o monitoramento das florestas e demais formas de vegetação; o licenciamento de atividades utilizadoras de recursos naturais efetivas ou potencialmente degradadoras das florestas. Infelizmente, nenhum desses instrumentos vem sendo implementado, em parte ou na sua íntegra.

O Piauí vem, equivocamente, destruindo sua imensa biodiversidade natural, composta de importantes biomas, a exemplo do cerrado, da caatinga, da mata atlântica e das matas de cocais. Enquanto, todo o mundo avança no sentido de conservação e uso racional de seus biomas, a exemplo da valorização de produtos florestais não-madeireiros, como o pequi, o buriti, a cagaita, a copaíba, o jaborandi, a mangaba, o babaçu, o angico, o barbatimão, dentre outros, o Piauí vem sistematicamente eliminando suas matas para a monocultura da soja, absurdamente para a geração de carvão, reduzindo sua enorme riqueza hídrica e, num futuro próximo, espantem-se, possivelmente para a plantação de eucaliptos visando alimentar o mercado europeu com papéis.

É necessidade premente, e dever do Estado, planejar e gerir a diversidade ambiental do território piauiense, dentro de uma visão ecológica, política e sócio-econômica mais ampla e justa. O conhecimento de suas potencialidades e limitações ambientais e sociais deveria ser, sem dúvida, a marca e o ponto de partida para uma empreitada rumo ao verdadeiro desenvolvimento sustentável do Estado do Piauí.

Jornal Diário do Povo, domingo, 24 de fevereiro de 2008.

Escritores são homenageados no Açougue Cultural T-Bone

Foto: Francisca Azevedo.

Escritores homenageados: Gustavo Dourado, Cristovam Buarque, Timm Martins e Marcos Freitas.

Biblioteca da Parada Cultural 716 Norte


Estamos recebendo doações de livros para a Biblioteca. Quem se aventura?

Convite de Lançamento - Astrid Cabral

Saldanha Rolim no Feitiço Mineiro

Programação cultural do T-Bone dessa quinta (27/03)

Tributo ao poeta Anderson Braga Horta

1º Encontro Mensal do Ciclo de Leituras no CEFOR


Sexta-Feira, dia 28 de Março de 2008, meio dia e meia!

A partir desta semana, toda última sexta-feira do mês temos um encontro marcado no Auditório do CEFOR. Lá faremos a leitura comentada de textos de nossos autores homenageados, este mês, Machado de Assis e grandes letras de Milton Nascimento.
Dois textos de Machado de Assis. Cinco grandes canções de Milton Nascimento projetadas do show “Tambores de Minas”.
Sempre escolheremos cinco de nossos autores do Núcleo para nos mostrarem suas produções pessoais.
Textos de Luci Afonso, Alexandra Rodrigues, Roberto Klotz, Amélia Costa, Isolda Marinho e Marco Antunes
É muito importante que você, nosso amigo, esteja conosco nestes encontros mais do que especiais.
Haverá Puchero de Lentilhas acompanhado de refrigerante e todas as guloseimas que vocês trouxerem para a festa.

Thursday, March 20, 2008

Piauiense lança livro pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores

18-03-2008 - 14:45:00

"Raia-me fundo o sonho tua fala" é o sexto livro de poesia de Marcos Freitas que está sendo lançado pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores. O evento de lançamento do livro de Marcos Freitas acontece durante as comemorações dos dez anos do Projeto Açougue Cultural T-Bone em Brasília.

MARCOS FREITAS é Natural de Teresina, Piauí. Engenheiro Civil. Poeta, contista e tradutor. Participa do Coletivo de Poetas, em Brasília. Publicou os livros "A Vida Sente a Si Mesma" (2003), "A Terceira Margem Sem Rio" (2004), "Moro do Lado de Dentro (2004), "Quase um Dia" (2006), "Na Curva de um Rio, Mungubas" (2006). Participou de dezenas de Antologias de Poesias e Contos. Inéditos os livros "Staub und Schotter" (poesias em alemão, inglês,italiano, espanhol e francês), "Amores fora dos eixos" (romance) e Barrocão (romance). Premiado em 3º lugar no Prêmio SESC de Poesia Carlos Drummond de Andrade, em 2006. É editor da Revista Eletrônica "emverso&pros@",no endereço eletrônico http://www.emversoeprosa.blogspot.com

No dia 20/03 acontecerá a apresentação do Quarteto de Brasília Quarteto de cordas de formação erudita, que transita também pelo popular. Fundado em 1986, já realizou turnês pelo Brasil, EUA,Mercosul, Ásia e Europa e foi laureado com os Prêmios Sharp, Fundação Ok, Ordem do Mérito Cultural do DF e IX Prêmio Carlos Gomes como destaque em música de Câmara de 2004. Participou dos principais Festivais de música do Brasil. Sua discografia inclui oito títulos, com obras de Villa-Lobos, Ravel, Dvoràk, Carlos Gomes, Guerra-Peixe, Clássicos da MPB, Henrique Oswald, Luis de Freitas Branco, Arthur Bliss e Glinka.

Redação 45Graus
http://www.45graus.com.br/clipping.php?idnoticia=24670

Adquirir o livro em: http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=9044865&sid=74115020313226344584235846&k5=2C0AC4C7&uid=

Wednesday, March 19, 2008

João Cabral de Melo Neto e Carlos Drummond de Andrade

"Difícil ser funcionário
Nesta segunda-feira.
Eu te telefono, Carlos,
Pedindo conselho.

Não é lá fora o dia
Que me deixa assim,
Cinemas, avenidas
E outros não fazeres.

É a dor das coisas,
O luto desta mesa;
É o regimento proibindo
Assovios, versos, flores."

João Cabral de Melo Neto.


"As coisas talvez melhorem. São tão fortes as coisas!
Mas eu não sou as coisas e me revolto."

Carlos Drummond de Andrade.

Monday, March 17, 2008

Lançamento de "Raia-me fundo o sonho tua fala"



(clique na foto para ampliar!)


Confira aqui a programção para o dia 20/03:

APRESENTAÇÃO MUSICAL:

QUARTETO DE BRASÍLIA - Quarteto de cordas de formação erudita, que transita também pelo popular. Fundado em 1986, já realizou turnês pelo Brasil, EUA, Mercosul, Ásia e Europa e foi laureado com os Prêmios Sharp, Fundação Ok, Ordem do Mérito Cultural do DF e IX Prêmio Carlos Gomes como destaque em música de Câmara de 2004. Participou dos principais Festivais de música do Brasil. Sua discografia inclui oito títulos, com obras de Villa-Lobos, Ravel, Dvoràk, Carlos Gomes, Guerra-Peixe, Clássicos da MPB, Henrique Oswald, Luis de Freitas Branco, Arthur Bliss e Glinka.


LANÇAMENTO DO LIVRO: “Raia me fundo o sonho tua fala”, pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores, no Rio de Janeiro.

MARCOS FREITAS – Natural de Teresina, Piauí. Engenheiro Civil. Poeta, contista e tradutor. Participa do Coletivo de Poetas, em Brasília. Publicou os livros “A Vida Sente a Si Mesma” (2003), “A Terceira Margem Sem Rio” (2004), “Moro do Lado de Dentro (2004), “Quase um Dia” (2006), “Na Curva de um Rio, Mungubas” (2006). Participou de dezenas de Antologias de Poesias e Contos. Inéditos os livros “Staub und Schotter” (poesias em alemão, inglês, italiano, espanhol e francês), “Amores fora dos eixos” (romance) e Barrocão (romance). Premiado em 3º lugar no Prêmio SESC de Poesia Carlos Drummond de Andrade, em 2006. É editor da Revista Eletrônica “emverso&pros@” http://emversoeprosa.blogspot.com


GUSTAVO DOURADO – Formado em Letras e Comunicação pela UnB, em 1985. Publicou onze livros, entre eles: Phalábora-Shambhala , pela VGE/AVBL, (1997/2001); Linguátomo-Ybez, em 1991; Tupinambarbárie?- Yônix, em 1984; Cordëli@ (web), em 2007. Ganhou vários prêmeos: Unesco - World Poetry Day (2001/2007); AVSPE (2006/2007); Melhores do Mundo (2005/2008); IWA International (2007). Ganhou vários prêmeos internacionais: Unesco - World Poetry Day, em 2001/2007; Unesco - World Portal Libraries, em 2005; Xicoatl/Yage-Áustria, em1992. Representante da União Brasileira de Escritores. Site: http://www.gustavodourado.com.br

TIMM MARTINS – Músico, escritor e ator por formação. Um artista múltiplo que tem em sua cidade a fonte de sua inspiração: o céu, o cerrado, a gente. Entre outras atividades, é sócio e voluntário da OnG Greenpeace e Diretor de Projetos Especiais do Sindicato de Escritores de Brasília-DF. Publicações: “BAM! Poesia pra quem tem, entre um par de ouvidos, cérebro!”, pela Litteris Editora no RJ (1998); “20 Poetas Contemporâneos da Língua Portuguesa”, pela Usina de Letras de SP (2005) ; “FLUXO & REFLUXO”, pela LGE EDITORA, (2007). www.timmmartins.com.br

CRISTOVAM BUARQUE - Senador pelo DF, educador e professor universitário brasileiro. Graduado em engenharia mecânica pela Universidade Federal de Pernambuco (1966). Ex-reitor da Universidade de Brasília, ex-governador do Distrito Federal (1994). Autor de dezenas de livros, tem inúmeros artigos publicados e foi consultor de diversos organismos nacionais e internacionais no âmbito das Nações Unidas (ONU). Foi agraciado com o Prêmio Jabuti de Literatura de 1995, na categoria Ciências Humanas. A intenção de promover uma "revolução... pela educação" é uma idéia que segue a linha de pensamento de importantes intelectuais brasileiros, como Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro e Paulo Freire.

Exposição de artes plásticas:

MARCELINO CRUZ - Artista Plástico graduado pela Universidade de Brasília – UnB, em 1999. Professor de Arte - Secretaria de Estado de Educação – GDF.

Apresentação: Mímico Miquéias Paz

http://www.t-bone.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=115&Itemid=1

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Thursday, March 13, 2008

Wednesday, March 12, 2008

Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade 2008

Preservação do Patrimônio

Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade 2008 está com inscrições abertas até 5 de maio
“Aquilo que se denomina Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (…) é o documento de identidade da nação brasileira. A subsistência desse patrimônio é que comprova, melhor do que qualquer outra coisa, nosso direito de propriedade sobre o território que habitamos.” Rodrigo Melo Franco de Andrade

A 21ª edição do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade - promovido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), órgão vinculado ao Ministério da Cultura - está com inscrições abertas até o dia 5 de maio. Podem participar empresas, instituições e pessoas, de todo o país, que procuram estimular e valorizar a preservação do patrimônio cultural brasileiro.

A premiação é composta de um troféu, um certificado e R$ 20 mil e contempla sete categorias: apoio institucional e financeiro, divulgação, educação patrimonial, inventário de acervos e pesquisa, preservação de bens móveis e imóveis, proteção do patrimônio natural e arqueológico, salvaguarda de bens de natureza imaterial.

Os candidatos devem apresentar as ações em forma de dossiê com no máximo duas páginas de 30 linhas (datilografado ou impresso em formato Word). Também é necessário reunir elementos iconográficos, audiovisuais ou qualquer outra espécie de material ilustrativo ou produto, que possibilitem a plena caracterização da atividade.

O edital e a ficha de inscrição com o detalhamento do Prêmio encontram-se no site do Iphan e também são disponibilizados nas Superintendências Regionais do órgão. As ações pré-selecionadas serão analisadas pela Comissão Nacional de Avaliação, formada pelo presidente do Iphan, por representantes de instituições do Governo Federal e de outras ligadas à preservação do patrimônio cultural.

O Prêmio - Foi criado em 1987 e assim denominado em homenagem ao primeiro dirigente do Iphan, Rodrigo Melo Franco de Andrade. Ele foi o organizador do Serviço do Patrimônio para que não fossem esquecidos aqueles que iniciaram a tarefa de proteger o patrimônio cultural do Brasil e que só o fizeram porque tinham idéias vanguardistas. A premiação tem procurado, nestes 21 anos, estimular e valorizar todos aqueles que atuam em favor da preservação do patrimônio cultural brasileiro.

A cerimônia de entrega das premiações acontecerá em Brasília, em data e local ainda a serem definidos. O anúncio dos nomes dos vencedores será divulgado no mês de julho.

(Texto: Marcelo Lucena, Comunicação Social/MinC)

Publicado por Clelia Araujo/Comunicação Social
Categoria(s): Notícias do MinC, O dia-a-dia da Cultura
Tags: Patrimônio brasileiro, Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade

Fonte: http://www.cultura.gov.br/site/?p=10837

Monday, March 10, 2008

Ana Clélia de Freitas lança livro de poesia: Maya

Um poema que alguém cantou
no solitário das nuvens
um poema de alma perdida
e céu aberto

e que vê-lo assim, à noite,
à beira-mar
nos enleva num sorriso
no tempo incerto.

Um poema simples, frágil, solitário
ferido de mortal beleza
um poema escondido num relicário
qual jóia secreta

um grito profundo da alma
um sopro do coração
um rio que flui e brilha
em terra deserta.

Ana Clélia de Freitas, no livro Maya.

Fonte: http://www.chaya13.blogspot.com/

Curto-Circuito da Palavra



O Curto-Circuito está de volta!
E para abrir os trabalhos três vozes femininas. Este é o primeiro até julho, um por mês. Poesia e tantas narrativas.
Organização: Paco Cac.

Poemas das autoras

Sylvia Cyntrão:
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/distrito_federal/sylvia_cyntrao.html

Angélica Torres:
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/distrito_federal/angelica_torres_lima.html

Vera Americano:
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/distrito_federal/vera_americano.html

Doação de Livros - Projeto Parada Cultural

GRITO INTERROMPIDO


GRITO INTERROMPIDO, poemas de Antonio Miranda e fotos de Robson Corrêa de Araújo, é o primeiro título das Edições Fresta, dedicada a livros de arte em edições reduzidíssimas. Formato 12X12 cm, papel couchê 150 g, capa dura costurada, fotos em cores, exemplares numerados e assinados pelos autores. Apenas 50 exemplares, para colecionadores. Layout gráfico de Nelson Guimarães. Lançamento no restaurante CARPE DIEN, na quadra 104 sul, SEGUNDA-FEIRA, dia 24 de março.

Fonte: http://www.antoniomiranda.com.br/

Thursday, March 06, 2008

Marcelo Maia


Quase que o mundo ia perdendo um grande artista para as garras do cartesianismo. Mas Marcelo conseguiu se livrar a tempo da engenharia, e resolveu ser músico. Hoje, seu negócio é a tão pouco divulgada música instrumental, o que, por si só, já faz com que seu público não seja muito grande. Além disso, sua música é definitivamente de vanguarda, o que, neste mundo dominado pelo relativismo pós-modernista, torna seu público ainda mais restrito. Para completar, ele vive em Goiânia, terra de duplas sertanejas et caterva. Mas Marcelo não liga e vai tocando a vida... e como toca!
Mais de quinze anos atrás, seguiu para Hamburgo, na Alemanha, onde trabalhou durante um ano e meio com músicos de todo canto do planeta. Mais tarde, estudou harmonia funcional e improvisação com Ian Guest no Rio de Janeiro. Foi aluno de Jeff Andrews, Jorge Helder, Nico Assumpção e Yuri Popoff. Tocou em Jam Sessions com Márcio Bahia, Marcelo Martins, Kiko Continentino e outras feras da música instrumental brasileira. Também tocou com Toninho Horta, o grande guitarrista e compositor mineiro.
Participa do Grupo Solo Brasil desde sua criação, em 1999, com o espetáculo “Uma viagem através da música do Brasil”, elaborado pelo embaixador Lauro Moreira, no qual são retratados 100 anos da música do Brasil. Excursionou com este grupo pela Nicarágua, República Dominicana, Venezuela, México, Cuba, Jamaica, Bahamas, Argentina, Uruguai e Paraguai, Alemanha, Áustria, França e Marrocos. Atualmente trabalha com Bel Maia, Maria Eugênia, João Caetano, Fernando Perillo e Pádua. É também produtor musical e arranjador.
Em meados da década de 90 Marcelo Maia juntou-se ao baterista Chocolate e aos vocalistas e compositores Bel Maia e Zezão e formaram o Grupo Cafundó, onde misturavam música africana com forró. Com este grupo chegou a gravar um cd demo com a participação de Júnior Marvin, atual vocalista do grupo The Wailers. Foi com este trabalho que Marcelo Maia começou a perceber a semelhança da música brasileira com a africana.
A influência de Jaco Pastorius na grande parte dos baixistas da atualidade é um fato, porém menos comum seria buscar influências em músicos que não sejam necessariamente baixistas, como Joe Zawinul, Wayne Shorter, Paco Sery, Heraldo do Monte, Sivuca, Dominguinhos, Salif Keita, e do reggae de Bob Marley entre outros. Isso é percebido no cd cafundó. Cafundó tornou-se o nome do primeiro cd do baixista Marcelo Maia, trabalho autoral, onde o músico desenvolve um trabalho de pesquisa da música instrumental brasileira, acrescentando influências de jazz, música africana e outros estilos, conseguindo assim uma maneira peculiar de compor e tocar. Em viagem ao Marrocos teve a oportunidade de conhecer a música Gnawa, e novamente percebeu que existia semelhança rítmica com a música brasileira. Adquiriu um Haj-Houj (baixo marroquino de três cordas), aprendeu a técnica deste instrumento com músicos marroquinos e incorporou-o ao seu trabalho.
No ano passado, Marcelo lançou o disco CORES DA RUA, com 10 músicas inéditas, contando com a participação de Márcio Bahia (bateria), Kiko Continentino (piano) e Marcelo Martins (sax); além de Toninho Horta em uma das faixas.
Neste cd de estréia, teve a oportunidade de tocar com músicos de qualidade inquestionável, como o baterista Chocolate, assim como o saxofonista e flautista Marcelo Martins, com o pianista e tecladista William Magalhães, com o trompetista Jessé Sadoc, com o violonista Pedro Braga, com o percussionista Gustavo Di Dalva, além dos músicos com que já trabalha há alguns anos e que fazem parte de sua banda: Luiz Chaffin (guitarrista), Ney Quinonero (guitarrista), Edílson Moraes (percussionista), Zezão (vocalista), Buba (percussionista e vocalista do Senegal), Bel Maia (vocalista) e Fred Valle (baterista). Também fizeram participações especiais outros músicos convidados.
Seu trabalho mais recente é CAFUNDÓ 2. Para quem gosta de jazz, é um prato cheio. Afinal de contas, Marcelo é um instrumentista, e não um estrumentista.

Ouça e compre o CD: http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendID=243982738

CORA DENTRO DE MIM - Lília Diniz